"O Filho do Chefe da Máfia Fez Um Sinal Para a Garçonete" Capítulo 4 — A Garçonete Dentro da Mansão
Dante ampliou a imagem até os pixels perderem a forma.
A pulseira permanecia reconhecível.
“Pode ser outra joia”, disse Bruno.
“Gabriela encomendou uma única peça”, respondeu Teresa. “Mandou gravar as iniciais de Valentina no fecho.”
Theo acordou com as vozes e começou a chorar.
Marina guardou o tablet.
“Não discutam isso na frente dele.”
Dante olhou para os próprios homens.
“Preparem o quarto ao lado de Theo.”
“Eu disse uma noite”, lembrou Marina.
“E ainda não terminou.”
O quarto de hóspedes era maior que o apartamento onde Marina morava com Lucas. Havia roupas novas sobre a cama, escolhidas por uma funcionária.
Ela não tocou nelas.
Continuou usando o uniforme do restaurante.
Dante apareceu na porta.
“Pode descansar.”
“Meu irmão não sabe onde estou.”
Bruno já enviara um carro para buscá-lo, mas Marina exigiu falar com Lucas antes que qualquer homem se aproximasse.
Na chamada de vídeo, explicou em Libras que estava segura e trabalharia temporariamente com uma criança.
Lucas desconfiou ao ver o quarto.
Que família tem uma casa assim?
Marina hesitou.
Montenegro.
O rosto dele mudou.
Gabriela Montenegro?
“Você conhecia Gabriela?”
Lucas encerrou a chamada.
Marina tentou ligar novamente, mas ele não respondeu.
Dante havia observado a conversa.
“Por que seu irmão conhece o nome da minha esposa?”
“Não sei.”
“Ele recebe tratamento do Instituto Santa Clara?”
“Recebia. Uma doadora pagou a cirurgia e pediu anonimato.”
Dante compreendeu antes dela.
“Gabriela administrava o programa de bolsas antes de Valentina.”
Marina pegou a bolsa.
“Preciso encontrar Lucas.”
“Bruno já está a caminho.”
“Mande-o voltar.”
“Seu irmão pode estar em perigo.”
“Por isso não quero homens armados invadindo a oficina.”
Dante respirou fundo e telefonou para Bruno, ordenando que esperasse do lado de fora.
Foi a primeira vez que Marina o viu corrigir uma decisão sem transformar a mudança numa ameaça.
Na manhã seguinte, uma fonoaudióloga indicada por Teresa avaliou Theo. O menino compreendia português, mas bloqueava a fala diante de lembranças relacionadas à mãe.
“Libras é uma ponte”, explicou a profissional. “Retirar os sinais seria como tirar a única saída de uma sala fechada.”
Dante lembrou que Valentina dispensara a antiga terapeuta.
“Quero o nome de todos que autorizaram isso.”
Marina passou a manhã com Theo no jardim. Não fazia perguntas sobre Gabriela. Brincava com cartões de emoções e permitia que ele escolhesse como responder.
Dante observava da varanda.
“Ele sorriu”, disse Teresa.
“Foi por causa dela.”
“Foi porque alguém finalmente o ouviu.”
Valentina chegou antes do almoço acompanhada por Rafael Siqueira.
O advogado carregava uma pasta.
“Esta mulher não pode permanecer perto de Theo”, declarou Valentina.
Marina levantou-se.
“Esta mulher tem nome.”
Rafael colocou sobre a mesa comprovantes de transferências para uma conta ligada à oficina de Lucas. O remetente era um jornalista conhecido por investigar a família Montenegro.
“Marina recebeu dinheiro para aproximar-se de Theo e criar uma acusação contra Valentina”, disse ele.
Ela examinou os documentos.
“Essa conta não é minha.”
“Está registrada no endereço de seu irmão.”
Dante leu cada página.
“Quanto recebeu?”
Marina sentiu a pergunta como uma bofetada.
“Você acredita nisso?”
“Estou perguntando.”
“E eu estou respondendo. Nada.”
Valentina tocou o ombro do irmão.
“Ela viu uma família vulnerável e inventou uma tradução.”
Theo percebeu a tia e correu para dentro da casa.
Marina tentou segui-lo, mas Rafael bloqueou o caminho.
“Não se aproxime do menor.”
Dante afastou o advogado.
“Você não dá ordens na minha casa.”
“Como representante da família, recomendo que preserve provas de manipulação.”
“Então preserve também a imagem da pulseira.”
Valentina tirou uma fotografia da bolsa. Nela, a pulseira aparecia no braço de Gabriela durante um jantar realizado dois dias antes do atentado.
“Gabriela pediu a joia emprestada. A mulher da garagem pode ser ela.”
A nova informação abalou Dante.
Se Gabriela usava a pulseira, a imagem não provava a presença de Valentina.
Marina percebeu satisfação no rosto da irmã.
“Por que não mostrou essa fotografia antes?”
“Porque ninguém havia transformado um presente em prova de assassinato.”
Rafael exigiu que Marina deixasse a propriedade. Dante permaneceu em silêncio por tempo demais.
Ela pegou a própria bolsa.
“Não precisa mandar.”
Theo surgiu no alto da escada. Fez o sinal de ficar.
Marina conteve as lágrimas.
“Você não precisa de mim para sempre.”
Dante olhou para o filho e depois para os documentos.
“Ela fica até descobrirmos quem criou essa conta.”
Valentina se aproximou.
“Está colocando uma garçonete acima de sua irmã.”
“Estou colocando fatos acima do sobrenome.”
Marina tentou ligar para Lucas novamente. Desta vez, ele atendeu apenas com vídeo e manteve a câmera apontada para o chão.
Em Libras, avisou que não podia falar livremente. Atrás dele, Marina reconheceu a parede azul da oficina.
Gabriela deixou algo, sinalizou Lucas.
O quê?
Ele apontou para um aparelho auditivo antigo e fez o sinal de memória.
A chamada terminou.
Dante perguntou o que fora dito. Marina hesitou.
“Se eu contar, seus homens vão entrar na oficina.”
“Se não contar, Valentina pode chegar primeiro.”
“Você ainda trata força como resposta para tudo.”
“E você trata confiança como se não pudesse matar.”
Marina explicou que Lucas recebera de Gabriela um aparelho antigo depois da cirurgia. Na época, acreditaram que fosse apenas lembrança do programa de bolsas.
“Pode conter um arquivo”, concluiu Dante.
“Ou pode não conter nada. Lucas precisa sair antes que alguém tente tomar.”
Eles combinaram uma retirada discreta. Bruno enviaria uma mulher sem uniforme, usando a palavra de segurança escolhida por Marina.
Enquanto aguardavam, Teresa mostrou correspondências antigas de Gabriela. Uma delas agradecia a Lucas por testar um sistema que armazenava dados de áudio dentro de aparelhos sem uso.
“Ela sabia que ele entendia eletrônica”, disse Marina.
“Gabriela escolheu seu irmão para guardar alguma coisa”, respondeu Dante.
Valentina tentou pegar a carta.
“Minha cunhada ajudava dezenas de jovens. Isso não prova conspiração.”
“Não”, disse Marina. “Mas prova que minha família já estava ligada à sua antes de eu entrar naquele restaurante.”
Dante mandou verificar as transferências apresentadas por Rafael. A conta havia sido aberta digitalmente três dias antes usando uma fotografia do documento de Lucas arquivada no Instituto Santa Clara.
“A fundação possuía os dados necessários para falsificar”, explicou Bruno pelo telefone.
Rafael guardou a pasta.
“Qualquer criminoso também poderia obter.”
“Então não se importará se entregarmos seus servidores à polícia”, respondeu Dante.
Valentina mudou de tom.
“Você vai destruir o trabalho de Gabriela por causa de uma suspeita.”
“Vou descobrir quem usou o nome dela.”
Marina percebeu que aquela era a primeira vez que o medo atravessava o rosto de Valentina.
Nesse momento, a mulher enviada por Bruno chegou à oficina e encontrou a porta aberta. Lucas já não estava diante da câmera.
Havia marcas de luta junto à bancada e uma pequena mancha de sangue no chão.
Bruno entrou na sala com o aparelho deixado pelo rapaz e mostrou a ameaça recebida.
Marina segurou o pequeno objeto com as duas mãos. Se Gabriela realmente escondera uma prova ali, Lucas acabara de ser levado pela mesma pessoa que silenciara Theo durante seis meses.
Bruno entrou às pressas.
Lucas desaparecera da oficina antes que sua equipe chegasse. A porta estava aberta e havia sinais de luta.
No chão, encontraram o aparelho antigo que Gabriela lhe entregara depois da cirurgia.
A tela mostrava uma mensagem anônima:
Devolva o que Gabriela deixou ou Marina morre.
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