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"O Filho do Chefe da Máfia Fez Um Sinal Para a Garçonete" Capítulo 3 — O Bracelete Vermelho

正文开头

Valentina não se virou.

“Esse rapaz está mentindo.”

O auxiliar recuou.

“Não vi o rosto inteiro. Vi o conjunto cor de vinho e a pulseira.”

Valentina ergueu o braço nu.

A joia continuava sobre a mesa do salão.

“Metade das mulheres neste restaurante usa vermelho.”

Dante entregou o copo a Bruno.

“Laboratório. Agora.”

“Você vai analisar um resto de suco porque um funcionário assustado viu uma manga vermelha?”, perguntou Valentina.

“Vou analisar porque meu filho quase não conseguia respirar.”

Ela aproximou-se do irmão.

“Gabriela morreu e você se tornou incapaz de pensar quando se trata de Theo.”

“Talvez eu tenha demorado demais para começar.”

Valentina pegou a bolsa.

“Quando descobrir que essa mulher está usando seu luto, não diga que não avisei.”

Theo cobriu os ouvidos quando ela passou.

Marina não tentou fazê-lo repetir o sinal.

Dante percebeu.

“Por que não pergunta?”

“Porque ele já respondeu. Agora são os adultos que precisam encontrar provas.”

O laboratório particular dos Montenegro entregou um resultado preliminar em quarenta minutos. O pó continha um estimulante capaz de acelerar os batimentos, provocar agitação e aumentar uma crise de ansiedade.

“A dose não mataria”, explicou o médico. “Mas numa criança pequena poderia causar arritmia.”

Dante fechou as mãos.

“Quem preparou o suco?”

O garçom responsável desaparecera durante a confusão. Seu uniforme foi encontrado no vestiário e a saída de serviço estava destrancada.

Bruno descobriu que o nome usado na contratação era falso.

“Alguém o colocou aqui apenas para esta noite.”

“Valentina escolheu o restaurante”, disse Teresa.

Dante olhou para ela.

“Tem certeza?”

“Foi ela quem mudou a reserva da mansão para o Palazzo pela manhã.”

Marina percebeu que Teresa sabia mais do que dizia.

“Por que Theo começou a gritar antes de Valentina entrar?”

“Talvez tenha visto a pulseira no garçom”, sugeriu Bruno.

Theo continuava desenhando. Agora havia um carro preto, uma mulher deitada e outra figura junto à porta.

No pulso da figura em pé, pintou um círculo vermelho.

Dante sentou-se ao lado dele.

Tentou o sinal de tudo bem, mas confundiu o movimento.

Theo corrigiu a posição de seus dedos.

Foi o primeiro contato voluntário entre os dois naquela noite.

“Mostre ao papai quem estava perto do carro.”

Marina fez a pergunta também em Libras.

Theo apontou para a figura com a pulseira. Depois cobriu os olhos.

“Ele viu alguma coisa e foi mandado não olhar”, traduziu ela.

Teresa levou a mão à boca.

“No dia da morte de Gabriela, Theo desapareceu por quase vinte minutos.”

Dante se levantou.

“Você disse que ele esteve na sala de brinquedos.”

“Foi onde o encontrei.”

“E antes?”

“Não sei.”

A rota de Gabriela começara na mansão. Ela sairia para uma reunião da fundação e fora atacada três quarteirões depois.

Theo podia ter seguido a mãe até a garagem e se escondido no segundo veículo.

“Por que ninguém mencionou isso na investigação?”

“Valentina assumiu os depoimentos da casa”, respondeu Teresa. “Disse que o menino estava dormindo.”

正文1

Dante ordenou que Bruno recuperasse todas as imagens daquele dia.

Marina acompanhou Theo até uma sala tranquila do restaurante. Deu-lhe papel novo e pediu que desenhasse somente o que lembrava, sem sugerir pessoas.

Ele desenhou duas linhas verticais e uma cruz.

“Parece um portão”, disse Dante.

Theo negou.

Marina reconheceu o símbolo no crachá do Instituto Santa Clara, onde Lucas fizera terapia auditiva.

“É o logotipo da fundação.”

Dante conhecia a instituição. Valentina era presidente do conselho.

Bruno conseguiu acessar uma cópia externa do inquérito sobre o atentado. As fotografias mostravam o carro de Gabriela perfurado, cápsulas no chão e um motociclista parcialmente registrado por uma câmera de trânsito.

No pulso do homem havia uma faixa escura com uma placa metálica.

Marina ampliou.

O desenho gravado era o mesmo do crachá do instituto.

“Funcionários da fundação usam isso para entrar nas áreas restritas”, explicou Teresa.

Dante telefonou para Valentina.

“Quantas pulseiras de acesso foram distribuídas no ano passado?”

“Não faço ideia.”

“Descubra.”

“Ainda está ouvindo a garçonete?”

“Estou olhando uma fotografia do homem que matou Gabriela.”

Valentina ficou em silêncio.

“E ele usa uma credencial da sua fundação.”

A chamada terminou.

Bruno informou que o sistema do instituto registrava os acessos, mas os dados da semana do atentado haviam sido apagados.

“Quem possui autorização para excluir?”

“Valentina e Rafael Siqueira, advogado da fundação.”

Dante decidiu levar Theo para a mansão. Marina preparou-se para voltar à própria casa.

O menino agarrou sua mão.

Fez os sinais de não ir e medo.

“Ele não quer que eu vá embora.”

“Então venha conosco”, respondeu Dante.

Antes de saírem, Bruno reconstruiu os últimos quarenta minutos do garçom falso. Uma câmera da rua mostrava o homem recebendo o uniforme de uma mulher dentro de um carro preto.

O vidro impedia ver o rosto, mas o veículo possuía um adesivo do Instituto Santa Clara.

“Todos os carros da fundação usam esse selo?”, perguntou Marina.

“Somente os destinados à diretoria”, respondeu Teresa.

Dante ordenou que ninguém alertasse Valentina sobre a descoberta. Queria saber se ela tentaria retirar o carro da frota.

Quinze minutos depois, o veículo foi registrado deixando a garagem do instituto. A placa correspondia à filmagem.

Bruno enviou homens, mas o carro apareceu queimado num terreno em Santo Amaro.

No porta-luvas restou um crachá parcialmente destruído. O nome não podia ser lido, porém a fotografia mostrava o garçom falso.

Theo viu a imagem e escondeu o rosto.

Marina colocou dois cartões diante dele: viu hoje e viu antes.

O menino escolheu viu antes.

Em seguida, apontou para o desenho da garagem.

“Ele estava na mansão no dia do ataque”, traduziu Marina.

Dante pediu que Teresa listasse todos os funcionários temporários. Um nome aparecia tanto na equipe da fundação quanto na empresa responsável pela manutenção dos carros de Gabriela: Fábio Neves.

O endereço registrado era falso.

Bruno encontrou ainda uma chamada feita por Fábio ao telefone de Rafael quinze minutos antes do atentado.

“Valentina pode não ter feito a ligação”, disse Dante. “Mas o advogado dela falou com um homem presente na garagem.”

Marina percebeu que a rede era maior do que uma pulseira. Theo não presenciara apenas uma discussão familiar. Vira a preparação de uma execução.

Quando entraram no carro para seguir à mansão, Dante retirou o celular do filho e desativou todos os aplicativos instalados pela fundação.

Um deles enviava a localização de Theo a um servidor externo.

Alguém soubera que o menino estaria no Palazzo antes mesmo de Valentina chegar.

E preparara a crise para fazê-lo parecer apenas uma criança fora de controle.

“Não sou terapeuta.”

“É a única pessoa que ele consegue usar para nos mostrar o que viu.”

“E quando terminar?”

“Você volta para sua vida.”

Marina olhou para Theo.

“Uma noite. Depois encontramos uma profissional.”

No carro, Theo dormiu segurando dois dedos dela. Dante permaneceu em silêncio no banco oposto.

“Você acredita que sua irmã matou Gabriela?”, perguntou Marina.

“Acredito que alguém usou a fundação.”

“Não foi o que perguntei.”

“Ainda não posso responder.”

Ao chegarem à mansão, Bruno recebeu as imagens restauradas da garagem no dia do atentado.

Theo aparecia escondido atrás de um SUV.

Uma mulher de conjunto escuro conversava com o motorista de Gabriela. O rosto não estava visível.

Mas quando ela entregou um envelope, a manga subiu.

No pulso brilhava a pulseira vermelha de Valentina.

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