"Depois da Morte da Esposa, a Amante Tomou Seu Lugar na Mansão — Mas Ela Não Fazia Ideia de Quem Era a Nova Babá" Capítulo 10
A mensagem permaneceu acesa na tela do celular de Augusto.
Ninguém falou por alguns segundos.
Beatriz foi a primeira a reagir.
"Levem o doutor para a delegacia. Ninguém conversa com ele sem registro a partir de agora."
Augusto empalideceu.
"Eu preciso de proteção."
"Então comece a colaborar."
"Vocês não sabem com quem estão mexendo."
Maíra apertou Tomás contra o peito.
"Eu já ouvi isso demais."
O médico olhou para ela.
"Você acha que quer saber a verdade."
"Não."
Augusto pareceu surpreso.
Maíra continuou.
"Eu preciso saber."
Naquela mesma noite, a Delegacia de Homicídios recebeu uma cópia formal dos documentos retirados do cofre de Elara.
Augusto pediu advogado.
Depois pediu proteção.
Por fim, começou a falar.
Beatriz conduziu o depoimento.
Gael permaneceu do lado de fora com Maíra.
"Você não precisa ouvir tudo", ele disse.
"Preciso."
"Não para provar nada."
"Não é pela prova."
Ela olhou através do vidro.
"É por ela."
Gael não insistiu.
Era isso que começava a diferenciar sua presença da de todos os outros homens que haviam tentado decidir o que Maíra devia fazer.
Ele não a puxou para longe.
Não disse que era forte demais ou frágil demais.
Apenas ficou ao lado.
A porta se abriu.
Beatriz apareceu.
"Augusto aceitou formalizar parte do depoimento."
"Parte?", Maíra perguntou.
"Ele ainda está escondendo coisas."
"Sobre quem mandava nele?"
"Também."
"Mas falou sobre Elara?"
Beatriz assentiu.
"Falou."
Maíra respirou fundo.
"Quero ouvir."
Augusto parecia menor na sala de interrogatório.
Sem o terno impecável e a autoridade de médico da família, era apenas um homem assustado diante de uma mesa de metal.
Beatriz colocou um gravador no centro.
"Repita o que fazia com Elara."
Augusto fechou os olhos.
"Eu prescrevia medicamentos."
"Quais?"
"Ansiolíticos. Hipnóticos. Depois, doses pequenas de sedativos."
"Ela precisava?"
Silêncio.
"Não."
Maíra sentiu o estômago embrulhar.
"Ela sabia?"
Augusto olhou para ela.
"No começo, achava que era para insônia."
"E depois?"
"As doses foram alteradas."
"Por quem?"
"Por mim."
"Por quê?"
Augusto abaixou a cabeça.
"Eu recebia dinheiro."
Maíra fechou os punhos.
"De Camila?"
"Parte."
"E o resto?"
"Através da Fênix."
Gael se inclinou.
"Quem controlava a conta?"
"Eu nunca soube o nome real."
"Conveniente", Beatriz disse.
"É verdade."
"Então por que continuou?"
"Porque primeiro era dinheiro."
Augusto respirou fundo.
"Depois virou medo."
Maíra não desviou os olhos.
"E o plano?"
O médico ficou em silêncio.
"Que plano, doutor?"
"Fazer Elara parecer instável."
A frase atingiu Maíra como um golpe.
Augusto continuou.
"Confusa. Ansiosa. Dependente de medicação."
"Para quê?"
"Se alguma coisa acontecesse, haveria histórico."
Gael fechou os olhos por um instante.
Um acidente.
Uma mulher medicada.
Uma queda.
Tudo preparado antes.
Maíra sentiu lágrimas queimarem.
"Vocês estavam preparando a morte dela."
"Eu não concordei em matar ninguém."
"Você construiu a mentira que permitiria isso."
Augusto não respondeu.
Beatriz colocou uma pasta sobre a mesa.
"Estes registros foram falsificados?"
"Alguns."
"Quais?"
Ele apontou.
Consulta que nunca aconteceu.
Crise de ansiedade inventada.
Episódio de confusão que Elara jamais apresentara.
Uma queda anterior que nunca existira.
Maíra percebeu.
"Vocês criaram um padrão."
Augusto assentiu.
"Para que a última queda parecesse apenas mais uma."
Helena chegou pouco depois com uma nova descoberta.
O arquivo de áudio do cofre não estava completamente perdido.
Um técnico recuperara fragmentos adicionais.
Beatriz autorizou a reprodução.
A voz de Elara encheu a sala.
"Eu parei de tomar os comprimidos há quatro dias."
Maíra levou a mão à boca.
"Augusto não sabe."
Ruído.
"Camila também não."
Outro corte.
"Agora eu consigo pensar com clareza."
Maíra fechou os olhos.
Durante meses, Elara talvez tivesse acreditado que estava adoecendo.
Que sua própria mente estava falhando.
Mas não estava.
Estavam fazendo aquilo com ela.
A gravação voltou.
"Encontrei as receitas."
Pausa.
"Encontrei as transferências."
Outra pausa.
"E amanhã vou falar com a polícia."
Augusto baixou a cabeça.
Beatriz observou.
"Foi isso que mudou tudo?"
Ele assentiu.
"Camila descobriu."
"Como?"
"Elara confrontou ela."
"Quando?"
"Na noite da morte."
Maíra respirou fundo.
"Conte."
A reconstrução veio aos pedaços.
Nunca como uma história limpa.
Uma mensagem.
Um prontuário.
Uma ligação.
Um fragmento de áudio.
E a voz quebrada de Augusto.
Elara havia chamado Camila até a mansão.
Ricardo estava fora.
Tomás dormia no andar superior.
Elara colocou as receitas sobre a mesa.
"Você sabia."
Camila tentou negar.
Elara mostrou as transferências.
"Eu sei de tudo."
Depois anunciou que pediria o divórcio.
Que entregaria os documentos à polícia.
E que Ricardo perderia qualquer acesso às contas dela.
Augusto chegou pouco depois.
Chamado por Camila.
"Ela estava furiosa", ele contou.
"Elara?", Beatriz perguntou.
"Camila."
Maíra ficou imóvel.
"E minha irmã?"
"Estava lúcida."
Augusto engoliu em seco.
"Mais lúcida do que eu a via havia meses."
Maíra chorou em silêncio.
A irmã tinha conseguido voltar a si.
E foi justamente por isso que morreu.
"Elara disse que sabia sobre você", Maíra falou.
"Sim."
"Foi isso que Camila repetia depois."
Augusto assentiu.
"Ela já sabe sobre o médico."
A frase de Ricardo finalmente fazia sentido.
Beatriz mandou trazer Camila para uma nova oitiva.
Ela entrou algemada, mas ainda tentou manter a postura.
Quando viu Maíra, sorriu.
"Você de novo."
Maíra não respondeu.
Camila olhou para Gael.
"Agora a empregadinha tem advogado particular?"
Gael abriu uma pasta.
"Não sou advogado dela."
"Então por que continua aqui?"
"Porque fui advogado de Elara."
O sorriso de Camila diminuiu.
Gael colocou o testamento sobre a mesa.
"E porque você deveria saber quem está chamando de empregadinha."
Maíra olhou para ele.
Gael não roubou o momento.
Apenas virou o documento para Camila.
"Maíra Valença é irmã materna de Elara Valença Alvarenga. O parentesco foi confirmado documentalmente e por exame."
Camila ficou imóvel.
"Mentira."
Beatriz colocou a comprovação sobre a mesa.
"Não é."
"Ela?"
Camila apontou para Maíra.
"A babá?"
Maíra sustentou seu olhar.
"Meu nome é Maíra Valença."
Camila perdeu a cor.
Gael continuou.
"Tomás é o principal beneficiário do patrimônio de Elara."
Virou a página.
"Na ausência dele, Maíra é a beneficiária sucessória indicada conforme as condições estabelecidas no testamento."
Camila olhou para Maíra como se a visse pela primeira vez.
"Você entrou naquela casa sabendo?"
"Entrei sabendo que Elara era minha irmã."
"E o dinheiro?"
"Eu não sabia."
"Mentira!"
Camila bateu as mãos na mesa.
"Você queria tudo!"
Maíra não se moveu.
"Eu queria minha irmã viva."
A frase destruiu qualquer resposta.
Camila desviou os olhos.
Beatriz colocou outro aparelho sobre a mesa.
"Vamos voltar à noite da morte."
"Não tenho nada a dizer."
"Augusto tem."
Camila congelou.
A gravação do depoimento começou.
Augusto descrevendo os medicamentos.
Os prontuários falsos.
A chegada à mansão.
A discussão.
Camila ficou cada vez mais pálida.
"Ele está mentindo."
Então veio outro áudio.
Não era Augusto.
Era Elara.
Uma gravação recuperada automaticamente pelo celular.
Vozes.
Passos.
Camila gritando.
"Você vai destruir todo mundo!"
Elara respondeu.
"Não. Vocês fizeram isso sozinhos."
Maíra sentiu o corpo inteiro arrepiar.
A voz de Elara continuou.
"Vou levar tudo à polícia."
Um ruído.
Passos rápidos.
"Me solta!"
Depois um impacto.
Silêncio.
Camila levantou-se.
"Desliga!"
Beatriz permaneceu sentada.
"Por quê?"
"Isso foi manipulado!"
"Tem perícia."
"EU DISSE PARA DESLIGAR!"
Gael não se moveu.
Maíra também não.
Beatriz deixou o áudio continuar.
A voz de Augusto surgiu.
"Meu Deus, Camila."
Depois Camila.
"Eu não queria."
Maíra sentiu as lágrimas descerem.
"Ela caiu."
"Precisamos chamar uma ambulância."
"Espera."
O áudio falhou.
Depois outra frase.
"Se ela acordar, acabou."
Camila bateu na mesa.
"CHEGA!"
Beatriz pausou.
"Foi você?"
"Não."
"Você a empurrou?"
"Não!"
"Então o que aconteceu?"
"Ela tentou passar por mim!"
"Camila."
"Ela me provocou!"
Maíra ficou imóvel.
Ali estava.
A primeira rachadura.
Beatriz não interrompeu.
Camila respirava rápido.
"Ela disse que Ricardo nunca me escolheria."
"Então você tocou nela."
"Eu só segurei o braço!"
"E depois?"
"Ela tentou se soltar."
"E depois?"
"Eu empurrei."
Silêncio.
Camila percebeu o que acabara de dizer.
Tarde demais.
"Não foi para matar!"
Maíra fechou os olhos.
Camila começou a chorar.
"Eu só queria que ela parasse!"
"Ela caiu?", Beatriz perguntou.
"Sim."
"Estava viva?"
Camila soluçou.
"Sim."
"E você impediu que chamassem socorro?"
"Eu estava com medo."
"Ricardo chegou depois?"
"Sim."
"E também esperou."
Camila assentiu.
Maíra abriu os olhos.
Ali estava a verdade.
Camila causara a queda.
Augusto construíra a falsa história médica.
Ricardo encontrara Elara respirando e escolhera proteger a si mesmo.
Nenhum deles era inocente.
De formas diferentes, todos haviam participado da morte dela.
O promotor Rafael Queiroz chegou pouco antes do amanhecer.
Conversou com Beatriz e analisou parte das provas.
"Isso vai seguir formalmente", explicou a Maíra. "Haverá perícias, novas oitivas e definição individual das responsabilidades."
"E Camila?"
"Vai responder pelo que as provas sustentarem."
"Augusto?"
"Também."
"E Ricardo?"
Rafael não suavizou.
"A omissão dele será investigada junto com as demais condutas."
Maíra assentiu.
Não precisava de uma promessa de vingança.
Precisava que ninguém apagasse Elara outra vez.
Nem dos registros.
Nem da história.
Nem da própria morte.
Antes de Camila ser levada, Helena apareceu com um último arquivo recuperado.
"Maíra."
Ela entregou um fone.
"Encontraram o final da gravação do cofre."
Maíra ficou sozinha por alguns minutos.
Apertou o botão.
A voz de Elara voltou.
Mais baixa.
Mais íntima.
"Maíra, se for você ouvindo isso..."
Ela fechou os olhos.
"Eu sinto muito por não ter encontrado você antes."
As lágrimas vieram.
"Passei tantos anos pensando no que diria quando te visse."
Uma pequena risada.
"Talvez eu só abraçasse você."
Maíra levou a mão ao medalhão.
"Se alguma coisa acontecer comigo, cuide de Tomás se puder. Mas não transforme sua vida numa dívida comigo."
Ela chorou.
"Não viva para me vingar."
Pausa.
"Viva por você."
Outra pausa.
Então a última frase.
"Viva a vida que eu não pude viver."
O áudio terminou.
Maíra permaneceu imóvel.
Gael estava alguns metros atrás.
Não se aproximou até que ela tirasse os fones.
"Ela sabia", Maíra disse.
"Sabia o quê?"
"Que eu ia querer destruir todo mundo por ela."
Gael ficou ao seu lado.
"E o que você vai fazer?"
Maíra olhou através da janela.
O dia começava a nascer sobre São Paulo.
"Parar."
Ele não perguntou o que significava.
Ela mesma explicou.
"Vou deixar a polícia fazer o trabalho dela."
Respirou fundo.
"E eu vou cuidar do que ficou."
Tomás estava nos braços de Dona Célia quando Camila foi conduzida para fora.
Ao ver Maíra, o bebê estendeu as mãos.
Ela o pegou.
Camila parou diante dela.
Algemas nos pulsos.
Cabelos desfeitos.
Nenhum traço da mulher que entrara naquela mansão acreditando ter tomado o lugar de Elara.
"Você acha que venceu?", Camila perguntou.
Maíra olhou para ela.
Depois para Tomás.
"Isso nunca foi sobre vencer."
Camila esperou uma ofensa.
Uma ameaça.
Qualquer coisa.
Maíra não deu.
Apenas abraçou o sobrinho.
Tomás encostou a cabeça em seu peito.
Camila foi levada.
Passou pelo portão.
Entrou na viatura.
Maíra não desviou os olhos.
A porta do carro policial se fechou com um som seco.
E, pela primeira vez desde que encontrara a notícia da morte de Elara, Maíra sentiu que alguma coisa realmente havia terminado.
Não a dor.
Não o luto.
Mas a perseguição.
Gael parou ao lado dela.
"Acabou."
Maíra olhou para Tomás.
"Essa parte."
Gael entendeu.
Porque ainda havia um testamento.
Uma criança que precisava de proteção.
Um pai que teria de responder por suas escolhas.
E uma vida que Maíra nunca planejara viver.
Ela abriu o medalhão.
Olhou uma última vez para a fotografia das duas meninas.
Depois fechou.
Tomás segurou a corrente com os dedos pequenos.
Maíra sorriu entre lágrimas.
"Vamos para casa."
Mas, pela primeira vez, ela percebeu que não sabia mais onde sua casa ficava.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4