localização atual: Novela Mágica Ele Entregou Meu Futuro a Outra — Mas Eu Voltei Antes Parte 2 — O Envelope Que Já Tinha Dono
标题上

"Ele Entregou Meu Futuro a Outra — Mas Eu Voltei Antes" Parte 2 — O Envelope Que Já Tinha Dono

正文开头

Parte 2 — O Envelope Que Já Tinha Dono

"Quem?"

Celina puxou o livro para perto e tornou a examinar a assinatura.

"M. Azevedo."

Elisa não precisou perguntar qual Azevedo.

"Você entregou o pacote a Marcos?"

"Não." Celina baixou a voz. "Ele apareceu assim que abrimos. Disse que era seu noivo e que vocês viajariam juntos. Assinou a linha de retirada antes de eu pedir um documento. Quando pedi sua autorização, ficou irritado."

Ela apontou para uma porta atrás do balcão.

"O pacote ainda está no armário. Eu risquei a retirada, mas não quis apagar a assinatura. Achei estranho."

Elisa sentiu os joelhos perderem força, não de medo, mas de alívio.

Na primeira vida, talvez outra pessoa estivesse no balcão. Talvez Marcos tivesse levado a pasta sem deixar nada além da palavra dele. Desta vez, havia tinta, horário e uma testemunha.

"Quero receber pessoalmente. E preciso de uma cópia desta página."

Celina hesitou.

"O livro pertence à cooperativa."

"Então escreva uma declaração dizendo que Marcos tentou retirar meus documentos sem autorização. Eu pago o reconhecimento no cartório."

"Você pretende denunciá-lo?"

"Pretendo impedir que ele fale em meu nome outra vez."

Celina a observou por alguns segundos. Depois pegou uma folha limpa.

O pacote foi retirado de um armário de aço. Era uma pasta rígida, azul-escura, fechada com dois lacres numerados. No canto, em letras pretas, lia-se Instituto Estadual de Artes de Minas.

O coração de Elisa bateu tão forte que doeu.

Dentro da pasta estavam a confirmação de aprovação, o contrato de auxílio para moradia e alimentação, a ficha de matrícula, uma fotografia de seu rosto e o registro das três obras enviadas ao concurso. Tudo tinha o mesmo número: IEAM-85-1472.

Não era apenas uma carta.

Era a porta de saída.

Elisa conferiu cada página diante de Celina e anotou os números num pedaço de papel que guardou dentro do sutiã.

"Posso usar o telefone?"

"Uma ligação para onde?"

"Belo Horizonte. Eu pago quando receber meu salário."

A ligação interurbana levou quase quarenta minutos para ser completada. Elisa esperou ao lado do aparelho, com a pasta presa entre os braços. Quando uma voz feminina finalmente atendeu, ela pediu o setor de registro do instituto.

"Meu nome é Elisa Ribeiro. Número IEAM-85-1472. Alguém tentou retirar meus documentos sem autorização. Tenho motivos para acreditar que também tentarão se apresentar em meu lugar."

A funcionária pediu data de nascimento, cidade, título das obras e o nome da professora que validara sua inscrição regional. Elisa respondeu a tudo.

"Vou registrar uma observação no seu processo", disse a mulher. "Na matrícula, exigiremos os documentos originais e uma confirmação pessoal. Escolha uma frase que não esteja em nenhuma ficha."

Elisa olhou pela janela. Do outro lado da rua, o sol atingia o muro branco da igreja. Na base do reboco havia uma pequena flor crescendo entre duas pedras.

"Cinzas também alimentam flores."

"Pode repetir?"

"Cinzas também alimentam flores. Essa é a frase."

正文1

A funcionária registrou. Também concordou em enviar uma segunda confirmação, por correio registrado, diretamente ao endereço de Helena em Belo Horizonte.

Quando Elisa desligou, Celina ainda a observava.

"Marcos sabe que você desfez o noivado?"

"Sabe. Só não acredita."

Ela foi ao cartório antes do meio-dia. Reconheceu a declaração de Celina e autenticou cópias das páginas essenciais. Guardou uma cópia com a contadora, outra num envelope endereçado a Helena e levou os originais para casa por um caminho diferente.

No quarto, retirou da parede o único desenho que sua mãe conservara antes de morrer: uma casa cercada por pés de café, feito por Elisa aos onze anos. Abriu o fundo do velho quadro e colocou ali o contrato de auxílio, o registro original das obras e a confirmação de matrícula.

Cobriu tudo com o papelão, recolocou os pregos e pendurou o quadro.

Se Marcos revistasse a casa, procuraria debaixo do colchão, dentro do armário, nos sapatos. Nunca olhara com atenção para um desenho dela.

Sobre a mesa ficaram a capa azul e páginas sem valor oficial.

Durante a tarde, Elisa trabalhou com régua, papel de cópia e tinta. Não tentou produzir documentos capazes de enganar o instituto. Fez algo mais simples: um pacote que, fechado, parecia completo para quem nunca respeitara o trabalho escondido dentro dele.

No lugar do verdadeiro número de registro, repetiu um algarismo. Na ficha de obras, trocou a ordem dos títulos. A fotografia era sua, mas o selo interno fora desenhado com uma pequena falha que qualquer funcionário treinado perceberia.

Depois fechou a pasta com barbante e cera azul.

Uma armadilha não precisava resistir à polícia. Precisava apenas resistir à pressa de Clara.

Ao anoitecer, um menino da vizinhança trouxe uma carta.

Era de Helena.

"Prima, recebi seu recado. Você pode ficar comigo até conseguir alojamento. Se a situação estiver perigosa, venha antes. Não peça permissão a ninguém."

Elisa leu a última frase duas vezes.

Na primeira vida, afastara-se de Helena porque Marcos dizia que mulher casada não devia depender de parentes da cidade. Agora, a prima era a primeira pessoa a lhe oferecer ajuda sem exigir sua obediência em troca.

Elisa dobrou a carta e a escondeu atrás do quadro.

Na manhã seguinte, voltou à cooperativa para entregar o envelope que seria enviado a Helena. Celina esperou até os outros trabalhadores saírem do escritório e fechou a porta.

"Preciso contar outra coisa", disse.

Na véspera, Clara estivera ali. Perguntara se o nome do beneficiário de uma bolsa poderia ser alterado antes da matrícula. Também quis saber se uma certidão de nascimento emitida em outro município seria aceita sem fotografia.

"Ela disse que perguntava por uma prima", Celina acrescentou. "Mas, quando viu o número do seu pacote no meu bloco, tentou cobri-lo com a mão."

Elisa sentiu o frio da primeira vida atravessar-lhe as costas.

Clara já estava preparando os documentos falsos.

"Se ela voltar, não a confronte", Elisa pediu. "Anote a hora e tudo o que ela perguntar."

"Você sabe o que está fazendo?"

"Desta vez, sei."

Elisa saiu com a pasta falsa debaixo do braço.

Marcos a esperava junto ao portão da cooperativa.

Estava barbeado, com a camisa limpa e o mesmo sorriso paciente que usava sempre que queria transformar uma ordem em gentileza. O olhar dele caiu imediatamente sobre o lacre azul.

"Então os documentos chegaram."

Elisa apertou a pasta contra o corpo.

Marcos se aproximou e estendeu a mão.

"Entregue para mim", disse com doçura. "Eu guardo para você."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部