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"A Empregada no Sofá" Capítulo 4

正文开头

Isabela não conseguia tirar os olhos da fotografia.

Lucas estava amarrado.

Machucado.

Vivo, pelo menos na imagem.

Mas ela não sabia quando aquela foto tinha sido tirada.

Nem se ele ainda estava respirando.

"Foi por minha causa."

A voz saiu baixa.

Dante levantou os olhos.

"Não."

"Foi."

Isabela apertou o celular com tanta força que os dedos feridos voltaram a abrir.

"Se eu não tivesse perguntado nada..."

"Isabela."

"Se eu tivesse continuado trabalhando, eles não teriam pegado o Lucas."

Dante se aproximou.

"Olhe para mim."

Ela não olhou.

"Eu devia ter ficado quieta."

"Olhe para mim."

Dessa vez, ela ergueu o rosto.

Os olhos estavam cheios de lágrimas.

Dante falou devagar.

"Quem fez isso com seu irmão já tinha um plano antes de você descobrir qualquer coisa."

"Você não sabe."

"Sei o suficiente."

"Não sabe onde ele está."

"Vou descobrir."

"Quando?"

Dante não respondeu imediatamente.

Isabela riu sem humor.

"É isso."

"O quê?"

"Todo mundo promete."

Ela apontou para Ricardo.

"Ele prometia."

Depois para Dante.

"Agora o senhor promete."

"Eu não sou Ricardo."

A frase saiu fria.

Isabela avançou um passo.

"Mas tudo isso começou por causa do seu nome!"

O escritório inteiro ficou em silêncio.

Camila parou de mexer no computador.

Ricardo olhou para Dante.

Até Bruno, ainda no viva-voz, ficou calado.

Isabela respirava rápido.

"Se ninguém tivesse medo dos Montenegro, Ricardo nunca teria conseguido me ameaçar."

Dante não se moveu.

"Se o seu nome não significasse medo em toda São Paulo, eu não teria acreditado que meu irmão podia desaparecer."

Ela bateu com a mão no próprio peito.

"Eu vendi a única coisa que minha mãe deixou porque achei que vocês podiam matar o Lucas."

Dante ouviu sem interromper.

"Talvez o senhor nunca tenha dado essa ordem."

A voz dela quebrou.

"Mas eu obedeci porque acreditava que podia."

Aquelas palavras entraram mais fundo do que qualquer acusação.

Porque eram verdade.

Dante sabia o peso do próprio sobrenome.

Durante anos, usara aquele medo como arma.

Funcionava.

Homens pagavam.

Inimigos recuavam.

Testemunhas ficavam em silêncio.

Mas agora outra pessoa havia usado o mesmo medo contra uma mulher que nunca deveria ter sido alvo.

Dante olhou para as mãos dela.

Depois para a foto de Lucas.

"Você tem razão."

Ricardo virou o rosto, surpreso.

Isabela também.

Dante continuou.

"Meu nome abriu essa porta."

A voz dele ficou mais baixa.

"Então eu vou fechar."

Ele pegou o telefone.

"Bruno."

"Estou aqui."

"Quero a origem da mensagem."

"Já estou rastreando."

"Quanto tempo?"

"Pouco."

"Não me dê pouco. Me dê resultado."

"Entendido."

Dante desligou.

Ricardo se aproximou.

"Você está fazendo exatamente o que eles querem."

Dante olhou para ele.

"Quem?"

Ricardo percebeu a armadilha.

"Quem quer que esteja por trás disso."

"Interessante."

"O quê?"

"Você fala como se soubesse que existe alguém por trás."

Ricardo fechou a expressão.

"É óbvio."

"Para mim, também."

Dante se virou para Camila.

"Bloqueie todas as contas paralelas."

Ricardo interferiu.

正文1

"Isso pode alertar quem está movimentando o dinheiro."

"Melhor."

"Dante."

"Quero que saibam que eu vi."

Camila começou a trabalhar.

Isabela ainda segurava o celular.

"Eu vou com vocês."

Dante a encarou.

"Não."

"Ele é meu irmão."

"Justamente."

"Não vou ficar aqui esperando."

"Você vai."

"Não pode mandar em mim."

"Posso impedir que você entre numa emboscada."

Isabela levantou o queixo.

"Eu já entrei numa há quatro meses."

Dante ficou em silêncio.

Ela tinha resposta para tudo.

E, pior, quase sempre tinha razão.

O telefone tocou.

Bruno.

Dante atendeu imediatamente.

"Fala."

"Consegui."

Isabela se aproximou.

"A mensagem saiu de um aparelho descartável."

"Local."

"Mooca."

Dante já estava pegando o paletó.

Bruno continuou.

"Tem mais."

"O quê?"

"O sinal apareceu por alguns minutos perto de um galpão antigo na Rua dos Trilhos."

Dante parou.

"Qual galpão?"

"Um imóvel que já pertenceu a uma empresa ligada aos Montenegro."

Ricardo empalideceu quase imperceptivelmente.

Dante viu.

"Nome da empresa."

Bruno respondeu.

"Montenegro Transportes."

Dante olhou para Ricardo.

A empresa estava desativada havia anos.

O galpão, oficialmente vazio.

Mas Ricardo conhecia aquele lugar.

Dante percebeu pela forma como seus olhos mudaram.

"Você sabe onde é."

Ricardo cruzou os braços.

"Todo mundo da família sabe."

"Então você vem."

"O quê?"

"Você ouviu."

"Isso é absurdo."

"Se meu homem estiver lá, você vai ver."

"E se não estiver?"

Dante se aproximou.

"Então você vai me ajudar a descobrir quem está usando um imóvel da família."

Ricardo não respondeu.

Vinte minutos depois, três carros deixavam o Jardim Europa.

Dante foi no primeiro.

Bruno dirigia.

Isabela estava no banco de trás.

Dante havia tentado deixá-la na mansão.

Não conseguiu.

"Se ficar no carro, fica."

Foi a única concessão.

Ela assentiu.

Mentindo.

A Mooca estava quase vazia quando chegaram.

O galpão ficava numa rua estreita, entre prédios industriais antigos.

Portão de metal.

Janelas altas.

Nenhuma luz.

Bruno estacionou longe.

"Tem movimento."

Dante olhou.

Uma sombra cruzou uma janela.

"Quantos?"

"Não sei."

Ricardo estava no segundo carro.

Dante pegou a arma.

Isabela segurou o braço dele.

"Traga meu irmão."

Ele olhou para ela.

"Vou trazer."

Dessa vez, não soou como promessa.

Soou como ordem.

Dante e Bruno avançaram pelo lado do prédio.

Dois homens cobriam a entrada dos fundos.

O primeiro caiu antes de conseguir levantar a arma.

O segundo atirou.

O tiro acertou uma parede.

Bruno respondeu.

O homem caiu.

Lá dentro, passos correram.

"Movimento!"

Dante entrou.

O galpão estava cheio de caixas velhas e estantes de metal.

Um terceiro homem apareceu no corredor lateral.

Dante atirou.

O disparo acertou a perna.

O homem desabou.

"Cadê Lucas Oliveira?"

"Vai se ferrar."

Dante apontou a arma para o rosto dele.

"Pergunto uma vez."

O homem respirou com dificuldade.

"Já levaram."

O coração de Dante acelerou.

"Quando?"

"Pouco antes de vocês chegarem."

"Para onde?"

"Não sei."

Dante apertou o cano contra a testa dele.

"Você sabe."

"Eu juro."

Bruno apareceu.

"Tem uma sala no fundo."

Dante correu.

A porta estava aberta.

Dentro havia uma cadeira de metal.

Cordas no chão.

Uma mancha de sangue.

Isabela entrou logo depois.

Dante virou.

"Eu mandei você ficar no carro."

Ela não ouviu.

Viu o sangue.

Parou.

"Lucas."

Dante segurou seu braço.

"Não sabemos se é dele."

"É dele."

"Não sabemos."

Ela se soltou.

No canto da sala havia uma camiseta.

Isabela reconheceu.

"Eu dei essa camiseta para ele."

A voz desapareceu.

Ela caiu de joelhos.

Dante se abaixou ao lado dela.

"Ele estava vivo na foto."

"Mas isso foi antes."

"Isabela."

Ela chorava sem som.

Bruno começou a vasculhar a sala.

"Encontrei um telefone."

Dante levantou.

Era um aparelho simples.

Sem senha.

Bruno abriu.

"Tem uma gravação."

Isabela ficou imóvel.

"Coloca."

Dante olhou para ela.

"Talvez você não queira ouvir."

"Coloca."

Bruno apertou a tela.

O áudio começou.

Primeiro veio ruído.

Depois uma voz.

Lucas.

"Eu fiz o que você pediu."

Isabela levantou a cabeça.

A segunda voz entrou.

Ricardo.

"Fez tarde."

Isabela congelou.

Dante não se mexeu.

Lucas continuou.

"Eu não sabia que vocês iam usar minha irmã desse jeito."

Ricardo respondeu.

"Você sabia o suficiente."

"Não."

"Sabia que ela trabalharia para pagar."

"Não dezoito horas por dia."

Isabela levou a mão à boca.

A gravação continuou.

Lucas estava chorando.

"Ela nunca pode descobrir por que eu fiz isso."

A frase atravessou a sala.

Isabela ficou completamente parada.

Dante olhou para ela.

A expressão de dor havia mudado.

Agora era outra coisa.

Confusão.

Traição.

Medo.

Ela se levantou devagar.

"Ele conhecia o Ricardo."

Ninguém respondeu.

Isabela olhou para Dante.

"Meu irmão conhecia o Ricardo antes de eu entrar naquela mansão."

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