"Minha Filha Apontou para a Madrasta e Gritou: "Monstro!"" Capítulo 2
Depois dos três segundos, Dante perguntou ao guarda onde Mirela estava.
O homem perdeu a cor.
— Ela pediu para usar o banheiro. Uma funcionária foi junto.
— E onde está a funcionária?
Ninguém respondeu rápido o bastante.
Dante sentiu a raiva subir, mas lembrou que Lívia estava no andar de baixo. A filha já vira adultos demais tratarem medo como ordem para armas e portas trancadas.
— Encontrem as duas. Sem gritos. Sem armas, a menos que exista ameaça real.
Os homens se moveram. Dante voltou ao telefone.
— Você ajudou Mirela a sair?
— Não — disse Vítor.
— Então por que me mandou perguntar quem ordenou que Lívia fosse observada?
— Porque Mirela sabe.
— Sabe o quê?
— As câmeras não foram instaladas para machucar Lívia.
Dante riu uma vez, sem humor.
— Escolheu um método extraordinário de proteção.
Vítor admitiu tudo que Dante perguntou. Entrara no quarto. Escondera a chave. Instalara as câmeras do corredor e do quarto. Não tentou pedir que o contexto apagasse as escolhas.
— Quero saber quais partes foram minhas e quais não foram — disse ele.
Dante olhou para a fotografia da clínica.
— Comece pela minha mulher.
Vítor ficou em silêncio. A voz feminina voltou ao fundo.
— Dante.
O peito dele se contraiu.
— Isabella.
— Estou aqui.
Ele se sentou. Pela primeira vez naquela noite, não parecia o homem que controlava empresas, seguranças e decisões. Parecia alguém que acabara de descobrir que o luto podia ser desfeito sem se tornar mais fácil.
— Onde?
— Em Campos do Jordão.
— Endereço.
— Não.
Dante fechou os olhos.
— Claro.
— Escuta, por favor.
— Passei três anos ouvindo pessoas me dizerem o que eu não deveria saber.
Ele perguntou se ela estava ali por vontade própria, se Vítor a mantinha presa e se ele causara o acidente. Isabella respondeu não às duas últimas perguntas e sim à primeira.
— O acidente foi real — disse ela.
Três anos antes, o carro de Isabella saíra da pista durante uma tempestade na serra. Houve fogo, ferragens retorcidas e um corpo no banco do passageiro. Dante nunca o vira; as lesões eram graves demais.
— Quem eu enterrei?
— Carolina Meireles.
Dante conhecia o nome. Era assistente de Isabella.
— Ela viajava comigo. Nós íamos encontrar uma advogada.
— Sobre o fundo de Lívia?
— Em parte.
Isabella explicou que usara o casaco e os documentos da patroa porque o carro estava gelado. O corpo fora identificado de maneira errada. Isabella acordara num hospital do interior, registrada sob o nome de outra paciente, com traumatismo craniano.
— Quando soube que todos pensavam que você estava morta?
— Dois dias depois.
Dante se levantou.
— Isso explica dois dias. Não três anos.
— Eu sei.
Não havia sequestrador, prisão ou inimigo impedindo seu retorno. Depois da confusão, houvera uma escolha.
Antes do acidente, Isabella tentava separar a herança de Lívia do controle operacional da família Moretti. Se algo acontecesse a Dante, a menina receberia centenas de milhões e direitos sobre empresas que não compreenderia.
— Haveria administradores — disse Dante.
— Administradores da família.
Ele entendeu. Homens cuja ideia de cuidado sempre chegava misturada com comando.
Isabella queria educação, moradia, saúde e investimentos diversificados. Nenhum poder empresarial automático. A mudança precisava da análise de Vítor e de Sofia, mãe de Dante.
— Minha mãe concordou?
— Sim.
— E Vítor?
— No início.
Depois do acidente, Vítor descobrira uma cláusula de contingência. Se Lívia fosse declarada desaparecida ou morta antes dos dezoito anos, o controle do patrimônio não voltaria para a família: passaria para uma fundação independente.
— Então ninguém teria vantagem em matá-la.
— Não — disse Isabella.
A frase da carta voltou à mente de Dante.
— O que significava dizer que Lívia não deveria ter sobrevivido àquela noite?
Isabella chorou do outro lado.
— Eu escrevi mal. Quis dizer que ela não deveria sobreviver legalmente ao acidente.
Vítor explicou a ideia: retirar temporariamente o nome de Lívia dos registros ligados ao fundo, para impedir que parentes usassem a criança em acordos de sucessão enquanto Isabella se recuperava.
— Vocês planejaram fingir a morte da minha filha.
— Eu considerei — disse Isabella, com a voz quebrada. — Nunca fiz.
A diferença importava, ainda que não o bastante.
Na prática, Lívia continuara viva, pública e morando com o pai. Isabella apenas pedira a Vítor que escondesse sua sobrevivência até que tivesse força para voltar.
— E as câmeras?
— Eu temia que alguém se aproximasse dela por causa do fundo.
— Quem?
— Ninguém específico.
Dante respirou devagar.
— Onze meses de gravações secretas por causa de um medo sem rosto.
— Foi errado.
— Por que não me contou?
— Porque você teria mandado carros, médicos e advogados. Se eu pedisse tempo, você diria que o trauma me tornara irracional.
Dante não respondeu. Três anos antes, provavelmente teria feito exatamente isso.
— Depois do primeiro ano, eu já podia voltar — Isabella continuou. — Mas Lívia conhecia você como o pai que ficou. Eu tinha medo de ela perguntar por que eu não voltei.
— Então ficou longe por mais tempo e tornou a resposta pior.
— Sim.
A simplicidade da admissão doeu mais que uma desculpa elaborada.
Um segurança entrou.
— Encontramos Mirela na estufa, com a senhora Perez. Ela estava chorando.
Dante ordenou que a levassem à sala da manhã, sem guardas dentro. Depois voltou para Isabella.
— Venha para casa.
Houve silêncio.
— Não para sempre — acrescentou, obrigando-se a abrir espaço. — Venha falar com Lívia.
— Ela se lembra de mim?
Dante olhou para o Coelhinho sobre a mesa.
— Ela se lembra de alguma coisa. Quer a mãe. Quer o brinquedo. E quer que parem de dizer quem ela deve amar.
Isabella soluçou.
— Se eu for, você vai me deixar sair outra vez?
A pergunta dizia tudo sobre o medo dela.
— Sim.
Foi difícil dizer. Por isso importava.
— Eu vou amanhã.
A chamada terminou, e Dante percebeu que ainda segurava a chave com força suficiente para marcar a palma.
Ele abriu novamente a carta de Isabella. A frase sobre Lívia nunca sobreviver àquela noite continuava cruel, mesmo depois da explicação. Palavras escritas no medo haviam atravessado três anos e encontrado a filha como se fossem uma sentença.
— Por que você não a destruiu? — perguntou ao telefone quando Vítor voltou à linha.
— Porque Sofia me disse que Dante precisava encontrar o que nós fizemos, não apenas o que pretendíamos fazer.
— Minha mãe deixou que eu enterrasse uma esposa viva.
— Ela acreditou que respeitava a escolha de Isabella.
— E você acreditou que obedecia.
— Sim.
— Todo mundo encontrou uma palavra bonita para o próprio medo.
Vítor não respondeu.
Dante chamou uma equipe externa para recuperar os dezenove segundos apagados da lavanderia. Também avisou a advogada de infância de Lívia. Não faria denúncia pública antes de preservar provas, mas a proteção da menina já não ficaria restrita a homens pagos pela família.
Ao passar pela porta da sala de música, viu Lívia dormindo com a mão sobre o rasgo do Coelhinho. Beatriz havia colocado a chave numa embalagem transparente.
— Ela perguntou pela mãe — disse a cuidadora.
— Amanhã talvez tenha uma resposta.
— E você, senhor Dante? Está preparado?
Ele olhou a fotografia de Isabella viva.
— Não. Mas estar preparado não pode ser outra condição para ela existir.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4