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"O Bebê Milionário Pediu Um Sorvete… E Acabou Preso" Capítulo 6

正文开头

Isabela não dormiu naquela noite.

Ficou sentada ao lado da cama de Theo, observando cada respiração do menino como se temesse que alguém pudesse arrancá-lo dali outra vez.

Quando amanheceu, tomou uma decisão.

"Eu vou levar meu filho comigo."

Dante, parado junto à porta, não se mexeu.

"Não."

Isabela virou-se devagar.

"Você não entendeu."

"Entendi perfeitamente."

"Ele é meu filho."

"E é meu também."

Ela levantou-se.

"Biologicamente, não."

Dante sentiu o golpe, mas não recuou.

"Eu dei banho nele quando teve febre. Passei noites inteiras acordado. Fui eu quem segurou a mão dele nos primeiros passos."

Isabela apertou os braços contra o corpo.

"Enquanto eu chorava por um filho que vocês tinham roubado."

Dante endureceu.

"Eu não roubei ninguém."

"Mas ficou com ele."

"Sem saber."

"Isso não devolve os dois anos que eu perdi."

Dante respondeu mais alto:

"E tirar Theo daqui não devolve nada."

O menino acordou com as vozes.

Sentou-se na cama, assustado.

"Papai."

Dante foi até ele imediatamente.

Isabela também.

Os dois chegaram ao mesmo tempo.

Theo olhou primeiro para Dante.

Depois para Isabela.

A tensão desapareceu do rosto dele quando os viu juntos.

"Mamã."

Isabela fechou os olhos por um segundo.

Dante ficou imóvel.

Theo estendeu uma mão para cada um.

"Vem."

O silêncio foi imediato.

Dante segurou a mão direita.

Isabela segurou a esquerda.

Theo sorriu.

Como se aquela fosse a única configuração possível para o mundo.

Isabela sentiu a raiva desmoronar.

Não inteira.

Mas o suficiente.

"Eu não quero machucar ele."

Dante olhou para ela.

"Nem eu."

Ela respirou fundo.

"Mas eu também não vou desaparecer da vida dele."

"Eu não pedi isso."

"Então vamos fazer do jeito certo."

Dante assentiu.

"Até entendermos o que aconteceu, Theo fica aqui."

Isabela ia protestar.

Ele continuou:

"E você também."

Ela franziu a testa.

"Eu?"

"Quarto de hóspedes. Sem impedir você de ficar com ele."

"Isso não é um favor."

"Não estou tratando como favor."

Isabela olhou para Theo.

O menino já brincava com os dedos dos dois.

"Está bem."

Dante respondeu:

"Temos outra coisa para resolver."

"Qual?"

"Descobrir quem trocou nossos filhos."

Naquela mesma manhã, Bruno chegou com novas informações.

O Hospital Santa Augusta havia enviado documentos incompletos.

Alguns registros administrativos ainda existiam.

Mas justamente o setor neonatal daquela noite tinha lacunas.

Dante espalhou cópias sobre a mesa da biblioteca.

"Cadê as imagens das câmeras?"

Bruno fechou o notebook.

"Apagadas."

"Todas?"

"Do corredor neonatal, elevador de serviço e acesso lateral."

Dante estreitou os olhos.

"Coincidência demais."

"Também acho."

Isabela estava sentada ao lado.

"E os prontuários?"

"Parte do prontuário de Marina existe."

"Parte?"

"O registro do parto está lá. A internação também."

"E o bebê?"

Bruno ficou sério.

"Há uma ficha neonatal associada ao nascimento."

Dante se inclinou.

"Então existe."

"Existe, mas está incompleta."

"Nome?"

"Sem nome. Apenas filho de Marina Albuquerque Montenegro."

Isabela perguntou:

"Consta que ele morreu?"

Bruno balançou a cabeça.

"Não."

O silêncio pesou.

正文1

Dante falou:

"Então oficialmente o filho de Marina nasceu."

"Sim."

"E depois desapareceu do sistema."

"É o que parece."

Isabela ficou pálida.

"Como o meu."

Dante olhou para ela.

Dois bebês.

Dois registros quebrados.

Uma única noite.

Uma única maternidade.

Bruno abriu outro arquivo.

"Tem mais uma coisa."

"Fala."

"O médico responsável pelo plantão neonatal era Marcelo Tavares."

Isabela levantou os olhos.

"Esse é o médico que falou com minha mãe?"

"Pode ser."

Dante respondeu:

"Quero falar com ele."

Bruno permaneceu parado.

"Já tentei."

Dante percebeu o problema.

"Onde ele está?"

"Ninguém sabe."

Isabela franziu a testa.

"Como assim?"

"Dr. Marcelo pediu desligamento do hospital há três semanas."

"Três semanas?"

Bruno assentiu.

"Pouco antes da investigação da Atlântico Azul aparecer."

Dante ficou imóvel.

"Último endereço?"

"Um apartamento em Moema."

"Vá até lá."

"Já fomos."

"E?"

"Vazio."

"Família?"

"Divorciado. Uma filha mora em Curitiba."

"Telefone?"

"Desligado."

Dante apoiou as duas mãos na mesa.

"Ele fugiu."

Bruno respondeu:

"Ou alguém mandou ele desaparecer."

Isabela sentiu um arrepio.

"Se ele sabe o que aconteceu com meu filho..."

Dante corrigiu:

"Com nossos filhos."

Ela olhou para ele.

Dante continuou:

"Precisamos encontrá-lo antes que quem apagou os registros encontre primeiro."

No fim da tarde, Rosa chegou à mansão.

Isabela tinha pedido que a mãe viesse.

Rosa ainda parecia desconfortável naquele lugar.

Mas bastou ver Theo para parar no corredor.

O menino estava sentado no chão, cercado por brinquedos.

Rosa levou a mão à boca.

"Meu Deus."

Isabela se aproximou.

"Mãe."

Rosa não conseguia tirar os olhos de Theo.

"É ele?"

Isabela assentiu.

"É."

Rosa começou a chorar.

Theo percebeu.

Levantou-se devagar.

Caminhou até ela.

Rosa se ajoelhou.

Não ousou tocar.

"Oi."

Theo olhou para Isabela.

"Vovó."

Isabela riu entre lágrimas.

"Sim."

Rosa abraçou o menino.

Foi a primeira vez em dois anos que segurou o neto.

Dante observou de longe.

Não interrompeu.

Mais tarde, todos se reuniram na biblioteca.

Bruno mostrou fotografias antigas do Hospital Santa Augusta.

Funcionários.

Médicos.

Seguranças.

Rosa tentava lembrar.

"Esse?"

Dante apontou para um homem.

"Não."

"Esse?"

"Não."

"Ele?"

Rosa balançou a cabeça.

"Não tenho certeza."

Isabela segurou a mão da mãe.

"Não força."

Rosa respirou fundo.

"Eu lembro mais da roupa do que do rosto."

Dante perguntou:

"Que roupa?"

"Terno escuro."

Bruno franziu a testa.

"Funcionário?"

"Não parecia."

"Por quê?"

"Era caro."

Dante olhou para ela.

"Como sabe?"

Rosa deu um sorriso nervoso.

"Trabalhei vinte anos fazendo ajustes em roupa masculina. Eu sei reconhecer tecido bom."

Bruno abriu outra pasta.

"Esse homem falou com a senhora?"

"Não."

"Fez o quê?"

Rosa fechou os olhos.

"Entrou no corredor neonatal."

Dante ficou atento.

"Que horas?"

"Depois que disseram que o bebê de Isabela tinha piorado."

Isabela apertou os dedos.

"Você nunca falou disso."

"Porque naquela época eu achei que fosse algum médico ou parente de outra paciente."

Bruno perguntou:

"Ele estava sozinho?"

Rosa pensou.

"Não."

"Com quem?"

"Um homem de jaleco."

Dante se inclinou.

"O Dr. Marcelo?"

"Talvez."

Bruno pegou uma foto recente do médico.

Rosa olhou.

Ficou em silêncio.

"Pode ser ele."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"E o homem de terno?"

Rosa balançou a cabeça.

"Essa foto eu não tenho."

Dante chamou um funcionário.

"Traga os álbuns antigos da família."

Isabela olhou para ele.

"Por quê?"

"Se alguém da minha família estava naquele hospital, eu quero saber."

Poucos minutos depois, três grandes álbuns foram colocados sobre a mesa.

Fotografias de eventos.

Casamentos.

Reuniões empresariais.

Jantares.

Rosa começou a olhar.

Uma página.

Outra.

Nada.

Dante apontava nomes.

"Meu pai."

Rosa balançava a cabeça.

"Meu tio."

"Não."

"Um diretor do grupo."

"Não."

Isabela começou a perder a esperança.

Até que Rosa parou.

Seus dedos congelaram sobre uma fotografia.

Dante percebeu.

"O que foi?"

Ela não respondeu.

Bruno se aproximou.

Rosa tocou o rosto de um homem na imagem.

Um evento beneficente.

Dante mais jovem.

Helena ao lado.

E um terceiro homem sorrindo para a câmera.

Rosa começou a respirar mais rápido.

"Era ele."

Isabela ficou imóvel.

"Tem certeza?"

Rosa assentiu.

"Eu lembro."

Dante olhou para a fotografia.

A mandíbula travou.

"Não."

Rosa apontou.

"Esse homem entrou no corredor neonatal naquela noite."

Isabela olhou para Dante.

"Quem é?"

Dante demorou alguns segundos para responder.

Quando falou, sua voz saiu baixa.

"Ricardo."

Isabela ficou pálida.

"Ricardo Montenegro?"

Dante fechou o álbum.

"Meu primo."

Rosa balançou a cabeça.

"Ele estava lá."

Dante se levantou.

A raiva transformou completamente seu rosto.

Bruno perguntou:

"O que vai fazer?"

Dante pegou o telefone.

"Descobrir por que Ricardo Montenegro estava no hospital na noite em que dois bebês desapareceram."

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