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"Todos Pensavam Que Eu Era Apenas a Empregada — Até o Dono da Mansão Me Chamar de “Filha”" Capítulo 6

正文开头

Parte 6 — A Falsa Princesa

As portas do elevador quase se fecharam.

Lavínia estendeu a mão.

O sensor apitou.

As portas se abriram novamente.

Bruno continuava lá dentro.

Dessa vez, já não parecia arrependido.

Parecia alguém que tinha acabado de perceber que falara demais.

"Bruno."

"Eu já disse o que sei."

"Não."

Lavínia entrou no elevador.

"Você disse metade."

Valentim permaneceu do lado de fora.

Não entrou.

Lavínia percebeu.

Ele estava fazendo de novo.

Deixando que ela conduzisse a própria batalha.

"Quando Camila perguntou minha data de nascimento?"

Bruno apertou o botão do térreo.

"Não lembro."

"Você acabou de dizer que foi meses atrás."

"Isso não significa que eu lembre do dia."

"Então lembra do contexto."

Bruno desviou o olhar.

Lavínia esperou.

O elevador começou a descer.

"Foi num jantar."

"Que jantar?"

"Um evento."

"Bruno."

Ele soltou o ar.

"Um jantar da fundação."

"Camila perguntou do nada?"

"Não exatamente."

Lavínia sentiu o corpo ficar tenso.

"Então como?"

Bruno passou a mão pelo maxilar.

"Ela perguntou sobre você."

"O quê?"

"De onde você era. Sua idade. Quando fazia aniversário."

"Por quê?"

"Eu achei que era ciúme."

Lavínia quase riu.

"Ciúme de uma mulher que você tinha acabado de deixar?"

Bruno ficou em silêncio.

As portas abriram no térreo.

Ele saiu.

Lavínia foi atrás.

"Ela perguntou se eu era adotada?"

Bruno parou.

A pausa foi pequena.

Mas suficiente.

Lavínia sentiu um frio no estômago.

"Perguntou."

A palavra caiu pesada.

"Você contou?"

"Eu sabia que Teresa não era sua mãe biológica."

"Eu perguntei se você contou."

"Sim."

Lavínia fechou os olhos por um instante.

Bruno sabia.

Durante o casamento, ela lhe contara coisas que quase ninguém conhecia.

Confiara nele.

Agora descobria que ele entregara aquelas informações a Camila como se fossem detalhes sem importância.

"Você contou mais alguma coisa?"

"Não lembro."

"Sobre o pingente?"

Bruno franziu a testa.

"Que pingente?"

Lavínia observou o rosto dele.

Parecia sincero.

"Esqueça."

Ela se virou.

"Lavínia."

Ela parou.

"Eu não sabia que isso era importante."

"Esse sempre foi seu problema, Bruno."

Ela olhou por cima do ombro.

"Você só percebe a importância das coisas quando elas podem beneficiar você."

Lavínia saiu do prédio sem esperar resposta.

Naquela noite, não dormiu.

Espalhou sobre a mesa do quarto tudo o que sabia.

Uma cópia do exame de DNA.

Os registros encontrados por Tomás.

A fotografia do pingente.

As datas.

Isadora dera à luz trinta e seis anos antes.

Havia uma inconsistência nas pulseiras dos bebês.

Quarenta e sete minutos sem registro na ala neonatal.

Três dias depois, Isadora fizera uma reclamação.

E meses antes de Lavínia chegar à mansão, Camila já perguntava quando ela nascera.

Aquilo não era coincidência.

Às oito da manhã, Lavínia ligou para Tomás.

"Preciso de ajuda."

"Com o quê?"

"Camila."

Houve silêncio.

"O que você quer saber?"

"Tudo."

Tomás respirou fundo.

"Isso pode abrir portas que você talvez prefira manter fechadas."

Lavínia olhou para o pingente.

正文1

"Já abriram a minha vida inteira sem pedir licença."

Duas horas depois, ela estava no escritório dele.

Tomás colocou uma pasta sobre a mesa.

"Comecei pelo registro civil."

Lavínia abriu.

No topo estava o nome de Camila Valença.

Data de nascimento.

Filiação.

Cartório.

Tudo parecia normal.

Até Tomás apontar para uma linha.

"Veja a data do registro."

Lavínia leu.

Depois voltou ao nascimento.

Leu novamente.

"Seis meses."

"Exatamente."

"Ela foi registrada seis meses depois de nascer?"

"Foi."

"Isso é comum?"

"Pode acontecer."

Tomás juntou as mãos.

"Mas não costuma acontecer em famílias como os Valença."

Lavínia virou a página.

"Por quê?"

"Augusto tinha advogados, médicos particulares, funcionários e uma estrutura administrativa inteira."

"Então por que esperar seis meses?"

"Essa é a pergunta."

Lavínia continuou lendo.

"Beatriz aparece como mãe."

"Sim."

"E Augusto como pai."

"Sim."

"Existe exame?"

Tomás ficou quieto.

Lavínia ergueu os olhos.

"Tomás."

"Não encontrei nenhum."

Ela fechou a pasta.

"Augusto nunca fez DNA com Camila?"

"Até onde sei, não."

"Por quê?"

"Porque nunca teve motivo para duvidar."

Lavínia encostou-se na cadeira.

Trinta e quatro anos.

Uma família inteira construída sobre confiança.

Talvez sobre uma mentira.

"Não conte a Augusto ainda."

Tomás franziu a testa.

"Tem certeza?"

"Quero mais provas."

"Isso é sensato."

"Não é por isso."

"Então por quê?"

Lavínia olhou para ele.

"Porque eu sei como é descobrir, na frente de todo mundo, que sua vida não é o que você pensava."

Tomás entendeu.

Antes que pudesse responder, o telefone tocou.

Ele atendeu.

Ouviu por alguns segundos.

Seu rosto mudou.

"Onde?"

Nova pausa.

"Estamos indo."

Ele desligou.

"O que aconteceu?"

"Camila convocou uma reunião da família."

Lavínia ergueu uma sobrancelha.

"Sem falar com Augusto?"

"Não é só da família."

Tomás se levantou.

"Ela chamou dois conselheiros do grupo."

Lavínia entendeu imediatamente.

"Ela quer falar da herança."

Quarenta minutos depois, a biblioteca da mansão estava cheia.

Augusto estava em pé perto da janela.

Beatriz permanecia sentada.

Camila estava diante da mesa.

Havia dois membros do conselho, um contador da família e um assessor jurídico.

Valentim também estava ali.

Tinha uma reunião marcada com Augusto naquela tarde.

Quando Lavínia entrou com Tomás, Camila sorriu.

"Finalmente."

Lavínia fechou a porta.

"Você queria falar comigo?"

"Queria falar sobre você."

Augusto virou-se para Camila.

"Eu já disse que essa reunião é desnecessária."

"Para você."

Camila colocou uma pasta sobre a mesa.

"Para quem tem responsabilidade sobre o patrimônio da família, não."

Lavínia puxou uma cadeira.

Sentou.

Camila franziu a testa.

"Não vai perguntar do que estou falando?"

"Você parece estar esperando há horas para me contar."

Valentim abaixou discretamente os olhos.

Camila abriu a pasta.

"Quero solicitar o congelamento de qualquer transferência patrimonial para Lavínia."

Augusto bateu a mão na mesa.

"Você não tem autoridade para isso."

"Tenho direito de levantar uma questão."

"Qual?"

Camila apontou para Lavínia.

"Fraude."

O silêncio veio imediatamente.

Lavínia não se mexeu.

Augusto avançou.

"Cuidado."

"Por quê? Porque ela fez um exame?"

正文2

Camila riu.

"Um exame feito às pressas, sem testemunhas, com material coletado sabe-se lá como?"

Tomás falou.

"O laboratório seguiu os procedimentos legais."

Camila virou-se.

"Você trabalha para meu pai."

"Eu trabalho para a família e para a legalidade."

"Conveniente."

Lavínia cruzou as pernas.

"Continue."

Camila olhou para ela.

"Você não vai se defender?"

"Quero ouvir até onde você pretende ir."

Camila respirou fundo.

"Você entrou nesta casa como empregada."

"Sim."

"Sabia que era adotada."

"Sim."

"Se aproximou do meu pai."

"Foi ele quem se aproximou de mim."

"Fez com que ele acreditasse nessa história."

Augusto perdeu a paciência.

"Chega."

Lavínia ergueu a mão.

"Não."

Augusto olhou para ela.

"Deixe."

Ela voltou os olhos para Camila.

"Terminou?"

Camila sorriu.

"Quero que qualquer decisão sobre herança seja congelada até que sua história seja investigada."

Lavínia assentiu.

"Concordo."

Camila piscou.

"O quê?"

"Eu concordo."

Até Augusto pareceu surpreso.

Lavínia virou-se para Tomás.

"Pode mostrar."

Camila olhou para ele.

"Mostrar o quê?"

Tomás abriu a pasta que carregava.

Retirou o primeiro documento.

"Exame de DNA realizado por laboratório credenciado."

Colocou sobre a mesa.

"Probabilidade de paternidade superior a noventa e nove vírgula nove por cento."

Camila apertou os lábios.

Segundo documento.

"Registro original da maternidade."

Terceiro.

"Reclamação assinada por Isadora Valença três dias após o parto."

Quarto.

"Registro da inconsistência nas pulseiras."

Camila ficou vermelha.

"Isso não prova que ela..."

"Tem razão", disse Lavínia.

Camila parou.

Lavínia inclinou-se para a frente.

"Então vamos falar de você."

Beatriz levantou os olhos.

Pela primeira vez desde o início da reunião, sua expressão mudou.

Camila riu.

"De mim?"

Tomás colocou outro documento sobre a mesa.

A certidão de nascimento.

Camila olhou.

"Eu sei o que é isso."

"Então leia a data do registro", disse Lavínia.

Camila não se moveu.

"Leia."

Ela pegou o documento.

Seu rosto mudou.

Augusto aproximou-se.

"Seis meses?"

Tomás assentiu.

"A certidão de Camila foi emitida seis meses depois do nascimento declarado."

Augusto olhou para Beatriz.

"Por quê?"

Beatriz permaneceu em silêncio.

"Beatriz."

"Foi há muitos anos."

"Eu perguntei por quê."

"Problemas burocráticos."

Tomás abriu outra folha.

"Não encontrei registro hospitalar compatível com essa explicação."

Camila bateu a certidão sobre a mesa.

"Isso não significa nada."

Lavínia a encarou.

"Talvez não."

"Então pare de olhar para mim desse jeito."

"De que jeito?"

"Como se eu fosse uma impostora!"

A voz ecoou pela biblioteca.

Ninguém respondeu.

Camila percebeu que gritara.

Seus olhos começaram a brilhar.

"Eu sou filha dele."

Augusto ficou imóvel.

Camila virou-se para ele.

"Pai."

A palavra saiu diferente.

Não arrogante.

Assustada.

"Você sabe que sou sua filha."

Augusto abriu a boca.

Não conseguiu responder imediatamente.

Trinta e quatro anos atravessaram aquele silêncio.

A primeira vez que segurara Camila.

A febre aos cinco anos.

O primeiro dia de escola.

A formatura.

Os aniversários.

As brigas.

Os abraços.

Para Augusto, tudo aquilo era real.

Mesmo que o sangue talvez não fosse.

"Camila..."

Ela recuou.

正文3

"Não."

Augusto tentou se aproximar.

"Eu criei você."

"Não foi isso que eu perguntei."

Ele parou.

A mesma pergunta.

A mesma dor.

Lavínia sentiu o peito apertar.

Por um segundo, não viu uma inimiga.

Viu uma mulher aterrorizada diante da possibilidade de perder o próprio nome.

Mas então Camila virou-se para ela.

O medo transformou-se em ódio.

"Você fez isso."

Lavínia se levantou.

"Não."

"Desde que você entrou nesta casa, tudo começou a desmoronar."

"Eu não alterei seu registro."

"Você quer minha vida."

"Eu quero a minha."

Camila ficou em silêncio.

Lavínia se aproximou.

"Existe uma diferença."

Tomás pigarreou.

"Há mais uma informação."

Todos olharam.

Ele retirou uma ficha antiga.

"Voltei aos registros de funcionários da maternidade."

Lavínia sentiu a tensão voltar.

"Encontrou alguma coisa?"

"Uma enfermeira."

Tomás colocou uma fotografia antiga sobre a mesa.

Uma mulher jovem, de pele morena e cabelos escuros, usando uniforme hospitalar.

"Nádia Ribeiro."

Augusto franziu a testa.

"Quem é?"

"Ela estava de plantão na ala neonatal na noite em que Lavínia nasceu."

Lavínia pegou a foto.

"Ela ainda está viva?"

"Sim."

"Onde?"

"Interior de São Paulo. Pelo último endereço, perto de São José do Rio Preto."

Beatriz ficou completamente imóvel.

Tomás continuou.

"Nádia pediu demissão onze dias depois do desaparecimento do bebê."

Augusto estreitou os olhos.

"Onze dias?"

"Sem aviso prévio."

"Isso pode ser coincidência."

"Poderia."

Tomás retirou outra folha.

"Se não fosse isto."

Era uma cópia de movimentação bancária antiga.

Lavínia aproximou-se.

"O que é?"

"Uma transferência."

"Para Nádia?"

"Sim."

"Quanto?"

Tomás indicou o valor.

Mesmo corrigido apenas mentalmente para os padrões da época, era dinheiro demais para uma enfermeira receber sem explicação.

Augusto ficou pálido.

"De onde veio?"

Tomás respirou fundo.

"De uma conta privada."

Beatriz levantou-se.

"Já chega."

Todos olharam para ela.

Foi rápido demais.

Forte demais.

Augusto franziu a testa.

"Por que chega?"

Beatriz percebeu o erro.

"Porque estamos transformando documentos antigos em acusações."

Lavínia não olhava mais para ela.

Seus olhos estavam presos à última linha do comprovante.

Havia uma autorização manuscrita.

Uma assinatura curta.

O tempo pareceu parar.

Lavínia aproximou a folha da luz.

Leu uma vez.

Depois outra.

Não era um nome completo.

Eram apenas uma inicial e um sobrenome.

B. Valença.

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