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"Voltei Cedo e Vi Quem Minha Noiva Realmente Era" Capítulo 4

正文开头

Vitória não se sentou de imediato. Seus olhos percorreram o escritório, calcularam a distância até a porta e pararam em Laura Siqueira.

— Quem é essa mulher?

— Uma testemunha — respondeu Laura.

— Testemunha de quê?

Natanael pegou o relatório impresso e o lançou sobre a mesa de vidro. As folhas deslizaram até a borda da poltrona.

— Página quatro.

Vitória leu o cabeçalho sem abrir a pasta: AUDITORIA OPERACIONAL — DESEMBOLSOS NÃO AUTORIZADOS.

Por um instante, o rosto pareceu vazio. Depois ela colocou o copo sobre a mesa e cruzou as pernas.

— Você contratou alguém para espionar a própria noiva enquanto viajava. Que romântico.

Davi fechou o notebook e permaneceu ao lado da janela. Laura ativou um gravador autorizado sobre a mesa.

— Dois milhões e sessenta mil reais — disse Natanael. — Retirados das contas da casa em seis meses. Notas falsas, fornecedores inflados e deduções salariais. O dinheiro terminou na Coroa Negra.

Vitória encostou as costas na poltrona.

— Você fatura mais de duzentos milhões por ano. Vai desfazer um casamento por troco?

— Para Rute, três mil e quatrocentos reais compram os remédios da irmã.

— Rute é cozinheira.

— Margarida cortou a mão recolhendo a taça que você quebrou.

— Ela quebrou.

Natanael girou o notebook. Na imagem da cozinha, Vitória segurava a haste da taça segundos antes de soltá-la perto do esfregão.

A mandíbula dela se contraiu.

— Câmeras sem áudio provam pouco.

— Esta tem áudio.

Ele reproduziu a frase: "O Natanael não está aqui."

Vitória alcançou o copo, mas a mão errou a borda.

— Eles são funcionários pagos. São lentos, dramáticos e se aproveitam de você. Eu só trouxe disciplina para esta casa.

— Você mandou Artur para uma tempestade com o joelho inflamado.

— Eram minhas roseiras.

— Eram da minha mãe.

Vitória riu pelo nariz.

— Sempre a sua mãe. A faxineira transformada em santa depois que o filho ficou rico.

Natanael apoiou as duas mãos na mesa. A madeira não se moveu, embora seus dedos pressionassem a superfície.

— Continue.

Ela levantou-se. O robe foi apertado na cintura com um nó brusco.

— Você acha que essa gente antiga ama você. Eles amam salário, casa, plano de saúde. A sociedade de São Paulo ri de você nas costas. Chamam você de filho da lixeira que teve sorte com um programa de computador.

— E Domingos Rainer respeita você?

O nome cortou a fala dela.

Natanael ergueu o invólucro com a caixa de fósforos.

— O que Juliano Vaz entregou no chalé?

Vitória caminhou até a mesa, com o queixo alto.

— Um lembrete das suas limitações.

— Responda.

— Rotas, horários e uma lista de gestores dispostos a trocar de lado. Domingos precisava saber onde apertar.

Davi não mudou de expressão, mas anotou a frase. Laura verificou a luz do gravador.

— Você entregou códigos dos terminais? — perguntou Natanael.

正文1

— Entreguei o que era necessário.

— Para quê?

— Para ele assumir sua rede sem destruir o valor dos ativos. Você ficaria com a empresa de software e os hotéis. Ainda seria rico o bastante para brincar de benfeitor.

Natanael abriu uma imagem de segurança. Juliano segurava o envelope diante do chalé.

— E seu pagamento?

— Participação na nova holding. Uma posição que não depende de sorrir para os seus empregados.

— Seu pai devia dinheiro a Domingos.

A cor sumiu perto dos lábios dela.

— Meu pai é desembargador. Escolha suas acusações com cuidado.

Laura empurrou uma folha sobre a mesa.

— Três empresas ligadas ao desembargador Caldas receberam onze milhões de reais de operadores do Clube da Coroa em cinco anos.

Vitória olhou para a promotora.

— Isso é uma reunião particular.

— E voluntária até este momento. A senhora pode parar de falar.

— Então cale esse gravador.

— O dono da casa autorizou a gravação da sala dele.

Vitória virou-se para Natanael.

— Você vai chamar a polícia? Meu pai enterra essa investigação antes do almoço. Depois os jornais publicam que o grande Whitmore foi roubado pela noiva dentro da própria cozinha.

Ela passou a mão pelo cabelo molhado e recuperou parte do sorriso.

— Podemos resolver com discrição. Você me paga, eu desapareço e ninguém descobre que foi humilhado.

— Quanto?

Davi levantou os olhos. Laura ficou imóvel.

Vitória interpretou o silêncio como abertura.

— Cinquenta milhões, o apartamento de Paris e o anel. Eu entrego uma declaração dizendo que nosso casamento foi adiado por incompatibilidade.

— E os funcionários?

— O que tem eles?

— Quero ouvir os nomes.

— Natanael, chega dessa obsessão.

— O nome do jardineiro.

Vitória abriu a boca.

— Arthur alguma coisa.

— Artur Nascimento. O jovem com o ombro deslocado?

Ela desviou os olhos.

— Marco.

— Marcos Lima. A cozinheira que você multou?

Vitória pegou o copo.

— Eu não administro por apelidos.

Natanael tirou a aliança masculina que usava desde o anúncio do noivado e a colocou ao lado do relatório.

— Você administrava pessoas que nunca enxergou.

Vitória caminhou para a saída.

— Conversamos amanhã, quando você recuperar o bom senso.

Ela puxou a maçaneta. A porta não abriu.

Um ruído pneumático correu pelo corredor enquanto os acessos internos eram selados por ordem da segurança e da promotoria.

Vitória sacudiu o puxador.

— Abra agora.

Natanael contornou a mesa e parou a dois metros dela.

— Você cometeu três erros. Usou meu nome para ferir quem confiava em mim. Trouxe um homem de Domingos para dentro desta casa. E confundiu meu silêncio com cegueira.

— Você não sabe com quem está mexendo.

— Sei exatamente.

Thomas apareceu pelo corredor lateral acompanhado de dois agentes federais. Laura mostrou o mandado recém-expedido no telefone seguro.

Vitória encostou as costas na porta.

Natanael falou quase num sussurro:

— A máscara acabou.

Vitória olhou para os agentes e depois para o corredor.

— Domingos sabe que você voltou?

— Ainda não.

— Quando souber, vai atacar os terminais.

Laura aproximou o gravador.

— Quais e em que horário?

Vitória fechou a boca. Natanael mostrou a escala baixada por ela.

— Quarenta e três pessoas trabalhariam em Campinas. Cada uma vai acompanhar seu nome no processo.

O dedo dela tremeu no nó do robe.

— Sexta-feira. Juliano entraria pelo pátio ferroviário. Santos era distração. Guarulhos, reserva.

Davi transmitiu o alerta. Uma hora depois, a polícia encontrou perto do pátio uma van com placas clonadas, ferramentas de arrombamento e uniformes falsos. A entrevista terminou quando a advogada chegou. O casamento acabara; a descoberta evitara quarenta e três funerais possíveis.

Laura explicou o mandado diante da câmera. Vitória teria defesa, e os empregados receberiam proteção contra retaliação. Natanael entregou voluntariamente seus próprios aparelhos e contratos antigos.

A van encontrada perto de Campinas levava placas clonadas, uniformes falsos e ferramentas de invasão. A confissão de Vitória evitara que quarenta e três trabalhadores entrassem no pátio planejado para o ataque.

Do corredor, Natanael ouviu Vitória exigir que Thomas obedecesse a ela. O chefe de segurança respondeu que, a partir daquele momento, toda ordem seria escrita e revisada. A casa que antes se dobrava a um tom de voz começava a exigir registro.

Quando os agentes fecharam a porta, Natanael recolheu a aliança da mesa e a colocou no saco de evidências, não no bolso.

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