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"A Costureira Que Rasgou o Terno do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — A Costura de Sofia

正文开头

Dante abriu a porta antes que a bengala tocasse o chão pela segunda vez.

Augusto Montenegro esperava no corredor, acompanhado por dois homens da fundação. Seu rosto continuava preocupado, mas os olhos buscaram imediatamente a fita sobre a mesa.

“Encontraram alguma coisa?”

Dante dobrou o aviso de Sofia e o fechou na mão.

“Um fio solto.”

Helena observou a mentira. Augusto também.

“A polícia está chegando”, disse o padrinho. “Não entregue sua vida a desconhecidos. Deixe que eu cuide disso como sempre cuidei.”

“É exatamente o que vou investigar.”

Dante fechou a porta.

Rafael apontou para uma saída de serviço. Um carro blindado aguardava na garagem, longe das câmeras da imprensa.

Helena recusou-se a entrar.

“Meu ateliê está sendo saqueado.”

“Minha equipe chegou ao Brás”, respondeu Rafael. “O invasor fugiu antes. Não há feridos.”

“E o envelope?”

“Levou.”

“Então não há motivo para eu ir com vocês.”

Dante segurou a porta do carro.

“O motivo é que o aviso estava escondido numa peça feita por sua irmã, e meu padrinho apareceu quando você o encontrou.”

“Isso não faz de você confiável.”

“Não. Faz de nós dois alvos do mesmo homem.”

Helena entrou.

O carro seguiu para Jardim Europa sem sirenes. Rafael recolheu os celulares e colocou-os numa bolsa bloqueadora. Dante permaneceu em silêncio, examinando a fita sob a luz interna.

Havia seis pontos azuis na borda.

“Isso significa alguma coisa?”, perguntou.

Helena aproximou o papel.

“Sofia bordava quando ficava nervosa. Mas nunca fazia pontos decorativos sem sequência.”

Ela tocou cada marca.

Curto, curto, longo. Longo, curto, curto.

“É um código.”

“Você consegue ler?”

“Não sem as amostras dela.”

A mansão Montenegro ficava atrás de muros altos e árvores antigas. Helena esperava encontrar ostentação. Encontrou corredores silenciosos, móveis escuros e retratos de pessoas que pareciam desconfiar umas das outras até dentro das molduras.

Beatriz Montenegro desceu a escada antes que Dante chamasse.

“Meu filho.”

Ela tocou o corte no ombro dele e depois olhou para Helena.

“Foi você quem o salvou.”

“Foi minha irmã quem deixou o aviso.”

Beatriz empalideceu ao ouvir o nome de Sofia.

“A jovem do ateliê.”

Helena deu um passo em sua direção.

“A senhora a conhecia?”

“Ela ajustou um vestido meu no ano passado. Tinha mãos delicadas.”

“E desapareceu seis meses atrás.”

Beatriz desviou os olhos para Dante.

“Augusto disse que ela havia roubado documentos da empresa.”

“Augusto disse”, repetiu Helena.

Dante mostrou a fita à mãe.

“Sofia deixou isto dentro do meu terno.”

Beatriz leu e se apoiou no corrimão.

“Seu padrinho o criou depois que seu pai morreu.”

“Isso não responde por que a moça escreveu o nome dele.”

“Porque talvez estivesse assustada e confundida.”

Helena sentiu a raiva subir.

“Minha irmã não confundia a pessoa que a perseguia.”

Beatriz sustentou seu olhar.

“E seu pai também não confundiu quando acusou esta família?”

Dante colocou-se entre as duas.

“Chega.”

Helena não obedeceu ao encerramento. Abriu a bolsa e tirou uma cópia amassada do boletim de desaparecimento de Sofia.

正文1

“A polícia recebeu uma declaração anônima dizendo que ela planejava viajar. A ligação partiu de um telefone registrado em nome da Fundação Montenegro.”

Beatriz levou a mão ao colar.

“Eu não sabia.”

“Alguém nesta casa sabia o bastante para transformar uma mulher sequestrada numa fugitiva.”

Dante pegou o boletim. O número da fundação aparecia no relatório técnico, mas a ligação fora feita às duas e treze da madrugada, quando o prédio deveria estar vazio.

Ele chamou o administrador e exigiu a lista de pessoas com acesso noturno. O homem explicou que arquivos antigos precisariam de autorização da vice-presidência.

“Você tem minha autorização.”

“O senhor Augusto bloqueou consultas externas depois do vazamento.”

Dante desligou devagar.

“Meu padrinho controlou a investigação antes que eu soubesse que ela existia.”

Helena guardou o boletim.

“Agora entende por que não aceito proteção sem respostas?”

“Entendo por que você ainda está viva. Sofia construiu pistas que só você poderia ler.”

A frase alterou o ar entre eles. Até então, Helena se considerava apenas a irmã deixada para trás. Pela primeira vez, percebeu que Sofia contara com ela desde o início.

Ele levou Helena ao escritório e pediu que Rafael exibisse as imagens do ateliê. O invasor conhecia o lugar. Não perdeu tempo com o caixa nem com as máquinas. Procurou apenas a bancada de Sofia.

Em um quadro, a câmera capturou o punho de sua jaqueta.

Havia uma etiqueta vermelha costurada na manga.

“Bellucci”, disse Helena. “Uniforme interno da fábrica.”

Rafael ampliou a imagem.

“A empresa fechou a unidade do Brás há quatro anos.”

“Não fechou completamente”, respondeu Dante. “O depósito ainda recebe material devolvido.”

“Quem controla o acesso?”

Rafael demorou a responder.

“A vice-presidência operacional.”

Augusto.

Dante ligou para a diretoria de tecnologia e ordenou a preservação de registros. Ninguém deveria ser avisado de que a investigação começara.

Helena pediu para voltar ao ateliê.

“Você ficará aqui esta noite”, disse Dante.

“Não recebo ordens suas.”

“Recebe quando alguém invade seu endereço usando um uniforme do meu grupo.”

“É assim que você protege as pessoas? Trancando-as?”

“É assim que mantenho vivas as pessoas que insistem em correr para o perigo.”

Helena chegou perto o bastante para sentir o cheiro amadeirado da camisa dele.

“Minha irmã correu sozinha porque pessoas como você fizeram a polícia acreditar que ela era uma ladra.”

Dante não se afastou.

“Então não repita o erro dela.”

O telefone de Rafael tocou.

“Encontraram sangue no ateliê.”

Helena perdeu a cor.

“De quem?”

“Pouco. Perto da janela. Pode ser do invasor.”

“Eu vou agora.”

Dante pegou outro paletó e acompanhou-a.

No Brás, a rua estava molhada pela chuva. Viaturas ocupavam a frente do prédio, mas os policiais não haviam percebido que o invasor removera apenas parte do fundo falso.

Antes de entrar, Helena viu a placa torta do Ateliê Prado e parou sob a chuva. Havia pago cada letra com o dinheiro do primeiro vestido de noiva que costurara sem ajuda. Sofia pintara a última flor no canto.

正文2

Dante ficou ao lado dela, sem tentar apressá-la.

“Você pode mandar consertar tudo”, disse Helena. “Mas não pode devolver o lugar ao minuto anterior à invasão.”

“Não costumo prometer o que não posso devolver.”

“O que costuma prometer?”

“Que a pessoa responsável não fará isso outra vez.”

Helena não soube se ouvira proteção ou sentença.

Dentro, encontrou uma gota de sangue na moldura e um pedaço de luva preso ao trinco. O invasor cortara a mão ao entrar. Camila poderia obter DNA, caso ninguém mandasse perder a amostra.

Dante telefonou diretamente para a delegada e pediu protocolo lacrado. Helena percebeu que ele citou o nome do próprio padrinho como possível interessado na prova.

Era pouco para reparar o passado. Ainda assim, era a primeira vez que um Montenegro arriscava o nome da família diante dela para preservar uma evidência.

Helena ajoelhou-se entre linhas espalhadas. Passou a mão sob a bancada e encontrou uma ranhura.

“Sofia fazia compartimentos duplos.”

Ela pressionou a madeira. Uma lâmina fina se abriu.

Dentro havia doze quadrados de tecido numerados, uma chave pequena e um carretel de linha verde.

Dante recolheu a chave.

“De onde é?”

“Não sei.”

Helena alinhou os retalhos. Cada um tinha uma combinação diferente de pontos azuis. Os seis pontos da fita correspondiam ao retalho número quatro.

No verso, Sofia escrevera: Rua Miller, 418.

Rafael consultou o endereço.

“Antiga fábrica da Bellucci.”

Helena examinou o carretel verde. Sofia só usava aquela cor para ajustes de vestidos infantis. Não fazia sentido deixá-lo com tecidos de alfaiataria.

Ela puxou a ponta da linha.

Um papel estreito saiu enrolado do centro do carretel.

Havia uma frase:

“Se Helena encontrar isto, procure a parede que ainda respira.”

Dante olhou para os tijolos antigos do ateliê.

“Há alguma parede oca?”

“Não aqui.”

Helena encarou o endereço da fábrica.

“Sofia dizia que aquele prédio respirava no inverno. O vapor saía pelas rachaduras mesmo depois do fechamento.”

Rafael recebeu outra chamada e ficou tenso.

“Os registros da Bellucci foram apagados há vinte minutos.”

“Quem autorizou?”, perguntou Dante.

“Sua credencial.”

Dante não tocara em nenhum computador.

O celular de Helena vibrou sobre a bancada. Número desconhecido.

Ela atendeu no viva-voz.

Primeiro veio uma respiração fraca.

Depois, a voz de Sofia, gravada e interrompida por estática:

“Helena, se você estiver ouvindo, ele já sabe que Dante encontrou o terno.”

Um ruído de porta abafou o restante.

Então uma voz masculina falou perto do microfone:

“Amanhã, a costureira também desaparece.”

A ligação terminou.

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