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"Todos Pensavam Que Eu Era Apenas a Empregada — Até o Dono da Mansão Me Chamar de “Filha”" Capítulo 5

正文开头

Parte 5 — O Ex-Marido Voltou

A frase de Lavínia permaneceu sobre a mesa muito depois de ela deixar a sala de jantar.

Naquela manhã, ninguém voltou a falar sobre a herança.

Nem Augusto.

Nem Tomás.

Muito menos Beatriz.

Mas uma coisa já não podia ser ignorada.

O desaparecimento de Lavínia não fora um simples acidente.

Alguém havia mexido nos registros do hospital.

E Isadora percebera.

Dois dias depois, Lavínia acordou antes das seis.

Ficou alguns minutos diante do armário aberto.

O uniforme ainda estava lá.

Camisa branca.

Saia preta.

Sapatos baixos.

Ela passou os dedos pela manga.

Não sentia vergonha.

Nunca sentiria.

Aquela roupa pagara suas contas quando seu casamento acabou.

Aquela roupa estivera com ela quando Bruno a humilhara.

E também quando Augusto a chamara de filha diante de todos.

Mas naquela manhã, Lavínia não iria servir uma mesa.

Iria conhecer a empresa da qual, segundo Tomás, uma parte poderia legalmente pertencer a ela.

Escolheu uma camisa de seda marfim, calça preta de cintura alta e sapatos discretos.

Soltou os cabelos.

As ondas castanhas caíram sobre os ombros.

Nenhuma joia cara.

Nenhuma tentativa de parecer alguém que não era.

Quando desceu a escadaria, Augusto estava esperando.

Ele a observou.

Por um instante, os olhos ficaram úmidos.

"Você está parecida com ela."

Lavínia parou.

"Isadora?"

Augusto assentiu.

Ela respirou fundo.

"Quero ver uma foto."

"Quando você quiser."

"Hoje à noite."

"Está bem."

Augusto não tentou abraçá-la.

Estava aprendendo.

Isso significava mais para Lavínia do que qualquer presente.

A sede do Grupo Valença ocupava um edifício de vidro na região da Faria Lima.

Quando Lavínia entrou no saguão, algumas conversas diminuíram.

Ela percebeu.

Notícias corriam rápido quando envolviam dinheiro.

E corriam ainda mais rápido quando envolviam uma empregada que, de repente, se tornava filha de um bilionário.

Tomás a esperava perto dos elevadores.

"Preparada?"

"Não."

Ele ajeitou os óculos.

"Ótimo."

Lavínia franziu a testa.

"Ótimo?"

"Quem chega achando que sabe tudo costuma fazer mais estrago."

Ela sorriu.

"Isso foi um elogio?"

"Não se acostume."

As portas do elevador se abriram.

No vigésimo segundo andar, Augusto apresentou Lavínia a alguns diretores.

Não como herdeira.

Não como sucessora.

Apenas como filha.

Ela preferiu assim.

Durante quase duas horas, ouviu mais do que falou.

Fez perguntas sobre operações, investimentos, dívidas e governança.

Em certo momento, Tomás olhou para Augusto.

Augusto sorriu discretamente.

Ela percebeu.

"Vocês dois estão me avaliando?"

Tomás respondeu.

"Sim."

"Pelo menos é honesto."

Quando a reunião terminou, Lavínia saiu da sala com uma pasta de documentos nos braços.

Então viu as flores.

Um enorme arranjo de rosas brancas estava sobre a mesa da recepção.

A secretária se levantou.

"Senhora Lavínia?"

"Sim?"

"Entregaram para a senhora."

Lavínia olhou para o cartão.

Não precisou abrir.

Reconheceu a letra.

Bruno.

Seu estômago não apertou.

Aquilo a surpreendeu.

Meses antes, apenas ver aquele nome teria sido suficiente para arruinar seu dia.

Agora parecia o nome de alguém que ela conhecera em outra vida.

正文1

"Pode mandar retirar."

Uma voz masculina veio atrás dela.

"Nem vai ler?"

Lavínia fechou os olhos por um segundo.

Virou-se.

Bruno estava perto do elevador.

Terno azul-marinho.

Camisa clara.

Relógio caro.

O mesmo homem.

Só o sorriso havia mudado.

Agora era gentil.

Quase humilde.

"Como você entrou?"

"Eu tenho reunião no prédio."

"Então vá para sua reunião."

"Lavínia."

Ela continuou andando.

Bruno a acompanhou.

"Eu só quero conversar."

"Você teve anos para conversar."

"Cinco minutos."

"Não."

"Dois."

Lavínia parou.

"Você costumava reclamar que eu falava demais."

Bruno abaixou a voz.

"Eu errei."

Ela o encarou.

Era estranho ouvir aquilo.

Não porque esperara por tanto tempo.

Mas porque agora já não precisava ouvir.

"Sobre o quê?"

"Sobre nós."

"Seja específico."

Bruno respirou fundo.

"O divórcio."

Lavínia quase sorriu.

"Nosso divórcio não foi um acidente de trânsito, Bruno."

"Eu sei."

"Então não chame de erro como se tivesse acontecido sem você perceber."

"Eu estava confuso."

"Você contratou advogado."

"Lavínia..."

"Negociou apartamento, contas, móveis e prazos."

Ela inclinou a cabeça.

"Foi uma confusão muito organizada."

Bruno passou a mão pela nuca.

"Eu estava sob pressão."

"De quem?"

Ele não respondeu.

Lavínia assentiu.

"Foi o que pensei."

Bruno se aproximou.

"Eu nunca deixei de me importar com você."

"Não faça isso."

"É verdade."

"Não."

Ela manteve a voz calma.

"Você está aqui porque descobriu quem é meu pai."

O rosto dele endureceu.

"Isso é injusto."

"Injusto?"

Lavínia soltou uma risada curta.

"Na última vez que me viu trabalhando na mansão, você fez piada na frente de desconhecidos."

"Eu estava tentando..."

"Me humilhar."

"Eu estava com raiva."

"De quê?"

Bruno ficou em silêncio.

"De eu ainda existir sem você?"

A pergunta acertou.

Ele desviou os olhos.

As portas do elevador se abriram novamente.

Valentim saiu.

Terno escuro.

Camisa preta.

Ele viu Bruno.

Depois as flores.

Depois Lavínia.

Bruno também o viu.

"Ferraz."

Valentim respondeu apenas com um movimento de cabeça.

Lavínia esperou que ele se aproximasse.

Ele não fez isso.

Ficou junto à recepção, falando com uma assistente.

Perto o bastante para perceber se algo acontecesse.

Longe o bastante para deixar Lavínia decidir.

Ela entendeu.

E gostou disso.

Bruno olhou para Valentim.

"Vocês estão juntos?"

Lavínia ergueu as sobrancelhas.

"Isso é da sua conta?"

"Eu só perguntei."

"Então eu só não respondi."

Bruno apertou a mandíbula.

"Você mudou."

"Finalmente concordamos em alguma coisa."

Ele respirou fundo.

"Eu sinto falta de você."

Lavínia ficou quieta.

"Da nossa casa."

Ela continuou quieta.

"Das nossas conversas."

Nada.

Bruno baixou a voz.

"Eu sempre amei você."

Dessa vez, Lavínia abriu a pasta que carregava.

Retirou um documento.

Dobrado.

Antigo.

Colocou diante dele.

Bruno olhou.

Reconheceu imediatamente.

O acordo de divórcio.

"Por que está carregando isso?"

"Tomás pediu meus documentos civis."

Ela apontou para uma página.

"Leia."

"Lavínia..."

"Leia."

Bruno pegou o papel.

Ela não precisava.

Sabia aquelas palavras de memória.

Bruno pedira a separação.

Bruno recusara terapia de casal.

正文2

Bruno insistira na cláusula que encerrava qualquer direito financeiro entre eles.

Na época, dissera que precisava de liberdade para construir o futuro.

Poucas semanas depois, começara a aparecer em eventos ao lado de Camila.

"Você queria liberdade", disse Lavínia.

"Eu fui idiota."

"Foi."

"Então me deixe corrigir."

"Não."

"Por quê?"

Lavínia o encarou.

Porque aquela pergunta, finalmente, não doía.

"Porque você não sente falta de mim."

Bruno soltou o documento.

"Como pode saber?"

"Porque eu conheço o homem com quem fui casada."

"Eu mudei."

"Não."

Ela se aproximou um passo.

"Você só descobriu que eu valho mais do que imaginava."

Bruno empalideceu.

"Não é sobre dinheiro."

"Então onde estavam essas flores quando eu trabalhava doze horas por dia?"

Ele não respondeu.

"Onde estava esse pedido de desculpas quando eu saí do nosso apartamento com duas malas?"

"Lavínia..."

"Onde estava esse amor quando você me viu de uniforme e decidiu fazer graça para Camila?"

Bruno olhou ao redor.

Algumas pessoas observavam.

"Não faça uma cena."

Lavínia sorriu.

Ali estava ele.

O Bruno que ela conhecia.

Sempre preocupado com quem estava olhando.

"Você ainda não entendeu."

"O quê?"

"Eu não tenho mais vergonha de você me ver."

Ela apontou para o próprio peito.

"Você é que tem vergonha de ser visto como realmente é."

Bruno fechou a mão.

"Eu amava você."

Lavínia balançou a cabeça.

"Você amava a mulher que podia controlar."

O rosto dele mudou.

A frase acertara exatamente onde deveria.

Lavínia continuou.

"Você gostava quando eu duvidava de mim."

"Isso é mentira."

"Gostava quando eu precisava da sua aprovação."

"Pare."

"Gostava quando podia decidir quem eu deveria ser."

"Lavínia."

"Mas essa mulher acabou."

Bruno riu, amargo.

"Claro."

Ela ficou imóvel.

"Agora você é uma Valença."

"Eu sou Lavínia Alencar."

"Com bilhões atrás do sobrenome."

Ela olhou para ele por alguns segundos.

Então pegou o acordo de divórcio.

"Obrigada."

Bruno franziu a testa.

"Por quê?"

"Por acabar de provar que eu estava certa."

Ela virou-se.

Valentim continuava perto da recepção.

Não sorria.

Não comemorava.

Não precisava.

Quando Lavínia passou por ele, seus olhos se encontraram.

"Está tudo bem?", perguntou Valentim.

"Está."

"Tem certeza?"

"Pela primeira vez, sim."

Ele assentiu.

Só isso.

Lavínia caminhou em direção ao elevador.

Atrás dela, Bruno falou.

"Você acha que sabe tudo agora?"

Ela não parou.

"Não."

"Então pergunta para sua nova família por que Camila já sabia."

Os passos de Lavínia diminuíram.

Valentim ergueu os olhos.

Bruno percebeu que conseguira atenção.

"Sabia o quê?", perguntou Lavínia.

Bruno soltou uma risada nervosa.

"Esquece."

Ela se virou.

"Não."

Bruno pegou a própria pasta.

"Não importa."

"Você acabou de dizer que Camila sabia alguma coisa."

"Eu estava irritado."

"Bruno."

Ele apertou o botão do elevador.

Lavínia voltou alguns passos.

"Sabia o quê?"

Bruno olhou para ela.

Havia raiva em seus olhos.

E talvez arrependimento por ter falado demais.

"Seu aniversário."

Lavínia franziu a testa.

"Todo mundo sabe meu aniversário."

"Agora."

Bruno desviou o olhar.

"Ela sabia antes."

O corredor pareceu ficar mais frio.

"Antes de quê?"

"Antes do exame."

Lavínia não piscou.

Bruno respirou fundo.

"Uma vez, meses atrás, ela perguntou se você tinha nascido em setembro."

O coração de Lavínia bateu mais forte.

"Meses atrás?"

"Sim."

"Quando eu ainda era só sua ex-mulher?"

Bruno ficou em silêncio.

"Quando eu ainda nem trabalhava na mansão?"

Ele percebeu.

Tarde demais.

Lavínia se aproximou.

"Bruno, olhe para mim."

Ele não queria.

Ela repetiu.

"Olhe para mim."

Bruno levantou os olhos.

"Ela perguntou a data exata?"

Um músculo se contraiu no maxilar dele.

"Perguntou."

"Por quê?"

"Eu não sei."

"Você respondeu?"

"Respondi."

Lavínia sentiu um arrepio percorrer os braços.

"Quando?"

"Não lembro."

"Bruno."

"Foi antes de você começar a trabalhar para os Valença."

Silêncio.

Valentim já não fingia não escutar.

Lavínia pensou no hospital.

Nos registros alterados.

No pingente.

Em Beatriz reconhecendo a letra V.

E agora Camila.

Camila sabia sua data de nascimento antes de Lavínia sequer entrar naquela mansão.

As portas do elevador se abriram.

Bruno entrou rapidamente.

Lavínia ficou parada diante dele.

As portas começaram a se fechar.

Então ela deu um passo à frente.

"Como Camila sabia disso?"

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