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"Voltei Cedo e Vi Quem Minha Noiva Realmente Era" Capítulo 6

正文开头

Davi segurou a porta antes que Natanael saísse da biblioteca.

— Você não vai invadir clube nenhum.

Natanael encarou a mão sobre o batente.

— Tire.

— A promotoria tem mandados para os servidores, contas e três endereços. Se você chegar com homens armados, o processo vira uma guerra particular e Domingos se apresenta como vítima.

Laura ficou entre os dois.

— Quero o Rainer vivo, o servidor intacto e as testemunhas falando. Sua melhor vingança é um arquivo que ele não consegue subornar.

Natanael voltou os olhos para os funcionários. Marcos ainda segurava o envelope, e Artur observava a chuva que restava no vidro.

A mão de Davi saiu da porta.

— O que precisam de mim?

— Confirmação dos códigos e acesso às cópias externas — disse Laura. — De um lugar seguro.

Montaram a operação numa sala da Polícia Federal em São Paulo. Telas mostravam o Clube da Coroa, os depósitos e o escritório de Domingos no terminal ferroviário de Campinas.

O clube ocupava o subsolo de um hotel histórico. A entrada sem placa ficava atrás de um corredor de carga. Câmeras urbanas registraram Juliano Vaz chegando pouco depois das dez.

Domingos apareceu às onze e doze. Baixo, largo, a cabeça raspada brilhando sob a luz do corredor, carregava uma pasta preta presa ao pulso.

— O livro principal — disse Davi.

Laura falou com a equipe de campo.

— Esperem a confirmação do servidor.

Na tela térmica, seis homens se moviam dentro do salão. Outro descia para uma sala técnica levando dois galões.

Natanael apoiou as mãos no console.

— Ele vai incendiar.

— A equipe de bombeiros está na esquina — respondeu Laura. — Ainda não temos o cofre aberto.

Davi acompanhava o fluxo de dados. Um espelho remoto criado pelo perito judicial copiava os registros assim que Domingos acessava o sistema.

— Trinta por cento.

O homem dos galões começou a despejar líquido ao redor dos racks.

— Cinquenta e oito.

Juliano discutia com Domingos perto da escada. O microfone autorizado captava frases quebradas.

— ...Caldas falou demais...

— ...resolve a mulher...

— ...Whitmore já sabe...

Natanael aproximou-se da tela.

— Eles pretendem matar Vitória.

Laura chamou a equipe que vigiava a propriedade.

— Transfiram a custodiada agora.

Davi ergueu um dedo.

— Noventa e seis.

O funcionário do clube acendeu um isqueiro.

— Agora — ordenou Laura.

As portas do subsolo foram abertas por agentes com mandado. O alarme de incêndio disparou, espuma de contenção caiu do teto e o homem deixou o isqueiro cair sobre o piso já coberto.

O salão mergulhou em luz branca. Mesas viraram, cadeiras rasparam e gritos se misturaram às ordens dos agentes.

Domingos tentou alcançar a saída do hotel. Encontrou policiais na escada e voltou com a pasta presa ao pulso.

Juliano levantou as mãos antes que alguém o tocasse.

Em quarenta e cinco segundos, todos estavam no chão ou contra a parede. Nenhum disparo foi feito.

正文1

Natanael assistiu sem respirar.

Davi apontou para o indicador.

— Cópia concluída.

Peritos entraram na sala técnica. A pasta de Domingos foi aberta diante de câmera contínua. Trazia chaves de contas, registros de pagamentos a agentes públicos, contratos de tomada hostil e a lista de pessoas infiltradas em empresas concorrentes.

O nome de Vitória aparecia três vezes.

Domingos foi conduzido diante da câmera externa. Mesmo algemado, tentou sorrir.

— Whitmore comprou vocês — gritou para os repórteres atraídos pelo movimento. — Ele é pior do que eu!

Laura desligou a tela.

— Ele vai usar seu passado.

Natanael pegou o paletó.

— Meu passado não transferiu salário de cozinheira para conta clandestina.

— Há decisões suas que ele pode explorar.

Natanael parou.

Anos antes, resolvera conflitos de rota com homens que não assinavam atas. Fechara acordos em estacionamentos, aceitara proteção sindical de procedência duvidosa e transformara silêncio em moeda.

— Entrego o que pedirem — disse. — Sem destruir prova, sem telefonar para aliado, sem comprar manchete.

Davi assentiu pela primeira vez naquela manhã.

Juliano pediu para falar antes de ser colocado no camburão. Laura autorizou uma entrevista gravada, com defensor presente.

Na tela, a cicatriz parecia mais funda sob a luz fluorescente.

— Quero proteção — disse ele.

— Em troca de quê? — perguntou Laura.

— Contas, propinas, ordens e o nome de quem abriu as portas da casa.

— Vitória abriu.

Juliano sorriu de lado.

— Ela abriu a primeira. Tem outra pessoa na segurança do Whitmore.

Natanael se aproximou do monitor.

Juliano olhou direto para a câmera.

— E essa pessoa ainda está lá dentro.

No Clube da Coroa, peritos recuperaram o envelope original e mapas da festa de noivado. O plano colocaria homens de Domingos entre fornecedores. Natanael cancelou o evento e telefonou pessoalmente aos cinquenta e seis trabalhadores temporários para explicar o risco.

Laura preservou os servidores sem permitir que a operação virasse acerto privado. Natanael entregou registros antigos sobre seus próprios acordos obscuros e aceitou investigação sem exigir imunidade. Davi observou que aquilo podia reduzir seu império. "Se depende do silêncio, já está reduzido", respondeu.

O último mapa tinha um círculo vermelho ao redor da passagem secreta da biblioteca. O infiltrado conhecia a casa por dentro.

Durante a operação, Domingos telefonou para dois policiais e um secretário municipal. As chamadas foram registradas, e nenhum deles conseguiu interromper o mandado. Um gerente do clube tentou apagar o circuito interno; a cópia externa já estava completa.

Na sala federal, Natanael reconheceu nomes de homens com quem negociara no começo da empresa. Entregou a Laura sua agenda antiga e indicou encontros que poderiam ter servido para lavagem de reputação. Ela não prometeu tratamento brando.

— É isso que significa entregar tudo — disse.

Ele assinou o termo. A escolha custou contratos, mas retirou de Domingos a ameaça de revelar seletivamente o passado.

Juliano, diante do defensor, descreveu como Edson liberava o portão e trocava cartões. Forneceu uma senha de confirmação conhecida apenas pelos dois. Davi testou-a numa cópia isolada; abriu o diretório com fotografias dos funcionários e rotas internas da casa.

As equipes apreenderam também livros físicos, celulares e gravações do clube. Um contador tentou oferecer acesso em troca de saída imediata. Laura recusou promessas e registrou a oferta. Todo acordo passaria por juiz.

Natanael viu Domingos ser colocado no veículo e manteve as mãos longe do telefone. Nenhuma ordem paralela saiu da sala. Brody, antigo responsável por operações informais, ligou oferecendo "resolver o resto". Natanael mandou encerrar a equipe e preservar arquivos.

— Você está dispensado de qualquer ação fora da lei — disse.

— E se Rainer mandar alguém?

— A polícia recebe o nome. Nós reforçamos proteção. Acabou a limpeza no escuro.

Brody ficou em silêncio e concordou. Aquela ligação rompeu um método que acompanhava Natanael desde os primeiros depósitos.

Laura confirmou que os funcionários da casa estavam protegidos e enviou equipes para endereços citados nos livros. Davi manteve uma cópia do espelho digital em cofre judicial. Quando o último agente deixou o clube, os bombeiros recolheram o líquido derramado e declararam o prédio seguro.

Natanael assistiu ao encerramento sem comemorar. Havia contas recuperadas e homens presos, mas Rute ainda precisaria explicar meses de atraso à clínica. O sucesso da operação não substituía a manhã seguinte na biblioteca.

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