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"Todos Pensavam Que Eu Era Apenas a Empregada — Até o Dono da Mansão Me Chamar de “Filha”" Capítulo 4

正文开头

Parte 4 — A Herdeira de Uniforme

Ninguém respondeu à pergunta de Lavínia.

"Se eu sou sua filha, então quem é ela?"

O silêncio no salão pareceu crescer.

Camila permaneceu imóvel.

Beatriz também.

Mas foi Augusto quem desviou os olhos primeiro.

Não porque não tivesse uma resposta.

Porque, pela primeira vez, percebeu que talvez não conhecesse a própria família.

Lavínia olhou para o chão.

O vidro quebrado ainda estava perto de seus pés.

A bandeja havia caído ao lado.

Uma hora antes, ela era apenas mais uma funcionária daquele almoço.

Agora, oitenta pessoas a encaravam como se seu uniforme tivesse mudado de significado.

Augusto se aproximou.

"Você não vai continuar trabalhando hoje."

Lavínia ergueu o rosto.

"Vou."

"Não."

"Tenho coisas para terminar."

"Lavínia, você acabou de descobrir que é minha filha."

"E isso apaga o que eu era há dez minutos?"

Augusto ficou sem resposta.

Ela se abaixou.

Pegou a bandeja do chão.

Um dos garçons tentou ajudá-la.

"Deixa que eu faço."

Lavínia balançou a cabeça.

"Eu consigo."

Camila soltou uma risada curta.

"Isso é ridículo."

Augusto se virou para ela.

"Não diga mais nada."

Camila cruzou os braços.

"Ela quer brincar de mártir, agora?"

Lavínia se levantou.

"Não estou brincando de nada."

"Então por que continuar com esse uniforme?"

Lavínia olhou para a própria camisa branca.

"Porque foi com ele que eu entrei aqui."

Depois olhou para Camila.

"E não vou fingir que tenho vergonha disso só porque vocês descobriram meu sobrenome."

Camila perdeu o sorriso.

Bruno abaixou os olhos.

Valentim, ao fundo, observava em silêncio.

Não havia pena no rosto dele.

Só respeito.

Augusto respirou fundo.

"Você vai morar na ala da família."

Lavínia o encarou.

"Hoje?"

"Agora."

"Não."

A palavra saiu simples.

Augusto piscou.

"Não?"

"Eu não vou subir para um quarto que nunca vi, cercada por pessoas que há uma hora não sabiam quem eu era."

"Lavínia..."

"Eu preciso pensar."

Ela apertou a bandeja.

"Preciso respirar."

Augusto engoliu em seco.

"Posso mandar alguém levar suas coisas."

"Não."

"Você não precisa voltar para onde estava."

"Eu sei."

Ela o encarou.

"Mas também não preciso aceitar tudo hoje."

Aquilo doeu.

Augusto queria compensar trinta e seis anos em trinta minutos.

Queria dar quartos.

Roupas.

Dinheiro.

Proteção.

Qualquer coisa.

Mas Lavínia não precisava de coisas.

Precisava de respostas.

E ele ainda não tinha nenhuma.

"Está bem", disse Augusto.

A voz saiu baixa.

"Você decide."

Lavínia pareceu surpresa.

Depois assentiu.

"Obrigada."

Ela virou-se.

Dona Célia apareceu ao lado.

"Eu termino o salão."

Lavínia olhou para ela.

"Não."

"Lavínia..."

"É minha última tarefa de hoje."

Célia hesitou.

Depois sorriu com tristeza.

"Então eu ajudo."

As duas seguiram juntas.

Atrás delas, Camila apertou a taça com tanta força que os dedos ficaram brancos.

Naquela noite, Lavínia dormiu no mesmo quarto simples onde dormira desde que começara a trabalhar na mansão.

Não no quarto de hóspedes.

Não na suíte da família.

No mesmo quarto.

正文1

Sentou-se na beira da cama e tirou os sapatos.

Sobre a cômoda, colocou o pingente.

A letra V parecia mais visível do que nunca.

"Valença?"

Ela sussurrou.

A palavra soou estranha.

Seu nome continuava sendo Alencar.

Teresa Alencar.

A mulher que costurara vestidos até tarde.

A mulher que economizara moeda por moeda para pagar sua escola.

A mulher que lhe segurara a mão no hospital.

Lavínia fechou os olhos.

"Se isso for verdade, mãe..."

A voz falhou.

"Quem me tirou de lá?"

Ela não chorou.

Ainda não.

Na manhã seguinte, Dona Célia bateu à porta às sete.

"Seu pai está esperando."

Lavínia demorou um segundo.

"Meu pai."

Ainda parecia uma palavra de outra pessoa.

Célia assentiu.

"No café."

Lavínia abriu o armário.

Pegou uma camisa simples bege e uma calça preta.

Nada de vestido.

Nada de joias.

Nada que pudesse transformá-la em uma versão inventada de si mesma.

Quando entrou na sala de jantar, todos já estavam sentados.

Augusto na cabeceira.

Beatriz ao lado.

Camila do outro lado.

Tomás mais distante, com uma pasta fechada.

Havia uma cadeira vazia.

À direita de Augusto.

Lavínia parou.

Camila olhou para a cadeira.

Depois para ela.

"Você vai sentar aí?"

Lavínia puxou a cadeira.

"Foi o que pareceu."

Camila riu.

"Interessante."

Lavínia sentou.

Dona Célia colocou café diante dela.

Por anos, Lavínia servira mesas como aquela.

Agora estava sentada.

E a pessoa mais incomodada com isso era justamente quem sempre agira como dona absoluta da casa.

Camila mexeu lentamente o açúcar.

"Espero que ninguém esteja confundindo as coisas."

Augusto ergueu os olhos.

"O que quer dizer?"

Camila deu de ombros.

"Um exame de DNA prova parentesco."

Ela olhou para Lavínia.

"Não prova pertencimento."

Lavínia manteve a mão sobre a xícara.

"Continue."

Camila não esperava.

"Você cresceu em outra família."

"Sim."

"Não conhece nossos negócios."

"Ainda não."

"Não estudou em nossas escolas."

"Não."

"Não conhece nossa história."

Lavínia a encarou.

"Essa parte estou começando a perceber que ninguém conhece muito bem."

Tomás baixou os olhos para esconder a reação.

Beatriz ficou rígida.

Camila apoiou os talheres.

"Meu ponto é simples."

"Então diga."

"Ser filha no DNA não torna você herdeira."

Augusto pousou a xícara.

"Chega."

Camila virou-se.

"Pai, eu só estou dizendo o óbvio."

"Não."

Augusto puxou um documento da pasta de Tomás.

"Você está dizendo o que gostaria que fosse verdade."

Camila franziu a testa.

Augusto olhou para Lavínia.

"Há trinta e seis anos, depois do desaparecimento da minha filha, parte da estrutura de sucessão foi congelada."

Camila ficou imóvel.

"Congelada?"

Tomás respondeu.

"Sim."

Ela olhou para ele.

"Você sabia?"

"É meu trabalho saber."

"Por que nunca me contou?"

"Porque não dizia respeito a você."

O rosto de Camila mudou.

Augusto continuou.

"Na época, havia cláusulas vinculadas à existência de uma filha biológica minha com Isadora."

Lavínia sentiu o estômago apertar.

Isadora.

O nome de sua mãe biológica.

Augusto falou mais baixo.

"Essas cláusulas nunca foram anuladas."

正文2

Camila se levantou.

"Isso é absurdo."

"Não."

"Você vai dar tudo para ela?"

Augusto endureceu o rosto.

"Ela é minha filha."

"E eu?"

A pergunta saiu mais fraca.

Por um instante, Camila não parecia arrogante.

Parecia assustada.

Augusto a encarou.

"Você continua sendo a pessoa que eu criei."

"Isso não foi o que eu perguntei."

Beatriz finalmente falou.

"Camila, sente-se."

"Não."

Ela olhou para Lavínia.

"Ela aparece ontem e hoje já está sentada aqui, discutindo herança."

Lavínia ficou de pé.

"Eu não pedi nada."

Camila riu.

"Claro."

"É verdade."

"Você espera que eu acredite?"

Lavínia empurrou a cadeira para trás.

"Eu não preciso que você acredite."

Augusto levantou a mão.

"Lavínia."

Ela olhou para ele.

"Eu ainda nem sei quem me tirou de você."

O salão ficou quieto.

"Não sei quem alterou minha vida."

Ela tocou o pingente sob a camisa.

"Não sei por que cresci sem saber meu nome."

Augusto abaixou os olhos.

Lavínia virou-se para Tomás.

"Esses documentos falam de dinheiro?"

"Sim."

"Participações?"

"Sim."

"Imóveis?"

"Também."

Ela pegou a pasta.

Abriu.

Leu algumas linhas.

Depois fechou.

E empurrou de volta para o centro da mesa.

"Primeiro quero a verdade."

Camila cruzou os braços.

"Conveniente."

Lavínia a encarou.

"Dinheiro não explica por que eu fui arrancada da minha família."

Tomás ficou sério.

"Talvez exista uma pista."

Todos olharam para ele.

Augusto endireitou a postura.

"Que pista?"

Tomás abriu outra pasta.

"Ontem à noite, depois do resultado, pedi acesso aos arquivos antigos relacionados ao nascimento da filha de Isadora."

Beatriz perdeu a cor.

Tomás colocou três folhas sobre a mesa.

"Há inconsistências."

Lavínia sentiu um arrepio.

"Que tipo?"

Tomás apontou para uma cópia antiga.

"Na noite do parto, o hospital registrou uma troca temporária de identificação em dois berços."

Augusto ficou imóvel.

"Como assim?"

"Dois números foram corrigidos manualmente."

"Quem autorizou?"

"Não consta."

Beatriz segurou a xícara.

Tomás continuou.

"Também existe um intervalo de quarenta e sete minutos sem registro de entrada e saída na ala neonatal."

Lavínia sentiu o coração acelerar.

"E minha mãe?"

Tomás olhou para ela.

"Isadora estava sedada."

Augusto virou o rosto.

A dor apareceu de novo.

"Ela teve complicações."

Lavínia respirou devagar.

"Ela sabia que algo tinha acontecido?"

Augusto não respondeu.

Tomás respondeu por ele.

"Três dias depois, Isadora registrou uma reclamação formal."

Lavínia ficou imóvel.

"Sobre o quê?"

Tomás virou a folha.

"Ela dizia que a criança devolvida ao quarto não tinha a mesma pulseira."

Camila perdeu a cor.

Augusto levantou-se de repente.

"Eu nunca vi isso."

"Porque o documento não estava no arquivo da família."

"Então onde estava?"

"No arquivo morto do hospital."

Beatriz colocou a xícara sobre o pires.

O som foi pequeno.

Mas Lavínia ouviu.

Tomás virou outra página.

"Há mais."

Lavínia apertou os dedos.

"Fale."

"O registro foi encerrado no dia seguinte."

"Por quem?"

Tomás respirou fundo.

"Por ordem administrativa."

Augusto fechou os olhos.

Lavínia olhou para todos ao redor da mesa.

A família.

A fortuna.

O sobrenome.

Nada parecia importante.

Só uma coisa importava.

Trinta e seis anos de sua vida tinham sido construídos sobre uma mentira.

Ela pegou os documentos de herança.

Olhou para eles uma última vez.

E empurrou tudo de volta para o centro da mesa.

"Antes do dinheiro, quero saber quem roubou minha vida."

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