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"Depois da Morte da Esposa, a Amante Tomou Seu Lugar na Mansão — Mas Ela Não Fazia Ideia de Quem Era a Nova Babá" Capítulo 2

正文开头

As palavras de Paulo caíram sobre o jardim como uma segunda explosão.

Ricardo ficou imóvel por um instante. Depois avançou na direção do segurança, com o rosto endurecido.

"Que problema?"

Paulo apertou o rádio preso ao cinto.

"Eu preciso verificar no sistema, senhor."

"Então verifique agora."

Camila cruzou os braços sobre o vestido azul. A palidez que surgira ao ver a câmera desaparecia pouco a pouco, substituída por uma expressão de preocupação cuidadosamente ensaiada.

Maíra percebeu.

"Você parece mais tranquila de repente."

Camila virou o rosto para ela.

"Meu único interesse é saber o que você fez com Tomás."

"Então deveria estar desesperada para assistir à gravação."

Por um instante, ninguém respondeu.

Ricardo lançou um olhar duro às duas.

"Chega. Paulo, vamos."

O grupo atravessou a varanda e entrou na mansão. Dona Célia ficou com Tomás nos braços enquanto uma funcionária buscava roupas secas e ligava para o pediatra.

Maíra caminhava atrás dos outros, ainda encharcada.

Cada passo deixava pequenas marcas de água no mármore claro.

Camila olhou para elas.

"Está sujando a casa inteira."

Maíra quase não acreditou no que ouviu.

"Seu problema agora é o piso?"

"Meu problema é ter uma mulher perigosa dentro desta casa."

Maíra parou.

"Se eu fosse perigosa, seu plano teria funcionado."

Camila também parou.

Os olhos das duas se encontraram.

"Que plano?"

"Você sabe."

Ricardo bateu a mão na porta do corredor.

"Eu disse chega!"

Paulo abriu a pequena sala de segurança.

Dois monitores cobriam a parede. Havia imagens do portão, da garagem, dos corredores externos e do jardim.

A câmera da piscina aparecia em uma das telas.

Ao vivo.

Funcionando perfeitamente.

Maíra sentiu uma esperança amarga.

"Volte quinze minutos."

Paulo sentou-se diante do computador.

"É o que estou tentando fazer."

Ele clicou algumas vezes.

Nada.

Franziu a testa.

"Não pode ser."

Ricardo se aproximou.

"O quê?"

Paulo abriu outra janela.

"Os arquivos estão aqui até as nove e quarenta e dois."

"E depois?"

"Depois não tem nada."

Maíra sentiu o estômago afundar.

"Que horas o carrinho caiu?"

Paulo olhou o relógio do sistema.

"Por volta das nove e cinquenta e cinco."

Camila soltou o ar devagar.

Maíra ouviu.

"Então alguém apagou."

Paulo não respondeu imediatamente.

Ricardo se inclinou sobre a mesa.

"Eu perguntei o que aconteceu."

"O arquivo foi excluído."

O silêncio tomou a sala.

Camila foi a primeira a falar.

"Claro."

Maíra virou-se.

"Claro?"

Camila apontou para ela.

"Agora tudo faz sentido."

"Do que você está falando?"

"Você sabia da câmera."

Maíra soltou uma risada sem humor.

"Acabei de descobrir que ela estava ali."

"Ou fingiu descobrir."

Ricardo olhou de uma para a outra.

Camila continuou.

"Ela planejou tudo. Apagou a gravação antes, empurrou Tomás e depois pulou na piscina para parecer uma heroína."

"Isso é absurdo."

"É?"

"Eu nem tenho acesso a esta sala."

Camila ergueu as sobrancelhas.

"Você trabalha aqui. Anda pela casa inteira."

Paulo levantou a cabeça.

"A porta fica trancada."

正文1

"Mas funcionários têm chaves", Camila respondeu.

Dona Célia apareceu à porta.

"Nem todos."

Camila olhou para ela.

A governanta entrou devagar, agora sem Tomás.

"O menino está com a enfermeira. O pediatra está vindo."

Ricardo respirou aliviado.

"E as chaves?"

Dona Célia olhou para Maíra.

"Maíra nunca recebeu chave desta sala."

"Ela poderia ter roubado", Camila insistiu.

Maíra sentiu a raiva subir.

"Você vai inventar uma história nova para cada prova que aparecer?"

"Eu não preciso inventar nada. Eu vi você."

"Mentira."

"Eu vi."

"Então conte de novo."

Camila estreitou os olhos.

"O quê?"

"Conte exatamente onde você estava."

Ricardo soltou um suspiro impaciente.

"Maíra..."

"Ela disse que estava vindo da casa quando me viu empurrar o carrinho. Quero ouvir de novo."

Camila manteve o olhar.

"Eu saí pela varanda. Vi você perto da piscina e, segundos depois, o carrinho caiu."

"Você estava dentro da casa?"

"Sim."

"Tem certeza?"

"Absoluta."

Maíra assentiu lentamente.

"Ótimo."

Camila pareceu não entender.

Antes que pudesse perguntar, a campainha da entrada tocou.

Poucos minutos depois, dois policiais entraram na sala.

O homem à frente aparentava pouco mais de quarenta anos, tinha expressão cansada e um jeito calmo que contrastava com o clima da mansão.

"Sargento Henrique Nunes."

Ricardo apertou sua mão.

"Meu filho quase foi morto."

Henrique olhou ao redor.

"Quero ouvir todo mundo separadamente."

Camila tentou falar.

"Eu vi quando..."

"Separadamente, senhora."

Ela fechou a boca.

Henrique então olhou para Maíra, ainda molhada.

"A senhora entrou na piscina?"

"Entrei."

"Por quê?"

"Para tirar o bebê."

"Quem colocou o carrinho na água?"

"Camila."

Henrique olhou para a mulher de azul.

Camila balançou a cabeça imediatamente.

"Ela está mentindo."

Henrique ergueu a mão.

"Eu disse separadamente."

Depois olhou para Paulo.

"E a gravação?"

"Foi apagada."

O policial franziu a testa.

"Por quem?"

"Ainda não sei."

Henrique caminhou até o computador.

"Então descubra."

Durante os quarenta minutos seguintes, a mansão pareceu deixar de ser uma casa.

Virou uma cena de investigação.

Os convidados foram identificados. Funcionários receberam ordem para não ir embora. Ricardo acompanhou o pediatra até o quarto de Tomás.

Maíra recebeu uma toalha seca de Dona Célia, mas recusou trocar de roupa.

Não queria sair de perto da sala de segurança.

Camila também não.

Henrique percebeu.

"Por que a senhora continua aqui?"

Camila abriu um sorriso frágil.

"Estou preocupada com Ricardo."

"Ele está no andar de cima."

"Também quero ajudar."

Henrique sustentou o olhar por alguns segundos.

"Então não atrapalhe."

Camila fechou a expressão.

Maíra quase sorriu.

Paulo continuava diante do computador.

De repente, endireitou as costas.

"Espera."

Todos olharam para ele.

"O que foi?", perguntou Maíra.

"Tem um cache automático."

Ricardo havia acabado de voltar e entrou na sala.

"Fale em português, Paulo."

"O sistema salva pequenos trechos temporários na nuvem quando detecta movimento. Mesmo quando o arquivo principal é apagado, às vezes o cache demora um pouco para desaparecer."

Henrique se aproximou.

"Tem alguma coisa?"

正文2

"Talvez."

Paulo digitou uma senha.

Uma barra surgiu na tela.

Dois por cento.

Sete.

Treze.

Camila ficou imóvel.

Maíra observou as mãos dela.

Os dedos apertavam o tecido azul do vestido.

Vinte e oito por cento.

"Quanto tempo?", Ricardo perguntou.

"Não sei."

Quarenta e seis.

Cinquenta e nove.

Camila deu um passo para trás.

"Isso pode estar corrompido."

Paulo nem olhou para ela.

"Pode."

Setenta e quatro.

O coração de Maíra acelerou.

Henrique cruzou os braços.

Noventa e três.

A barra chegou ao fim.

Um arquivo apareceu.

Paulo arregalou os olhos.

"Dezessete segundos."

"Abra", Ricardo ordenou.

A imagem surgiu granulada.

Piscina.

Árvores.

O carrinho.

Maíra prendeu a respiração.

O horário no canto marcava 21:54:31.

Por alguns segundos, ninguém apareceu.

Então uma silhueta entrou no quadro.

Vestido azul.

Cabelos negros.

Camila.

Ela caminhou diretamente até o carrinho.

"Pare."

Henrique apontou para a tela.

Paulo congelou a imagem.

Todos olharam para Camila.

Ela havia dito que estava dentro da casa.

Mas às 21:54 ela já estava ao lado de Tomás.

Ricardo virou-se lentamente.

"Você disse que saiu depois."

Camila ficou pálida.

"Eu... devo ter confundido."

"Confundido?"

"Foi uma noite caótica."

Maíra deu um passo à frente.

"Você tinha certeza absoluta."

Camila olhou para ela.

"Eu fui ver Tomás. Depois voltei para dentro."

"Não foi isso que você disse."

"Eu estava nervosa!"

Paulo retomou o vídeo.

Na tela, Camila colocou uma mão no carrinho.

Maíra sentiu o peito apertar.

Mais um segundo.

Dois.

Camila olhou para trás.

Então a imagem travou.

A tela ficou preta.

"Não!", Maíra exclamou.

Paulo tentou avançar.

Nada.

"O arquivo termina aqui."

"Mas ela estava com a mão no carrinho!", Maíra disse.

Camila reagiu imediatamente.

"Porque eu estava verificando Tomás!"

"Você mentiu sobre estar ali!"

"Isso não prova que eu empurrei!"

Ricardo passou a mão pelo rosto.

Pela primeira vez, havia dúvida verdadeira em seus olhos.

"Camila..."

Ela se aproximou dele.

"Ricardo, olha para mim. Eu amo você. Eu jamais faria mal ao seu filho."

Maíra sentiu náusea.

Henrique, porém, não parecia interessado na declaração.

"Paulo."

"Sim?"

"Quero saber como o arquivo principal foi apagado."

O segurança abriu os registros administrativos.

Digitou mais alguns comandos.

Então parou.

"Tem aqui."

Todos se aproximaram.

"Às 21:57, alguém entrou no sistema e apagou manualmente o arquivo da câmera seis."

Henrique olhou para o relógio.

"Depois que o bebê já estava na água."

"Sim."

"De qual computador?"

Paulo verificou.

"Não foi daqui."

Ricardo franziu a testa.

"Como assim?"

"Foi acesso remoto."

Maíra sentiu um arrepio.

"De fora da casa?"

Paulo balançou a cabeça.

"Não. Da rede interna."

Henrique apoiou as mãos sobre a mesa.

"Então alguém dentro da mansão apagou a gravação."

Camila cruzou os braços.

"Pode ter sido ela."

Henrique olhou para Maíra.

"O sistema exige senha?"

"Sim", Paulo respondeu.

"Quem tem?"

Paulo hesitou.

Ricardo percebeu.

"Responda."

"Existe uma conta de administrador."

"Quem conhece a senha?"

Paulo ficou em silêncio.

Foi Dona Célia quem respondeu.

正文3

"Três pessoas."

Todos se viraram para ela.

A governanta estava parada junto à porta, muito séria.

"Eu lembro quando o sistema foi instalado. O senhor Ricardo exigiu que só três pessoas tivessem acesso administrativo."

Ricardo estreitou os olhos.

"Eu, Paulo e..."

Dona Célia não terminou.

Camila olhou para ela.

Maíra percebeu o medo nos olhos da governanta.

Henrique também.

"Quem é a terceira pessoa?"

Dona Célia respirou fundo.

Antes que respondesse, Paulo fez um som estranho.

"Espera."

Ele aproximou o rosto do monitor.

"O quê?", Henrique perguntou.

Paulo abriu o histórico de acesso.

Seus dedos pararam sobre o teclado.

"Isso não faz sentido."

Ricardo perdeu a paciência.

"Fala logo!"

Paulo ampliou uma linha do registro.

Havia um horário.

21:57:08.

Acesso administrativo.

Exclusão manual.

E um dispositivo conectado à rede privada da mansão.

Henrique apontou para a tela.

"Consegue identificar?"

"Consigo."

Paulo abriu outra janela.

Camila ficou imóvel.

Maíra olhou para ela e percebeu que a mulher já não estava fingindo tranquilidade.

Mas havia algo ainda mais estranho.

Dona Célia também parecia apavorada.

Paulo encontrou o registro.

"Meu Deus..."

Henrique aproximou-se.

"De quem é?"

Paulo levantou os olhos.

"Antes disso, tem outra coisa."

"O quê?"

"Quem apagou o vídeo não tentou entrar no sistema."

Ricardo franziu a testa.

"Não estou entendendo."

Paulo apontou para uma pequena marca verde ao lado do registro.

"A pessoa já estava autenticada desde antes da festa."

Henrique ficou sério.

"Quanto tempo antes?"

Paulo rolou a tela.

Uma hora.

Duas.

Três.

Até encontrar o início da sessão.

"Desde as seis e vinte e três da tarde."

Maíra sentiu um frio percorrer a nuca.

Aquilo mudava tudo.

Não era alguém que vira o acidente e decidira apagar as imagens por impulso.

A conta já estava aberta horas antes.

Preparada.

Esperando.

"Então foi planejado", Maíra murmurou.

Camila olhou para ela.

Ricardo ouviu.

"Planejado por quem?"

Henrique não respondeu.

Continuou observando o monitor.

"Paulo, identifique o aparelho."

O segurança digitou novamente.

Uma sequência de números apareceu.

Depois um nome.

Paulo empalideceu.

"Não..."

"Leia", Henrique ordenou.

Paulo olhou primeiro para Ricardo.

Depois para Dona Célia.

Por último, para Camila.

"Eu conheço esse dispositivo."

Maíra deu um passo em direção à tela.

"De quem é?"

Paulo abriu a ficha de cadastro do aparelho.

Mas, antes que pudesse responder, Henrique ergueu a mão.

"Não toque em mais nada."

O policial tirou o celular do bolso e fotografou o registro.

Depois se virou lentamente para todos na sala.

Sua expressão já não era a de um homem investigando um acidente doméstico.

Era a de alguém que acabara de perceber que havia entrado em uma casa onde pelo menos uma pessoa estava mentindo.

E talvez tivesse planejado tudo com antecedência.

Henrique olhou novamente para o horário da exclusão.

Então falou, devagar:

"Quem apagou o vídeo estava dentro desta casa."

Naquele instante, ouviu-se um estrondo no corredor.

Todos se viraram.

Dona Célia levou a mão à boca.

Maíra correu até a porta.

No chão, diante do antigo quarto de Elara, havia um porta-retrato quebrado.

A fotografia tinha caído com o vidro virado para cima.

Maíra parou de respirar.

Era Elara.

Sua irmã.

E, atrás da fotografia, alguém havia acabado de deixar um pequeno pedaço de papel dobrado.

Maíra se abaixou antes que Ricardo pudesse alcançá-lo.

Abriu.

Havia apenas uma frase escrita à mão:

"Pare de procurar, ou o bebê será o próximo."

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