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"A Empregada no Sofá" Capítulo 3

正文开头

Isabela continuou olhando para o nome na tela.

Dante Vasconcelos Montenegro.

Não havia apelido.

Não havia funcionário intermediário.

Não havia Ricardo.

O homem que aparecia como responsável por autorizar os descontos era exatamente aquele que estava parado diante dela.

Dante.

A garganta de Isabela apertou.

Durante quatro meses, ela ouvira a mesma frase.

"O senhor Dante autorizou."

"O senhor Dante sabe."

"São ordens do senhor Dante."

Ela sempre acreditara porque ninguém naquela casa ousava usar o nome dele em vão.

Ou era isso que pensava.

Isabela deu um passo para trás.

Dante percebeu.

Não tentou se aproximar.

Camila continuava diante do notebook.

"Pode ser uma fraude."

Ricardo soltou uma respiração curta.

"Ou pode não ser."

Dante virou o rosto.

Ricardo sustentou seu olhar.

"Você queria saber quem autorizou. Agora sabe."

"Você está sugerindo alguma coisa?"

"Não preciso sugerir."

Ricardo apontou para a tela.

"O sistema está dizendo."

Isabela olhou para Dante.

"Foi o senhor?"

Dante não respondeu imediatamente.

A hesitação durou pouco, mas para ela pareceu longa demais.

"Não."

"Essa assinatura é sua?"

"É."

"Então como ela está ali?"

"É isso que vamos descobrir."

Isabela soltou uma risada amarga.

"Eu ouvi essa frase muitas vezes."

Dante franziu a testa.

"Qual?"

"Que alguém ia descobrir."

Ela ergueu as mãos machucadas.

"Quando minhas mãos começaram a abrir, disseram que iam descobrir um produto menos forte."

Sua voz ficou mais firme.

"Quando eu disse que não conseguia fazer dois turnos seguidos, disseram que iam descobrir outra escala."

Dante ficou em silêncio.

"Quando a dívida subiu de novo, Ricardo disse que ia descobrir por quê."

Isabela apontou para o computador.

"E agora o seu nome está ali."

Ricardo observava os dois.

Havia algo quase satisfeito em seu silêncio.

Dante percebeu.

Foi até a mesa.

Pegou a pistola.

Isabela enrijeceu.

Ele retirou o carregador, esvaziou a câmara e colocou a arma diante dela.

O metal bateu na madeira.

"Se você acha que fui eu, vá embora."

Isabela olhou para a arma.

Depois para ele.

Dante tirou um molho de chaves do bolso e colocou ao lado da pistola.

"Portão principal. Garagem. Saída de serviço."

Ricardo estreitou os olhos.

"Dante."

"Fique quieto."

Isabela continuava imóvel.

Dante apontou para as chaves.

"Ninguém vai impedir você."

Ela finalmente falou.

"E meu irmão?"

A pergunta o atingiu de uma forma inesperada.

Dante a encarou.

"Lucas."

"Se eu sair daqui, o que acontece com ele?"

"Nada."

"Como eu vou saber?"

Dante não respondeu.

Isabela balançou a cabeça.

"É exatamente isso."

"O quê?"

"Eu não sei em quem acreditar."

A voz dela falhou pela primeira vez.

"Se Ricardo está mentindo, meu irmão pode estar em perigo."

Ela olhou para o nome de Dante na tela.

"Se o senhor está mentindo, meu irmão também está em perigo."

Dante entendeu.

Ela não continuava naquela sala porque confiava nele.

Também não ficava porque tinha medo.

Ficava porque Lucas estava do outro lado de todas as decisões que tomava.

正文1

Durante quatro meses, aquela mulher havia transformado o próprio corpo em moeda para proteger o irmão.

E alguém tinha descoberto exatamente como explorá-la.

Dante guardou as chaves.

"Camila."

A advogada levantou os olhos.

"Quero saber de onde veio essa assinatura."

"Vou precisar acessar o arquivo de certificados."

"Faça."

Ricardo deu um passo.

"Isso vai levar horas."

"Então você pode esperar."

"Tenho coisas para resolver."

Dante olhou para ele.

"Hoje, não."

Ricardo sorriu sem humor.

"Estou preso aqui?"

"Se precisar perguntar, considere que sim."

O sorriso desapareceu.

Camila conectou o notebook ao servidor interno.

Durante os minutos seguintes, apenas o som do teclado quebrou o silêncio.

Isabela se sentou na ponta de uma poltrona.

Dante permaneceu de pé.

A mancha de sangue em sua camisa aumentava.

Camila percebeu.

"Você precisa trocar esse curativo."

"Depois."

"Você pode desmaiar."

"Então trabalhe rápido."

Isabela olhou para ele.

Por um instante, esqueceu a assinatura.

"Tem uma caixa de primeiros socorros no armário."

Dante a encarou.

Ela imediatamente desviou os olhos.

"Eu só disse porque o senhor está sangrando no tapete."

Ricardo quase sorriu.

Dante abriu o armário.

"Claro."

Isabela levantou.

"Não vai conseguir fazer sozinho."

"Consigo."

"Com uma mão?"

Dante não respondeu.

Ela respirou fundo.

"Eu faço."

Dante tirou o paletó e abriu os primeiros botões da camisa.

Isabela removeu o curativo com cuidado.

A ferida estava feia.

"Isso precisa de médico."

"Eu tenho um."

"E ele sabe que o senhor levou um tiro?"

"Provavelmente."

"Provavelmente?"

Dante olhou para ela.

"Você sempre faz tantas perguntas?"

"Quando estou tentando impedir alguém de sangrar em cima de mim pela segunda vez, sim."

Camila levantou os olhos por um instante.

Até Ricardo pareceu surpreso.

Dante ficou em silêncio.

Isabela percebeu o que acabara de dizer.

"Desculpe."

"Continue."

Ela limpou a ferida.

Dante não demonstrou dor.

Mas Isabela viu os músculos dele se contraírem.

"Pode reclamar."

"Não reclamo."

"Eu percebi."

Por alguns segundos, a tensão diminuiu.

Então Isabela terminou o curativo e se afastou.

Os dois se olharam.

A tela do computador emitiu um aviso.

Camila se inclinou para frente.

"Encontrei o certificado."

Dante fechou a camisa.

"Data."

Camila leu.

Seu rosto mudou.

"Tem alguma coisa errada."

Ricardo se aproximou.

"O quê?"

"Essa assinatura não foi criada agora."

Camila abriu os detalhes técnicos.

"O certificado usado nas autorizações vem de um pacote antigo."

"Quanto antigo?"

"Três anos."

Dante franziu a testa.

"Eu troquei minha certificação há dois."

"Exatamente."

Camila abriu outra pasta.

"Este certificado foi desativado quando mudamos o sistema de contratos."

Isabela se aproximou.

"Então não foi ele?"

Camila hesitou.

"Não é tão simples."

"Explique."

"A assinatura é verdadeira."

Dante apoiou as mãos na mesa.

"Mas?"

"Mas não foi produzida para esses pagamentos."

Camila puxou um documento antigo.

Era um contrato de aquisição imobiliária.

Na última página aparecia a mesma assinatura.

Dante Vasconcelos Montenegro.

"Alguém extraiu a autenticação de documentos antigos."

Dante olhou para Ricardo.

"Quais documentos?"

"Contratos de três anos atrás."

正文2

"Quem tinha acesso?"

Camila começou a verificar as permissões.

Ricardo perdeu a tranquilidade pela primeira vez.

"Centenas de pessoas trabalham para o grupo."

Camila balançou a cabeça.

"Não nesse arquivo."

"Você tem certeza?"

"Eu criei a estrutura de acesso."

Ela abriu o histórico.

"Havia restrição máxima porque esses documentos incluíam aquisições pessoais de Dante."

"Quantas pessoas?"

Camila ficou em silêncio.

Dante repetiu:

"Quantas?"

"Três."

Isabela sentiu um arrepio.

Camila virou o computador.

Na tela havia três nomes.

Dante Vasconcelos Montenegro.

Camila Azevedo.

Ricardo Montenegro.

Ninguém falou.

Ricardo soltou uma risada curta.

"Isso é ridículo."

Dante não tirou os olhos dele.

"É?"

"Você realmente vai me acusar com base nisso?"

"Eu ainda não acusei."

"Mas está pensando."

"Estou."

Ricardo deu um passo em direção a Dante.

"Eu estava ao seu lado quando seu pai morreu."

Dante endureceu.

"Não use meu pai."

"Ajudei você a manter essa família de pé."

"Eu disse para não usar meu pai."

"Durante quinze anos eu limpei problemas antes que chegassem até você."

Dante se aproximou.

"Talvez esse seja exatamente o problema."

Ricardo ficou imóvel.

Dante falou mais baixo.

"Talvez você tenha começado a acreditar que podia decidir quais problemas chegavam até mim."

O celular de Camila tocou.

Ela olhou para a tela.

"Bruno."

Dante estendeu a mão.

"Atenda."

Camila colocou no viva-voz.

A voz de Bruno surgiu tensa.

"Dante?"

"Estou ouvindo."

"Temos um problema."

Isabela se levantou.

Dante percebeu o tom do segurança.

"Qual?"

"Eu mandei dois homens até a Vila Mariana para buscar Lucas Oliveira."

Isabela deu um passo.

"Meu irmão?"

Bruno continuou.

"O apartamento estava aberto."

O rosto dela perdeu a cor.

"Ele está aí?"

Houve silêncio.

"Bruno."

"Não."

Isabela pegou o celular das mãos de Camila.

"O que aconteceu com meu irmão?"

"Isabela, escute..."

"Onde está o Lucas?"

"Não sabemos."

Ela quase deixou o telefone cair.

"Não."

Dante segurou seu braço.

"Quando foi visto pela última vez?"

Bruno respondeu.

"O porteiro disse que Lucas chegou ontem por volta das onze da noite."

"E depois?"

"Uma câmera pegou dois homens entrando no prédio às duas e dezessete."

Dante olhou para Ricardo.

"Rostos?"

"Bonés. Cabeças baixas."

"Carro?"

"Estamos procurando."

Isabela começou a respirar rápido.

"Eu preciso ir até lá."

Dante segurou seu braço com mais firmeza.

"Não."

"Solte."

"Você não vai sair sozinha."

"É meu irmão."

"É exatamente por isso."

Ela tentou se soltar.

"Se fizeram alguma coisa com ele..."

O celular no bolso do avental vibrou.

Isabela parou.

Todos ouviram.

Ela tirou o aparelho.

Número desconhecido.

Uma mensagem.

Dante viu o rosto dela mudar antes mesmo de ver a tela.

"Isabela."

Ela não respondeu.

Abriu a mensagem.

Uma fotografia apareceu.

Lucas estava amarrado a uma cadeira de metal.

As mãos presas atrás das costas.

O rosto machucado.

Uma fita cobria sua boca.

Isabela levou a mão aos lábios.

"Lucas..."

Abaixo da fotografia havia apenas uma frase.

Dante pegou o celular.

Leu.

Depois levantou os olhos lentamente.

Ricardo continuava do outro lado da sala.

A mensagem dizia:

"Pare de fazer perguntas."

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