"Meu Filho Chamou o Chefe da Máfia de Papai" Capítulo 5 — Este Menino É Meu Filho
Lia segurou o braço de Valentina antes que ela pudesse esconder a faixa.
"Mostre o pulso."
Valentina puxou o braço com um movimento seco.
"Não toque em mim."
"Uma mulher usando seu bracelete tentou levar Bento do hospital. A joia se rompeu, e você aparece horas depois com o pulso ferido."
Otávio bateu a bengala no piso.
"Isso é uma acusação grave demais para ser feita sem prova."
Dante tirou do bolso o saco transparente que continha o bracelete.
O rosto de Valentina permaneceu controlado, mas os dedos apertaram a bolsa.
"Minha casa foi assaltada há duas semanas", disse ela. "Registrei o desaparecimento de várias joias."
"Envie o boletim para Bruno", respondeu Dante.
"Não preciso provar minha inocência ao seu capanga."
"Precisa provar a mim se pretende continuar entrando nesta casa."
Otávio lançou sobre a mesa uma pasta do conselho. O acordo de casamento fazia parte de uma fusão entre o Grupo Montenegro e o Banco Azevedo, controlado pelo pai de Valentina.
Sem a fusão, uma linha de crédito de R$ 600 milhões seria suspensa. Dante perderia votos suficientes para ser afastado da presidência.
"Você assinou a carta de intenção", lembrou Otávio.
"Assinei uma negociação empresarial, não uma certidão de casamento."
"O mercado não verá diferença quando o anúncio for cancelado."
Dante rasgou o segundo convite.
"Então o mercado aprende."
Valentina olhou para Lia.
"Ele está destruindo milhares de empregos por uma mulher que fugiu e voltou com uma criança."
"Não", disse Dante. "Estou impedindo que uma criminosa se torne minha esposa."
Pela primeira vez, Valentina perdeu o sorriso.
Otávio avisou que, naquela noite, o Grupo Montenegro realizaria a inauguração de uma ala pediátrica no Hospital Santa Cecília. A imprensa já esperava o anúncio do noivado.
"Se você não aparecer ao lado dela, o conselho se reúne amanhã às oito", declarou. "E você sai pela porta dos fundos da empresa que seu pai construiu."
"Meu pai construiu um império com medo. Não vou entregar meu filho ao mesmo medo para conservar uma cadeira."
Bento surgiu na entrada do escritório segurando a mão de Teresa.
"Você vai perder sua cadeira por minha causa?"
Dante se ajoelhou diante dele.
"É só uma forma de falar."
"Tem outras cadeiras aqui."
"Tem razão."
O menino tocou o rosto dele.
"Então não casa com a mulher vermelha."
Valentina empalideceu. Lia levou Bento para fora antes que a discussão pudesse assustá-lo ainda mais.
No corredor, ele perguntou se fizera algo errado.
"Não", respondeu Lia. "Você apenas disse o que viu."
"Ela tentou me pegar?"
Lia queria mentir, mas já perdera cinco anos por causa de mentiras bem construídas.
"A polícia ainda precisa descobrir. Por enquanto, você não sai de perto de mim, de Teresa ou de Bruno."
"E do papai?"
"Também pode ficar perto dele."
O sorriso de Bento mostrou quanto aquela permissão significava.
Às seis da tarde, Dante decidiu comparecer ao evento. Não para confirmar o noivado, mas para impedir que Valentina controlasse a narrativa.
Lia recusou-se a levar Bento até que Bruno apresentou o plano de segurança. O menino ficaria numa sala familiar fechada, acompanhado por Teresa e dois agentes escolhidos por ele.
"Se houver qualquer mudança, vocês saem pela garagem norte", ordenou Dante.
"Não transforme meu filho num símbolo numa guerra empresarial", disse Lia.
"Hoje eu vou impedir que façam exatamente isso."
O auditório do hospital estava lotado. Médicos, empresários e jornalistas ocupavam as primeiras filas. Um painel anunciava a doação do Grupo Montenegro à nova ala.
Valentina subiu ao palco usando branco outra vez. A faixa fora substituída por uma pulseira larga de diamantes.
"Esta noite deveria celebrar crianças", começou. "Infelizmente, uma tentativa de fraude contra nossa família ameaça manchar o evento."
Dante ainda estava nos bastidores quando uma fotografia de Lia apareceu no telão.
Valentina contou que uma antiga funcionária se aproximara do presidente do grupo com um menino e exigira reconhecimento e dinheiro. Não mencionou o exame independente.
O auditório explodiu em perguntas.
Lia assistia por um monitor na sala familiar. Sentiu o passado se repetir: outra pessoa contava sua história antes que ela pudesse abrir a boca.
"Ela está mentindo", disse Teresa.
"E todos querem acreditar porque a mentira é mais interessante."
No palco, Valentina ergueu uma cópia do comprovante de R$ 2 milhões.
"A mesma mulher já havia recebido para abandonar Dante Montenegro cinco anos atrás."
Dante entrou sob o clarão dos flashes.
Tomou o documento das mãos dela e o rasgou diante das câmeras.
"A conta é falsa. O laudo é falso. E este anúncio também."
Valentina tentou segurar seu braço.
"Dante, pense no grupo."
"Pensei no grupo durante toda a minha vida. Hoje penso no meu filho."
Um murmúrio atravessou o auditório.
Dante encarou as câmeras.
"Bento Sampaio é meu filho. O exame de DNA confirmou a paternidade. Qualquer ataque à mãe dele será tratado como ataque à família Montenegro."
Na sala reservada, Bento pulou diante da televisão.
"Ele falou meu nome!"
Lia levou a mão à boca. Dante não pedira nada em troca. Arriscara o comando do grupo para impedir que Bento crescesse ouvindo que era uma fraude.
Otávio abandonou o auditório durante os aplausos confusos. Bruno viu, mas foi chamado pelo rádio: um princípio de incêndio disparara o alarme no segundo andar.
Dante saiu do palco e encontrou Lia no corredor.
"Você não tinha autorização para expor Bento."
"Eu sei. Se disser que errei, retiro o nome dele das versões oficiais."
Ela o surpreendeu.
"Desta vez, não errou."
Por um instante, o barulho ao redor desapareceu. Dante tocou a mão dela, e Lia não recuou.
Teresa aproximou-se carregando o envelope azul encontrado no antigo escritório de Otávio. Apressara a busca antes de sair da mansão e reconhecera o lacre em forma de chave.
"Isto deveria ter chegado a Dante cinco anos atrás."
Lia segurou a carta ainda fechada. Seu nome não aparecia na frente, apenas as iniciais de Dante. No canto inferior, alguém escrevera a lápis: reter até segunda ordem.
Dante reconheceu a letra do tio.
"Otávio não apenas interceptou a correspondência. Ele registrou a decisão."
"Abra", pediu Lia.
"Não aqui. Essa carta é sua também."
Ele a guardou no bolso interno do paletó.
"Desta vez, ninguém decide quando nossa verdade pode ser lida."
Lia percebeu que a carta provava mais do que sua tentativa de contato. Demonstrava que Otávio controlara as informações dos dois enquanto Valentina fabricava a imagem da mulher interesseira.
Um agente de Bruno apareceu e informou que a sala familiar estava segura. Teresa voltou para buscar Bento, prometendo que os três leriam o conteúdo assim que saíssem do hospital.
Teresa apareceu no fim do corredor, ofegante.
"Bento não está na sala."
O chão pareceu se mover sob Lia.
"Ele estava com você."
"Uma enfermeira ligou dizendo que Celina tinha piorado. Quando fui ao corredor para atender, os agentes caíram. Havia alguma coisa no café."
Dante acionou Bruno. Portas foram bloqueadas, elevadores pararam e a garagem fechou, mas uma ambulância deixara o hospital três minutos antes do alarme.
No sofá da sala familiar, encontraram o dinossauro de pano de Bento e um telefone descartável.
O aparelho tocou.
Dante colocou no viva-voz.
"Entregue vinte por cento das ações do Grupo Montenegro e renuncie à presidência", disse uma voz alterada. "Ou seu herdeiro não verá o amanhecer."
Lia soltou um som abafado.
Ao fundo da gravação, um homem gritou antes de ser interrompido:
"Lia, conte os sinos! Não leve Bento para a água!"
Ela arrancou o telefone da mão de Dante.
"Repita!"
A ligação terminou.
Lia ficou imóvel, os olhos cheios de um terror diferente.
"A voz", sussurrou. "Era do meu pai."
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