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"Depois da Morte da Esposa, a Amante Tomou Seu Lugar na Mansão — Mas Ela Não Fazia Ideia de Quem Era a Nova Babá" Capítulo 6

正文开头

Gael leu a mensagem mais uma vez.

Na tela do celular, Maíra aparecia entrando na mansão naquela madrugada, fotografada de longe, por trás do portão.

Alguém estivera observando.

Não apenas Maíra.

Agora observava Gael também.

Ele tentou ligar para o número.

A chamada nem completou.

Número inexistente.

Gael ampliou a fotografia.

No canto esquerdo havia parte do muro da propriedade e o reflexo de um carro escuro.

Nenhuma placa.

Nenhum rosto.

Nada que identificasse quem fizera a foto.

A porta do escritório se abriu.

Helena Braga entrou segurando duas pastas e um copo de café.

Aos quarenta e três anos, Helena trabalhava com Gael havia mais de uma década. Conhecia seus silêncios o suficiente para saber quando alguma coisa estava errada.

"Você ainda está aqui?"

"Estou."

"Isso eu percebi."

Ela colocou o café sobre a mesa.

"Recebi sua mensagem às quatro da manhã. Quando você escreve 'urgente' nesse horário, normalmente alguém morreu ou está prestes a ser preso."

Gael bloqueou o celular.

"Talvez seja pior."

Helena parou.

"Que ótimo."

Ele empurrou as duas fotografias sobre a mesa.

"Olhe."

Helena observou primeiro Elara.

Depois Maíra.

"Quem é a segunda?"

"A nova babá de Tomás."

"Nova babá?"

"A mulher acusada de jogar o menino na piscina."

Helena levantou os olhos.

"Você acha que foi ela?"

"Não."

A resposta veio sem hesitação.

Helena percebeu.

"Você tem certeza?"

"Não tenho certeza de quase nada."

"Mas disso tem."

Gael ignorou.

"Leia os nomes das mães."

Helena abriu as fichas.

Lúcia Valença.

Lúcia Valença.

Seu rosto mudou.

"Não pode ser."

"Pode."

"Elara tinha uma irmã?"

"Ela dizia que tinha."

Helena se sentou.

"Eu achei que fosse uma lembrança de infância. Você mesmo disse que ela nunca conseguiu encontrá-la."

"Talvez tenha encontrado tarde demais."

Helena voltou a olhar para a fotografia de Maíra.

"E essa mulher sabe?"

"Se sabe, está escondendo."

"De você?"

"De todos."

Helena fechou a pasta.

"Então deixe que esconda."

Gael franziu a testa.

"Como?"

"Se Elara passou anos procurando a irmã e alguém agora está fotografando essa mulher escondido, revelar o parentesco pode colocar um alvo nas costas dela."

Gael mostrou a mensagem.

Helena leu.

A expressão endureceu.

"Quem enviou?"

"Não sei."

"Ricardo?"

"Não parece o estilo dele."

"Camila?"

"Talvez."

"Ou alguém que ainda não apareceu."

Gael ficou em silêncio.

Era exatamente isso que o preocupava.

Helena olhou para o relógio.

"E o teste?"

"O laboratório confirmou o parentesco materno."

"Então é ela."

"É."

Helena respirou fundo.

"Meu Deus."

Gael recolheu as fotografias.

"Não conte a ninguém."

"Nem ao Ricardo?"

"Principalmente ao Ricardo."

Maíra saiu da mansão pouco depois das seis.

O céu de São Paulo começava a clarear, mas ela sentia como se a noite ainda não tivesse terminado.

Dona Célia insistira para que descansasse.

Maíra recusou.

Precisava voltar ao hospital.

Quando chegou ao estacionamento, viu Gael encostado em um carro preto.

Ela diminuiu o passo.

"Está me seguindo?"

"Se estivesse, você não teria me visto."

正文1

"Que reconfortante."

Gael abriu a porta do passageiro.

"Entre."

"Não."

"Tomás continua no hospital."

"Eu sei. Estou indo para lá."

"Eu também."

"Então nos encontramos lá."

Maíra passou por ele.

"Maíra."

Ela parou.

Havia algo diferente na voz dele.

Virou-se.

"Precisamos conversar sobre Elara."

O nome foi suficiente.

Maíra voltou lentamente.

"Você descobriu alguma coisa?"

"Descobri."

"Então fale."

"Aqui não."

Ela olhou ao redor.

"Por quê?"

Gael tirou o celular do bolso e mostrou a fotografia recebida.

Maíra empalideceu.

Era ela.

Entrando na mansão.

"Quando isso foi tirado?"

"Hoje."

"Quem mandou?"

"Não sei."

Ela leu a mensagem.

"Que irmã errada?"

"É isso que pretendo descobrir."

Maíra devolveu o aparelho.

"Não vou entrar no seu carro."

"Por quê?"

"Porque ainda não confio em você."

Gael assentiu.

"Justo."

Ela não esperava aquela resposta.

"Então?"

"Então escolha o lugar."

Maíra pensou.

"Hospital."

"Cheio de câmeras e policiais."

"Exatamente."

Gael abriu a porta novamente.

Dessa vez, Maíra entrou.

Tomás dormia quando chegaram.

A febre havia diminuído.

Ricardo estava sentado ao lado do berço hospitalar, com a barba por fazer e a camisa amassada.

Ao ver Maíra, ficou tenso.

Mas não mandou que ela saísse.

"Ele acordou?"

"Por alguns minutos."

"Chorou?"

"Sim."

Maíra soltou o ar.

Nunca imaginara que ouvir que uma criança chorara pudesse trazer tanto alívio.

"Posso vê-lo?"

Ricardo hesitou.

Depois se levantou.

"Cinco minutos."

Maíra entrou.

Aproximou-se do berço.

Tomás dormia com uma pequena pulseira hospitalar no pulso.

Ela tocou seus dedos.

O bebê fechou a mão ao redor de um deles.

Maíra quase desabou.

"Eu estou aqui."

Falou tão baixo que ninguém deveria ouvir.

Mas Gael ouviu.

"Eu prometo."

Ricardo apareceu atrás dela.

"Promete o quê?"

Maíra soltou lentamente a mão do bebê.

"Que ele vai ficar bem."

"Você não pode prometer isso."

"Alguém precisa."

Ricardo desviou os olhos.

Por um instante, pareceu apenas um pai exausto.

Depois voltou a ser o homem que ela ainda não sabia se podia odiar por completo.

"Augusto disse que quer repetir os exames."

"Eu pediria outro médico."

Ricardo a encarou.

"Por quê?"

"Porque foi ele quem disse que Tomás não precisava ir ao hospital."

"Isso não significa que esteja envolvido."

"Também não significa que não esteja."

Gael entrou.

"Ela está certa."

Ricardo soltou uma risada amarga.

"Você virou advogado dela agora?"

"Não."

"Então pare de concordar com tudo."

Gael permaneceu impassível.

"Concordo com fatos. O médico errou. Seu filho foi exposto repetidamente a um sedativo. Isso precisa ser investigado."

Ricardo olhou para Maíra.

"Desde que você entrou naquela casa, tudo virou um inferno."

Ela sentiu a frase.

Mas dessa vez não abaixou a cabeça.

"Não fui eu que criei o inferno, Ricardo."

Ele ficou imóvel.

"Eu apenas comecei a perceber quem já estava vivendo nele."

Maíra saiu do quarto.

Gael veio atrás.

Eles encontraram uma pequena sala de espera vazia no fim do corredor.

Gael fechou a porta.

Maíra permaneceu em pé.

"Agora fale."

正文2

Ele colocou um envelope sobre a mesa.

"Antes, quero que você responda uma pergunta."

"Você sempre quer."

"Elara era sua irmã?"

O sangue desapareceu do rosto de Maíra.

Ela não respondeu.

Gael também não.

Apenas esperou.

"Quem disse isso?"

"Ninguém."

"Então por que está perguntando?"

"Porque a mãe de Elara se chamava Lúcia Valença."

Maíra apertou as mãos.

"E a sua também."

Silêncio.

"Você investigou minha mãe?"

"Investiguei você."

"Sem direito nenhum."

"Talvez."

"Talvez?"

"Você entrou na casa de um cliente usando um histórico profissional inconsistente e começou a procurar documentos de uma mulher morta."

"Seu cliente me acusou de tentar matar uma criança que eu salvei."

"Eu não disse que Ricardo estava certo."

"Mas me investigou."

"Sim."

Maíra riu sem humor.

"Homens como você sempre acham que têm direito a todas as respostas."

"Não."

Gael empurrou o envelope para ela.

"Por isso não contei a ninguém."

Maíra olhou para ele.

"O quê?"

"Eu sei."

Duas palavras.

Foi tudo.

Mas ela entendeu.

Seu peito apertou.

"Sabe o quê?"

"Que você e Elara eram irmãs."

Maíra recuou.

"Não."

"Maíra."

"Você não sabe de nada."

"Eu confirmei o vínculo familiar."

Ela ficou furiosa.

"Como ousou?"

Gael não tentou se defender.

"Você tem razão."

"Não tinha direito!"

"Não tinha."

A resposta interrompeu parte da raiva.

Ele continuou.

"Foi uma decisão errada. Mas o resultado confirmou o que os documentos já indicavam."

Maíra sentiu os olhos arderem.

"Então agora vai contar ao Ricardo?"

"Não."

"À polícia?"

"Não."

"Vai usar isso para me tirar da casa?"

"Não."

"Então o que quer?"

Gael olhou para ela.

"Entender por que Elara passou os últimos meses de vida procurando você."

Maíra parou.

"Como sabe disso?"

Gael tocou o envelope.

"Porque ela me pediu ajuda."

A raiva desapareceu por um instante.

"O quê?"

"Elara procurou meu escritório três meses antes de morrer."

"Por quê?"

"Primeiro para alterar documentos patrimoniais."

"Que documentos?"

"Ainda não posso abrir tudo."

Maíra soltou uma risada incrédula.

"Você acabou de invadir minha vida inteira e ainda fala em sigilo?"

"Não é meu sigilo."

"É de quem?"

"Da sua irmã."

A palavra atingiu Maíra.

Sua irmã.

Gael abriu o envelope.

Dentro havia outro, menor, amarelado, lacrado com cera escura.

"Ela deixou isso comigo."

Maíra se aproximou.

"Para quem?"

"Não disse um nome."

"Então como sabe que é para mim?"

"Porque deixou uma instrução."

Gael retirou uma folha.

Não entregou.

Apenas virou para que ela pudesse ler uma linha.

A letra era de Elara.

Maíra reconheceu imediatamente.

"Encontre minha irmã antes que eles a encontrem."

O mundo pareceu parar.

Maíra levou a mão à boca.

"Ela escreveu isso?"

"Escreveu."

"Quando?"

"Quatro dias antes de morrer."

As lágrimas vieram antes que Maíra pudesse impedir.

"Ela sabia."

Gael permaneceu em silêncio.

"Ela sabia que alguém estava atrás dela."

"Sim."

"E sabia que poderiam vir atrás de mim."

"É o que essa frase sugere."

Maíra virou o rosto.

Durante anos acreditara que Elara talvez tivesse desistido.

正文3

Depois recebera a carta.

Agora descobria que, até poucos dias antes de morrer, a irmã ainda tentava encontrá-la.

"Por que você não encontrou?"

A pergunta saiu quebrada.

Gael absorveu o golpe.

"Eu tentei."

"Não o suficiente."

"Eu sei."

Maíra olhou para ele.

Não havia defesa.

Só culpa.

Isso tornou mais difícil continuar com raiva.

"Ela morreu quatro dias depois."

"Sim."

"Você foi uma das últimas pessoas que a viu."

"Sim."

"E não contou isso ao Ricardo."

"Elara me fez prometer."

"Por quê?"

Gael fechou a folha.

"Porque ela não confiava no marido."

Maíra sentiu o estômago afundar.

"Ricardo?"

"Ela acreditava que ele escondia movimentações financeiras. Também sabia do caso com Camila."

"Então ela sabia."

"Sabia."

"Por que não foi embora?"

"Por Tomás."

Maíra fechou os olhos.

Claro.

Sempre Tomás.

"Ela estava preparando a saída."

"Sim."

"E morreu antes."

Gael assentiu.

Maíra enxugou o rosto.

"Quero ver tudo."

"Não posso entregar ainda."

"Ela era minha irmã."

"Eu sei."

"Então abra."

"Existe uma condição."

Maíra ficou tensa.

"Qual?"

Gael retirou do envelope um pequeno cartão bancário antigo.

Havia apenas um número de identificação e o nome de uma instituição privada.

"Elara deixou um cofre."

"Um cofre?"

"Em uma agência na Avenida Paulista."

"Com o quê?"

"Ela não me disse."

"Você nunca abriu?"

"Não podia."

"Por quê?"

"Porque Elara estabeleceu duas chaves de autenticação."

Maíra aproximou-se.

"Quais?"

Gael mostrou uma anotação.

"A primeira é um selo pessoal."

"Que selo?"

"Um pequeno carimbo metálico com as iniciais dela. Deve estar entre os objetos pessoais."

Maíra lembrou da caixa vazia no quarto.

"E a segunda?"

Gael hesitou.

"Foi a parte que eu nunca entendi."

"Fale."

"Uma fotografia original."

"De quê?"

"De duas meninas."

Maíra parou de respirar.

Gael continuou.

"Elara disse que a pessoa certa saberia qual."

A mão de Maíra subiu lentamente até o pescoço.

O medalhão estava escondido sob a blusa.

Gael acompanhou o movimento.

"Maíra?"

Ela puxou a corrente.

O pequeno pingente de ouro apareceu.

Abriu a trava.

A fotografia antiga ficou exposta entre seus dedos.

Elara, com oito anos.

Maíra, com quatro.

Gael ficou imóvel.

"É essa?"

"É a única que existe."

Ele aproximou-se, mas não tocou.

No verso minúsculo da fotografia havia uma marca quase apagada.

Duas letras.

E. V.

Maíra sentiu os olhos se encherem novamente.

"Ela me deu esse medalhão no dia em que fomos separadas."

Gael olhou para a foto.

"Então Elara sabia que você ainda podia estar com ele."

"Depois de tantos anos?"

"Ela apostou nisso."

Maíra fechou o medalhão.

"Por que?"

"Porque talvez não pudesse confiar a segunda chave a ninguém dentro daquela casa."

Os dois ficaram em silêncio.

Então Gael apontou para o pingente.

"Sua irmã deixou a chave com você sem que você soubesse."

Maíra apertou o medalhão na palma.

Antes que respondesse, o celular de Gael vibrou.

Helena.

Ele atendeu.

"Fale."

A voz dela saiu urgente.

"Gael, temos um problema."

"Qual?"

"Alguém tentou acessar o cofre de Elara esta manhã."

Gael olhou para Maíra.

"Quem?"

"Não sei. A autorização foi recusada."

"Que horas?"

Helena respirou fundo.

"Há vinte minutos."

Maíra sentiu o sangue gelar.

Gael apertou o telefone.

"Como essa pessoa sabia do cofre?"

"Essa não é a pior parte."

"Então qual é?"

"A pessoa apresentou uma cópia do atestado de óbito de Elara e pediu acesso como representante da família."

Gael ficou em silêncio.

Maíra se aproximou.

"Quem foi?"

Helena respondeu do outro lado.

"O banco ainda está verificando as imagens."

Uma pausa.

"Mas quem tentou abrir aquele cofre sabia exatamente o número dele."

Gael desligou devagar.

Maíra apertou o medalhão.

"Se alguém já está procurando o cofre..."

"Então não temos mais tempo."

"Precisamos achar o selo."

Gael assentiu.

"Antes deles."

Maíra olhou para a fotografia dentro do medalhão.

Pela primeira vez desde que entrara naquela mansão, não estava investigando sozinha.

Mas a sensação de alívio durou pouco.

Porque, se alguém conhecia o número do cofre, significava que os segredos de Elara já estavam sendo caçados.

E talvez a única coisa que ainda impedisse aquela pessoa de abri-lo estivesse pendurada no pescoço de Maíra.

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