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"A Empregada Que Salvou o Chefe da Máfia de Uma Bala" Capítulo 1

正文开头

A bandeja de prata escapou das mãos de Isabela no mesmo instante em que ela se jogou sobre Dante Montenegro.

As taças ainda estavam no ar quando os dois atingiram o chão de mármore.

O tiro atravessou o salão.

A bala rasgou o encosto da cadeira onde Dante estivera sentado menos de um segundo antes.

Os convidados gritaram. Uma mulher se abaixou sob a mesa. Dois homens puxaram armas de dentro dos paletós.

Dante segurou Isabela pela cintura, girou o corpo e a imobilizou contra o piso.

A arma dele apareceu tão depressa que ela nem viu de onde havia saído.

O cano gelado encostou sob seu queixo.

"Quem avisou você?"

"Ninguém."

"Então como sabia que a bala viria?"

Antes que Isabela respondesse, um segundo disparo estilhaçou a janela atrás deles.

Dante cobriu a cabeça dela com o próprio braço.

"Bruno!"

As luzes do salão se apagaram.

O jantar que reunia os homens mais poderosos da família Montenegro transformou-se em caos. Cadeiras tombaram. Pratos se quebraram. Alguém correu em direção à porta.

Uma voz firme atravessou a escuridão.

"Ninguém sai!"

Era Bruno Tavares, chefe da segurança de Dante.

As portas foram fechadas por dentro. Lanternas cortaram o salão. Os seguranças cercaram as janelas e obrigaram todos a permanecer abaixados.

Dante continuava sobre Isabela.

Ela sentia o peso do corpo dele, a respiração controlada junto ao seu rosto e a arma ainda pressionada contra sua pele.

"Saia de cima dela!"

Teresa Montenegro estava ajoelhada atrás da mesa principal. Mesmo assustada, a mãe de Dante mantinha a postura de uma mulher acostumada a dar ordens.

"Ela salvou sua vida."

"Ou sabia exatamente onde a bala acertaria."

Isabela olhou para a cadeira destruída.

O buraco estava no centro do encosto, na altura do coração de Dante.

"Eu vi o reflexo."

Dante voltou os olhos para ela.

"Que reflexo?"

"Na bandeja. Havia uma luz na janela."

"Uma luz?"

"Uma mira."

Ele aproximou o rosto.

"Uma empregada reconheceu a mira de um rifle refletida numa bandeja?"

Isabela engoliu em seco.

"Eu reconheci que alguma coisa estava apontada para o senhor."

Dante não pareceu convencido.

Bruno se aproximou, mantendo a pistola erguida.

"Atirador no prédio do outro lado da rua. Minha equipe está subindo."

"Ele não está mais lá", disse Isabela.

Bruno parou.

Dante apertou o braço dela.

"Como você sabe?"

"Porque o segundo tiro não foi para matar o senhor."

Ela indicou a janela com os olhos.

"Foi para quebrar o vidro e ganhar tempo. Ele já estava fugindo."

Por alguns segundos, ninguém falou.

Dante soltou Isabela apenas o suficiente para se levantar. Em seguida, agarrou o braço dela e a colocou de pé.

Os cabelos castanhos haviam se soltado do coque. Uma mancha de vinho cobria a frente de seu uniforme preto. Um pequeno corte sangrava perto de seu cotovelo.

"Levem todos para a biblioteca", ordenou Dante. "Revistem cada pessoa antes de tirá-la deste salão."

正文1

Ricardo Montenegro surgiu atrás de dois seguranças.

O primo de Dante ajeitou o paletó como se ainda tentasse preservar a aparência de um jantar normal.

"Você acha mesmo que alguém aqui ajudou o atirador?"

"O homem sabia onde eu estaria sentado."

"O lugar à cabeceira não era exatamente um segredo."

"A cortina deveria estar fechada."

Ricardo olhou para a janela.

A pesada cortina de veludo estava recolhida, deixando Dante completamente visível do prédio vizinho.

Teresa virou-se para os empregados.

"Quem abriu aquilo?"

Ninguém respondeu.

Dante não precisou levantar a voz.

"Perguntei quem abriu a cortina."

Uma copeira começou a chorar. O cozinheiro negou com a cabeça. Os demais funcionários se entreolharam, aterrorizados.

Isabela observou a corda presa ao lado da janela.

Havia uma marca escura perto do nó.

Ela tentou se aproximar, mas Dante bloqueou seu caminho.

"O que foi?"

"Tem alguma coisa na corda."

Bruno iluminou o local.

Uma faixa fina de graxa manchava o tecido. O mesmo tipo de graxa aparecia no trilho da porta de serviço usada pela equipe de segurança.

Bruno passou o dedo sobre a marca.

"Alguém abriu a cortina usando luvas de manutenção."

Ricardo cruzou os braços.

"Isso só prova que um funcionário tocou nela."

"Prova que alguém tentou esconder as impressões", respondeu Isabela.

Ricardo finalmente olhou diretamente para a empregada.

Seu sorriso não chegou aos olhos.

"Ela parece saber muito sobre cenas de crime."

"Eu assisto televisão."

Dante virou o rosto lentamente para ela.

"Essa foi a primeira resposta pouco inteligente que você deu esta noite."

Isabela baixou os olhos.

Durante três meses, ela passara despercebida naquela casa. Servia refeições, limpava os quartos e ouvia conversas que os Montenegro jamais teriam na presença de alguém que considerassem importante.

Naquela noite, o disfarce havia terminado.

Bruno recebeu uma mensagem pelo rádio.

"O apartamento estava vazio. Encontramos o suporte do rifle, duas cápsulas e um uniforme de entregador."

"Imagens das câmeras?", perguntou Dante.

"Os aparelhos do quarteirão perderam o sinal nove minutos antes do primeiro tiro."

Dante olhou para Ricardo.

"Somente quatro pessoas receberam o horário definitivo do jantar."

"E quantas pessoas viram os empregados preparando a mesa?", rebateu Ricardo. "Seu assassino pode estar usando avental."

A acusação atingiu todos os funcionários, mas os olhos dele permaneceram em Isabela.

Dante entregou a arma a Bruno.

"Leve-a para o escritório."

Teresa se levantou.

"Dante, essa moça acabou de salvar você."

"É por isso que ela ainda está respirando."

Isabela foi conduzida pelo corredor da mansão.

Dois seguranças caminhavam atrás dela. Dante seguia ao seu lado, silencioso, com um pequeno corte na testa provocado pela queda.

A casa inteira estava sendo fechada. Portões de ferro desciam diante das entradas. Homens armados ocupavam as varandas.

Isabela conhecia aquele protocolo.

Ela o encontrara descrito num documento antigo, muito antes de colocar os pés naquela mansão.

O escritório de Dante ficava no fim do corredor leste. Bruno trancou a porta depois que entraram.

正文2

Dante apontou para a cadeira diante da escrivaninha.

"Sente-se."

Isabela permaneceu em pé.

"Eu não fiz parte disso."

"Eu ainda não perguntei se fez."

"O senhor já decidiu que sou culpada."

"Se eu tivesse decidido, não estaríamos conversando."

Dante retirou o paletó. A camisa branca estava manchada pelo vinho derramado durante a queda.

Ele colocou sobre a mesa o crachá de Isabela, recolhido por um dos seguranças.

"Isabela Martins. Vinte e nove anos. Contratada há três meses. Antes disso, trabalhou em uma pousada em Campinas."

"Está tudo no meu cadastro."

"Seu cadastro é perfeito."

"Isso deveria ser um problema?"

"Cadastros perfeitos sempre são um problema."

Bruno depositou a bolsa dela sobre a mesa.

Isabela sentiu o estômago se contrair.

"Isso é meu."

"Agora é evidência."

Dante abriu a bolsa.

Encontrou uma carteira, um pente, um pacote de lenços, dinheiro e as chaves do alojamento dos empregados.

Nada que a incriminasse.

Isabela conseguiu respirar outra vez.

Dante percebeu.

"Você ficou aliviada."

"Porque não encontrou nada."

"Ainda."

Bruno recebeu outra chamada.

"Dante, preciso mostrar uma coisa."

Ele virou a tela do celular.

A imagem exibia o corredor de serviço dez minutos antes do atentado. Um homem usando uniforme de manutenção empurrava um carrinho na direção do salão.

O rosto estava escondido por um boné.

Isabela reconheceu a mão dele.

Ou, mais precisamente, o anel preto em seu dedo mínimo.

Ela já vira aquele anel dentro da mansão.

"Você conhece esse homem?", perguntou Dante.

"Não vi o rosto."

"Não foi isso que perguntei."

Isabela hesitou.

Se dissesse onde vira o anel, revelaria que estivera numa parte da casa proibida aos empregados.

"Não conheço."

Dante sustentou o olhar dela por tempo demais.

Então falou com Bruno:

"Reviste o quarto."

O sangue desapareceu do rosto de Isabela.

"Não."

Foi a primeira vez que sua voz soou realmente desesperada.

Dante se aproximou.

"O que existe lá?"

"Nada relacionado ao tiro."

"Isso não foi uma resposta."

"São coisas pessoais."

"Um homem tentou me matar dentro da minha casa. Sua privacidade deixou de ser minha prioridade."

Dante saiu do escritório.

Isabela tentou segui-lo, mas Bruno segurou seu braço.

"Se não há nada, não precisa ter medo."

Ela não respondeu.

O alojamento dos empregados ocupava uma ala discreta atrás da cozinha. O quarto de Isabela era pequeno, com uma cama, um armário estreito e uma janela voltada para o jardim.

Dante entrou primeiro.

Abriu as gavetas. Revistou o colchão. Passou as mãos sob a cama.

Isabela permaneceu na porta, cercada pelos seguranças.

Ele encontrou uma fotografia dentro de um livro de orações.

Nela, Isabela ainda era criança. Um homem sorridente mantinha a mão sobre seu ombro.

Dante observou o rosto dele, mas a fotografia estava dobrada e desbotada.

"Seu pai?"

"Ele morreu."

A mentira saiu baixa.

Dante devolveu a fotografia ao livro.

Em seguida, puxou o armário.

Isabela avançou.

"Não toque nisso."

Tarde demais.

Atrás do móvel havia uma pequena abertura na parede. Dante enfiou os dedos no espaço e retirou um envelope amarelado.

O símbolo dos Montenegro estava gravado no papel.

Dante abriu o envelope.

Lá dentro havia uma planta detalhada da mansão.

Entradas, corredores de serviço e câmeras de segurança estavam marcados à mão. Um círculo vermelho destacava uma sala fechada havia oito anos.

A antiga sala de arquivos de seu pai.

No canto inferior do documento, havia uma frase escrita com tinta azul:

A verdade ficou dentro desta casa.

Dante levantou os olhos para Isabela.

A frieza em seu rosto era mais ameaçadora do que a arma.

"Você não entrou nesta casa para trabalhar."

Ele abriu completamente a planta sobre a cama.

"Entrou para encontrar alguma coisa."

Isabela não negou.

Dante apontou para a sala marcada em vermelho.

"O que existe aqui?"

Ela olhou para o lugar que procurara durante três meses.

Depois encarou o homem que sua família lhe ensinara a temer.

"Se eu soubesse, o senhor já estaria morto."

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