"A Senhora Idosa Que Pediu Cinco Minutos" Capítulo 1
Diana Coelho estendeu a mão por cima do balcão e desligou o telefone antes que Emília Carvalho completasse o primeiro toque.
O aparelho voltou ao gancho com um estalo seco. Duas pessoas na fila olharam para a recepcionista, depois para a mulher idosa parada diante dela.
— Não ligue para a diretoria — disse Diana.
Emília manteve os dedos perto do telefone. A luz azul do fim da tarde atravessava a fachada de vidro do Hospital Santa Aurora e recortava as três no piso claro: a jovem atrás do balcão, a supervisora à esquerda e a visitante do outro lado, segurando uma pequena bolsa de couro com as duas mãos.
A mulher se chamava Evelina Benevides. Tinha setenta e seis anos, um casaco marrom gasto nos cotovelos e sapatos escuros tão polidos que o couro começava a rachar junto aos dedos. Esperara a fila andar, cumprimentara Emília e pedira cinco minutos com o diretor-geral.
Sem gritar. Sem bater no balcão. Sem anunciar sobrenome ou cargo.
— Ela só quer que alguém confira — falou Emília.
Diana virou o corpo inteiro para a funcionária. O crachá de supervisora balançou sobre o blazer cinza.
— Eu já conferi. O doutor João Benevides não recebe visita sem agendamento.
Evelina olhou para os elevadores de vidro no fundo do saguão. Médicos subiam com prontuários, familiares desciam carregando flores, técnicos empurravam carrinhos entre as colunas. Em algum ponto acima delas, um conselho administrativo aguardava o início de uma reunião.
— Posso falar com alguém da administração — disse Evelina. — Cinco minutos bastam.
Diana apertou os lábios.
— A senhora precisa procurar o canal de atendimento no site.
— Eu procurei.
— Então aguarde a resposta.
Emília viu a visitante deslocar o peso para a perna direita. O gesto durou pouco. A mão de Evelina, porém, apertou a alça da bolsa até os nós dos dedos perderem a cor.
Quatro meses de trabalho tinham ensinado Emília a reconhecer as regras do Santa Aurora. Visitantes executivos precisavam de autorização. Familiares não podiam circular em áreas clínicas sem identificação.
Pedidos administrativos entravam no sistema e recebiam número de protocolo.
A regra não proibia uma ligação de confirmação.
— Dona Evelina, a senhora tem algum número de protocolo? — perguntou Emília.
A idosa abriu a bolsa e tocou um envelope dobrado, mas Diana avançou meio passo.
— A conversa acabou.
Um segurança próximo à porta giratória ergueu o rosto. Paulo Mendes conhecia Diana havia nove anos e conhecia o tom que ela usava antes de mandar alguém para fora. Ele deixou as mãos visíveis diante do corpo e esperou uma ordem formal.
Evelina fechou a bolsa.
— Não vim criar problema.
— Ótimo. Então a saída é logo atrás da senhora.
Emília sentiu o estômago contrair. No computador, a tela mostrava uma planilha de turnos e a data de sua avaliação de experiência: dali a seis semanas. Diana escrevia parte do parecer.
O salário pagava a metade do aluguel que Emília dividia com a mãe em Itaquera. O restante vinha de plantões de Rosana numa padaria e de bicos que Emília fazia aos sábados. A inscrição para a faculdade de enfermagem já consumira o dinheiro separado para duas contas de luz.
Ela podia baixar os olhos, pedir desculpas e deixar Paulo conduzir a visitante até a rua.
Emília puxou o telefone de volta.
— Vou ligar para a secretaria do doutor João. Se disserem que não podem recebê-la, eu registro a orientação e ajudo com o canal correto.
Diana segurou o fio do aparelho.
— Você não ouviu o que eu disse?
— Ouvi.
— Então solte o telefone.
Emília olhou para Evelina. A senhora permanecia diante do balcão, menor do que as placas de mármore atrás dela. Não pedira que a jovem enfrentasse ninguém.
O silêncio em seu rosto parecia o de quem já tinha atravessado muitas portas e encontrado pessoas apontando a próxima.
Emília soltou o aparelho, mas não recuou.
— Ela merece ser ouvida.
A enfermeira Camila Freitas parou com um carrinho de medicação a alguns metros. Um pai que preenchia formulário ergueu a caneta. A frase correu pelo saguão sem volume e sem proteção.
Diana abriu o painel do crachá no tablet da recepção.
— Entregue sua identificação.
— Por quê?
— Você está suspensa até avaliação do RH.
O ar ficou preso no peito de Emília. Ela tocou o crachá vinho preso perto do ombro, mas não conseguiu soltá-lo na primeira tentativa.
— Suspensa?
— Insubordinação diante de visitante. Saia do balcão.
Paulo desviou o olhar para o tablet. O procedimento que conhecia permitia retirar alguém do posto durante um incidente. Suspensão formal exigia registro do gestor e análise de Recursos Humanos.
Diana já tocava na tela como se tivesse decidido as duas coisas.
Emília desencaixou o crachá. A mão tremia. Colocou a identificação sobre o mármore e ouviu o plástico deslizar até parar junto ao teclado.
Evelina acompanhou o movimento.
— Moça, não precisa perder o emprego por minha causa.
Emília respirou pelo nariz. A garganta ardia.
— A senhora não fez nada errado.
Diana apontou para a porta lateral usada pelos funcionários.
— Emília, agora.
A jovem saiu por trás do balcão. Parou ao lado de Evelina, mantendo distância suficiente para não pressioná-la. Paulo não se aproximou.
— Posso ao menos anotar seu telefone antes de ir — disse Emília. — Eu tento descobrir com quem a senhora deve falar.
Diana soltou uma risada curta, sem humor.
— Você ainda não entendeu.
Evelina estudou o rosto da recepcionista. As olheiras leves, o cabelo ruivo-escuro preso numa cauda baixa, a blusa azul bem passada sob o colete do uniforme. Depois olhou o crachá abandonado no balcão.
— Entendi o bastante — respondeu.
Ela abriu o casaco e tirou um telefone preto do bolso interno. O aparelho era simples, sem capa vistosa. Evelina desbloqueou a tela e tocou um único número memorizado nos favoritos.
Diana cruzou os braços.
— A senhora pode fazer a ligação do lado de fora.
Evelina levou o telefone ao ouvido.
Alguém atendeu antes do segundo toque.
— Boa noite, Helena. Avise ao conselho que não vou subir.
Diana descruzou os braços.
Emília permaneceu imóvel, com a bolsa presa contra o quadril. Camila recuou o carrinho para liberar o corredor entre a recepção e os elevadores.
Evelina olhou diretamente para Diana.
— Eles podem descer.
Ela encerrou a chamada e guardou o aparelho. O silêncio do saguão se encheu do ruído distante das portas automáticas e de um monitor cardíaco vindo do corredor de emergência.
Diana passou a língua pelos lábios.
— Para quem a senhora ligou?
— Para a assessora jurídica do conselho.
— Qual conselho?
Evelina voltou a segurar a bolsa com as duas mãos.
— O deste hospital.
As luzes sobre os quatro elevadores mudaram quase ao mesmo tempo. O décimo segundo andar apareceu nos painéis, depois o décimo primeiro, o décimo.
Paulo tocou o auricular.
— Recepção, temos deslocamento da diretoria — murmurou.
Diana virou para os elevadores. Emília viu a supervisora procurar uma explicação no rosto de Evelina e não encontrar nada além do mesmo cansaço com que ela chegara.
Os números continuaram descendo.
O primeiro elevador parou no térreo. As portas de vidro se abriram, e o diretor-geral do Santa Aurora saiu à frente de três conselheiros.
João Benevides avistou a mulher do casaco marrom.
— Mãe?
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4