"Meu Noivo Me Humilhou com Minha Irmã - Até o Pai Dele Tirou Tudo Dele" Capítulo 1
A garrafa de champanhe bateu no parquet antes que Lívia conseguisse se afastar.
O vidro grosso não quebrou, mas o líquido espumou sobre a barra do vestido preto, desceu pela saia e formou uma poça entre os sapatos dela.
Leonardo Rossi apontou para a mancha. A risada saiu alta demais, e três amigos próximos repetiram o som como se tivessem recebido uma ordem.
— Você sempre consegue estragar a própria entrada — disse ele.
Amanda ainda segurava a taça vazia. A irmã de Lívia usava um vestido dourado escolhido com a ajuda dela duas semanas antes e mantinha a mão pousada no braço de Leonardo.
— Foi sem querer — falou Amanda, sorrindo para os convidados ao redor. — A Lívia veio correndo.
Lívia não tinha corrido. Entrara no salão principal do Hotel Imperial Paulista depois de receber uma mensagem de Mirela: Venha sozinha; você precisa ver. Encontrara Leonardo beijando Amanda atrás de uma cortina lateral, perto do corredor de serviço.
Quando exigiu uma explicação, Amanda pegou uma taça da bandeja e virou o conteúdo sobre o vestido dela. Leonardo viu tudo. Agora ria.
Os lustres continuavam acesos, a orquestra havia interrompido a música e dezenas de celulares surgiam acima dos ombros. Lívia olhou para o chão, localizou os cacos de uma taça pisoteada e manteve os pés imóveis.
— Três anos — ela disse. — Vocês acharam que eu merecia descobrir assim?
Leonardo ajeitou o punho do smoking.
— Não transforma isso num espetáculo.
— Você chamou plateia.
Um convidado soltou outra gargalhada. Lívia reconheceu um diretor do Grupo Rossi, homem que, meses antes, elogiara uma análise financeira preparada por ela e apresentada por Leonardo como trabalho próprio.
Amanda se aproximou um passo.
— Vai embora, Lívia. Amanhã a gente conversa em família.
— Você deixou de ser minha família quando entrou na minha cama.
O sorriso da irmã vacilou. Leonardo avançou, talvez para tomar o celular que Lívia acabara de tirar da bolsa, e então uma mão tatuada fechou-se sobre o pulso dele.
Nicolau Rossi estava entre os dois.
Aos cinquenta e dois anos, o presidente do grupo não precisava elevar a voz. O cabelo prateado, o terno escuro e o silêncio dos homens de segurança junto às colunas bastaram para apagar o riso do salão.
— Solte meu braço — disse Leonardo.
Nicolau apertou apenas o necessário para fazê-lo recuar.
— Você ia tocar nela.
— Ela está fazendo uma cena por causa de uma taça.
Nicolau olhou a poça, a garrafa caída e os convidados com telefones erguidos. Depois tirou o paletó e o colocou sobre os ombros de Lívia, cobrindo a parte molhada do vestido sem prendê-la contra o corpo.
— Desliguem as câmeras — ordenou.
O chefe de segurança fez um gesto, mas Nicolau corrigiu:
— Peça. Não encoste em ninguém. Guarde as imagens do circuito interno.
Lívia ergueu o rosto. Ele não estava encenando indignação. Observava portas, mãos, copos e testemunhas com a atenção de quem já decidira que aquela noite produziria consequências.
— Pai, isso não diz respeito ao grupo — falou Leonardo.
— Você trouxe diretores, clientes e imprensa para assistir à humilhação de uma consultora que trabalha em projetos nossos. Diz respeito ao grupo desde o primeiro celular levantado.
— Ela nem é funcionária.
— Ainda bem. Assim você não pode demiti-la antes que ela conte quantos relatórios assinou por você.
O rosto de Leonardo endureceu. Amanda soltou o braço dele.
Nicolau encarou o filho.
— Seu acesso executivo termina agora. Amanhã o conselho recebe as provas da sua conduta e revê sua posição. As procurações vinculadas ao meu patrimônio também ficam suspensas.
— Você vai me destruir por causa dela?
— Estou impedindo que você destrua o que ainda não aprendeu a construir.
Nicolau ofereceu a mão a Lívia. Não tentou segurá-la quando ela hesitou.
Mirela apareceu perto do corredor lateral com a bolsa de Lívia e um casaco dobrado. Tinha visto a aproximação dos seguranças e permanecera fora do círculo para não bloquear a saída.
— Seu carro está preso no manobrista — ela avisou. — Tem fotógrafo na porta principal.
— O meu sai pela garagem — disse Nicolau. — Você pode ir com sua amiga ou comigo, Lívia. A escolha é sua.
Leonardo abriu a boca.
— Ela vai comigo.
Lívia se virou para ele.
— Você perdeu o direito de terminar minhas frases.
Pegou a mão de Nicolau e atravessou o salão. Ele caminhou meio passo à frente apenas quando os convidados fecharam a passagem; com o antebraço livre, abriu espaço sem tocar em ninguém.
Mirela os acompanhou até a porta de serviço. Antes de ficar para trás, abraçou Lívia com cuidado para não espalhar a mancha.
— Me liga quando chegar.
— Vou ligar.
No carro, a porta abafou os gritos dos repórteres. Lívia devolveu o paletó, mas Nicolau o colocou dobrado no banco entre os dois e serviu água de uma garrafa lacrada.
— Beba. Você está tremendo.
Ela aceitou. Os dedos se tocaram por um segundo; a tatuagem nos nós da mão dele parecia mais escura sob as luzes que passavam pela janela.
— Não estou com medo de você — disse Lívia.
— Devia ter algum cuidado comigo.
— Tenho cuidado com homens que decidem tudo antes de perguntar.
Nicolau apoiou o copo no suporte.
— Então pergunte.
— Por que fez aquilo?
— Meu filho usa o sobrenome como salvo-conduto. Hoje ele mostrou diante de metade do conselho que não sabe distinguir poder de crueldade.
— E eu fui útil para a lição.
— Você foi o limite que ele atravessou.
Lívia virou para a janela. A Avenida Paulista corria do lado de fora, molhada por uma chuva recente, embora o céu já estivesse limpo.
— Eu não quero ser mantida por você. Não quero trocar um Rossi por outro.
Nicolau não respondeu de imediato. Tirou do bolso um cartão sem logotipo e o deixou sobre o paletó.
— É o contato de Joana Paes, diretora de integridade do grupo. Ela não responde ao Leonardo. Amanhã você pode entregar a ela tudo que ele assinou usando o seu trabalho.
— Como sabe disso?
— Há seis meses você corrigiu uma projeção de risco durante uma reunião. Leonardo fingiu que a correção era dele. Eu comecei a observar os arquivos.
— Observou os arquivos ou me observou?
— Os dois.
O carro parou no sinal. Nicolau manteve as mãos sobre os próprios joelhos.
— Minha cobertura tem quartos separados e segurança. Você pode ficar esta noite porque seu apartamento está no contrato da empresa e Leonardo ainda tem uma chave. Amanhã escolhe para onde vai; nenhuma mala será movida sem sua autorização.
Lívia respirou fundo. Aquela precisão importava.
— Três condições: ninguém entra no meu apartamento sem mim. Você não fala em meu nome. E nenhuma ajuda vira dívida.
— Aceito.
— Tão fácil?
— Não pedi obediência.
O celular dele vibrou. Nicolau leu a tela e virou o aparelho para que ela visse: Credenciais executivas de Leonardo Rossi revogadas às 23h47. Registro preservado.
No banco dianteiro, o motorista aguardou o sinal abrir. Lívia apertou o cartão de Joana entre os dedos.
— Amanhã eu conto tudo.
Nicolau sustentou o olhar dela.
— Amanhã, eles escutam.
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