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"Sete Dias Antes do Altar, Ele Escolheu Outra" Parte 5 — Quando Ele Correu Para Ela

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Parte 5 — Quando Ele Correu Para Ela

Helena agarrou o corrimão antes que o piso cedesse por completo.

Uma placa de madeira caiu entre ela e a saída. Do outro lado, Júlia estava sentada no chão, com um corte superficial na testa.

“Caio!”, Helena gritou.

Ele olhou para as duas.

Por um segundo, os olhos dos dois se encontraram.

Então Júlia gemeu e levou a mão ao ventre.

Caio correu para ela.

Passou por Helena sem tentar retirar a placa que a prendia e tomou Júlia nos braços.

“Eu estou aqui. Não se mexa.”

Helena sentiu o corrimão soltar alguns centímetros.

Leandro apareceu por baixo da estrutura com dois operários. Eles apoiaram uma escada, cortaram uma tela de proteção e criaram uma passagem lateral.

“Doutora Helena, solte devagar. Nós seguramos.”

Ela desceu com a ajuda dos três. Ao tocar o chão, uma dor aguda atravessou seu ombro esquerdo. Havia sangue em sua manga, mas ela conseguia andar.

As sirenes se aproximavam. Jornalistas filmavam a plataforma destruída. Caio continuava ajoelhado ao lado de Júlia, sem olhar na direção de Helena.

Foi então que ela viu um homem sair do escritório provisório carregando uma unidade de armazenamento preta.

Era Vinícius, supervisor de segurança contratado por Mauro.

Helena conhecia aquele equipamento. O servidor local guardava as versões de obra, os registros de acesso e os arquivos enviados às equipes de montagem.

“Pare!”

Vinícius acelerou o passo.

Mesmo com o braço ferido, Helena atravessou o canteiro e bloqueou a porta lateral antes que ele alcançasse o estacionamento.

“Isso precisa ficar no local para a inspeção.”

“O senhor Gouveia mandou proteger os dados da empresa.”

“Protegê-los de quem? Dos peritos?”

Ele tentou passar. Helena ergueu o celular e filmou o rosto dele, o equipamento e o número de série.

“Se sair com esse servidor, todos saberão quem retirou uma prova minutos depois do desabamento.”

Vinícius hesitou.

Leandro e um bombeiro se aproximaram. O homem largou a unidade sobre uma mesa e recuou.

Helena informou ao responsável pela ocorrência que o equipamento continha os registros da alteração estrutural. Pediu que a retirada frustrada fosse anotada e ligou para Camila.

“Venha ao canteiro. Traga alguém para acompanhar a cópia técnica.”

“Você está bem?”

“Meu ombro pode esperar. O servidor, não.”

Camila chegou antes de Helena ser levada ao hospital. A extração foi acompanhada pelo responsável da obra, e cada cópia recebeu identificação própria.

Uma delas ficou vinculada ao registro da ocorrência. Outra foi selada por Camila. A terceira permaneceu com o responsável técnico do canteiro, que assinou o inventário diante de duas testemunhas.

Helena fotografou o documento. Se uma cópia desaparecesse, as outras duas ainda mostrariam quem acessara os arquivos e quando.

Somente depois disso Helena aceitou entrar na ambulância.

Antes que a porta se fechasse, uma inspetora responsável pelo isolamento do local pediu cinco minutos. Helena desceu da maca e explicou, diante da câmera corporal da equipe, quais elementos haviam sido removidos e onde estavam os registros originais.

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Caio tentou interromper.

“Minha noiva está ferida. Ela não tem condições de dar uma declaração técnica.”

Helena se virou para a inspetora.

“Tenho condições. E não sou porta-voz da Vértice.”

Entregou o protocolo dos dois avisos enviados antes do evento, incluindo a confirmação do diretor financeiro de que Caio assumira a decisão de prosseguir.

“Quero que conste que pedi a suspensão antes da entrada dos convidados.”

A inspetora registrou o horário e anexou as mensagens ao relatório preliminar.

“O servidor ficará retido no local até que a cadeia de acesso seja documentada.”

Helena concordou. Pela primeira vez desde o desabamento, permitiu que o socorrista a obrigasse a deitar.

No pronto atendimento, confirmaram que ela tinha uma luxação leve, dois cortes e nenhuma fratura.

Caio entrou no consultório quando a enfermeira terminava o curativo.

“Por que você não me disse que estava machucada?”

Helena soltou uma risada sem humor.

“Você estava ocupado.”

“Júlia poderia ter perdido o bebê.”

A mão da enfermeira parou por um instante.

Helena encarou Caio.

“Bebê?”

Ele desviou os olhos.

“Ela me contou na ambulância. Está no começo. Ainda precisamos confirmar tudo.”

A enfermeira consultou a ficha antes de sair.

“A senhora Sampaio foi encaminhada para exames. Até este momento, não há confirmação clínica de gestação no prontuário.”

Caio lançou um olhar irritado para a porta, mas não corrigiu o que acabara de dizer. Já falava daquela criança como fato porque a promessa de Júlia lhe servia melhor do que a verdade.

“E você acha que é seu?”

“Isso não importa agora.”

“Para o homem que queria filhos, parece importar bastante.”

Caio fechou a porta do consultório.

“Helena, escute. A imprensa está transformando o incidente em desastre. Mauro pode retirar o investimento. Precisamos divulgar uma nota conjunta dizendo que a chuva da madrugada comprometeu uma estrutura temporária.”

“A chuva não acessou seu perfil às duas e dezessete da manhã para aprovar a retirada da viga.”

O rosto dele perdeu a cor.

“Você viu o registro?”

“Vi.”

“Eu aprovei uma redução de custo. Júlia disse que a equipe técnica já tinha validado.”

“Meu contrato exige minha validação. Você sabia que não a tinha.”

“Não é hora de procurar culpados.”

“É exatamente a hora.”

Caio se aproximou da maca.

“Se você confirmar que foi uma falha pontual, eu consigo manter o projeto vivo. Depois do casamento, resolvemos internamente.”

“Não haverá declaração falsa.”

“Você vai destruir tudo o que construímos por orgulho?”

Helena tocou o celular no bolso. A gravação estava ativa.

“O que foi destruído hoje quase caiu sobre vinte pessoas. Se depender de mim, ninguém vai esconder isso.”

Caio a olhou como se ela fosse sua inimiga.

“Júlia tinha razão. Você nunca soube me apoiar sem tentar me controlar.”

“E você nunca soube receber apoio sem chamar de seu aquilo que veio de mim.”

Ele saiu e bateu a porta.

Helena esperou alguns segundos antes de deixar o ar escapar. Do corredor, ouviu a voz chorosa de Júlia.

“Se você perder a empresa, nosso filho perde o futuro.”

“Eu vou resolver”, Caio prometeu. “Helena vai assinar.”

“Ela está diferente. Você precisa garantir isso antes do casamento.”

Helena enviou a gravação do consultório a Camila.

Recebeu alta no fim da tarde. Em casa, retirou da mala tudo o que pertencia à mulher que planejava uma lua de mel e colocou apenas roupas de trabalho, documentos e os cadernos do Casa Viva.

Cancelou a cerimônia civil, o celebrante e as autorizações emitidas em seu nome. Pediu ao cerimonial que removesse suas fotografias, mas não cancelou o salão.

O contrato do espaço também pertencia à Vértice. Se Helena encerrasse tudo, Caio transferiria o lançamento para um lugar onde Camila talvez não conseguisse entrar.

André mandou a passagem para Florianópolis.

“Posso ir buscar você”, escreveu.

“Não precisa. Só quero uma mesa, uma conexão estável e o contrato pronto.”

“Você terá os três.”

Naquela noite, enquanto Helena fechava a mala, chegou uma mensagem de voz de Júlia.

“Amanhã você pode até colocar o vestido e fingir que é a esposa de Caio. Mas a empresa será minha. O filho será meu. E o futuro dele também. No fim da festa, você vai descobrir que não recebeu nada além de um sobrenome.”

Helena ouviu uma única vez.

Encaminhou o áudio a Camila e digitou:

“Coloque na última página.”

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