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"Sete Dias Antes do Altar, Ele Escolheu Outra" Parte 6 — A Noiva Que Não Chegou

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Parte 6 — A Noiva Que Não Chegou

Às dez da manhã, o salão estava dividido entre um casamento e uma operação de resgate empresarial.

De um lado, flores brancas cobriam o corredor por onde Helena deveria entrar. Do outro, um painel da Vértice exibia imagens do Projeto Horizonte e a promessa de sessenta milhões de reais em investimento.

Caio conferiu o celular pela décima vez.

Nenhuma mensagem.

“Ela vai chegar”, disse Rafael, embora parecesse tentar convencer a si mesmo.

Júlia ajustou o vestido azul-marinho e se aproximou de Caio.

“A cerimônia civil foi cancelada ontem. Talvez Helena não venha.”

“Ela está fazendo drama.”

“E se não estiver?”

Caio olhou para as fileiras cheias. Investidores, clientes, jornalistas e parentes esperavam. Ele não podia admitir que a mulher que financiara seu começo e sustentara sua imagem o havia abandonado no altar.

“Helena tem trinta e oito anos. Não vai jogar fora um casamento a esta altura da vida.”

Júlia sorriu de leve.

“Então vamos começar o lançamento enquanto ela aprende a ser razoável.”

Meia hora depois, ela subiu ao palco como mestre de cerimônias.

“Hoje celebramos duas uniões”, anunciou. “A de Caio e Helena, e a da Vértice com um futuro mais justo para milhares de famílias.”

As câmeras registraram Júlia ao lado do noivo. Algumas pessoas trocaram olhares ao perceber a intimidade entre eles.

Mauro fez um discurso sobre inovação. Caio apresentou o Casa Viva como a tecnologia que “sua equipe” desenvolvera ao longo de sete anos.

O nome de Helena não apareceu uma única vez.

Quando o relógio marcou onze horas, Caio perdeu a paciência.

“Ligue para o motorista”, ordenou a Rafael.

“Ele está no prédio dela desde as nove. O porteiro disse que Helena saiu de madrugada com uma mala.”

Um murmúrio atravessou o salão.

Camila Torres acabara de entrar carregando uma pasta preta e um pequeno estojo lacrado.

Caio desceu do palco.

“Onde está Helena?”

“Em um lugar onde você não pode obrigá-la a assinar nada.”

“Isto é uma festa particular.”

Camila mostrou o convite enviado por Júlia ao escritório dela para o lançamento empresarial.

“Fui convidada para a apresentação do Projeto Horizonte. E represento a autora do sistema que vocês estão oferecendo aos investidores.”

Mauro fez um sinal para a equipe de som cortar o microfone. Camila já havia conectado seu tablet ao painel reservado às apresentações dos convidados.

A primeira imagem apareceu.

Era a publicação anônima de Caio.

“Vou me casar com uma mulher nove anos mais velha. Hoje sinto mais gratidão do que amor.”

O salão mergulhou em silêncio.

Caio avançou.

“Desliguem isso!”

A tela mudou para a fotografia publicada por Júlia no Hotel Mirante. Em seguida vieram o recibo da suíte cobrado no cartão corporativo, a mensagem em que Caio dizia estar reunido com Mauro e o áudio gravado atrás da porta do escritório.

“Se eu tivesse conhecido você antes, talvez não tivesse escolhido Helena.”

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Um jornalista ergueu a câmera.

Júlia tentou sair do palco, mas Camila reproduziu a gravação do clube de golfe.

“Depois do casamento, o Casa Viva vai pertencer a Caio. Você vai ficar em casa, assinar o que ele mandar e agradecer por um homem mais jovem ainda querer você.”

As pessoas começaram a falar ao mesmo tempo.

“Isso é uma vingança pessoal!”, Caio gritou. “Não tem relação com a empresa.”

“Então vamos falar da empresa”, Camila respondeu.

O painel mostrou o relatório estrutural, a notificação de Helena e o registro de leitura de Caio. Depois, a voz dele preencheu o salão.

“Precisamos divulgar uma nota conjunta dizendo que a chuva comprometeu uma estrutura temporária.”

“A chuva não acessou seu perfil para aprovar a retirada da viga”, Helena respondia na gravação.

Os representantes do comitê de investimento se levantaram.

A presidente do comitê, uma economista chamada Beatriz Nogueira, pediu o microfone.

“Senhor Menezes, o senhor recebeu essa advertência antes do evento?”

Caio olhou para Mauro.

“Recebi um relatório excessivamente cauteloso. Minha equipe garantiu que não havia risco real.”

“Que integrante da equipe assinou essa garantia?”

Ele não respondeu.

Beatriz apontou para o painel.

“O registro mostra que a alteração foi aprovada pelo seu usuário executivo.”

“Júlia me informou que a validação técnica já estava concluída.”

Júlia deu um passo para trás.

“Você autorizou, Caio. Eu apenas encaminhei a opção de custo.”

Helena observou os dois começarem a dividir a culpa no mesmo palco onde haviam dividido o futuro dela.

“Nenhum dos dois tinha autoridade técnica para substituir minha aprovação”, sua voz saiu pelos alto-falantes. “Mesmo assim, usaram uma assinatura em meu nome e abriram a estrutura ao público.”

Beatriz fechou a pasta que tinha nas mãos.

“O investimento não poderá avançar sem esclarecimento sobre segurança e titularidade.”

Mauro se levantou imediatamente.

“Não tome decisões com base em um espetáculo emocional.”

Mauro tentou tomar o microfone.

“Esses materiais não foram verificados.”

“Serão”, disse uma voz na tela.

A imagem ao vivo de Helena substituiu os documentos.

Ela estava em uma sala de reuniões da Atlântica Arquitetura, em Florianópolis. Usava um blazer branco, o braço esquerdo imobilizado por uma tipoia discreta e o cabelo preso. Atrás dela, via-se o mar através de uma janela ampla.

Caio ficou imóvel.

“Helena?”

“Eu não fui ao salão para me casar, Caio. Vim por esta transmissão para encerrar duas coisas.”

Ela olhou diretamente para a câmera.

“A primeira é o nosso noivado. A cerimônia civil foi cancelada e não autorizo o uso da minha imagem, do meu nome ou de qualquer material pessoal para fingir que esta união aconteceu.”

“Se não queria se casar, bastava falar comigo!”, Caio respondeu. “Não precisava montar uma humilhação pública.”

“Eu teria encerrado a relação em particular se vocês não estivessem usando meu nome para captar dinheiro, aprovar uma obra insegura e vender direitos que nunca entreguei. Foram vocês que transformaram minha vida em material de apresentação.”

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Uma mulher da família de Caio começou a chorar. Ele não desviou os olhos da tela.

“Nós podemos conversar. Não faça isso diante de todos.”

“Você decidiu me esconder diante de todos. Eu decidi não esconder mais a verdade.”

Helena abriu o contrato em sua mesa.

“A segunda coisa é a licença do Casa Viva. Ela termina amanhã. Não será renovada.”

O diretor financeiro da Vértice se levantou tão depressa que derrubou a cadeira.

“Isso paralisa o Projeto Horizonte.”

“O projeto já deveria estar paralisado desde que minha aprovação foi falsificada e uma estrutura insegura foi aberta ao público.”

Helena mostrou uma sequência de cadernos, maquetes e arquivos datados. Fotografias antigas revelavam o Casa Viva anos antes de ela conhecer Caio. Na tela seguinte, vinte e sete versões digitais formavam uma linha contínua de desenvolvimento.

“Eu criei este sistema. Autorizei seu uso por sete anos porque acreditava no homem com quem pretendia construir uma vida. Nunca transferi a propriedade.”

Caio recuperou a voz.

“Você me deu o projeto.”

“Eu lhe dei uma licença.”

“Construí uma empresa em torno dele!”

“E apagou meu nome da empresa que construiu.”

Mauro subiu ao palco com uma folha nas mãos.

“Chega de teatro. Temos um instrumento de cessão definitiva assinado por Helena Duarte. Foi esse documento que apresentamos ao comitê.”

Ele colocou a página diante das câmeras. A assinatura falsa apareceu ampliada no painel.

Caio olhou para Helena com um alívio quase triunfante.

“Você assinou. Pode estar arrependida, mas não pode retirar o que já é nosso.”

“Nosso?”, Helena repetiu.

“Da Vértice. O documento passou pelo jurídico.”

Júlia voltou a sorrir. Mauro entregou cópias aos investidores, como se aquela página encerrasse a discussão.

Helena não elevou a voz.

“O primeiro depósito integral do Casa Viva foi registrado sob o número CV-2018-0417-HD. Ele contém cento e oitenta e seis páginas, sete modelos tridimensionais e uma assinatura validada antes da existência da Vértice.”

O sorriso de Júlia desapareceu.

Camila colocou o estojo lacrado sobre a mesa do projetor.

“Aqui estão o registro original, o histórico de versões e a cessão que chegou ao apartamento de Helena.”

Ela rompeu o lacre diante das câmeras.

“Já que Caio afirma que a assinatura é verdadeira, vamos comparar as duas agora.”

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