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"A Empregada no Sofá" Capítulo 5

正文开头

Isabela ouviu a gravação três vezes.

Na terceira, já não chorava.

Ficou parada no centro do galpão da Mooca, olhando para o celular como se ele tivesse acabado de arrancar alguma coisa de dentro dela.

Lucas conhecia Ricardo.

E conhecia antes de ela entrar na Mansão Montenegro.

Dante observava em silêncio.

Bruno revistava os homens capturados.

Ricardo permanecia do lado de fora, vigiado por dois seguranças.

Isabela apertou os braços contra o corpo.

"Eu quero saber onde meu irmão está."

Dante olhou para Bruno.

"Alguma coisa?"

"Um dos homens falou."

Isabela virou imediatamente.

"Disse que levaram Lucas para uma casa perto da Avenida Paes de Barros."

"Há quanto tempo?"

"Uns vinte minutos."

Dante pegou a arma.

"Vamos."

Dessa vez, Isabela nem esperou autorização.

Saiu na frente.

A casa ficava escondida atrás de um muro alto e um portão de ferro enferrujado.

Bruno estacionou dois quarteirões antes.

"Talvez ainda tenha gente lá."

Isabela abriu a porta do carro.

Dante segurou seu braço.

"Você fica aqui."

"Não."

"Isabela."

"Se ele estiver lá, eu vou entrar."

Dante apertou a mandíbula.

"Você vai atrás de mim."

Ela assentiu.

Dante sabia que era a única resposta que conseguiria.

Bruno abriu o portão lateral.

A casa estava escura.

Cheiro de umidade.

Televisão ligada em algum cômodo.

Dante avançou primeiro.

Um homem apareceu no corredor.

Bruno o derrubou antes que alcançasse a arma.

Outro pulou pela janela dos fundos.

Do andar de cima veio um barulho.

Uma cadeira arrastando.

Isabela correu.

"Lucas!"

Dante foi atrás.

Ela abriu a primeira porta.

Vazia.

A segunda.

Nada.

Então ouviu.

"Isa?"

A voz era fraca.

Isabela parou.

"Lucas?"

"Isa!"

Ela abriu a última porta.

Lucas estava amarrado a uma cadeira.

O rosto inchado.

Um corte atravessava sua sobrancelha.

A camiseta estava suja de sangue.

Isabela correu até ele.

"Meu Deus."

Lucas tentou sorrir.

"Eu sabia que você viria."

Ela ajoelhou e começou a soltar as cordas.

As mãos tremiam.

"Fizeram alguma coisa com você?"

"Estou bem."

"Você não está bem."

"Isa..."

Dante entrou.

Lucas olhou para ele.

O alívio desapareceu.

Dante viu.

Não era apenas medo.

Era culpa.

"Solta ele."

Bruno cortou as últimas amarras.

Lucas tentou levantar.

As pernas falharam.

Isabela o segurou.

"Devagar."

Lucas se apoiou nela.

Então olhou novamente para Dante.

"Obrigado."

Dante não respondeu.

"Quem trouxe você para cá?"

Lucas baixou os olhos.

"Não sei."

"Mentira."

Isabela virou o rosto.

"Dante."

"Ele sabe."

Lucas engoliu em seco.

Dante se aproximou.

"Temos uma gravação."

O rosto de Lucas perdeu a cor.

Isabela sentiu o corpo do irmão endurecer.

"Que gravação?"

Ela o soltou.

Lucas olhou para ela.

"Isa..."

"Que gravação?"

Ninguém respondeu.

A expressão dela mudou.

"Eu ouvi você."

Lucas fechou os olhos.

"Eu posso explicar."

"Então explica."

A voz de Isabela ficou baixa.

Perigosa.

"Explica por que você estava falando com Ricardo."

Lucas se sentou novamente.

"Não aqui."

"Agora."

"Eu estou machucado."

"E eu estou esperando há quatro meses."

正文1

Ele ficou calado.

Isabela se aproximou.

"Há quanto tempo você conhece Ricardo Montenegro?"

Lucas olhou para Dante.

"Olha para mim."

Ele obedeceu.

"Há quanto tempo?"

"Alguns meses."

"Quantos?"

"Cinco."

Isabela respirou fundo.

Ela tinha começado a trabalhar na mansão quatro meses antes.

"Então você conhecia Ricardo antes de eu entrar lá."

Lucas baixou os olhos.

"Sim."

A resposta caiu entre os dois.

Isabela deu um passo para trás.

"Por quê?"

Lucas passou a mão no rosto.

"Porque eu estava devendo."

"Isso eu sei."

"Não para os Montenegro."

Ela congelou.

Dante estreitou os olhos.

Lucas continuou.

"Eu tinha outra dívida."

"Com quem?"

"Uns caras de jogo."

"Quanto?"

Lucas hesitou.

"Lucas."

"Cento e vinte mil."

Isabela ficou branca.

"Depois de tudo?"

"Eu tentei recuperar."

Ela soltou uma risada sem humor.

"Recuperar?"

"Eu achei que dava."

"Você devia cento e oitenta mil para os Montenegro e foi apostar de novo?"

Lucas não respondeu.

Isabela levou as mãos à cabeça.

"Meu Deus."

"Isa..."

"Não me chama assim."

Ele parou.

Dante permaneceu em silêncio.

Lucas respirou fundo.

"Quando a dívida com os Montenegro acabou, Ricardo me procurou."

Isabela o encarou.

"Acabou."

"Sim."

"Você sabia?"

Lucas fechou os olhos.

"Sabia."

Aquela palavra doeu mais do que qualquer outra.

Isabela ficou imóvel.

"Desde quando?"

"Desde o dia em que quitaram."

"Seis semanas."

Lucas assentiu.

Ela parecia incapaz de respirar.

"Durante seis semanas você sabia que não devia mais nada."

"Sim."

"E não me contou."

"Eu não podia."

"Por quê?"

Lucas apertou os dedos.

"Porque Ricardo pagou a outra dívida."

Isabela olhou para ele como se não reconhecesse o próprio irmão.

"Ele fez o quê?"

"Pagou."

"Em troca de quê?"

Lucas demorou.

Dante respondeu antes dele.

"De você."

Isabela virou.

Dante sustentou seu olhar.

Lucas abaixou a cabeça.

Ela voltou para o irmão.

"Fala."

"Ele queria que eu continuasse dizendo que a dívida dos Montenegro não tinha acabado."

"Por quê?"

"Eu não sabia."

"Você não perguntou?"

"Eu estava com medo."

Isabela riu.

Dessa vez, havia lágrimas.

"Você estava com medo."

"Os homens daquela outra dívida ameaçaram me matar."

"E eu?"

Lucas ficou calado.

"E eu, Lucas?"

"Eu achei que fosse só por um tempo."

"Você deixou que eu acreditasse que ainda estava pagando sua dívida."

"Eu achei que Ricardo só queria dinheiro."

"Você me viu chegar em casa sem conseguir fechar as mãos."

"Eu sei."

"Você viu minhas mãos sangrando."

"Eu sei."

"Você me viu sair de casa antes das seis e voltar depois da meia-noite."

Lucas começou a chorar.

"Eu sei."

Isabela se aproximou.

"E ainda assim ficou calado."

"Eu tentei sair."

Ela parou.

Lucas respirou fundo.

"Quando percebi o que estavam fazendo com você, procurei Ricardo."

"Quando?"

"Duas semanas atrás."

Dante prestou atenção.

"O que aconteceu?"

"Eu disse que não ia continuar."

"E?"

"Ele falou que o acordo não terminava quando eu queria."

Lucas limpou o sangue do canto da boca.

"Disse que, se eu contasse alguma coisa, eles cobrariam tudo de novo."

正文2

Isabela balançou a cabeça.

"Então você continuou mentindo."

"Eu tentei proteger você."

Ela o encarou.

"Não."

Lucas levantou os olhos.

"Isa..."

"Você tentou proteger você."

A frase o calou.

Isabela respirou fundo.

"Eu vendi o colar da mamãe."

Lucas empalideceu.

"O quê?"

"Você ouviu."

"Você não fez isso."

"Fiz."

"Isabela..."

"Era a única coisa que restava dela."

Lucas se levantou com dificuldade.

"Eu não sabia."

"Claro que não sabia."

A voz dela explodiu.

"Porque você nunca quis saber quanto eu estava pagando por você!"

Lucas tentou segurá-la.

Ela afastou a mão.

"Não toca em mim."

"Me perdoa."

"Não."

"Eu errei."

"Você me usou."

"Eu estava desesperado."

"E eu estava o quê?"

Lucas não respondeu.

Isabela deu um passo.

A mão dela subiu.

O tapa ecoou pelo quarto.

Lucas virou o rosto.

Ninguém se mexeu.

Isabela olhou para a própria mão.

Parecia assustada com o que tinha feito.

Depois encarou o irmão.

"Eu teria feito qualquer coisa por você."

Lucas chorava.

"Eu sei."

"Esse foi o problema."

Ela saiu.

Naquela noite, Lucas foi levado a uma clínica particular no Itaim Bibi.

Isabela recusou-se a acompanhá-lo.

Voltou para a Mansão Montenegro.

Entrou pela porta de serviço por hábito.

Só percebeu depois.

Subiu para o pequeno quarto destinado aos funcionários.

Tirou o uniforme.

Sentou-se na cama.

E finalmente chorou.

Não pelo dinheiro.

Nem pelas horas.

Nem pelas feridas nas mãos.

Chorou porque todas as vezes em que Lucas dizia que estava quase acabando, ele já sabia que a dívida tinha terminado.

Chorou pela mãe.

Pelo colar.

Pela forma como tinha passado meses defendendo alguém que a deixava afundar.

Uma batida soou na porta.

Isabela limpou o rosto.

"Não quero falar com ninguém."

Silêncio.

Depois outra batida.

"Isabela."

Dante.

Ela fechou os olhos.

"Pode entrar."

A porta abriu.

Dante estava com uma camisa limpa e o ombro novamente enfaixado.

Não perguntou se ela estava bem.

Não disse que tudo passaria.

Não ofereceu consolo.

Apenas entrou carregando uma pequena caixa escura.

Colocou sobre a cama.

Isabela olhou.

"O que é isso?"

Dante ficou de pé.

"Abra."

"Eu não quero nada."

"Abra."

Ela respirou fundo.

Puxou a caixa.

Levantou a tampa.

Parou.

O mundo pareceu desaparecer por alguns segundos.

Lá dentro estava um colar simples de ouro.

Um pequeno pingente oval.

A corrente levemente gasta.

Isabela tocou nele com a ponta dos dedos.

"Não."

Sua voz saiu quase sem som.

Reconheceria aquele colar em qualquer lugar.

"É da minha mãe."

Dante assentiu.

Isabela levantou os olhos.

"Como?"

"Encontrei o homem para quem você vendeu."

"Quando?"

"Hoje."

Ela ficou olhando para ele.

"Por quê?"

Dante demorou.

"Porque nunca deveria ter sido usado para pagar uma dívida que não existia."

Isabela segurou o colar.

As lágrimas voltaram.

"Quanto custou?"

"Não importa."

"Eu devolvo."

"Não."

"Eu não quero dever nada ao senhor."

Dante a encarou.

"Você não me deve nada."

Isabela fechou os dedos ao redor do pingente.

Pela primeira vez em meses, alguma coisa que tinha perdido voltava para suas mãos.

Mas, no corredor, o celular de Dante vibrou.

Ele olhou para a tela.

Era Camila.

Atendeu.

"O que encontrou?"

A voz da advogada veio tensa.

Dante ficou imóvel.

"Tem certeza?"

Isabela levantou os olhos.

Dante ouviu até o fim.

Depois desligou.

"Que foi?"

Ele olhou para o colar na mão dela.

Depois para Isabela.

"Camila rastreou parte do dinheiro que saiu das contas falsas."

Ela franziu a testa.

"Para onde foi?"

Dante demorou apenas um segundo.

"Para os homens que tentaram me matar."

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