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"A Garota Encontrou Sua Foto na Carteira do Chefe da Máfia" Capítulo 1 — A Foto Dentro da Carteira

正文开头

A carteira caiu aos pés de Clara Nascimento no instante em que Dante Montenegro atravessou a entrada do restaurante.

O objeto de couro preto bateu no piso de mármore e deslizou até a barra do vestido azul que ela mesma costurara. O homem não percebeu. Continuou caminhando entre as mesas, acompanhado por dois seguranças, enquanto conversas e risadas diminuíam ao redor dele.

Clara se abaixou e recolheu a carteira.

“Senhor, o senhor deixou cair isto.”

Dante não se virou.

Joana segurou o braço da amiga.

“Deixe com o garçom.”

“Há documentos aqui.”

“Aquele homem é Dante Montenegro.”

Clara conhecia o nome. Todos em São Paulo conheciam. Dante presidia empresas de transporte, hotéis e construtoras. Os jornais o chamavam de empresário. Quem conhecia as ruas usava outra expressão: chefe da família Montenegro.

“Isso não muda o fato de que a carteira é dele.”

Clara atravessou o salão. Um segurança alto, de cabeça raspada, bloqueou seu caminho antes que alcançasse a mesa reservada.

“Volte para o seu lugar.”

Ela ergueu a carteira.

“Caiu do bolso do homem que entrou com você.”

Dante parou e virou-se lentamente. Seu olhar passou pelo objeto e se fixou no rosto dela. Não havia gratidão. Havia a atenção desconfiada de alguém acostumado a encontrar ameaças dentro de gestos comuns.

“Qual é seu nome?”

“Clara.”

“Abra a carteira, Clara.”

“Ela é sua.”

“Então não terá problema em mostrar o que há dentro.”

Os clientes observavam. Clara sentiu o rosto aquecer, mas não baixou os olhos.

“Eu vim devolver o que encontrei, não provar que não sou ladra.”

Um quase sorriso apareceu no rosto de Dante.

“Raul, deixe-a abrir.”

Clara soltou o fecho. Havia cartões, notas, documentos e uma fotografia antiga dobrada atrás da identidade. Quando puxou o documento, a fotografia caiu sobre a mesa.

Nela, uma menina de sete anos estava sentada num balanço amarelo. Usava um vestido branco bordado com flores azuis e segurava uma boneca sem um dos braços.

Clara parou de respirar.

Conhecia o vestido. A mãe o fizera para seu aniversário. Conhecia a boneca, perdida durante uma mudança. E conhecia o pequeno sinal perto da sobrancelha da menina.

“Essa sou eu.”

Dante pegou a imagem antes que ela pudesse tocá-la.

“Quem mandou você?”

“Ninguém. Onde conseguiu minha fotografia?”

“Ela está comigo há vinte anos.”

“Eu tinha sete quando foi tirada.”

“Quem estava atrás da câmera?”

Clara procurou a lembrança. O balanço ficava no pátio do Hospital Santa Cecília, onde sua mãe trabalhara como enfermeira.

“Lúcia Nascimento. Minha mãe.”

Dante perdeu a cor por um instante.

“Lúcia está viva?”

“Morreu há três meses.”

Raul fechou discretamente a porta do salão. Joana se aproximou de Clara.

“Vamos embora.”

Dante guardou a fotografia.

“Ninguém sai até eu entender por que a filha de Lúcia apareceu com minha carteira.”

“Eu a encontrei no chão.”

“Coincidências não sobrevivem muito tempo perto de mim.”

Clara retirou o celular da bolsa.

正文1

“Se tentar me prender, chamarei a polícia.”

“Chame. Talvez cheguem antes das pessoas que já sabem que você está aqui.”

Uma motocicleta parou diante do restaurante. Dois homens usando capacetes pretos desceram. Dante viu o brilho metálico antes que qualquer outra pessoa reagisse.

“No chão!”

O vidro da entrada explodiu.

Raul empurrou Joana atrás do balcão. Dante agarrou Clara pela cintura e a derrubou junto à base de uma coluna. Uma cápsula de fumaça rolou pelo salão, cobrindo as mesas com uma nuvem branca.

Os invasores não procuraram Dante.

Vieram diretamente para Clara.

Uma mão agarrou seu tornozelo. Ela chutou o capacete do homem, mas foi puxada para fora da proteção da coluna.

“Pegue a bolsa e leve a mulher!”, gritou uma voz.

Dante surgiu na fumaça e atingiu o agressor. Raul derrubou o segundo perto da porta, mas ele conseguiu recuperar-se e fugir na motocicleta levando a bolsa de Clara.

O primeiro permaneceu inconsciente no chão.

Dante se ajoelhou diante dela.

“Está ferida?”

“Você fechou as portas e dois homens armados entraram.”

“Isso não responde.”

“Estou bem.”

Raul revistou a mochila do agressor. Encontrou algemas, uma seringa, um pano embebido em sedativo e uma fotografia impressa naquela manhã.

Clara aparecia saindo de sua pequena oficina de costura em Vila Mariana.

No verso, alguém escrevera:

A filha de Lúcia encontrou Montenegro. Levem-na antes que ela se lembre.

Clara leu duas vezes.

“Eu não me lembro de nada.”

“É por isso que ainda está viva”, respondeu Dante.

O agressor recuperou os sentidos. Raul arrancou-lhe o capacete e exigiu o nome de quem o contratara.

O homem riu, mordeu uma cápsula escondida entre os dentes e começou a convulsionar. Raul tentou abrir sua boca, mas ele já perdera a consciência.

Antes, conseguiu sussurrar:

“O padrinho.”

Dante ficou imóvel.

Clara percebeu que aquelas duas palavras o assustaram mais que os tiros.

“Quem é o padrinho?”

Ele retirou novamente a fotografia antiga. No verso havia uma mensagem escrita à mão. Clara reconheceu imediatamente as letras inclinadas de Lúcia.

Quando a menina desta foto procurar você, significa que descobriram quem me ajudou. Proteja Clara. Ela é a última testemunha.

“Testemunha de quê?”

Dante observou o restaurante destruído. Em seguida, olhou para a mulher cuja vida acabara de invadir a sua.

“Sua mãe estava comigo na noite em que fui sequestrado.”

“Minha mãe era enfermeira.”

“Naquela noite, estava coberta de sangue, carregava uma arma e abriu a porta do lugar onde me mantinham preso.”

Clara recuou.

“Está mentindo.”

“Eu tinha dezessete anos. Passei três dias acorrentado. Lúcia foi a última pessoa que vi antes de acordar em segurança.”

“Então por que guardou minha foto?”

“Porque ela disse que a menina reconheceria o homem que ordenou tudo.”

Raul recebeu uma mensagem e mostrou a tela. A bolsa roubada de Clara fora encontrada numa rua próxima. Nada havia sido levado, exceto as chaves de sua casa.

Dante estendeu a mão.

正文2

“Você vem comigo.”

“Não pertenço ao seu mundo.”

“As pessoas que roubaram suas chaves discordam.”

Clara olhou para Joana, para o vidro quebrado e para a própria fotografia nas mãos de Dante.

“E o homem chamado padrinho?”

Dante demorou a responder.

“Otávio Ferraz me criou depois da morte do meu pai.”

Ele guardou a imagem perto do coração.

“É a pessoa em quem mais confiei na vida.”

Clara percebeu que Dante não pronunciara o nome de Otávio como quem acusava um inimigo. Havia respeito, dívida e uma espécie de medo que ele tentava esconder.

“Se acredita que ele mandou aqueles homens, por que contou isso na frente de Raul?”

Raul não se ofendeu.

“Porque fui eu quem encontrou o senhor Dante depois que a ambulância apareceu.”

“Você já trabalhava para ele?”

“Meu pai trabalhava. Eu tinha vinte anos e acompanhava a equipe.”

Raul explicou que Dante fora encontrado sem documentos e com marcas de corrente nos pulsos. A polícia registrara o caso como extorsão comum, mas nenhum pedido de resgate aparecera.

“Alguém apagou o motivo verdadeiro”, concluiu Clara.

“Ou nunca quis dinheiro”, respondeu Dante.

Do lado de fora, sirenes se aproximaram. Raul avisou que o homem desacordado continuava vivo e seria levado sob escolta. Dante observou o salão, procurando quem poderia ter informado aos invasores a posição de Clara.

“Você entrou aqui há menos de quinze minutos”, disse ele. “Ainda assim, eles chegaram preparados.”

Clara sentiu um arrepio.

“Então alguém nos viu pela janela.”

“Ou alguém dentro do restaurante enviou uma mensagem.”

Um garçom abandonara o posto durante a fumaça. Seu armário continha um telefone descartável com uma única fotografia enviada: Clara segurando a carteira.

O destinatário fora salvo apenas como P.

Dante guardou o aparelho.

“Agora entende por que não pode voltar para casa?”

Clara olhou para a foto da infância, para as chaves roubadas e para a mensagem deixada por Lúcia.

Não confiava em Dante. Mas alguém a observava antes mesmo de ela saber que precisava fugir.

“Eu vou com você”, decidiu. “Mas não sou sua prisioneira.”

“Isso dependerá do que lembrar.”

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