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"Depois da Morte da Esposa, a Amante Tomou Seu Lugar na Mansão — Mas Ela Não Fazia Ideia de Quem Era a Nova Babá" Capítulo 11

正文开头

Três meses depois, Maíra finalmente encontrou uma resposta.

Não era a mansão dos Alvarenga.

Também não era o pequeno apartamento onde vivera antes de entrar naquela casa fingindo ser babá.

Casa era onde Tomás acordava todas as manhãs e estendia os braços quando a via.

Era onde havia brinquedos espalhados pelo chão, mamadeiras secando ao lado da pia e uma fotografia de Elara sobre uma estante iluminada pelo sol.

Maíra alugara um apartamento amplo em Higienópolis.

Não era luxuoso.

Mas era claro.

Silencioso.

E, acima de tudo, era dela.

Naquela manhã, Tomás estava sentado no tapete da sala, tentando encaixar uma peça de madeira dentro de uma caixa.

"Não é aí, meu amor."

Ele ignorou.

Tentou novamente.

Maíra sorriu.

"Teimoso igual à sua mãe."

Tomás levantou os olhos.

Depois bateu a peça no chão.

"Tá."

Maíra congelou.

"Você falou?"

O bebê sorriu.

"Tá!"

Ela levou a mão à boca.

"Meu Deus."

Pegou o celular imediatamente.

Abriu a câmera.

"Fala de novo."

Tomás jogou a peça.

Silêncio.

"Claro."

Maíra riu.

"Agora não fala."

A campainha tocou.

Ela abriu a porta.

Gael estava do outro lado, usando camisa preta e segurando duas sacolas.

"Você está chorando?"

"Tomás falou."

Gael olhou para o bebê.

"Falou o quê?"

"Tá."

"Profundo."

Maíra bateu no braço dele.

"Idiota."

Gael entrou.

Tomás o reconheceu e abriu um sorriso.

"Viu?"

Gael se abaixou.

"Bom dia para você também."

O bebê levantou os braços.

Gael o pegou.

O gesto já parecia natural.

Talvez natural demais.

Maíra percebeu que estava olhando.

Gael também.

"O quê?"

"Nada."

"Você sempre diz nada quando é alguma coisa."

"E você sempre faz perguntas demais."

"Defeito profissional."

Maíra pegou uma das sacolas.

"O que trouxe?"

"Café."

"Então está perdoado."

Gael sorriu.

Durante meses, aquela era a coisa mais estranha entre eles.

Não havia mais investigação.

Nenhum cofre para abrir.

Nenhuma gravação escondida.

Nenhuma razão profissional para Gael aparecer.

Mesmo assim, ele continuava aparecendo.

O processo ainda estava longe de terminar.

Camila permanecia presa preventivamente enquanto sua defesa tentava contestar parte das provas.

Augusto firmara acordo de colaboração em uma das frentes da investigação, mas ainda responderia pelas falsificações, prescrições irregulares e participação nos crimes.

As movimentações da antiga Fênix Participações haviam levado a uma rede de pagamentos ilegais iniciada anos antes.

Mas não havia um novo grande inimigo esperando nas sombras.

A empresa tinha sido usada como caixa clandestino por pessoas ligadas ao antigo grupo empresarial dos Alvarenga.

Augusto aproveitara aquela estrutura.

Depois, Camila aproveitara Augusto.

Ganância, medo e covardia tinham feito o resto.

Ricardo também respondia judicialmente.

Sua confissão sobre a demora em pedir socorro, somada às irregularidades financeiras e às provas de falsificação patrimonial, destruíra a imagem pública que passara anos construindo.

Mas a consequência que mais o atingira não aparecia nas manchetes.

Ele perdera a guarda principal de Tomás.

A Justiça estabelecera que, enquanto as investigações e os processos estivessem em andamento, a residência principal do menino seria com Maíra.

正文1

As visitas de Ricardo seriam supervisionadas.

Pelo menos por enquanto.

Maíra não comemorou quando recebeu a decisão.

Apenas abraçou Tomás.

Não queria vencer Ricardo.

Queria que o menino estivesse seguro.

Era diferente.

Naquela tarde, Ricardo pediu para vê-la.

Maíra quase recusou.

Depois olhou para Tomás dormindo.

E aceitou.

Encontraram-se no escritório de Gael.

Ricardo parecia diferente.

Mais magro.

Sem o relógio caro.

Sem o terno impecável.

Sem a arrogância que um dia fazia parecer que a mansão inteira existia para obedecê-lo.

Ele ficou em pé quando Maíra entrou.

"Obrigado por vir."

"Tenho pouco tempo."

"Eu sei."

Gael permaneceu na sala, mas afastado.

Ricardo olhou para ele.

"Precisa ficar?"

Maíra respondeu antes.

"Sim."

Gael não disse nada.

Ricardo assentiu.

"Quero ver Tomás."

"Você tem visitas programadas."

"Uma hora por semana."

"Foi o que a Justiça determinou."

"Ele é meu filho."

Maíra sustentou o olhar.

"Eu sei."

"Então entende."

"Entendo mais do que você imagina."

Ricardo respirou fundo.

"Não quero perder ele."

"Então faça o que precisa fazer."

"Você pode pedir uma ampliação."

"Posso."

Esperança apareceu no rosto dele.

Maíra continuou.

"E não vou pedir agora."

Ricardo fechou os olhos.

"Porque me odeia."

"Não."

Ele pareceu surpreso.

"Eu odiei você."

Maíra sentou-se.

"Durante muito tempo."

"Então qual é a diferença?"

"Tomás."

Ricardo ficou em silêncio.

"Eu não vou usar seu filho para punir você pelo que fez com minha irmã."

A voz de Maíra permaneceu calma.

"Mas também não vou colocar Tomás em risco para aliviar sua culpa."

Ricardo abaixou a cabeça.

"Eu nunca faria mal a ele."

"Você também dizia que amava Elara."

A frase atingiu.

Maíra não suavizou.

"Amar alguém não basta quando suas escolhas colocam essa pessoa em perigo."

Ricardo levou alguns segundos para responder.

"O que eu preciso fazer?"

"Cumprir as determinações."

"E depois?"

"Mostrar, com tempo, que consegue ser o pai que ele precisa."

"Você vai permitir?"

Maíra olhou diretamente para ele.

"Não sou dona de Tomás."

Ricardo ficou imóvel.

"Sou responsável por proteger ele."

Ela se levantou.

"Se um dia for melhor para Tomás passar mais tempo com você, eu vou apoiar."

"Mesmo depois de tudo?"

"Não por você."

Maíra pegou a bolsa.

"Por ele."

Ricardo ficou olhando.

Ela caminhou até a porta.

"Maíra."

Ela parou.

"Elara teria confiado em você."

Maíra sentiu o peito apertar.

Não se virou.

"Ela confiou."

E saiu.

A questão da herança também não tinha sido simples.

Gael explicara todas as opções.

Fundos.

Participações.

Imóveis.

Ações.

Valores que Maíra jamais imaginara administrar.

Parte substancial permanecia protegida em benefício de Tomás.

Outra parte dependia do encerramento dos processos patrimoniais.

Maíra recusou qualquer transformação imediata.

Não comprou uma mansão.

Não contratou motorista.

Não trocou suas roupas por vestidos de grife.

Quando Gael perguntou o motivo, ela respondeu:

"Passei meses fingindo ser alguém que não era. Não vou sair disso fingindo ser outra pessoa."

Ele nunca voltou a perguntar.

Naquela manhã de domingo, Maíra colocou Tomás no carro.

正文2

Gael dirigiu.

Nenhum dos dois falou muito durante o caminho.

Ela segurava flores brancas.

Tomás dormia na cadeirinha.

Quando chegaram ao cemitério, o céu de São Paulo estava limpo.

Maíra caminhou devagar.

Já estivera ali antes.

Mas nunca daquele jeito.

Da primeira vez, chegara como uma irmã que queria respostas.

Agora voltava como alguém que finalmente as tinha.

Parou diante da lápide.

ELARA VALENÇA ALVARENGA.

Maíra se abaixou.

Colocou as flores.

Tomás estava em seus braços.

"Olha quem veio ver a mamãe."

O bebê tocou uma das flores.

Maíra sorriu.

"Ele está bem."

Sua voz tremeu.

"Está ficando enorme."

Gael ficou alguns metros atrás.

Não se aproximou.

Aquele momento não pertencia a ele.

Maíra sentou-se diante da lápide.

"Eu ouvi sua mensagem."

O vento moveu seus cabelos.

"Fiquei com raiva de você."

Ela riu entre lágrimas.

"Você me pediu para viver como se fosse fácil."

Tomás segurou seu medalhão.

Maíra beijou a cabeça dele.

"Mas acho que entendi."

Ela olhou para o nome da irmã.

"Eu passei tanto tempo procurando você que esqueci que também precisava me encontrar."

As lágrimas caíram.

Dessa vez, ela não limpou.

"Eu queria ter chegado antes."

Silêncio.

"Queria ter conhecido sua voz sem precisar ouvir uma gravação."

Respirou fundo.

"Queria ter brigado com você por alguma coisa idiota."

Sorriu.

"Queria ter visto você reclamando que eu roubava suas roupas."

Tomás fez um pequeno som.

Maíra riu.

"Eu queria ter sido sua irmã de verdade."

Sua voz falhou.

"Mas eu sou."

Ela tocou a lápide.

"Sempre fui."

Tomás colocou a mão sobre a dela.

Maíra fechou os olhos.

"Eu vou cuidar dele."

Pausa.

"Mas não porque devo isso a você."

Outra pausa.

"Porque eu amo ele."

Ela olhou para Tomás.

"E vou cuidar de mim também."

O vento passou novamente.

Maíra abriu o medalhão.

Olhou para a fotografia das duas meninas.

Por anos, aquela imagem fora a prova de tudo que perdera.

Agora parecia diferente.

Era prova de que existira amor antes da perda.

Ela beijou a fotografia.

Fechou o medalhão.

"Pode descansar."

Gael esperava perto do caminho de pedra.

Maíra se aproximou com Tomás.

"Terminou?", ele perguntou.

Ela olhou para trás uma única vez.

"Terminei."

Gael percebeu o significado.

"Como está?"

"Triste."

"Quer ir para casa?"

"Daqui a pouco."

Caminharam em silêncio.

Tomás começou a ficar inquieto.

Gael estendeu os braços.

"Me dá ele."

Maíra entregou.

Tomás imediatamente puxou a gola da camisa de Gael.

"Excelente."

Maíra riu.

"Ele gosta de você."

"Ele gosta do meu relógio."

"Também."

Gael continuou andando com o bebê.

Maíra observou.

"Gael."

"Hum?"

"Por que você ainda está aqui?"

Ele parou.

"Como assim?"

"O caso praticamente acabou."

"Praticamente."

"Você não precisa mais me proteger."

"Eu sei."

"Não precisa investigar nada."

"Também sei."

"Então por quê?"

Gael olhou para Tomás.

Depois para ela.

"Você quer mesmo que eu responda?"

Maíra sentiu o coração acelerar.

"Quero."

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

"Na primeira vez que encontrei você naquele quarto, achei que fosse uma ameaça."

"Que romântico."

"Você estava revirando as coisas de uma mulher morta."

"Detalhes."

Gael sorriu.

"Depois achei que fosse imprudente."

"Isso ainda acha."

"Frequentemente."

"E depois?"

"Depois percebi que você era a única pessoa naquela casa que estava disposta a perder alguma coisa para proteger Tomás."

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