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"Sete Dias Antes do Altar, Ele Escolheu Outra" Parte 4 — A Mulher Que Envergonhava o Noivo

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Parte 4 — A Mulher Que Envergonhava o Noivo

Helena transformou o medo em documentos.

Enviou o relatório estrutural ao coordenador do Projeto Horizonte, aos diretores da Vértice e aos responsáveis técnicos pela montagem. Anexou a comparação entre a planta aprovada e a versão executada, identificou os pontos removidos e declarou que qualquer liberação emitida em seu nome sem confirmação direta deveria ser considerada contestada.

Copiou Camila em tudo.

O coordenador respondeu que a apresentação seria mantida por decisão da diretoria da Vértice. Helena pediu o nome do responsável técnico que assumiria a liberação. Ninguém respondeu.

Ela enviou uma segunda mensagem:

“Sem identificação, ensaio atualizado e assinatura de um profissional habilitado, registro formalmente minha oposição à abertura da plataforma.”

Desta vez, o diretor financeiro confirmou o recebimento e escreveu que Caio Menezes assumira a decisão executiva de prosseguir. Helena salvou o e-mail em três formatos.

Camila ligou logo depois.

“Agora eles não podem dizer que você apenas fez um comentário informal.”

“Ainda podem impedir o evento.”

“Podem. A pergunta é se escolherão pessoas ou dinheiro.”

Às 21h17, recebeu a confirmação de leitura de Caio.

O telefone tocou menos de um minuto depois.

“Você perdeu a noção?”, ele perguntou, sem sequer cumprimentá-la. “Mandou um relatório alarmista para o conselho inteiro.”

“Mandei uma análise técnica.”

“Na véspera da apresentação para a imprensa. Você sabe o que Mauro vai pensar?”

“Espero que pense em impedir pessoas de subir naquela plataforma.”

“O engenheiro da obra disse que aguenta.”

“Então peça que ele assine a alteração e apresente os novos ensaios.”

O silêncio confirmou que Caio não tinha nenhum dos dois.

“Helena, não faça isso comigo agora. Faltam quatro dias para o nosso casamento.”

Ela olhou para o vestido branco diante da janela.

“É justamente por faltar tão pouco que você deveria parar de mentir.”

Antes que ele perguntasse o que ela queria dizer, Helena desligou.

Na tarde seguinte, uma funcionária do cerimonial entregou o vestido escolhido para o jantar de investidores da Vértice. Caio insistira que Helena comparecesse. Segundo ele, sua presença provaria que o casal e a empresa estavam unidos.

O vestido era verde-esmeralda, de corte reto, elegante sem ser chamativo.

Quando Helena entrou no salão do hotel, todas as conversas pareceram diminuir ao mesmo tempo.

Júlia estava ao lado de Caio usando um vestido quase idêntico.

Mesma cor. Mesmo decote. Mesma faixa de cetim na cintura.

“Que coincidência”, Júlia disse, tocando o próprio colar. “Talvez a estilista tenha confundido os pedidos.”

Helena reconheceu o sorriso. Não fora um erro.

Um fotógrafo pediu que as duas se aproximassem de Caio. Júlia se colocou à direita dele antes que Helena se movesse, e Caio permitiu que ela segurasse seu braço.

“Senhor Menezes, qual delas é a noiva?”, brincou um jornalista.

Algumas pessoas riram.

Caio soltou Júlia depressa, mas a vergonha em seu rosto não estava dirigida à amante. Ele olhou para Helena como se a simples presença dela tivesse criado o constrangimento.

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“Helena é minha noiva.”

“E a senhora também trabalha na Vértice?”, o jornalista perguntou.

“O principal sistema apresentado pela Vértice foi criado por mim.”

Caio segurou o microfone antes que ela continuasse.

“Helena colaborou no início. Hoje prefere uma vida mais tranquila.”

Ela o encarou.

Durante sete anos, recusara entrevistas para que ele ocupasse o palco. Agora, Caio transformava seu silêncio em incapacidade.

“Não foi isso que eu disse.”

O sorriso dele se tornou rígido.

“Conversamos depois.”

Mauro apareceu com duas taças e ofereceu uma a Helena.

“Seu noivo está sob muita pressão. Não leve tudo tão a sério.”

“Uma plataforma sem verificação estrutural merece ser levada a sério.”

“Podemos resolver essa preocupação sem envolver o conselho.” Ele indicou uma varanda reservada. “Jante comigo amanhã. A sós. Talvez eu encontre uma forma de apoiar suas exigências.”

Helena abriu a bolsa como se procurasse um lenço e ativou o gravador.

“O senhor está condicionando uma decisão de segurança a um encontro particular?”

Mauro se aproximou demais.

“Estou dizendo que pessoas flexíveis recebem apoio. Você é uma mulher experiente. Sabe como o mundo funciona.”

“Sei. Por isso prefiro que repita diante de testemunhas.”

Helena ergueu o celular entre os dois. O cronômetro da gravação corria na tela.

Mauro perdeu a cor.

“Você está me ameaçando?”

“Estou recusando seu convite.”

Caio surgiu antes que Mauro respondesse. Levou Helena até o corredor com a mão apertada em seu braço.

“Você gravou o homem que vai financiar a empresa?”

“Ele tentou trocar apoio técnico por acesso a mim.”

“Mauro fala assim com todo mundo. Você poderia ter saído da conversa sem criar um inimigo.”

“Essa é sua resposta?”

Caio soltou o braço dela e passou a mão pelo rosto.

“Minha resposta é que estou cansado. Júlia resolve problemas. Você transforma tudo em confronto.”

“Júlia retirou uma peça de segurança de um projeto que não sabe calcular.”

“Ela reduziu custos. É para isso que existe uma diretora com visão de futuro.”

“E eu represento o quê?”

Caio olhou para o salão, certificando-se de que ninguém os ouvia.

“Você é brilhante, Helena. Mas sua postura, sua idade, essa maneira de corrigir todos em público... Os investidores querem juventude, movimento. Quando você entra em uma sala, eles sentem que a empresa está presa ao passado.”

Por um instante, o corredor pareceu inclinar.

Helena já lera aquelas palavras no fórum. Ainda assim, ouvi-las da boca do homem por quem sacrificara sete anos produziu uma dor mais limpa e definitiva.

“E quando Júlia entra?”

“Ela faz as pessoas enxergarem o futuro.”

“Então aproveite a vista.”

Helena voltou ao salão sem esperar por ele.

Júlia a seguiu até o banheiro.

“Finalmente entendeu por que Caio precisa de mim?”

Helena lavou as mãos, tranquila.

“Entendi por que ele escolheu você.”

“Depois do casamento, você vai sair de cena. Ele já decidiu. Você fica em casa, nós cuidamos da Vértice e todos ganham.”

“Todos?”

“Você ganha um marido. Na sua idade, não é pouco.”

Helena secou as mãos e se virou.

“Não conte com um casamento que ainda não aconteceu.”

O sorriso de Júlia desapareceu.

“O que você está planejando?”

“Garantir que ninguém use meu nome para matar alguém.”

Helena saiu antes que a outra mulher recuperasse a voz.

Em casa, enviou nova notificação, desta vez informando que não reconhecia a liberação apresentada pelo projeto. Camila confirmou o recebimento e orientou os destinatários a preservar todos os arquivos.

Às seis da manhã, Helena recebeu uma mensagem de Leandro, um jovem arquiteto da obra.

“Ignoraram seu relatório. A apresentação vai acontecer às nove. Já estão levando jornalistas para a plataforma.”

Helena vestiu a primeira roupa que encontrou e dirigiu até o canteiro.

Chegou quando Caio conduzia Mauro e um grupo de repórteres pelo módulo principal. Júlia sorria diante das câmeras, falando sobre inovação e baixo custo.

Helena correu para a entrada.

“Tirem todos daí!”

Caio a viu e abriu os braços, furioso.

“Não faça um escândalo.”

Um estalo metálico cortou o ar.

Helena reconheceu o som antes de qualquer outra pessoa.

A conexão lateral cedeu.

O piso inclinou sob os convidados, uma grade se soltou e parte da plataforma desabou diante das câmeras ligadas.

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