"CEO Babaca Ri de Adolescente na Primeira Classe" Capítulo 4 — Você Não Entenderia
Ethan abriu o notebook outra vez quando as luzes da cabine foram reduzidas.
Na tela, surgiu uma apresentação com o logotipo da Carter Dynamics e vários modelos técnicos espalhados em gráficos, simulações e projeções.
Noah estava olhando pela janela.
Até que uma imagem chamou sua atenção.
Não porque fosse bonita.
Porque estava errada.
Ele desviou os olhos por alguns segundos.
Depois voltou.
Ethan percebeu.
“Algum problema?”
Noah apontou para a tela.
“Isso não vai funcionar.”
Ethan virou lentamente o rosto.
“Desculpe?”
Noah olhou de novo para o modelo.
“Esse projeto tem um problema.”
Ethan ficou alguns segundos em silêncio.
Depois riu.
“Você acabou de dizer que estuda numa escola pública.”
“E?”
“E agora está avaliando um projeto da minha empresa.”
“Você perguntou.”
“Eu não perguntei nada.”
“Perguntou se havia algum problema.”
Ethan apoiou as costas na poltrona.
“Tudo bem.”
“Qual é o problema?”
Noah inclinou o corpo um pouco para frente.
Seus olhos acompanharam uma sequência de dados na tela.
“Essa distribuição aqui.”
Ethan franziu a testa.
“A distribuição?”
“Sim.”
“De quê?”
Noah apontou.
“Desse bloco.”
Ethan olhou para onde ele indicava.
Não entendeu imediatamente.
Isso o irritou.
“Seja específico.”
Noah estendeu a mão.
“Posso?”
Ethan puxou o notebook alguns centímetros para perto de si.
“Fala.”
Noah soltou o ar.
“O sistema está compensando calor de um lado e empurrando carga demais para outro.”
Ethan estreitou os olhos.
“Você não sabe o que está vendo.”
“Sei o suficiente.”
“Não, não sabe.”
Noah olhou para ele.
Ethan girou o notebook na direção do garoto.
“Tenho quarenta e três engenheiros trabalhando nisso.”
Noah assentiu.
“Então quarenta e três engenheiros não viram.”
O homem atrás deles levantou os olhos do notebook.
A mulher do outro lado do corredor também.
Ethan ficou imóvel.
“Repete.”
“Você ouviu.”
“Quarenta e três engenheiros não viram?”
“Foi o que eu disse.”
Ethan riu.
Mas dessa vez havia raiva.
“Tudo bem, gênio.”
Ele girou o notebook inteiro na direção de Noah.
“Mostre.”
Noah se inclinou.
Levantou o dedo.
Antes que tocasse a tela, Ethan puxou o computador de volta.
“Estou brincando.”
Alguns passageiros riram.
Não foi uma gargalhada.
Foi pior.
Aquele tipo de riso curto de quem acha que acabou de assistir alguém sendo colocado no próprio lugar.
Ethan fechou metade do notebook.
“Você nem entrou na faculdade.”
Noah recostou-se novamente.
“Tudo bem.”
Ethan arqueou as sobrancelhas.
“Admitiu que estava errado?”
“Não.”
“Então?”
Noah olhou para a tela mais uma vez.
“Você vai descobrir sozinho.”
Ethan balançou a cabeça.
“É impressionante.”
“O quê?”
“A confiança.”
Noah não respondeu.
Ethan retomou a apresentação.
Passou para o slide seguinte.
Depois outro.
Mas a frase continuava ecoando.
Você vai descobrir sozinho.
Ele odiava o jeito como Noah dizia as coisas.
Sem levantar a voz.
Sem tentar impressionar.
Sem precisar da aprovação dele.
Isso fazia parecer que Ethan era o único na conversa tentando provar alguma coisa.
“Você acha que entende de tecnologia?”
Noah virou o rosto.
“Um pouco.”
“Um pouco.”
Ethan repetiu com ironia.
“Já desmontou computador em casa?”
Noah não respondeu.
“Montou algum robô para feira de ciências?”
Silêncio.
“Viu vídeo na internet?”
Noah olhou para ele.
“Você quer mesmo saber?”
“Agora fiquei curioso.”
“No.”
“Não?”
“Você não quer saber.”
Ethan sorriu.
“E por que eu não iria querer?”
“Porque se eu responder, você vai procurar uma forma de diminuir a resposta.”
O sorriso dele sumiu.
“Você acha que me conhece muito bem.”
“Não.”
“Parece.”
“Só estou usando o que você mostrou.”
Ethan fechou o notebook.
“Você tem dezessete anos.”
“Sim.”
“Está numa escola pública.”
“Sim.”
“Seu pai conserta carros.”
Noah não gostou do jeito como ele disse aquilo.
Ethan continuou.
“E está me dizendo que viu em alguns segundos um problema que minha equipe técnica inteira não viu.”
“Estou.”
“Você percebe como isso soa?”
“No.”
“Arrogante.”
Noah ficou em silêncio.
Ethan apontou para ele.
“Isso. Essa expressão.”
“Que expressão?”
“Essa de quem acha que é mais inteligente que todo mundo.”
Noah respirou fundo.
“Eu nunca disse isso.”
“Não precisa.”
“Você também não disse que é melhor que meu pai.”
Ethan travou por um instante.
Noah completou:
“Mas ficou bem claro.”
O silêncio voltou.
Claire passou pelo corredor e olhou para os dois.
Dessa vez, decidiu não parar.
Ethan abriu novamente o computador.
“Quer saber?”
Noah voltou ao livro.
“Não muito.”
“Vou te mostrar uma coisa.”
Ethan abriu uma pasta protegida.
Digitou a senha.
Noah não olhou.
Ethan insistiu.
“Agora pode olhar.”
Noah fechou o livro.
Na tela havia um modelo tridimensional mais complexo.
Várias camadas.
Fluxos térmicos.
Distribuição de memória.
Projeções de desempenho.
Noah olhou por alguns segundos.
Depois franziu a testa.
Ethan percebeu.
“Difícil?”
Noah não respondeu.
“Foi o que imaginei.”
Noah aproximou o rosto da tela.
Ethan sorriu.
“Agora ficou complicado, não é?”
Noah apontou para o canto inferior.
“Esse dado está errado.”
O sorriso desapareceu.
“O quê?”
“Esse.”
“Não está errado.”
“Está.”
“Você nem sabe o que representa.”
“Sei.”
Ethan ficou sério.
“Então diz.”
Noah falou o nome do parâmetro.
Corretamente.
Ethan não esperava.
“Você leu isso em algum lugar.”
“Está escrito na tela.”
“Não o nome.”
“Então o quê?”
“O significado.”
Noah deu de ombros.
“É básico.”
Ethan inclinou-se.
“Básico?”
“Para quem trabalha com isso.”
A frase atingiu o ego dele.
“Você não trabalha com isso.”
Noah não respondeu.
“Trabalha?”
“Não como você está pensando.”
Ethan sentiu alguma coisa mudar.
Foi breve.
Uma dúvida.
Pequena demais para virar medo.
Mas grande o suficiente para incomodá-lo.
“O que isso quer dizer?”
Noah pegou o copo de água.
“Exatamente o que eu disse.”
Ethan encarou o garoto.
“Você fez curso?”
“No.”
“Programa de iniciação científica?”
Noah não respondeu.
“Olimpíada?”
Silêncio.
“Alguma competição?”
Nada.
Ethan soltou uma risada.
“Claro.”
Noah tomou um gole.
“Claro o quê?”
“Você gosta disso.”
“Do quê?”
“De deixar as pessoas imaginando que você é mais do que é.”
Noah colocou o copo na mesa.
“Talvez você só imagine pouco.”
Ethan ficou olhando para ele.
O homem atrás deles abaixou os olhos.
Ninguém riu dessa vez.
Ethan percebeu.
E isso o irritou ainda mais.
“Vou te explicar uma coisa que talvez sua escola não ensine.”
Noah não respondeu.
“Conhecimento de internet não substitui experiência.”
“Concordo.”
Ethan se surpreendeu.
“Concorda?”
“Sim.”
“Então finalmente estamos de acordo.”
Noah olhou para o modelo na tela.
“Experiência também não corrige erro.”
Ethan apertou os lábios.
“Você realmente não sabe quando parar.”
“Se você não quisesse ouvir, não devia ter perguntado.”
“Eu não perguntei.”
“Você continua falando comigo.”
Ethan virou o notebook para frente.
“Acabou.”
Noah pegou o livro.
“Ótimo.”
Ethan voltou aos slides.
Tentou se concentrar.
Não conseguiu.
Aquele maldito parâmetro.
A distribuição.
A frase sobre o calor.
Ele sabia que a equipe havia feito simulações.
Sabia que tinham revisado tudo.
Pelo menos era isso que haviam dito.
Abriu uma planilha.
Depois outra.
Procurou os relatórios do último teste.
Nada parecia fora do lugar.
Mesmo assim, voltou ao slide que Noah havia apontado.
Ficou olhando.
Noah não disse nada.
Cinco minutos se passaram.
Ethan ampliou o gráfico.
Reduziu.
Mudou de aba.
Voltou.
Fechou.
Abriu de novo.
Noah percebeu.
Mas não falou.
Ethan notou o silêncio.
“O que foi?”
“Nada.”
“Você está olhando.”
“Você também estava olhando para mim desde que entrou no avião.”
Ethan virou para frente.
“Esquece.”
Mais alguns minutos.
O celular vibrou.
Ethan ignorou.
Vibrou outra vez.
Ele pegou.
Era uma chamada de Marcelo Tavares, diretor de tecnologia da Carter Dynamics.
Ethan atendeu.
“Fala.”
Do outro lado, não veio cumprimento.
Só respiração apressada.
“Ethan.”
Ele se endireitou.
“Que foi?”
Marcelo hesitou.
“Temos um problema.”
Ethan ficou imóvel.
Ao lado dele, Noah não levantou os olhos do livro.
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