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"A Garota Encontrou Sua Foto na Carteira do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — A Mulher Que Salvou Dante

正文开头

Clara recusou-se a entrar no carro blindado até Joana receber proteção.

“Ela não tem relação com isso.”

“Estava ao seu lado quando encontraram a fotografia”, respondeu Dante. “Agora tem.”

Raul designou dois homens para acompanhar Joana até a casa da irmã. Clara anotou as placas dos veículos e enviou os números para a amiga.

Dante observou.

“Você não confia em ninguém.”

“Aprendi isso nos últimos vinte minutos.”

Durante o trajeto, Clara manteve a mão perto da maçaneta. O carro atravessou a Avenida Brigadeiro Faria Lima e entrou nas ruas arborizadas de Jardim Europa.

“Quero saber tudo sobre minha mãe.”

“Quando estivermos seguros.”

“Você está seguro dentro de um carro blindado com três homens armados.”

“Segurança não é um lugar. É saber quem está mentindo.”

A mansão Montenegro ocupava quase um quarteirão. Câmeras acompanhavam o veículo desde o portão. Clara pensou no apartamento simples de Vila Mariana, agora acessível a quem roubara suas chaves.

Uma mulher elegante aguardava na sala. Tinha cabelos grisalhos curtos, postura rígida e um colar de pérolas discretas.

Ao ver Clara, deixou cair a xícara.

“Lúcia.”

“Meu nome é Clara Nascimento.”

Helena Montenegro aproximou-se, emocionada.

“Você tem os olhos dela.”

Dante colocou a fotografia sobre a mesa.

“Foi você quem me entregou isto depois do sequestro.”

Helena confirmou.

“Lúcia pediu que você carregasse a imagem até que a menina aparecesse.”

“Por que nunca disse quem ela era?”

“Porque prometi não procurá-la. Enquanto ninguém ligasse Clara aos Montenegro, ela estaria segura.”

Clara sentiu raiva.

“Minha mãe adoeceu e morreu sem que eu soubesse nada. A senhora poderia ter ajudado.”

“A fundação pagou o tratamento dela.”

“Minha mãe dizia que era um benefício do hospital.”

“Foi a condição que impôs. Não queria seu nome ligado ao nosso.”

Dante perguntou quem ordenara o pagamento. Helena respondeu que Otávio cuidara de tudo.

Clara percebeu a troca de olhares.

“O homem chamado padrinho é Otávio?”

“Pode haver outros”, disse Helena depressa.

“Mas foi nele que todos pensaram.”

Helena conduziu-os ao antigo escritório de Álvaro Montenegro. De uma gaveta, retirou relatórios do sequestro ocorrido vinte anos antes.

Dante tinha dezessete anos quando fora levado depois de sair de uma festa escolar. O resgate nunca fora pago oficialmente. Três dias depois, aparecera sedado numa ambulância abandonada.

“Onde estava Lúcia?”, perguntou Clara.

Helena mostrou uma folha sem assinatura.

Uma enfermeira fora vista conduzindo a ambulância, mas seu nome desaparecera do depoimento final.

“Seu marido apagou o nome dela?”

“Álvaro acreditava que havia policiais trabalhando para os sequestradores.”

“E o que aconteceu com ele?”

“Foi assassinado seis meses depois.”

Dante fechou a pasta.

“Minha mãe não morreria e deixaria uma mensagem sem explicar nada.”

“Talvez acreditasse que você se lembraria”, disse Helena.

Clara tentou recuperar a infância. Lembrou-se do pátio do hospital, do balanço amarelo, da boneca e de um vestido vermelho guardado pela mãe. Nada sobre homens armados.

“Eu tinha sete anos.”

“Crianças guardam imagens mesmo quando esquecem os nomes”, respondeu Helena.

正文1

O telefone de Clara tocou. Era o porteiro de seu edifício.

“Dona Clara, sua porta está aberta. O apartamento foi revirado.”

Ela se levantou.

“Vou para casa.”

“Não vai sozinha”, disse Dante.

O apartamento parecia ter sido atingido por uma tempestade. Gavetas estavam no chão, colchões rasgados e livros abertos. O computador continuava sobre a mesa. Dinheiro permanecia dentro de uma lata na cozinha.

“Não foi roubo”, concluiu Raul.

Clara examinou a caixa onde guardava os objetos de Lúcia. Fotografias, cartas e receitas médicas haviam sido espalhadas.

Uma pasta com documentos do hospital desaparecera.

“Procuravam algo ligado à minha mãe.”

Dante observou vestidos cortados ao longo das bainhas.

“Algo pequeno que pudesse ser costurado.”

Clara lembrou-se de uma frase de Lúcia durante a última semana de vida: O que uma mulher costura com amor nenhum homem encontra à força.

Ela correu até o armário e retirou o vestido que a mãe usara na última internação. A bainha possuía pontos irregulares feitos à mão.

Clara buscou uma tesoura.

Uma chave de bronze caiu do tecido.

Nela estava gravada uma palavra:

Música.

Joana apareceu à porta acompanhada dos seguranças.

Ao ver a chave, levou a mão à boca.

“A última encomenda de Lúcia.”

“Que encomenda?”

“Ela me entregou um pacote antes de ser internada. Mandou guardar até você perguntar por uma caixa de música.”

“Por que nunca contou?”

“Porque você nunca perguntou. Ela foi muito clara.”

Um ruído surgiu na escada de incêndio.

Raul correu até a janela. Uma sombra descia pelo prédio. Seus homens perseguiram o invasor, mas ele alcançou uma motocicleta.

No parapeito, alguém escrevera com a ponta de uma faca:

Entregue a caixa ou Clara morre como Lúcia.

Clara tocou o risco ainda recente.

“Minha mãe não morreu apenas de doença, não é?”

Dante olhou para os medicamentos espalhados e para um frasco vazio que não pertencia às receitas de Lúcia.

“A partir de agora, vamos considerar que não.”

Clara recolheu o frasco com um lenço e leu o rótulo. O medicamento era um anticoagulante que Lúcia nunca usara. Na semana de sua morte, pequenas manchas roxas haviam surgido nos braços dela. O médico atribuíra tudo à doença.

“Alguém trocou os remédios.”

Dante pediu que Raul enviasse o frasco a um laboratório independente.

“Se confirmarem adulteração, reabriremos a investigação.”

“Nós?”

“A ameaça foi feita dentro da sua casa usando o nome da mulher que me salvou.”

Clara guardou a chave de bronze.

“Isso não faz da morte dela um problema dos Montenegro.”

“Talvez sempre tenha sido.”

Joana levou-os até a oficina. Antes de abrir, Clara observou as janelas escuras e o pequeno letreiro que construíra com a mãe. Tudo parecia frágil diante dos carros blindados estacionados na rua.

“Lúcia dizia que a caixa não deveria ser aberta cedo demais”, contou Joana. “Ela temia que Clara procurasse respostas antes de estar protegida.”

“Protegida por quem?”, perguntou Dante.

“Ela nunca disse.”

No interior da oficina, Joana retirou a placa inferior de uma máquina industrial. O pacote estava lá, mas o papel que o envolvia tinha sido cortado e fechado novamente com uma fita diferente.

Alguém já o encontrara.

Dante examinou a poeira.

“A pessoa abriu o compartimento e deixou a caixa porque não possuía a chave.”

Clara entendeu por que haviam rasgado seus vestidos.

“Procuravam isto.”

As luzes da oficina se apagaram.

Um carro arrancou do outro lado da rua. Raul correu para fora, enquanto Dante conduzia Clara e Joana até o fundo do estabelecimento.

Quando a energia voltou, uma pequena câmera presa acima da máquina piscava em vermelho.

Alguém assistira a todos os movimentos.

No telefone conectado à câmera havia uma mensagem recém-recebida:

Ela encontrou a chave. Recupere a caixa antes que a música termine.

Dante examinou o horário do envio. A mensagem partira segundos depois de Joana retirar o pacote, portanto alguém acompanhava a câmera em tempo real.

Raul rastreou o aparelho até uma antena próxima ao Hospital Santa Cecília. O mesmo setor armazenava prontuários antigos e registros da internação de Lúcia.

“Não procuram apenas a caixa”, disse Clara. “Estão apagando tudo que liga minha mãe àquela noite.”

Dante envolveu a caixa num tecido e a entregou pessoalmente a Raul.

“Ninguém toca sem Clara presente.”

Ela estranhou.

“Está me dando poder sobre uma prova?”

“Estou evitando repetir o erro de todos que decidiram por você.”

Antes de sair, Clara apagou as luzes da oficina e tocou a placa com o nome de Lúcia. Pela primeira vez desde a morte da mãe, não sentiu apenas saudade.

Sentiu que Lúcia ainda tentava conduzi-la até uma verdade que alguém mataria para manter escondida.

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