"CEO Babaca Ri de Adolescente na Primeira Classe" Capítulo 2 — Quanto Custou Sua Passagem?
O avião já havia alcançado altitude de cruzeiro quando Ethan guardou o celular no bolso do paletó e voltou a olhar para Noah.
O garoto continuava com o livro aberto, como se aquela conversa na primeira classe jamais tivesse acontecido.
Aquilo incomodava Ethan mais do que deveria.
Ele estava acostumado a provocar alguma reação quando falava.
Admiração.
Nervosismo.
Respeito.
Às vezes medo.
Noah não demonstrava nada.
Ethan pegou a taça de água com gás, tomou um gole e apoiou o braço na divisória entre as poltronas.
“Quanto você pagou?”
Noah ergueu os olhos devagar.
“Pela passagem?”
“Sim.”
“Não sei.”
Ethan riu.
Dessa vez, nem tentou esconder o deboche.
“Claro que não sabe.”
Noah voltou a olhar para o livro.
“Então por que perguntou?”
“Porque eu queria confirmar uma coisa.”
“E confirmou?”
“Seus pais pagaram.”
Noah fechou o livro sobre o dedo, marcando a página.
“Não.”
O sorriso de Ethan diminuiu.
“Não?”
“Não.”
“Então quem pagou?”
Noah retirou o dedo do livro e retomou a leitura.
Ethan esperou.
Nenhuma resposta.
“Estou falando com você.”
“Eu ouvi.”
“Então?”
Noah virou uma página.
“Você já recebeu a resposta que precisava.”
“Eu perguntei quem pagou.”
“E eu não disse que responderia.”
Ethan soltou o ar pelo nariz.
O homem sentado atrás deles pareceu interromper por alguns segundos a digitação no notebook.
Ethan percebeu, mas continuou.
“Você gosta de bancar o misterioso, não é?”
“Não.”
“Engraçado. Porque desde que entrei neste avião, tudo sobre você parece ser um segredo.”
Noah não respondeu.
Ethan inclinou o corpo um pouco para o lado.
“Deixe eu adivinhar.”
Noah continuou lendo.
“Concurso?”
Silêncio.
“Alguma promoção?”
Nada.
“Passagem dada por uma empresa?”
Noah levantou os olhos.
Ethan sorriu.
“Ah. Acertei alguma coisa.”
“Você sempre transforma conversa em interrogatório?”
“Só quando alguém está tentando esconder algo.”
Noah o encarou por dois segundos.
“Talvez você só não esteja acostumado a alguém não querer impressioná-lo.”
O sorriso de Ethan desapareceu.
Antes que respondesse, Claire surgiu pelo corredor com o serviço de bordo.
Ela parou primeiro diante de Ethan.
“Sr. Carter, gostaria de jantar agora?”
“Sim.”
Claire entregou o menu.
Ethan mal precisou olhar.
“Quero o filé, malpassado. E o vinho argentino que está na segunda página.”
“Perfeito.”
Ela se virou para Noah.
“E o senhor, Sr. Miller?”
Noah pegou o menu.
Passou os olhos rapidamente pelas opções.
“Tem alguma coisa mais simples?”
Claire sorriu.
“Posso pedir um sanduíche quente de queijo e peito de peru.”
“Serve.”
“Mais alguma coisa?”
“Água.”
“Com gás?”
“Sem gás.”
“Claro.”
Claire seguiu pelo corredor.
Ethan olhou para Noah.
Depois olhou para o menu.
E então riu.
Noah não perguntou o motivo.
Isso fez Ethan rir de novo.
“Filé, camarão, salmão, massa artesanal…”
Noah continuou em silêncio.
“E você pede sanduíche.”
“Eu gosto de sanduíche.”
“Imagino.”
Noah virou o rosto para ele.
“Isso também incomoda você?”
“Não me incomoda.”
“Parece.”
Ethan reclinou a poltrona.
“É só interessante.”
“O quê?”
“Você pode tirar o garoto da econômica…”
Ethan fez uma pausa quando Claire voltou e colocou diante de Noah um prato simples com o sanduíche cortado ao meio.
Ele olhou para a comida.
“…mas não tira a econômica do garoto.”
Dessa vez, o silêncio ao redor ficou mais pesado.
Noah olhou para o próprio prato.
Depois para Ethan.
Não havia vergonha em seu rosto.
Nem raiva.
Ele simplesmente pegou uma das metades do sanduíche.
“Muito bom.”
Ethan franziu a testa.
Noah deu uma mordida.
“Quer provar?”
A mulher sentada do outro lado do corredor abaixou o rosto, segurando um sorriso.
Ethan ficou sério.
“Não, obrigado.”
“Tem certeza?”
“Tenho.”
Noah tomou um gole de água.
“Então estamos resolvidos.”
Ethan voltou a atenção para o próprio jantar.
Mas agora estava determinado a descobrir de onde aquele garoto havia saído.
Poucos minutos depois, tentou novamente.
“Você mora onde?”
Noah mastigou antes de responder.
“Em Campinas.”
“Campinas?”
“Sim.”
Ethan assentiu lentamente.
“Seus pais também?”
“Sim.”
“E trabalham com o quê?”
Noah hesitou por um instante.
Não por vergonha.
Parecia apenas decidir se valia a pena responder.
“Minha mãe dá aula.”
“Universidade?”
“Escola pública.”
Ethan arqueou as sobrancelhas.
“Entendi.”
Noah voltou ao sanduíche.
Ethan tomou um gole de vinho.
“E seu pai?”
“Conserta carros.”
A expressão de Ethan mudou.
Foi pequena.
Mas Noah viu.
“Mecânico?”
“Sim.”
“Oficina própria?”
“Sim.”
“Grande?”
Noah limpou os dedos no guardanapo.
“Grande o suficiente para ele trabalhar doze horas por dia.”
Ethan soltou um pequeno som de aprovação.
Mas não era respeito.
Era confirmação.
Finalmente, tudo parecia se encaixar na cabeça dele.
Professor de escola pública.
Mecânico.
Campinas.
Dezessete anos.
Roupa barata.
Celular quebrado.
Sanduíche na primeira classe.
Ethan sorriu como alguém que acabara de resolver um problema.
“Agora faz sentido.”
Noah parou de comer.
“O quê?”
“Você.”
Noah esperou.
Ethan cortou um pedaço do filé.
“Não é uma crítica.”
“Quando alguém começa assim, geralmente é.”
Ethan ignorou.
“Eu cresci cercado de gente que pensava pequeno.”
Noah apoiou as costas na poltrona.
“E?”
“E decidi cedo que não queria aquele tipo de vida.”
“Que tipo?”
“Contar dinheiro antes de ir ao restaurante. Esperar o mês inteiro para comprar alguma coisa. Passar anos trabalhando para outra pessoa.”
Noah observou Ethan com atenção.
“Meu pai trabalha para ele mesmo.”
“Você entendeu o que eu quis dizer.”
“Na verdade, não.”
Ethan pousou os talheres.
“Olhe em volta.”
Noah olhou.
“Estou olhando.”
“Você sabe quanto custa uma passagem dessas?”
“Você já perguntou isso.”
“Eu sei quanto custa porque nunca preciso perguntar.”
Noah ficou em silêncio.
Ethan continuou.
“Tenho um apartamento nos Jardins, uma casa em Angra, uma empresa com mais de dois mil funcionários e um jatinho que custa mais para manter por mês do que muita gente ganha em dez anos.”
Noah voltou a comer.
Ethan percebeu.
“Você não parece impressionado.”
“Eu deveria?”
“Talvez se soubesse com quem está falando.”
Noah colocou o sanduíche no prato.
“Você já disse seu nome.”
“Não é disso que estou falando.”
“Então está falando do quê?”
“Do que eu construí.”
Noah olhou para o relógio caro no pulso de Ethan.
Depois para o terno.
Depois para a taça de vinho.
“Você construiu tudo isso?”
Ethan sorriu.
“Exatamente.”
“Costurou o terno também?”
O sorriso sumiu.
Noah continuou:
“Montou o avião?”
Ethan ficou imóvel.
“Fez o vinho?”
“Você está sendo infantil.”
“Só estou tentando entender onde termina o que você construiu e onde começa o que outras pessoas construíram para você.”
O homem da fileira de trás tossiu para esconder uma risada.
Ethan virou discretamente o rosto.
O homem voltou ao notebook.
Ethan aproximou-se de Noah.
“Escute um conselho.”
Noah não se mexeu.
“Quando chegar ao mercado de trabalho, aprenda a reconhecer quem está acima de você.”
Noah ergueu uma sobrancelha.
“Acima?”
“Gente com experiência. Resultado. Poder de decisão.”
“Dinheiro.”
“Também.”
Noah assentiu.
“Entendi.”
Ethan relaxou.
Até Noah completar:
“Meu pai diz que a pior coisa que alguém pode fazer é confundir preço com valor.”
O rosto de Ethan endureceu.
“Seu pai parece gostar de frases.”
“Ele gosta de trabalhar.”
“Talvez devesse ter trabalhado em algo mais lucrativo.”
Foi a primeira vez que Noah realmente parou.
Não foi um movimento brusco.
Mas algo mudou em seu olhar.
A tranquilidade continuava ali.
Só ficou mais fria.
“Você conhece meu pai?”
“Não.”
“Então não fale sobre ele como se conhecesse.”
Ethan soltou uma risada curta.
“Calma, garoto.”
“Estou calmo.”
“Não parece.”
“Talvez porque você só reconheça respeito quando ele vem acompanhado de medo.”
Ethan ficou olhando para ele.
A frase atingiu mais fundo do que gostaria.
Antes que pudesse responder, Claire voltou pelo corredor.
Dessa vez, não trazia comida.
Trazia um envelope branco, rígido, fechado com um pequeno lacre prateado.
Ela parou diante de Noah.
“Sr. Miller.”
Noah olhou imediatamente para o envelope.
“Chegou?”
“Sim.”
Claire entregou.
Ethan observou.
Não havia logotipo de companhia aérea.
Nem nome de empresa.
Apenas duas letras impressas em preto no centro.
N.M.
Abaixo delas:
CONFIDENCIAL
Noah guardou o envelope rapidamente dentro da mochila.
Ethan largou a taça.
“O que era isso?”
Noah fechou o zíper.
“Nada que diga respeito a você.”
Ethan olhou para a mochila.
Depois para Noah.
“N.M.?”
Noah não respondeu.
Ethan repetiu mentalmente aquelas duas letras.
Por um instante, sentiu que já havia visto aquilo em algum lugar.
Algum relatório.
Algum e-mail.
Talvez uma apresentação.
Seu celular vibrou sobre a mesa.
Ele olhou para a tela.
Era Daniel.
A mensagem tinha apenas uma linha.
Ethan, temos uma confirmação sobre N.M.
O coração dele acelerou.
Ethan abriu a conversa.
Antes que conseguisse ler a mensagem seguinte, olhou de novo para a mochila de Noah.
O envelope já não estava à vista.
Ethan franziu a testa.
Então a nova mensagem apareceu.
N.M. aceitou conversar conosco.
Ethan sorriu.
Ao lado dele, Noah terminou o último pedaço do sanduíche.
Sem dizer uma única palavra.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4