"Depois da Morte da Esposa, a Amante Tomou Seu Lugar na Mansão — Mas Ela Não Fazia Ideia de Quem Era a Nova Babá" Capítulo 3
Maíra leu a frase uma segunda vez.
Depois uma terceira.
As letras pareciam crescer diante de seus olhos.
"Me dê isso."
Henrique estendeu a mão.
Maíra demorou alguns segundos para reagir. Entregou o papel ao policial, mas continuou olhando para a fotografia caída no chão.
Elara sorria na imagem.
O mesmo sorriso que Maíra procurara durante anos.
Ricardo se aproximou.
"O que está escrito?"
Henrique não respondeu imediatamente.
Colocou o bilhete dentro de um saco plástico que retirou do material levado pelos policiais.
"Uma ameaça."
Camila empalideceu.
"Uma ameaça contra quem?"
Maíra olhou diretamente para ela.
"Contra Tomás."
Ricardo arrancou o ar dos pulmões.
"O quê?"
Henrique mostrou o bilhete sem permitir que ele tocasse.
Ricardo leu.
Seu rosto mudou.
"Quem colocou isso aí?"
"É exatamente o que vamos descobrir."
Camila levou a mão ao peito.
"Meu Deus... então ela não está agindo sozinha."
Maíra virou-se bruscamente.
"Como é?"
Camila recuou um passo.
"Se alguém deixou isso para você, talvez tenha um cúmplice."
"Ou alguém está tentando me assustar porque sabe que eu estou chegando perto da verdade."
"Que verdade?"
A pergunta veio de Ricardo.
Maíra congelou.
Ele a encarava de um jeito diferente agora.
Ainda havia raiva.
Mas também havia dúvida.
"Do que você está falando, Maíra?"
Ela respirou fundo.
Não podia contar.
Ainda não.
"Da verdade sobre esta noite."
Camila soltou uma risada nervosa.
"Conveniente."
Henrique virou-se para Paulo.
"Ninguém sai da propriedade até terminarmos os depoimentos."
Depois apontou para o corredor.
"E quero saber quem passou por aqui nos últimos vinte minutos."
Paulo assentiu.
"Sim, senhor."
Maíra observou o bilhete dentro do plástico.
A frase não saía de sua cabeça.
Pare de procurar.
Não dizia "pare de acusar Camila".
Não dizia "retire a denúncia".
Dizia para parar de procurar.
Quem escrevera aquilo sabia que Maíra estava procurando alguma coisa antes mesmo do incidente na piscina.
Isso significava apenas uma coisa.
Alguém sabia por que ela tinha entrado naquela casa.
Henrique passou mais de uma hora ouvindo os funcionários e recolhendo informações.
O dispositivo usado para apagar a gravação foi identificado como um tablet cadastrado na rede interna da mansão, mas Paulo afirmou que o aparelho era compartilhado pela administração da casa e podia ser usado por mais de uma pessoa.
Não havia uma resposta definitiva.
Ainda.
E os dezessete segundos recuperados não mostravam o momento exato em que o carrinho era empurrado.
Camila tinha mentido sobre onde estava.
Mas isso, sozinho, não provava tentativa de homicídio.
Quando Henrique voltou ao salão, Maíra já tinha trocado a roupa molhada por uma calça escura e uma blusa emprestada por Dona Célia.
"Não vou prendê-la esta noite."
Camila abriu a boca.
"Como assim?"
Henrique lançou-lhe um olhar frio.
"Não temos prova suficiente para prender ninguém."
"Mas eu vi o que ela fez!"
"E temos uma gravação mostrando que a senhora mentiu sobre onde estava."
Camila ficou vermelha.
"Eu já expliquei."
"E sua explicação vai constar no depoimento."
Maíra sentiu um pequeno gosto de vitória.
Não era justiça.
Mas era a primeira rachadura na versão de Camila.
Ricardo permaneceu em silêncio.
Henrique voltou-se para Maíra.
"Isso não significa que a senhora esteja livre de suspeita."
"Eu sei."
"Não deixe a cidade sem avisar."
"Não vou deixar."
Camila cruzou os braços.
"Ela vai continuar aqui?"
Ricardo finalmente ergueu os olhos.
"Não."
Maíra o encarou.
"Ricardo..."
"Você vai embora esta noite."
Dona Célia tentou interferir.
"Senhor Ricardo, talvez seja melhor esperar..."
"Não."
A voz dele saiu firme.
"Até eu saber exatamente o que aconteceu, não quero nenhuma das duas perto do meu filho."
Camila arregalou os olhos.
"Nenhuma das duas?"
Ricardo olhou para ela.
"Você mentiu para mim."
"Eu estava em choque!"
"Você disse que estava dentro da casa."
"Porque eu não lembrava!"
"Então vá para o apartamento esta noite."
Camila ficou sem reação.
Maíra percebeu o golpe.
Pela primeira vez, Ricardo não escolhera automaticamente o lado dela.
Camila pegou a bolsa sobre uma mesa.
"Você vai se arrepender disso."
"Talvez."
Ela lançou um olhar venenoso para Maíra antes de sair.
Maíra sustentou o olhar.
Camila podia ter perdido uma batalha pequena.
Mas não parecia derrotada.
Parecia furiosa.
E pessoas furiosas cometiam erros.
"Você também", Ricardo disse.
Maíra voltou-se para ele.
"Tomás precisa de alguém."
"Dona Célia vai cuidar dele."
"Ele acabou de quase morrer."
"E é justamente por isso que você não vai ficar."
A frase doeu.
Maíra apertou os lábios.
"Eu salvei a vida dele."
Ricardo desviou os olhos por um instante.
Foi rápido, mas ela viu.
"Eu sei."
A resposta a surpreendeu.
Ricardo respirou fundo.
"Mas também sei que você está escondendo alguma coisa."
Maíra não respondeu.
Ele continuou.
"Você não reage a esta casa como uma funcionária. Conhece coisas que ninguém contou. E quando viu aquela fotografia..."
Maíra sentiu o corpo endurecer.
"O que tem a fotografia?"
"Parecia que você conhecia Elara."
O nome da irmã na boca dele fez seu estômago se fechar.
"Eu conhecia a imagem dela."
"Não foi isso que eu vi no seu rosto."
Maíra deu um passo para trás.
"Talvez o senhor devesse se perguntar por que alguém deixou uma ameaça atrás da fotografia da sua esposa morta."
Ricardo ficou pálido.
"Não use Elara para me provocar."
"Por quê? Dói lembrar dela?"
"Saia da minha casa."
Maíra sustentou o olhar.
"Com prazer."
Era mentira.
A última coisa que queria era sair.
Porque agora sabia que havia alguma coisa naquela mansão que alguém estava disposto a matar para proteger.
Dona Célia ajudou Maíra a arrumar suas coisas.
O quarto da babá era pequeno, mas confortável. Uma cama, um armário, uma escrivaninha e uma janela voltada para o jardim.
Maíra colocou algumas roupas dentro da mala.
"Você pode ficar na minha casa esta noite", Dona Célia disse.
"Não quero colocar a senhora em perigo."
"Eu cuido desta família há vinte e sete anos. Já sobrevivi a coisas piores."
Maíra parou.
"Coisas piores?"
Dona Célia desviou os olhos.
"Foi modo de falar."
"Não pareceu."
A governanta fechou uma gaveta.
"Maíra, vá embora enquanto pode."
"Por que está dizendo isso?"
"Porque aquela casa mudou depois que dona Elara morreu."
O coração de Maíra bateu mais rápido.
"Como ela morreu?"
Dona Célia ficou imóvel.
"Você sabe. Foi um acidente."
"Eu sei o que diz a versão oficial."
A mulher a encarou.
"Por que isso importa tanto para você?"
Maíra quase respondeu.
Quase.
Mas lembrou do bilhete.
Se alguém já suspeitava dela, revelar a verdade agora poderia colocar Tomás em risco ainda maior.
"Porque uma mulher morreu e, poucos meses depois, outra já estava usando as roupas dela."
Dona Célia abaixou os olhos.
"Camila começou a vir aqui antes da morte."
Maíra sentiu um choque.
"Antes?"
A governanta percebeu que falara demais.
"Eu não disse nada."
"Há quanto tempo?"
"Maíra..."
"Por favor."
Dona Célia apertou as mãos.
"Alguns meses."
"E Elara sabia?"
"Não sei."
"Ricardo tinha um caso com Camila enquanto minha..."
Maíra parou a tempo.
Dona Célia franziu a testa.
"Enquanto sua...?"
"Enquanto a esposa dele ainda estava viva."
A governanta continuou observando-a.
Maíra fechou a mala.
"Preciso pegar uma última coisa."
"O quê?"
"Meu casaco."
"Eu pego."
"Não precisa."
Maíra saiu antes que Dona Célia pudesse impedi-la.
Mas não foi buscar casaco algum.
Subiu as escadas.
O corredor estava vazio.
A polícia já havia deixado a área diante do antigo quarto de Elara depois de fotografar o porta-retrato e recolher o bilhete.
A porta permanecia entreaberta.
Maíra entrou.
O cheiro era diferente do restante da casa.
Mais fechado.
Mais frio.
O quarto parecia congelado no tempo.
Havia uma cama grande, cortinas claras, uma penteadeira e uma estante cheia de livros.
Ricardo aparentemente não tivera coragem de esvaziá-lo.
Ou talvez tivesse outros motivos para mantê-lo intacto.
Maíra fechou a porta.
Seu coração batia depressa.
"Desculpa, Elara."
Era a primeira vez que dizia o nome da irmã naquele quarto.
Passou os dedos sobre a penteadeira.
Havia perfumes, um porta-joias e uma pequena caixa de madeira.
Vazia.
Maíra abriu a primeira gaveta.
Lenços.
A segunda.
Papéis antigos.
Na terceira encontrou fotografias.
Elara grávida.
Elara segurando Tomás recém-nascido.
Elara sozinha diante da piscina.
Maíra engoliu em seco.
Era estranho olhar para a vida que sua irmã vivera sem ela.
Aniversários.
Casamento.
Gravidez.
Nascimento do filho.
Maíra perdera tudo.
Então encontrou uma fotografia diferente.
Elara estava diante de um café em São Paulo, usando óculos escuros e segurando uma pasta contra o peito.
Atrás dela havia um homem alto, de terno escuro.
O rosto dele aparecia apenas de perfil.
Maíra virou a foto.
Uma data estava escrita atrás.
Três dias antes da morte de Elara.
Abaixo da data havia duas letras.
"G. M."
Maíra sentiu um arrepio.
Continuou procurando.
No fundo da gaveta encontrou um pedaço de papel rasgado.
Depois outro.
Juntou os dois.
Era um cartão profissional.
Restava parte de um nome.
Montenegro.
E uma palavra.
Advogado.
Maíra ouviu um ruído no corredor.
Guardou rapidamente a fotografia e os pedaços do cartão.
A maçaneta girou.
Ela se virou.
Um homem entrou.
Alto.
Terno escuro perfeitamente cortado.
Cabelos castanho-escuros, quase negros, levemente ondulados.
O rosto era marcado por linhas firmes, barba curta e uma expressão difícil de interpretar.
Mas foram os olhos que prenderam Maíra.
Cinza-esverdeados.
Frios.
Atentos.
Ele fechou a porta atrás de si.
"Quem é você?"
Maíra apertou a fotografia contra a palma da mão.
"Eu poderia perguntar a mesma coisa."
O homem olhou para a mala pequena que ela deixara no corredor.
Depois para as gavetas abertas.
"Não parece estar apenas se despedindo."
"Isso não é da sua conta."
"Você está mexendo nas coisas de uma mulher morta."
"Uma mulher que o senhor conhecia?"
Algo mudou nos olhos dele.
Quase nada.
Mas Maíra percebeu.
"Qual é o seu nome?"
"Maíra."
"Maíra o quê?"
"Valença."
O silêncio seguinte pareceu longo demais.
O homem repetiu o sobrenome mentalmente.
"Interessante."
"Por quê?"
Ele ignorou a pergunta.
"Você é a babá."
Maíra ficou tensa.
"Como sabe?"
"Ricardo acabou de me contar o que aconteceu."
"Então o senhor é amigo dele?"
"Não."
A resposta veio rápida demais.
"Advogado?"
Ele não respondeu.
Maíra tirou lentamente os pedaços do cartão do bolso.
"Gael Montenegro?"
Dessa vez ele não conseguiu esconder a surpresa.
"De onde tirou isso?"
"Então é seu."
Gael olhou para o cartão.
"Era."
"Por que Elara tinha seu cartão escondido?"
"Por que você está procurando coisas de Elara?"
"Eu fiz uma pergunta primeiro."
Ele se aproximou.
Maíra não recuou.
Agora conseguia ver melhor o rosto dele.
Era um homem bonito, de um jeito quase irritante.
Mas não havia gentileza naquela expressão.
Havia cálculo.
"Você não entrou nesta casa para trabalhar."
Maíra sentiu o coração disparar.
"Que conclusão conveniente."
"Uma babá acusada de tentar matar uma criança deveria estar preocupada em provar a própria inocência."
"Eu estou."
"Não parece. Parece mais interessada em uma mulher que morreu meses antes de você ser contratada."
Maíra apertou o cartão.
"E o senhor?"
Gael inclinou levemente a cabeça.
"O que tem eu?"
"Entrou aqui esta noite por quê?"
"Assuntos profissionais."
"Com um homem cuja esposa morta escondia seu cartão?"
Os olhos dele ficaram mais frios.
Maíra avançou um passo.
"E o senhor? Entrou para proteger quem?"
Pela primeira vez, Gael não respondeu imediatamente.
A tensão entre os dois parecia ocupar o quarto inteiro.
Então seus olhos desceram para a mão dela.
Maíra percebeu tarde demais.
Parte da fotografia estava visível entre seus dedos.
Gael ficou imóvel.
Toda a frieza de seu rosto desapareceu por um segundo.
"Essa foto."
Maíra a escondeu atrás do corpo.
"Não é nada."
"Mostre."
"Não."
"Maíra."
"Não me dê ordens."
Gael avançou.
Ela recuou até a penteadeira.
"Essa fotografia não deveria estar aqui."
A frase fez Maíra congelar.
"Como sabe?"
Ele parou.
Agora havia algo diferente em seu olhar.
Não apenas suspeita.
Reconhecimento.
Medo.
Maíra lentamente trouxe a fotografia para a frente.
"Foi tirada três dias antes de Elara morrer."
Gael olhou para a data escrita no verso.
Seu maxilar se contraiu.
"Quem mais viu isso?"
"Ninguém."
"Tem certeza?"
"Por que isso importa?"
Gael olhou para a porta.
Depois voltou a encará-la.
"Porque, se alguém souber que você encontrou essa foto, sair desta casa talvez não seja suficiente para mantê-la segura."
Maíra sentiu um frio percorrer o corpo.
"Você estava com ela naquele dia?"
Gael não respondeu.
"Foi a última pessoa que encontrou Elara antes da morte?"
Silêncio.
"Ela sabia que estava em perigo?"
Gael estendeu a mão.
"Me dê a fotografia."
"Não."
"Você não entende o que tem nas mãos."
"Então me explique."
Ele se aproximou mais uma vez.
Maíra ergueu o queixo.
"Minha vez de fazer perguntas."
Gael olhou para ela por vários segundos.
Então seus olhos desceram para o rosto de Elara na fotografia.
Quando voltou a olhar para Maíra, havia uma pergunta silenciosa em sua expressão.
Como se finalmente tivesse percebido alguma coisa nos olhos dela.
Uma semelhança.
Pequena demais para ser óbvia.
Grande demais para ser ignorada.
Gael caminhou até a porta.
Maíra pensou que ele fosse embora.
Em vez disso, ele a fechou.
Girou a chave.
E ficou entre Maíra e a única saída.
"Onde conseguiu isso?"
"Na gaveta."
"Não estou falando da fotografia."
Maíra franziu a testa.
Gael apontou para o verso.
Para a data.
Para as duas letras escritas pela mão de Elara.
"G. M."
Ele levantou os olhos.
"Elara não guardou essa foto por acaso."
Maíra sentiu o coração bater na garganta.
"Então por que guardou?"
Gael hesitou.
A resposta seguinte saiu quase como um aviso.
"Porque três dias antes de morrer, Elara me procurou para preparar documentos que o marido dela jamais poderia descobrir."
Maíra perdeu o ar.
"Que documentos?"
Gael a encarou.
"Antes de eu responder, você vai me dizer uma coisa."
"O quê?"
Ele olhou novamente para o rosto de Maíra.
Depois para o de Elara.
Quando falou, sua voz estava mais baixa.
"Por que vocês duas têm os mesmos olhos?"
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4