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"O Filho do Chefe da Máfia Fez Um Sinal Para a Garçonete" Capítulo 5 — A Voz da Mulher Morta

正文开头

Marina leu a ameaça duas vezes.

“Eles levaram Lucas por minha causa.”

“Levaram porque acreditam que ele possui uma prova”, respondeu Dante.

“Isso deveria me fazer sentir melhor?”

Bruno colocou o aparelho dentro de uma bolsa protetora. O sangue encontrado na oficina era pouco e podia ter vindo de um corte durante a luta.

“Lucas sabia que alguém o procurava”, disse ele. “Desligou a câmera antes de sair.”

Marina se agarrou à possibilidade de que o irmão tivesse fugido.

Dante organizou buscas em hospitais, terminais e endereços ligados ao Instituto Santa Clara. Valentina exigiu saber por que os seguranças investigavam a fundação.

“Porque os dados de Lucas foram usados para criar uma conta falsa”, respondeu Dante.

“Rafael já explicou que qualquer criminoso poderia obtê-los.”

“Então entregue os servidores.”

“Há informações médicas confidenciais.”

“Consiga uma ordem judicial, Bruno.”

Valentina olhou para Marina.

“Desde que essa mulher apareceu, você trata todos como inimigos.”

“Meu filho a tratou como inimiga antes de Marina pronunciar seu nome.”

Valentina deixou a mansão sem se despedir de Theo.

Marina procurou pistas dentro do aparelho antigo. Era um processador auditivo inutilizado, grande demais para os modelos atuais. Lucas costumava reaproveitar peças, mas nunca permitira que ela tocasse naquele.

Na lateral havia quatro marcas quase invisíveis.

M.A.E.

“São as iniciais de Marina Alves e...” Dante esperou.

“Eduardo. O nome completo de Lucas é Lucas Eduardo Alves.”

Bruno abriu o compartimento da bateria. Em vez de pilha, encontrou um pequeno cartão de memória.

Antes que pudesse retirá-lo, o telefone de Marina tocou.

Lucas aparecia amarrado dentro de um depósito. Um homem encapuzado segurava uma arma atrás dele.

Em Libras, o rapaz moveu discretamente os dedos sobre o joelho.

Não entregue. Arquivo falso. Siga som.

Ao fundo havia buzinas longas e um anúncio ferroviário.

“Estação da Luz”, disse Marina.

O sequestrador aproximou-se da câmera.

“Traga o aparelho ao estacionamento subterrâneo. Uma hora. Sozinha.”

A chamada terminou.

“Você não vai”, decidiu Dante.

“Lucas deixou a localização para mim.”

“E eles esperam que conte.”

“Então use isso.”

Bruno preparou uma cópia do aparelho com um transmissor. Marina seguiria até a estação com proteção distante, enquanto Dante entraria pela área técnica.

Antes de sair, Teresa aproximou-se com uma caixa de madeira.

“Gabriela me mandou entregar isto se alguém procurasse o aparelho de Lucas.”

Dante encarou a governanta.

“Guardou por seis meses?”

“Ela pediu que eu não confiasse em ninguém da família.”

“Nem em mim?”

“Principalmente no senhor.”

Dentro havia um gravador e uma carta lacrada. Marina quis abrir, mas Dante apontou para o relógio.

“Primeiro Lucas.”

Na Estação da Luz, Marina atravessou o estacionamento carregando a cópia. Um homem de boné indicou um carro. Ela entrou no banco traseiro e entregou o aparelho.

“Meu irmão.”

“Quando confirmarmos.”

O motorista abriu o compartimento e percebeu o transmissor.

“Armadilha.”

Marina atingiu seu braço com a porta e correu. O segundo homem tentou agarrá-la, mas Bruno surgiu entre os veículos.

正文1

Dante e sua equipe encontraram Lucas numa sala de manutenção próxima às plataformas. O rapaz estava ferido, porém consciente.

Ele fez o sinal de Marina antes de aceitar ajuda.

No Hospital São Gabriel, Lucas explicou que Gabriela lhe entregara o aparelho depois da cirurgia. Disse que continha arquivos capazes de proteger outras crianças atendidas pela fundação.

Marina permaneceu ao lado da cama enquanto o médico tratava o corte na cabeça dele. Lucas descreveu como dois homens entraram na oficina usando crachás do instituto.

Disseram que você tinha sofrido um acidente, sinalizou.

Quando ele se aproximou, tentaram tomar o processador. Lucas escondeu o cartão verdadeiro no forro da mochila e colocou um arquivo vazio no aparelho.

“Por isso disse que era falso durante a chamada.”

Lucas confirmou. Também revelara o som da estação de propósito, batendo o pé contra uma tubulação sempre que o sequestrador aproximava a câmera.

Dante observou o rapaz.

“Você sabia que iríamos entender?”

Sabia que Marina entenderia.

A resposta lembrou Dante de que poder e dinheiro não haviam localizado Lucas. A confiança entre os irmãos fizera isso.

Bruno identificou um dos sequestradores como funcionário terceirizado da fundação. O outro trabalhara como motorista de Rafael.

Camila Nogueira foi chamada ao hospital. A promotora recolheu os depoimentos e advertiu que arquivos obtidos sem cadeia de custódia poderiam ser contestados.

“Então faça tudo corretamente”, disse Marina. “Minha família já correu perigo demais para ouvir que a prova não serve.”

Camila lacrou o processador e acompanhou a cópia. O cartão continha listas de pacientes cujos tratamentos haviam sido faturados, embora nunca realizados.

Um dos nomes era Lucas Alves.

“A fundação declarou três cirurgias”, explicou Camila. “Lucas recebeu uma.”

O restante do dinheiro saíra no mesmo dia para uma empresa de segurança.

Dante reconheceu a empresa. Fornecera homens para a escolta de Gabriela.

“Valentina pagava a equipe que deveria proteger minha esposa com dinheiro roubado de crianças.”

Lucas pediu que Marina abrisse o bolso de sua mochila. Lá estava uma carta escrita por Gabriela.

Se alguma coisa acontecer comigo, não deixe que transformem seu silêncio em fraqueza. O que você guarda pode fazer pessoas poderosas finalmente escutarem.

Marina leu em voz alta. Dante precisou sair do quarto.

Ela o encontrou no corredor.

“Gabriela confiou em Lucas porque sabia que ninguém da família olharia para um rapaz pobre e surdo como alguém capaz de guardar provas.”

“Ela tinha razão.”

“Isso não é elogio para vocês.”

“Eu sei.”

Dante pediu que Bruno colocasse proteção no hospital, mas entregou a Lucas a decisão sobre quem ficaria dentro do quarto. O rapaz escolheu Marina e uma agente indicada por Camila.

Foi a primeira vez que Dante ofereceu segurança sem tomar a escolha.

Camila registrou a carta de Gabriela como evidência. A data do selo era anterior ao atentado, impedindo que Valentina alegasse fabricação posterior.

Lucas pediu que a cópia ficasse fora do hospital.

Se vierem outra vez, não podem levar tudo, sinalizou.

Dante entregou o documento à promotora sem guardar cópia particular.

“Nenhuma prova ficará apenas com os Montenegro.”

Marina percebeu que Gabriela finalmente teria testemunhas fora da família que tentara silenciá-la.

“Ela não contou que seria morta”, traduziu Marina.

Lucas respondeu:

Contou que alguém usava dinheiro de remédios para pagar homens.

O cartão de memória continha somente parte dos registros. Faltava uma chave digital armazenada em outro lugar.

Dante abriu a caixa deixada por Teresa.

A voz de Gabriela surgiu no gravador.

“Se você está ouvindo, encontraram Lucas. Valentina descobriu que copiei as contas. Se eu morrer, Dante foi o responsável...”

A gravação chiou e parou.

Marina olhou para ele.

“Foi o responsável por quê?”

Dante não tinha resposta.

Bruno abriu a carta. Havia transferências da conta pessoal de Dante para o homem que dirigira a motocicleta no atentado.

As autorizações traziam a assinatura dele.

“Eu nunca fiz esses pagamentos.”

“Mas alguém fez usando sua conta”, respondeu Marina.

Teresa confessou que Gabriela e Dante discutiram na noite anterior à morte. Gabriela queria denunciar a fundação. Dante ordenara que esperasse para evitar uma guerra interna.

“Ela saiu dizendo que, se algo acontecesse, a culpa seria dele”, contou Teresa.

Dante sentou-se.

Pela primeira vez, Marina viu o chefe da máfia duvidar da própria memória.

O técnico recuperou mais dois segundos do áudio.

A voz de Gabriela retornou:

“Dante não sabe que...”

O arquivo terminava ali.

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