"Depois da Morte da Esposa, a Amante Tomou Seu Lugar na Mansão — Mas Ela Não Fazia Ideia de Quem Era a Nova Babá" Capítulo 5
As palavras de Maíra permaneceram no corredor mesmo depois que ninguém mais respondeu.
Gael continuou olhando para ela.
Ricardo, alguns metros adiante, apoiava as duas mãos na parede do hospital como se precisasse daquilo para continuar de pé.
Tomás estava vivo.
Mas alguém vinha dopando a criança havia tempo suficiente para transformar o medo daquela noite em algo muito maior.
Maíra apertou o exame contra o peito.
Agora não havia mais dúvida.
Ela não tinha entrado naquela casa tarde demais apenas para Elara.
Tomás também corria perigo.
E talvez corresse desde antes da morte da mãe.
A madrugada já passava das três quando Maíra voltou à mansão apenas para buscar o restante de suas coisas.
Ricardo não tentou impedi-la.
Também não repetiu que ela estava proibida de voltar.
Talvez estivesse cansado demais.
Talvez a descoberta do sedativo tivesse abalado alguma certeza dentro dele.
Dona Célia abriu a porta lateral.
"Como ele está?"
"Estável."
A governanta levou a mão ao peito.
"Graças a Deus."
"Mas encontraram sedativo no sangue."
Dona Célia empalideceu.
"Sedativo?"
"Em pequenas doses. Mais de uma vez."
A mulher demorou a responder.
Maíra percebeu.
"A senhora sabe de alguma coisa."
"Não."
"Olhou como se soubesse."
"Olhei como alguém que acabou de descobrir que um bebê foi envenenado dentro da casa onde trabalha."
Maíra não insistiu.
Ainda.
Subiu para o pequeno quarto que usara durante os últimos meses.
Fechou a porta.
Então trancou.
Pela primeira vez naquela noite, ficou sozinha.
Sem Camila.
Sem Ricardo.
Sem polícia.
Sem Gael observando cada reação sua.
Maíra sentou-se na beirada da cama.
As mãos começaram a tremer.
Ela as apertou entre os joelhos.
"Agora não."
Mas o corpo não obedecia.
A imagem de Tomás afundando voltou inteira.
Os olhos fechados.
A água cobrindo seu rosto.
O peso pequeno do corpo nos braços.
Maíra levou a mão ao pescoço.
Encontrou a corrente fina escondida sob a blusa.
Puxou o pingente para fora.
Era um medalhão oval, de ouro antigo, simples demais para chamar atenção.
Pressionou a pequena trava lateral.
O metal abriu.
Dentro havia uma fotografia minúscula.
Duas meninas.
Uma devia ter oito anos.
A outra, quatro.
A mais velha sorria para a câmera com os cabelos presos em duas tranças.
A menor estava agarrada ao braço dela.
Maíra tocou o rosto da menina mais velha com a ponta do dedo.
"Elara."
A voz falhou.
Ali, sozinha, ela finalmente permitiu que a palavra existisse.
"Minha irmã."
Os olhos se encheram.
Durante meses, Maíra entrara naquela casa dizendo a si mesma que precisava pensar como investigadora.
Observar.
Guardar provas.
Não reagir.
Não chamar atenção.
Mas aquela mentira tinha um limite.
Tomás não era apenas uma criança sob seus cuidados.
Era filho de Elara.
Seu sobrinho.
A última parte viva da irmã que ela chegara tarde demais para encontrar.
Maíra fechou os olhos.
E voltou muitos anos.
"Lúcia, você não pode levar as duas."
A voz masculina vinha da cozinha.
Maíra era pequena demais para entender.
Lembrava apenas dos gritos.
Da mãe chorando.
Das malas.
Elara ajoelhada diante dela.
"Não chora, Mai."
"Você vai comigo?"
Elara segurou seu rosto.
"Eu vou encontrar você."
"Promete?"
"Prometo."
Foi a última vez que Maíra viu a irmã durante a infância.
Lúcia Valença, mãe das duas, tivera Elara muito jovem, de um relacionamento que terminara cedo.
Anos depois, conhecera o pai de Maíra.
A nova família nunca aceitara completamente a criança do primeiro relacionamento.
Quando tudo desmoronou, as irmãs foram separadas.
Elara ficou com parentes do pai.
Maíra seguiu com Lúcia.
Depois vieram mudanças.
Cidades diferentes.
Números de telefone perdidos.
Cartas devolvidas.
E, por fim, silêncio.
Lúcia nunca gostava de falar sobre aquilo.
"Um dia vocês se encontram."
Era sempre a mesma resposta.
Mas o dia nunca chegava.
Até Lúcia morrer.
Maíra abriu os olhos.
As lágrimas haviam caído sobre a fotografia.
Ela as limpou rapidamente.
Após a morte da mãe, começara a procurar Elara de verdade.
Redes sociais.
Cartórios.
Nomes antigos.
Endereços.
Por anos, nada.
Até receber um envelope sem remetente oito meses antes.
Dentro havia meia carta.
Só isso.
Papel amarelado.
Letra delicada.
Maíra levantou-se.
Abriu o fundo falso da mala.
Retirou um envelope plástico.
O papel estava ali.
Ela o desdobrou com cuidado.
"Maíra,
se esta carta chegar até você, significa que finalmente encontrei uma forma de fazer meu nome chegar ao seu.
Eu procurei você mais vezes do que consigo contar.
Há coisas que nossa mãe nunca nos disse.
Há coisas sobre mim que você precisa saber.
Se acontecer alguma coisa comigo, procure..."
A frase terminava ali.
A metade inferior da página fora arrancada.
Maíra passou os dedos pela borda irregular.
A carta nunca fora enviada da forma correta.
Chegara tarde.
Tarde demais.
Quando rastreou o nome completo de Elara Valença Alvarenga, encontrou primeiro uma notícia antiga.
Esposa de empresário morre após acidente doméstico em residência de luxo.
Maíra ainda lembrava do momento em que leu.
Do chão desaparecendo sob os pés.
Da foto de Elara adulta.
Do nome de Ricardo.
Do bebê.
Tomás.
Ela chorara por dois dias.
No terceiro, começara a pesquisar.
Um mês depois, descobriu que a família procurava uma nova babá.
E se candidatou.
Não para trabalhar.
Não de verdade.
Entrou naquela mansão para descobrir por que a irmã, depois de tantos anos tentando encontrá-la, escrevera uma carta que começava como reencontro e terminava como despedida.
E agora alguém sabia.
Alguém escrevera:
Pare de procurar, ou o bebê será o próximo.
Maíra dobrou a carta.
"Você tentou me avisar."
A voz saiu baixa.
"Mas eu não sei de quê."
Ela tocou novamente a fotografia.
"Eu não consegui chegar até você."
As lágrimas voltaram.
"Mas eu cheguei até ele."
A imagem de Tomás surgiu em sua mente.
"Eu não vou deixar levarem seu filho também."
Uma batida na porta fez Maíra levantar o rosto.
Ela fechou o medalhão imediatamente.
"Quem é?"
"Dona Célia."
Maíra guardou a carta.
Abriu a porta apenas o suficiente.
A governanta estava nervosa.
"Tem alguém aqui."
"Quem?"
"Um homem."
Maíra sentiu o corpo endurecer.
"Gael?"
Dona Célia assentiu.
"Está no escritório do senhor Ricardo."
"Por quê?"
"Não sei."
Mas Maíra sabia que Gael não fazia nada sem motivo.
Do outro lado da cidade, Gael estava sentado diante de uma mesa de vidro no próprio escritório.
A madrugada clareava lentamente atrás das janelas.
Diante dele havia uma pasta.
Dentro, documentos sobre Maíra Valença.
Nascimento.
Histórico escolar.
Empregos incompletos.
Endereços.
Um período de quase três anos praticamente vazio.
Gael passou para a página seguinte.
Nome da mãe.
Lúcia Valença.
Ele parou.
Pegou outra pasta.
Elara.
Dados anteriores ao casamento.
Nome da mãe.
Lúcia Valença.
Gael permaneceu imóvel.
Leu novamente.
Depois puxou a fotografia encontrada no arquivo de Elara.
Ampliou no celular.
Os olhos.
A linha do rosto.
O mesmo pequeno arco da sobrancelha esquerda.
Não era prova.
Mas também já não parecia coincidência.
Gael abriu um banco de dados antigo que Elara autorizara meses antes da morte.
Havia uma observação numa ficha de atendimento.
"Possível familiar materna não localizada."
Ele aproximou o rosto da tela.
Familiar materna.
Não localizada.
O telefone tocou sobre a mesa.
Era Ricardo.
Gael recusou.
Ainda não.
Primeiro precisava entender.
Encontrou outra imagem.
Uma fotografia antiga digitalizada entre documentos de Elara.
Duas meninas.
A mais velha era claramente Elara.
A menor estava de lado, quase escondida.
No verso digitalizado, uma frase:
"Eu e Mai. Antes de tudo mudar."
Gael sentiu o coração acelerar.
Mai.
Maíra.
Ele pegou o celular.
Abriu a foto recente do crachá de Maíra.
Colocou as duas imagens lado a lado.
Os anos separavam os rostos.
Mas os olhos não.
Gael recostou-se na cadeira.
"Então era isso."
Lembrou da reação dela ao ouvir o nome de Elara.
Do modo como segurara a fotografia.
Do desespero na piscina.
Do jeito como chamara Tomás de "meu amor".
Do medo que parecia grande demais para uma funcionária.
Agora tudo começava a fazer sentido.
Mas restava uma pergunta ainda mais perigosa.
Se Maíra era quem ele suspeitava...
quem mais sabia?
Gael abriu a agenda.
Procurou um contato.
Ligou.
Demorou quatro toques.
Uma voz sonolenta atendeu.
"Gael? Você sabe que horas são?"
"Sei."
"O que aconteceu?"
"Preciso de um favor."
"Agora?"
"Agora."
Silêncio.
"O que você quer?"
Gael olhou novamente para as duas fotografias.
Elara.
Maíra.
Os mesmos olhos.
A mesma mãe.
Uma promessa antiga escondida entre documentos.
"Quero um teste de parentesco."
A voz do outro lado ficou mais desperta.
"De quem?"
Gael fechou a pasta.
"Discreto."
"Isso não respondeu."
"Nem vai."
"Você tem material?"
Gael olhou para um envelope transparente sobre a mesa.
Dentro havia um fio de cabelo preso ao verso de uma escova que Maíra deixara no banheiro da mansão, recolhido por ele antes de sair.
"Tenho."
"Qual é a urgência?"
Gael ficou em silêncio por um segundo.
Então olhou para a fotografia de Elara.
"Se eu estiver certo, uma mulher entrou naquela casa sem saber que alguém talvez já estivesse esperando por ela."
Do outro lado da linha, ninguém respondeu.
Gael baixou a voz.
"Quero o resultado antes que Ricardo ou Camila descubram."
Ele desligou.
No mesmo instante, seu celular vibrou.
Uma mensagem de número desconhecido.
Gael abriu.
Havia apenas uma fotografia.
Maíra entrando na mansão naquela madrugada.
Tirada de longe.
Como se alguém a estivesse observando da rua.
Abaixo da imagem, uma única frase:
"Agora você também está procurando a irmã errada."
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