标题上

"Depois da Morte da Esposa, a Amante Tomou Seu Lugar na Mansão — Mas Ela Não Fazia Ideia de Quem Era a Nova Babá" Capítulo 1

正文开头

A música chegava abafada ao jardim da mansão dos Alvarenga, misturada ao tilintar das taças e às risadas dos convidados. Era uma noite quente em São Paulo, e as luzes douradas espalhadas pelas árvores faziam a água da piscina parecer tranquila demais para esconder qualquer perigo.

Maíra Valença estava perto da porta de vidro da varanda, com uma mamadeira limpa nas mãos, quando procurou Tomás com os olhos.

O bebê de oito meses deveria estar dormindo no carrinho, à sombra de uma das palmeiras do jardim.

Mas o carrinho não estava mais lá.

O coração de Maíra acelerou.

Ela deixou a mamadeira sobre uma mesa e avançou alguns passos. Foi então que viu uma mulher parada perto da extremidade mais escura da piscina.

Camila Saldanha.

O vestido azul marcava sua silhueta com perfeição. Os cabelos negros caíam em ondas sobre os ombros, e os brincos dourados refletiam discretamente a iluminação do jardim.

À sua frente estava o carrinho cinza de Tomás.

Maíra parou.

Havia algo errado naquela cena.

Camila não gostava de pegar o bebê no colo. Reclamava quando ele chorava durante o jantar, mandava as funcionárias fecharem a porta do quarto para não ouvir o barulho e, naquela mesma tarde, dissera que crianças pequenas eram "cansativas demais".

Por que estaria sozinha com Tomás?

"Senhora Camila?"

A mulher virou o rosto.

Por um instante, seus olhos encontraram os de Maíra.

Não houve susto.

Não houve sorriso.

Houve apenas um silêncio estranho.

Então Camila colocou as duas mãos no carrinho.

"Senhora Camila, espere."

Ela empurrou.

Tudo aconteceu rápido demais.

As rodas atravessaram o piso de pedra, e o carrinho ganhou velocidade na pequena inclinação que levava à piscina.

"Não!"

Maíra correu.

O carrinho bateu na borda e virou.

O impacto contra a água produziu um som pesado, seguido por uma onda que atingiu o piso.

Por um segundo terrível, Maíra viu o rosto de Tomás entre as laterais do carrinho.

Depois ele desapareceu.

"Tomás!"

Ela não pensou no celular dentro do bolso.

Não pensou nos sapatos.

Não pensou no vestido simples que usava para trabalhar.

Pulou.

A água fria fechou-se sobre sua cabeça.

Maíra abriu os olhos debaixo d'água e viu o carrinho afundando, torto, enquanto pequenas bolhas escapavam do tecido.

Tomás ainda estava preso.

Ela nadou até ele.

O cinto não soltava.

Maíra puxou uma vez.

Nada.

O peito começou a queimar pela falta de ar.

Ela tentou novamente, apertando a trava com os dedos trêmulos.

"Vamos... vamos..."

A fivela abriu.

Maíra puxou Tomás contra o corpo e impulsionou as pernas para cima.

Quando rompeu a superfície, inspirou com violência.

O bebê não chorava.

"Tomás!"

Ela nadou até a borda, mantendo a cabeça dele fora da água.

Dona Célia surgiu correndo da varanda.

"Meu Deus!"

"Me ajuda!"

A governanta se ajoelhou e ajudou Maíra a sair.

Maíra colocou Tomás sobre uma toalha que alguém havia jogado no chão.

"Tomás, olha para mim."

正文1

Nada.

"Meu menino, respira."

Ela posicionou cuidadosamente a cabeça dele.

Segundos depois, Tomás tossiu.

Água saiu de sua boca.

Então veio um choro fraco.

Maíra fechou os olhos por um instante.

O alívio quase derrubou o pouco de força que ainda tinha.

"Isso... isso, meu amor. Respira."

Ela o pegou novamente e o apertou contra o peito.

"Eu estou aqui."

Tomás chorou mais alto.

Maíra beijou os cabelos molhados do bebê sem perceber o que fazia.

"Está tudo bem. A tia está aqui..."

Ela congelou.

Dona Célia a encarou.

"O quê?"

Maíra levantou os olhos.

"Eu disse que está tudo bem."

Antes que a governanta pudesse responder, as portas da varanda se abriram.

"O que aconteceu?"

Ricardo Alvarenga apareceu acompanhado por vários convidados.

O rosto dele mudou quando viu o carrinho afundando na piscina.

Depois viu o filho molhado nos braços da babá.

"Tomás!"

Ele correu.

"Me dê meu filho!"

Maíra se levantou.

"Senhor Ricardo, ele engoliu água. Precisamos levá-lo para um hospital."

Ricardo arrancou Tomás dos braços dela.

"Como ele foi parar na piscina?"

"Foi a Camila."

O silêncio foi imediato.

Maíra apontou.

Camila continuava a poucos metros dali.

Mas já não parecia a mesma mulher que Maíra vira junto ao carrinho.

Seu rosto estava pálido.

As mãos cobriam a boca.

Os olhos estavam cheios de lágrimas.

"Ricardo..."

Ela caminhou até ele.

"Eu tentei impedir."

Maíra franziu a testa.

"Impedir o quê?"

Camila olhou para ela.

E começou a chorar.

"Foi ela."

Ricardo ficou imóvel.

"Como?"

"Eu vi tudo."

Camila apontou para Maíra com a mão trêmula.

"Foi a babá. Ela empurrou o carrinho."

Maíra sentiu como se alguém tivesse lhe acertado o peito.

"Você está mentindo."

"Eu estava vindo para cá quando vi você empurrando Tomás."

"Eu vi você fazer isso!"

"Chega!"

O grito de Ricardo fez Tomás chorar novamente.

Ele balançou o bebê nos braços enquanto encarava Maíra.

"Você empurrou meu filho na piscina?"

"Não."

"Camila acabou de dizer que viu."

"E eu estou dizendo que foi ela!"

Ricardo olhou para Camila.

A mulher se aproximou dele, chorando.

"Por que eu faria uma coisa dessas com seu filho?"

Maíra soltou uma risada curta, incrédula.

"Essa é uma ótima pergunta."

Camila virou-se para os convidados.

"Ela está tentando me culpar porque sabe que foi descoberta."

Os cochichos começaram.

Maíra percebeu os olhares.

Alguns convidados a reconheciam apenas como "a nova babá".

Ninguém sabia nada sobre ela.

Camila, ao contrário, estava ao lado de Ricardo havia meses.

"Eu salvei o Tomás."

"Depois de jogar o carrinho na água", Camila respondeu.

"Você sabe exatamente o que fez."

A voz de Maíra saiu baixa.

Firme.

Camila parou de chorar por uma fração de segundo.

Foi pouco.

Mas Maíra viu.

Ricardo também pareceu notar alguma coisa, embora seu medo pelo filho fosse maior que qualquer dúvida.

"Chame a polícia", ele ordenou.

Dona Célia arregalou os olhos.

"Senhor Ricardo..."

"Eu disse para chamar a polícia!"

正文2

Maíra sentiu o sangue desaparecer do rosto.

Não porque temesse apenas ser presa.

Se a polícia começasse a investigar sua identidade, descobriria que partes de seu currículo eram falsas.

Descobriria por que ela realmente havia entrado naquela casa.

E Maíra ainda não podia permitir isso.

Não antes de saber o que tinha acontecido com Elara.

Seus olhos se moveram involuntariamente para o andar superior.

Uma das janelas permanecia fechada.

Atrás dela estava o quarto que pertencera à esposa morta de Ricardo.

O quarto de sua irmã.

Maíra apertou as mãos.

Demorara anos para encontrar Elara.

Quando finalmente descobriu onde ela vivia, encontrou apenas uma certidão de óbito, uma mansão cheia de segredos e um bebê que jamais soubera da existência dela.

Não sairia daquela casa sem respostas.

"Seu celular", Ricardo disse.

Maíra voltou a encará-lo.

"O quê?"

"Me dê seu celular. Você não vai telefonar para ninguém antes de a polícia chegar."

"Você não tem direito de fazer isso."

"Você quase matou meu filho!"

"Eu salvei seu filho!"

Tomás começou a tossir.

Maíra avançou imediatamente.

"Segure a cabeça dele mais alta."

Ricardo recuou.

"Não encoste nele."

A frase doeu mais do que Maíra esperava.

Ela parou.

Seu corpo ainda pingava água sobre as pedras.

Os cabelos estavam colados ao rosto.

Os braços tinham pequenos arranhões provocados pelo carrinho.

E mesmo assim todos olhavam para ela como se aquelas mãos tivessem tentado matar uma criança.

Camila se aproximou de Ricardo.

"Ela não pode ficar perto dele."

Maíra encarou-a.

Camila baixou a voz.

"Acabou."

Só Maíra ouviu.

Foi suficiente.

Aquilo não tinha sido um impulso.

Camila queria tirá-la daquela casa.

Talvez soubesse que Maíra estava procurando alguma coisa.

Talvez soubesse muito mais.

Dona Célia apareceu ao lado de Maíra e colocou uma toalha sobre seus ombros.

"Você está tremendo."

"Eu estou bem."

"Não está."

Maíra olhou para ela.

"Você viu alguma coisa?"

Dona Célia hesitou.

"Eu estava dentro da casa."

"Antes disso?"

"Vi a senhora Camila saindo para o jardim."

Maíra respirou fundo.

"Você contaria isso à polícia?"

A governanta olhou para Ricardo.

Depois para Camila.

O medo em seu rosto respondeu antes de suas palavras.

"Eu contaria o que vi."

Não era suficiente.

Maíra sabia.

Camila também sabia.

"Ricardo", Camila disse, "ela pode tentar fugir."

"Eu não vou fugir."

"Então espere a polícia."

"Com prazer."

Maíra ergueu o queixo.

"Quero estar aqui quando você repetir essa mentira na frente deles."

Camila cruzou os braços.

"Não é mentira."

"Olhe para mim e diga de novo."

Camila sustentou o olhar.

"Você empurrou Tomás."

Maíra observou cada detalhe do rosto dela.

Nenhuma hesitação.

Nenhuma culpa.

Era assustador.

Então alguma coisa chamou sua atenção atrás de Camila.

Um pequeno ponto vermelho.

Maíra piscou.

Entre os galhos de uma árvore, quase escondido pela folhagem, havia um equipamento escuro preso a uma estrutura metálica.

Ela conhecia aquela câmera.

Tinha visto Paulo verificando o equipamento dois dias antes.

A câmera externa cobria a piscina.

E estava ligada.

O coração de Maíra bateu com tanta força que ela quase sorriu.

Camila percebeu a mudança em sua expressão.

"O que foi?"

Maíra não respondeu.

Deu um passo para o lado.

O ponto vermelho continuava piscando.

Uma vez.

Duas vezes.

Ricardo franziu a testa.

"Maíra?"

Ela levantou lentamente a mão.

Todos acompanharam seu gesto.

Dona Célia foi a primeira a entender.

Camila foi a segunda.

E dessa vez não conseguiu esconder.

O rosto dela perdeu completamente a cor.

Maíra apontou para a árvore.

"A câmera."

Ninguém falou.

Ela olhou diretamente para Camila.

"A câmera gravou tudo."

Ricardo virou-se bruscamente para a árvore.

Os convidados começaram a murmurar.

Camila permaneceu imóvel.

Por alguns segundos, ninguém percebeu que ela havia parado até de respirar.

Então Ricardo entregou Tomás a Dona Célia.

"Paulo!"

O segurança apareceu na varanda.

"Senhor?"

"Abra as gravações. Agora."

Paulo hesitou.

Foi uma hesitação curta.

Mas Maíra viu.

E, pela expressão de Camila, ela também.

"O que aconteceu?", Ricardo perguntou.

Paulo engoliu em seco.

"Senhor Ricardo..."

"O quê?"

O segurança olhou para a câmera.

Depois para Camila.

Por fim, encarou Ricardo.

"Tem um problema com a gravação da piscina."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部