"Meu Noivo Me Humilhou com Minha Irmã - Até o Pai Dele Tirou Tudo Dele" Capítulo 5
Lívia respondeu a Lorenzo Moretti com três linhas: confirmava a viagem, mantinha a avaliação original e informava que a negociação seria conduzida por ela. A mensagem voltou com um convite para um encontro social na propriedade da família, na Toscana.
— Ele quer plateia — disse Joana.
— Quer que eu seja vista como convidada antes de me tratar como funcionária — respondeu Lívia. — Vamos levar advogada local e registrar cada proposta.
Nicolau permaneceu do outro lado da mesa, lendo a cópia do e-mail. O incômodo aparecia no jeito como girava a aliança de família no dedo mínimo.
— Moretti usa humilhação para provocar erro — avisou.
— Eu conheço o método.
— Conhece.
Ele largou o anel e concordou com o plano.
A propriedade italiana ocupava uma encosta coberta por vinhedos. Durante o dia, as equipes discutiram frota, dívidas, licenças e responsabilidades trabalhistas. Moretti não dirigiu uma pergunta a Lívia, embora todas as respostas viessem dos documentos dela.
À noite, o salão da vila encheu-se de banqueiros e executivos. Lívia vestiu vermelho escuro e prendeu um gravador autorizado na bolsa, configurado pela advogada Giulia Conti.
— Pela lei local, a conversa da qual você participa pode ser documentada em determinadas condições — explicou Giulia. — Não provoque confissão sobre crime específico. Pergunte sobre o valor econômico que ele afirma existir.
— E a cadeia de custódia?
— O arquivo sobe criptografado para o servidor do escritório. Eu registro horário e hash.
Nicolau aproximou-se com o smoking já abotoado.
— Dez minutos — disse.
— Não sou sua agente em campo.
— Dez minutos antes de eu perder a paciência comigo mesmo.
Lívia ajeitou a gravata-borboleta dele.
— Se ele me insultar, você respira.
— Posso respirar perto?
— Do outro lado do salão.
Moretti estava junto à lareira, cercado por três banqueiros. Tinha sessenta e poucos anos, bigode aparado e a segurança de quem nunca fora corrigido em público.
Lívia pegou duas taças de uma bandeja e ofereceu uma.
— Signor Moretti, disseram que o senhor considera nossa avaliação incompleta.
Ele aceitou o champanhe sem agradecer.
— Modelos não enxergam um porto. Seu futuro marido confia demais em planilhas.
— O senhor incluiu receitas que não aparecem nos manifestos. Preciso entender a origem para precificar.
Moretti riu e olhou para os homens ao redor.
— Os americanos sempre perguntam o nome das coisas. No Mediterrâneo, pagamos pela passagem, não pela etiqueta.
— Passagem de quê?
— Mercadoria que não espera a lentidão oficial. Carga de alto valor, horários próprios, fiscais que entendem como o mundo funciona.
Um dos banqueiros parou de sorrir. Lívia manteve a taça na altura do peito.
— Essas rotas pertencem à empresa que está sendo vendida?
— Pertencem a mim. Quem compra meus navios compra meu silêncio, meus contatos e meus caminhos.
— Então a avaliação depende de atividade não registrada.
Moretti se inclinou, divertindo-se.
— Diga a Nicolau que ele pode pagar o preço ou voltar para São Paulo com a noiva bonita.
Lívia colocou a taça na mesa lateral. O fundo tocou a madeira com um som seco.
— O senhor acaba de vincular o preço a rotas ausentes dos manifestos. A gravação está preservada com meu escritório jurídico.
Moretti ficou imóvel.
— Que gravação?
Giulia aproximou-se pela esquerda e apresentou o cartão profissional. Nicolau permaneceu onde Lívia pedira, junto à porta da biblioteca.
— Esta conversa integra a negociação formal — disse a advogada em italiano. — O senhor pode encerrá-la e conversar com seus advogados.
O rosto de Moretti mudou de cor.
— Nicolau não permitiria que uma mulher ameaçasse esta família.
Lívia apontou para a biblioteca.
— O contrato original espera lá dentro. As rotas não declaradas serão excluídas da avaliação, e qualquer obrigação de comunicação será cumprida pelos advogados. O senhor pode assinar ou retirar a frota da venda.
Nicolau finalmente atravessou o salão. Parou ao lado de Lívia, sem colocar a mão sobre ela.
— Ela não precisa da minha permissão, Lorenzo.
Moretti olhou ao redor. Os banqueiros já se afastavam, e Giulia enviava o registro para a equipe jurídica.
— Vocês vão destruir empregos por orgulho.
— A operação preserva tripulação, salários e contratos lícitos — respondeu Lívia. — Seu patrimônio pessoal garante as contingências ocultas. Foi você quem misturou as duas coisas.
Na biblioteca, os advogados de Moretti passaram duas horas alterando declarações e garantias. A compra foi assinada pelo valor inicial, com retenção em conta vinculada para cobrir multas e investigações.
Lívia recusou a cláusula que permitiria destruir documentos operacionais após a transferência. Exigiu que manifestos, escalas, pagamentos portuários e contratos de agentes fossem copiados para um repositório administrado por Giulia.
— Isso pode abrir problemas que nenhum de nós calculou — advertiu o advogado de Moretti.
— Por isso existe a retenção — respondeu ela. — Problema escondido não deixa de custar.
Também convocou o representante dos trabalhadores. Explicou que os navios continuariam operando, que a troca de controle não autorizava dispensas coletivas automáticas e que as equipes poderiam apontar irregularidades por um canal protegido.
Moretti assinou por último. A caneta parou acima da página quando ele viu o anexo sobre cooperação com autoridades.
— Meu pai construiu essa empresa — falou.
— Então entregue uma empresa que possa continuar existindo — disse Lívia.
Ele assinou.
Giulia recolheu todas as vias, numerou os anexos e pediu que os presentes confirmassem o horário. A gravação deixou de ser uma ameaça de salão e passou a integrar um procedimento controlado.
Quando o último representante saiu, Lívia foi para a varanda. As mãos tremiam agora que ninguém precisava vê-las firmes.
Nicolau ficou na porta.
— Posso chegar perto?
Ela assentiu.
Ele envolveu seus ombros sem apertar. Durante um minuto, ouviram apenas os insetos no jardim e o barulho distante dos carros deixando a propriedade.
— Meu pai tratava medo como desobediência — disse Nicolau. — Passei anos chamando controle de proteção.
Lívia virou o rosto.
— E o que chama agora?
— Perguntar antes.
Ela encostou os lábios no queixo dele.
— Minhas mãos ainda tremem.
— Eu também.
O telefone de Lívia vibrou entre os dois. Três alertas de uma subsidiária marítima apareceram em vermelho: atrasos simultâneos em Marselha, queda de ações e compra agressiva de opções por uma empresa ligada a Julien Laurent.
Moretti passou pela varanda a caminho do carro e parou apenas para dizer:
— O francês já começou.
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