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"A Empregada Que Salvou o Chefe da Máfia de Uma Bala" Capítulo 3

正文开头

O celular vibrou novamente atrás da parede.

Dante ergueu a mão, impedindo Bruno de se aproximar.

"Desligue qualquer sinal que saia desta ala."

Bruno falou pelo rádio. Em menos de um minuto, a rede sem fio da mansão foi interrompida e um bloqueador portátil foi instalado no corredor.

Isabela manteve os olhos na parede.

O aparelho não poderia estar funcionando havia oito anos sem uma fonte de energia. Alguém preservara aquele esconderijo e continuava usando-o.

"Afaste-se", ordenou Dante.

Bruno retirou a moldura de madeira com uma ferramenta. Atrás dela surgiu uma placa estreita, ligada a um cabo elétrico.

O compartimento havia sido construído entre duas paredes.

Quando Bruno removeu a placa, encontrou um celular conectado permanentemente a um carregador, três envelopes e uma chave pequena.

Dante pegou o aparelho usando um lenço.

A tela mostrava apenas uma mensagem:

**Se a filha dele está na casa, matem os dois.**

Isabela perdeu a cor.

Dante leu novamente.

"A filha de quem?"

"Não sei."

"Ele tentou matar você cinco minutos depois de encontrarmos a planta."

"Isso não prova que a mensagem fala de mim."

"Prova que está com medo de que fale."

Ele estendeu a mão.

"O código."

"Eu não conheço."

Bruno analisou a tela.

"Se errarmos muitas vezes, o aparelho pode apagar tudo."

Isabela observou os seis espaços para números.

A chave encontrada no compartimento tinha uma pequena etiqueta de metal. Nela estavam gravados os números 18 e 09.

Dezoito de setembro.

O aniversário de seu pai.

Ela tentou esconder a reação, mas Dante acompanhou seu olhar.

"Você reconheceu a data."

"Não."

Dante colocou o celular na mão dela.

"Abra."

"Eu disse que não sei."

"Então erre."

Isabela segurou o aparelho. Se digitasse a data, revelaria sua ligação com o homem que montara o esconderijo.

Se não digitasse, perderia a melhor chance de descobrir o que acontecera com Augusto.

Ela inseriu seis números.

180968.

A tela foi desbloqueada.

O silêncio tornou-se pesado.

Dante fitou o rosto dela.

"Você mentiu de novo."

O celular continha fotografias de documentos antigos, gravações de áudio e uma lista de transferências bancárias.

Quase todos os arquivos estavam protegidos por outra senha.

Havia apenas uma fotografia aberta.

Nela, quatro homens estavam diante da antiga casa de campo dos Montenegro, em Atibaia. Dante aparecia muito mais jovem. Ao lado dele estava o pai, Álvaro Montenegro.

O terceiro homem era Ricardo.

O quarto era Augusto Oliveira.

Isabela conhecia aquela camisa azul. O pai a usara na última manhã em que saiu de casa.

Dante ampliou a imagem.

"Este é o homem da sua fotografia."

Isabela não respondeu.

"Você disse que ele estava morto."

"Para mim, está."

"Nome."

Ela apertou o celular.

"Não faça isso."

"Seu nome verdadeiro não é Isabela Martins."

"Martins era o sobrenome da minha mãe."

"Qual é o sobrenome do seu pai?"

Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas a voz não falhou.

"Oliveira."

Dante ficou imóvel.

正文1

Até Bruno abaixou o rádio.

O nome atravessou aquela sala como um novo disparo.

"Augusto Oliveira", disse Dante.

Isabela confirmou com um movimento mínimo.

A mudança no rosto dele foi imediata.

Não havia mais apenas desconfiança. Havia uma raiva antiga, profunda, ligada a uma noite que antecedia a presença dela naquela casa.

"Você é filha do homem que entregou meu pai."

"Meu pai não entregou ninguém."

"Ele abriu o portão para os homens que o mataram."

"Foi isso que sua família contou."

"Foi isso que as câmeras mostraram."

"Então por que nunca encontraram meu pai?"

"Porque ele fugiu."

"Sem dinheiro? Sem documentos? Sem se despedir da própria filha?"

"Criminosos fazem isso."

"Meu pai não era criminoso."

Dante lançou o celular sobre a mesa.

"Ele trabalhava para os Montenegro."

A frase feriu Isabela mais do que ela esperava.

"Meu pai passou quinze anos protegendo as contas dessa família. Quando descobriu alguma coisa que não deveria, vocês o transformaram em traidor."

"Você não sabe o que aconteceu naquela noite."

"Eu tinha vinte e um anos. Vi homens da sua família invadirem nossa casa. Vi minha mãe ser interrogada até desmaiar. Vi todos os jornais chamarem meu pai de assassino antes que qualquer investigação terminasse."

"Meu pai morreu."

"E o meu desapareceu."

Os dois se encararam.

Pela primeira vez, a distância entre o chefe da máfia e a empregada parecia menor do que a dor que compartilhavam.

Bruno quebrou o silêncio.

"Há um áudio sem senha."

Dante pegou o aparelho.

A gravação tinha somente treze segundos. Uma voz masculina falava em meio a ruídos.

"Se você encontrou este telefone, não confie no relatório. A porta não foi aberta para eles entrarem. Foi aberta para..."

O áudio terminava ali.

Isabela reconheceu a voz.

Era Augusto.

Ela levou a mão à boca.

Dante reproduziu novamente.

"Foi aberta para quê?", perguntou Bruno.

Isabela olhou para Dante.

"Meu pai não abriu aquela porta para os assassinos."

"A gravação não prova isso."

"Prova que existe outra explicação."

"Ou que ele preparou uma desculpa."

Dante tentou abrir os outros arquivos. O aparelho pediu uma senha alfabética.

Na parte inferior surgiu um aviso:

**Duas tentativas restantes.**

Bruno colocou os envelopes sobre a mesa.

O primeiro continha cópias de transferências feitas por uma empresa chamada Vale Dourado Participações. O segundo guardava uma fotografia da antiga sala de segurança.

O terceiro estava vazio.

Isabela examinou o verso da fotografia.

Havia uma frase escrita à mão:

**A primeira mentira está no relógio.**

Dante olhou para o antigo relógio de parede. Os ponteiros estavam parados em 23h17.

"Meu pai foi atacado às onze e quarenta", disse ele.

"Então alguém mudou o horário."

Bruno abriu a moldura do relógio.

Dentro dela encontrou um cartão de memória.

Antes que pudesse retirá-lo, passos apressados ecoaram no corredor.

Ricardo apareceu acompanhado por dois homens.

"Por que ninguém consegue falar com vocês? A casa inteira está sem sinal."

Dante cobriu o celular com a mão.

"Questão de segurança."

Ricardo viu a parede aberta.

"Você entrou no antigo arquivo de Álvaro?"

"Algum problema?"

"A polícia vasculhou esse lugar oito anos atrás."

"E não encontrou isso."

Dante mostrou apenas o cartão de memória.

Por um instante, Ricardo perdeu o sorriso.

Foi rápido, mas Isabela percebeu.

Assim como percebeu o anel preto em seu dedo mínimo.

O mesmo anel registrado pela câmera no homem disfarçado.

Ricardo notou que ela olhava para sua mão.

Então retirou o anel calmamente e o guardou no bolso.

"Presente de família", explicou. "Há dezenas iguais."

Dante se colocou entre os dois.

"Volte para a biblioteca."

"Você está dando ordens enquanto mantém a filha de Augusto Oliveira dentro da nossa casa?"

Isabela parou de respirar.

Ricardo já sabia.

Dante virou-se devagar.

"Como descobriu quem ela é?"

O sorriso de Ricardo desapareceu.

Nesse momento, o celular escondido sob a mão de Dante vibrou.

Uma nova mensagem surgiu na tela:

**Ricardo já sabe. Saiam daí agora.**

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