"A Empregada Que Salvou o Chefe da Máfia de Uma Bala" Capítulo 2
"Se eu soubesse, o senhor já estaria morto."
Nenhum dos seguranças se moveu.
Dante segurava a planta da mansão diante do corpo. O papel amarelado tremia levemente entre seus dedos, mas seu rosto permanecia imóvel.
"Explique."
Isabela respirou fundo.
"A sala marcada nessa planta guarda alguma coisa que alguém tentou esconder."
"O quê?"
"Eu não sei."
"Quem lhe entregou isso?"
Ela desviou os olhos por menos de um segundo.
Foi suficiente.
Dante dobrou a planta e a guardou no bolso interno da camisa.
"Bruno, mande seus homens saírem."
Bruno hesitou.
"Dante..."
"Agora."
Os dois seguranças deixaram o quarto. Bruno foi o último a passar pela porta, mas permaneceu no corredor.
Dante fechou a porta.
Isabela ficou sozinha com ele.
A cama desarrumada, o armário afastado e a fotografia caída no chão faziam aquele quarto parecer ainda menor.
Dante pegou a fotografia da menina com o pai.
"Quem é ele?"
"Eu já respondi."
"Você disse que era seu pai e que estava morto."
"É verdade."
"Qual era o nome dele?"
Isabela apertou as mãos para esconder o tremor.
Se dissesse Augusto Oliveira, tudo terminaria naquela noite.
Dante não enxergaria a menina que procurava o próprio pai. Enxergaria apenas a filha do homem acusado de entregar a família Montenegro aos assassinos.
"Por que o nome importa?"
"Porque você mentiu para entrar na minha casa."
"Eu não menti sobre saber limpar uma casa."
A resposta escapou antes que ela pudesse conter.
Dante avançou.
Isabela recuou até sentir a parede contra as costas.
"Um atirador conhecia minha posição à mesa. As câmeras foram desligadas. A cortina foi aberta por alguém usando uma luva da minha equipe. E a empregada que percebeu o disparo escondia a planta da mansão atrás do armário."
Ele ergueu a fotografia entre os dois.
"Não brinque comigo."
"Eu salvei sua vida."
"Isso é o que torna tudo pior."
A frase a fez encará-lo.
Dante continuou:
"Se estivesse apenas tentando me matar, eu saberia o que fazer com você. Mas alguém que se infiltra na minha casa e depois impede minha morte tem um objetivo mais complicado."
"Talvez eu não quisesse ver um homem morrer."
"Você não me olhou como quem salvava um desconhecido."
Ele se aproximou ainda mais.
"Você me olhou como se precisasse que eu continuasse vivo."
Isabela não respondeu.
Dante havia percebido exatamente o que ela tentara esconder.
Ela precisava dele vivo porque somente Dante poderia abrir a sala de arquivos sem acionar o protocolo que destruiria os documentos guardados ali.
Pelo menos era isso que o bilhete dizia.
"Estou procurando a verdade sobre uma pessoa", admitiu.
"Quem?"
"Alguém que trabalhou nesta casa."
"Nome."
"Se eu disser, o senhor vai parar de procurar a verdade e começar a me odiar."
"Talvez eu já esteja fazendo as duas coisas."
Isabela sentiu o golpe, mas não abaixou a cabeça.
"Então o senhor terá que esperar."
Dante soltou uma risada curta, sem humor.
"Você ainda pensa que pode estabelecer condições?"
"Se me matar ou me entregar aos seus homens, nunca vai descobrir quem abriu a cortina."
"Você sabe quem foi?"
"Não. Mas reconheci o anel no vídeo."
Dante ficou em silêncio.
"Que anel?"
"Preto. No dedo mínimo da mão direita."
"Você disse que não conhecia o homem."
"Eu disse que não conhecia o rosto."
"Onde viu o anel antes?"
Isabela percebeu que acabara de cair na armadilha.
Dante não precisou repetir a pergunta.
"Na ala oeste."
Os olhos dele se estreitaram.
"A ala oeste é proibida aos funcionários."
"Eu sei."
"Quando?"
"Há quatro noites."
"O que fazia lá?"
"Procurava a sala de arquivos."
Dante abriu a porta.
"Bruno."
O chefe da segurança entrou imediatamente.
"Verifique todas as gravações da ala oeste dos últimos quinze dias. Procure um homem usando um anel preto no dedo mínimo."
"Algum nome?"
"Ainda não."
Dante olhou para Isabela.
"E tranque todas as saídas do alojamento. Ninguém entra ou sai sem ser revistado."
Bruno fez um gesto afirmativo.
"Temos outro problema. O atirador deixou o prédio usando o uniforme de uma empresa de entregas. A motocicleta foi encontrada a seis quarteirões daqui."
"Impressões?"
"Nenhuma."
"Testemunhas?"
"Uma mulher viu dois homens trocando de veículo. O atirador não estava sozinho."
Isabela sentiu o frio percorrer sua nuca.
Dois homens.
Um disparara do prédio. O outro podia continuar dentro da propriedade.
"Quantas pessoas foram levadas para a biblioteca?", perguntou.
Bruno olhou para ela, depois para Dante.
"Trinta e duas."
"Conte de novo."
"Já fizemos a identificação."
"Não perguntei se identificaram. Perguntei se contaram."
Dante percebeu o medo na voz dela.
"Por quê?"
"O homem do vídeo usava um carrinho de manutenção. Se ele entrou pelo corredor de serviço, pode ter deixado o uniforme e se misturado aos funcionários."
Bruno levou a mão ao rádio.
Antes que conseguisse falar, todas as luzes do alojamento se apagaram.
Um estrondo veio do corredor.
Depois, um grito.
Dante empurrou Isabela para trás de si e puxou a arma.
"Fique aqui."
Ele saiu com Bruno.
Isabela permaneceu junto à parede, tentando respirar. Na escuridão, ouviu passos correndo, ordens e o som de uma porta batendo.
Então percebeu outro ruído.
Uma respiração.
Dentro do quarto.
Ela virou lentamente.
Um vulto surgiu atrás da porta.
A mão enluvada tapou sua boca. Um braço apertou seu pescoço e a arrastou para trás.
Isabela tentou gritar, mas nenhum som escapou.
O homem a lançou sobre a cama.
O brilho de uma lâmina apareceu na escuridão.
"Você devia ter deixado a bala terminar o trabalho", ele sussurrou.
Isabela segurou o pulso do agressor com as duas mãos.
A lâmina desceu lentamente.
A ponta tocou o tecido de seu uniforme, logo acima do peito.
Ela dobrou o joelho e o atingiu no abdômen.
O homem perdeu o equilíbrio.
Isabela rolou para o lado, agarrou o abajur e o quebrou contra o ombro dele.
O agressor soltou um gemido.
Ela correu em direção à porta, mas ele puxou seu avental e a derrubou.
A cabeça de Isabela bateu no chão.
Sua visão escureceu por um instante.
O homem se ajoelhou sobre ela e ergueu a faca.
Um disparo explodiu dentro do quarto.
O agressor foi lançado contra o armário.
Dante permanecia na porta com a arma estendida.
"Afaste-se dela."
O homem tentou se levantar. O tiro atingira seu ombro, mas ele ainda segurava a faca.
Bruno apareceu por trás de Dante.
"Largue a arma!"
Em vez de obedecer, o invasor arremessou a faca.
Dante desviou o rosto. A lâmina atingiu a madeira da porta.
O homem avançou contra a janela e atravessou o vidro.
Isabela ouviu o corpo cair sobre o telhado inferior.
Bruno e dois seguranças correram atrás dele.
Dante se ajoelhou ao lado dela.
"Está ferida?"
"Não."
Havia sangue próximo à testa de Isabela, mas ela tentou se levantar.
Dante segurou seu rosto, examinando o corte.
"Ele veio matar você."
"Talvez agora acredite que não estou trabalhando para eles."
"Ou veio impedir que você falasse."
Dante soltou-a e se levantou.
A desconfiança continuava intacta, mas alguma coisa havia mudado em seus olhos.
Antes, ele a considerava uma possível ameaça.
Agora, também a via como um alvo.
Bruno voltou ao quarto.
"Ele escapou pelo jardim. Havia uma motocicleta esperando do lado de fora do muro."
"Ele estava na biblioteca?", perguntou Isabela.
"Não. Entrou pela cozinha durante o apagão."
"Como passou pelos portões?"
"Usou um cartão interno."
Dante olhou para Bruno.
"Encontre o nome ligado ao cartão."
"Já estamos rastreando."
Bruno examinou o chão e recolheu alguma coisa perto da janela.
Era um pequeno botão de metal.
O símbolo gravado nele pertencia ao uniforme dos seguranças da família.
"Temos alguém dentro da equipe", concluiu Bruno.
"Ou alguém com acesso aos uniformes", disse Dante.
Isabela olhou para o agressor desaparecido.
Ele tentara matá-la somente depois de Dante encontrar a planta.
Isso significava que a sala marcada realmente importava.
"Precisamos abrir o arquivo."
Dante se virou.
"Você não precisa fazer nada."
"Ele entrou numa casa cercada por homens armados para me impedir de falar."
"Exatamente por isso vai ficar sob vigilância."
"Se me esconder, o senhor continuará esperando pelo próximo tiro."
"Se abrir aquela sala sem saber o que existe lá, posso entregar ao assassino exatamente o que ele procura."
Isabela se levantou com dificuldade.
"Ele já sabe o que existe lá."
"Como pode ter certeza?"
"Porque tentou matar a única pessoa que ainda estava procurando."
O argumento atingiu Dante.
Ele olhou novamente para a planta e depois para Bruno.
"Leve quatro homens. Vamos à ala oeste."
Os corredores daquela parte da mansão estavam mergulhados em silêncio.
Quadros antigos cobriam as paredes. Os rostos dos Montenegro observavam Isabela passar como se soubessem que ela não pertencia àquele lugar.
No fim do corredor havia uma porta sem maçaneta.
Dante passou a mão por uma discreta placa de metal. Um leitor biométrico se acendeu.
"Esta sala foi fechada depois da morte do meu pai."
Isabela parou atrás dele.
"Por quê?"
"Porque foi daqui que desapareceram os documentos que o condenaram."
Ela sentiu o coração bater mais depressa.
"Condenaram quem?"
Dante encostou o dedo no leitor.
A trava interna se abriu com um som pesado.
"Um homem que entregou minha família."
A porta se moveu apenas alguns centímetros.
O ar antigo escapou pela abertura.
Dante empurrou-a.
Prateleiras vazias ocupavam a sala. Caixas abertas estavam espalhadas pelo chão. Alguém havia retirado quase todos os documentos antes de o lugar ser lacrado.
Isabela entrou devagar.
Sobre uma mesa, restava somente uma moldura quebrada. A fotografia mostrava Dante mais jovem ao lado do pai.
Atrás deles, quase escondido, aparecia o mesmo homem da fotografia guardada no quarto de Isabela.
Augusto Oliveira.
Ela virou o rosto antes que Dante percebesse sua reação.
Bruno examinou as paredes.
"Não há documentos."
"Alguém chegou primeiro", disse Isabela.
Dante observou a poeira.
"Não. Isso aconteceu há anos."
Ela caminhou até a parede do fundo. Segundo a planta, o arquivo deveria ser quase um metro mais comprido.
Isabela bateu com os dedos sobre a madeira.
O som era oco.
"Existe outro espaço aqui."
Bruno aproximou a lanterna.
Não havia porta, puxador ou abertura visível.
Dante passou a mão pela parede.
Então os três ouviram.
Um zumbido baixo.
Curto.
Inconfundível.
Alguma coisa vibrava atrás da madeira.
Todos ficaram imóveis.
O som parou.
Dois segundos depois, voltou.
Era um celular.
Ligado.
Atrás de uma parede lacrada havia oito anos.
#
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4