localização atual: Novela Mágica O Verão em Que Deixei de Esperar por Ele Capítulo 5 — O Preço da Gratidão
标题上

"O Verão em Que Deixei de Esperar por Ele" Capítulo 5 — O Preço da Gratidão

正文开头

Capítulo 5 — O Preço da Gratidão

Não publiquei o vídeo.

A vontade veio como fogo: enviar para Gabriel, expor Otávio, responder a cada pessoa que chamara minha recusa de ingratidão.

Mas raiva não preserva prova.

Copiei o arquivo para o notebook, para um pen drive novo e para uma pasta protegida. Registrei o número remetente, o horário e os dados disponíveis. Depois escrevi a Bianca apenas uma frase:

Recebi o arquivo.

Ela não respondeu.

Na segunda-feira, procurei o núcleo jurídico da universidade. Uma advogada chamada Renata explicou que um vídeo podia ser importante, mas seu valor dependeria da origem, integridade e relação com outros documentos.

“Não edite, não comprima e não encaminhe por aplicativos”, orientou. “E não acuse publicamente ninguém antes de sabermos o que isso prova.”

Segui cada instrução.

Augusto atendeu minha ligação de um aeroporto. Reconheceu o escritório de Otávio e pediu algumas horas para verificar o que o empresário estava tentando obter.

No fim da tarde, retornou.

“Três antigos colegas receberam mensagens da Vasconcelos Logística e Suprimentos”, disse. “A empresa quer disputar um contrato de distribuição para unidades públicas de saúde.”

“Usaram meu nome?”

“Disseram que a filha de dois heróis nacionais apoia o projeto e que a família Vasconcelos foi responsável por sua formação. Um dos anexos sugere até que Otávio viabilizou sua entrada na UnB.”

Senti o estômago revirar.

“Ele não fez nada.”

“Eu sei. O comitê sabe. Mas precisamos provar onde essa história foi apresentada e se há documento assinado em seu nome.”

Autorizei Augusto a enviar cópias das mensagens ao núcleo jurídico. Em seguida, escrevi ao Programa Legado Nacional solicitando uma declaração formal sobre meu processo de admissão e autorizando a divulgação dos critérios que não fossem sigilosos.

Eu não queria apenas dizer que Otávio mentia.

Queria tornar impossível que ele continuasse mentindo.

Gabriel me esperava na saída da biblioteca naquela noite.

“Foi Bianca quem mandou o vídeo?” perguntou.

“Você já sabe que existe.”

“Ela me contou. Disse que fez aquilo porque estava com raiva do meu pai.”

“E seu pai mentiu?”

Gabriel esfregou o rosto.

“Ele exagerou. Empresários falam coisas para abrir portas.”

“Ele usou meus pais mortos para vender um contrato.”

“Eu disse que não concordava.”

“No vídeo, você não diz isso.”

“Porque ela cortou antes.” Ele se aproximou. “Eu falei que você não faria nada contra sua vontade.”

“E depois concluiu que eu só tinha coragem de enfrentá-lo porque conseguira uma vaga especial.”

Ele desviou os olhos.

“Você ouviu essa parte?”

“Bianca me mandou o arquivo completo.”

“Então entende que eu estava magoado.”

“Você estava ofendido porque eu possuía uma saída.”

Gabriel fechou a mão.

“Por que precisa transformar tudo no pior sentido possível?”

“Porque o melhor sentido que você oferece sempre exige que eu obedeça.”

Ele ficou em silêncio. Pessoas saíam da biblioteca e diminuíam o passo ao passar por nós.

“O que vai fazer com o vídeo?”

正文1

“O necessário.”

“Meu pai pode perder um contrato importante.”

“Então deveria ter usado documentos verdadeiros.”

“Elisa, se denunciar isso, não haverá volta.”

“Para onde você acha que eu quero voltar?”

O rosto dele endureceu.

“Você conseguiu a vaga porque é filha de servidores mortos. Talvez a universidade queira saber que escondeu informações e manipulou o programa.”

“Que informações?”

“Posso fazer uma denúncia. Exigir uma nova avaliação. Até tudo ser esclarecido, sua matrícula pode ser suspensa.”

Ele esperou que eu demonstrasse medo.

Peguei o celular.

“Você está me ameaçando para impedir que eu entregue provas sobre seu pai?”

“Estou avisando o que pode acontecer se continuar atacando minha família.”

“Repita.”

Ele percebeu tarde demais que eu havia iniciado uma gravação diante dele.

“Desliga isso.”

“Repita.”

Gabriel tentou tomar o aparelho. Eu recuei e chamei o segurança da biblioteca.

“Preciso registrar uma ameaça e uma tentativa de intimidação de testemunha.”

O segurança veio em nossa direção. Gabriel levantou as mãos.

“Isso é absurdo. Ela é minha noiva.”

“Nunca fui.”

“Elisa, chega.”

“Eu também acho.”

Liguei para a polícia na frente dele.

Gabriel empalideceu.

“Você vai mesmo fazer isso comigo?”

“Você fez isso consigo.”

Na delegacia, apresentei o histórico do portal, a declaração falsa, as mensagens, o áudio da confissão, o registro do incidente no campus e a nova ameaça. Renata me acompanhou como representante do núcleo jurídico.

Também solicitei uma medida que impedisse Gabriel de se aproximar ou entrar em contato enquanto a apuração estivesse em curso.

Não pedi que ninguém o punisse por ter deixado de me amar.

Pedi proteção contra ações concretas que ele escolhera cometer.

Enquanto a solicitação judicial era analisada, Renata protocolou os mesmos registros na administração da UnB. A universidade emitiu uma restrição preventiva interna: Gabriel não poderia entrar nas áreas estudantis para me procurar, e qualquer nova abordagem deveria ser comunicada à segurança.

Camila me esperou acordada no alojamento. Colocamos o número da segurança no acesso rápido de nossos celulares e combinamos uma palavra simples para emergências.

“Você não precisa enfrentar tudo sozinha”, ela disse.

“Eu sei.”

Foi estranho responder aquilo sem sentir que aceitava uma dívida. Camila não queria decidir por mim. Queria apenas garantir que eu pudesse continuar decidindo.

Naquela noite, também enviei uma notificação escrita a Gabriel. Não continha insultos nem lembranças dos quinze anos que passamos juntos. Informava apenas que toda tentativa de contato seria registrada e que qualquer conversa futura deveria ocorrer por intermédio dos canais formais.

Ele visualizou às 23h08.

Não respondeu.

No dia seguinte, entreguei ao setor responsável do Programa Legado Nacional a autorização para que confirmassem oficialmente minha admissão. A representante assinou uma declaração: eu cumprira todas as exigências, fora avaliada por comissão independente e ocupava uma vaga adicional prevista pelo programa.

Nenhuma intervenção de Otávio. Nenhum favor de Augusto.

Somente meus documentos, minhas notas e meu direito.

À tarde, fui chamada para complementar o depoimento sobre o acesso à conta.

O investigador abriu o registro de alteração e apontou para o horário.

“Gabriel admitiu que executou a mudança. Mas esta autenticação começou minutos antes no seu próprio notebook.”

“Meu notebook estava em casa.”

“Alguém mais conhecia sua senha?”

Minha primeira resposta seria não.

Então me lembrei de Bianca sentada à minha mesa uma semana antes do encerramento das inscrições. Ela dissera que o celular estava sem bateria e pedira o notebook para consultar um resultado de exame.

Eu entrara no portal diante dela.

Ela ficara sozinha no quarto enquanto eu buscava água.

“Sim”, respondi. “Bianca Salles teve acesso ao computador.”

O investigador fechou a pasta.

“Então está na hora de ouvirmos Bianca.”

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部