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"Sete Dias Antes do Altar, Ele Escolheu Outra" Parte 2 — A Assinatura Escondida

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Parte 2 — A Assinatura Escondida

Helena não tocou na folha durante vários segundos.

A assinatura parecia sua. O “H” inclinado, o traço curto no fim do sobrenome, até a pequena falha que sua caneta costumava deixar quando ela escrevia depressa.

Mas era uma imagem impressa.

Ela pegou uma luva descartável no kit de maquetes, colocou o documento dentro de um envelope transparente e fotografou a pasta exatamente como a recebera.

Depois ligou para Camila Torres.

“Preciso que você venha ao meu apartamento sem comentar com ninguém.”

Camila chegou quarenta minutos depois, ainda com a credencial do escritório de advocacia presa ao blazer.

Leu a primeira página, depois a segunda. Na terceira, ergueu os olhos.

“Isto não é parte de um acordo pré-nupcial. É uma cessão patrimonial completa.”

“Eu sei.”

“Você assinou alguma versão digital?”

“Nunca.”

Camila aproximou o documento da luz.

“Se a Vértice usar isso diante de investidor ou órgão público, não estamos falando apenas de uma briga entre noivos. Precisamos preservar a origem da pasta, os arquivos e todas as comunicações.”

Helena entregou o celular com as capturas do fórum e do hotel.

“Caio está com Júlia.”

Por um instante, a expressão profissional de Camila desapareceu.

“Eu vou matá-lo.”

“Não. Vai me ajudar a descobrir o que eles pretendem fazer com o meu trabalho.”

Camila a observou com atenção.

“Você quer confrontá-lo?”

“Ainda não. Se ele acha que eu continuo cega, vai continuar deixando rastros.”

Elas trabalharam até o início da tarde. Camila digitalizou a pasta, registrou a sequência das páginas e guardou o original em um envelope lacrado. Helena localizou o contrato assinado sete anos antes.

A Vértice tinha licença para usar o sistema Casa Viva apenas em projetos previamente aprovados por ela. O prazo terminaria no dia seguinte à data marcada para o casamento.

Qualquer renovação exigia autorização expressa.

“Agora entendo a pressa”, Camila disse. “Sem sua assinatura, o principal produto da empresa perde a base de uso daqui a oito dias.”

“Quem poderia ter conseguido uma cópia da sua assinatura?”

Helena abriu o histórico da pasta compartilhada que usava com a Vértice. Durante anos, guardara ali contratos, notas fiscais e autorizações técnicas. Caio tinha acesso administrativo. Júlia também.

Onze dias antes, uma conta vinculada ao e-mail corporativo de Júlia baixara um contrato antigo assinado por Helena. O arquivo fora aberto novamente três horas antes da cessão falsa ser protocolada no comitê.

Camila fotografou a tela e solicitou a preservação dos registros de acesso.

“Agora sabemos de onde provavelmente retiraram a imagem. Não responda ao e-mail dela sem me avisar.”

Helena alterou as senhas, encerrou todas as sessões remotas e retirou da Vértice o acesso aos arquivos que não faziam parte da licença. Quando terminou, percebeu que suas mãos já não tremiam.

O interfone tocou.

Caio entrou no apartamento com um buquê de lírios e um sorriso cansado.

“Não esperava encontrar você aqui, Camila.”

“Vim salvar uma noiva de cláusulas abusivas.”

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Ele riu, mas os olhos foram direto para a pasta sobre a mesa.

“São documentos padrão. Minha equipe já revisou tudo.”

Helena fechou a pasta devagar.

“Ainda não li.”

“Nem precisa perder tempo. Assine onde marquei.”

“Faço isso amanhã.”

Caio beijou a testa dela, aliviado demais para alguém que dizia não ter nada a esconder.

“Eu sabia que podia confiar em você.”

Helena sustentou o olhar dele.

“Sempre confiou.”

Na tarde seguinte, Júlia telefonou dizendo que Mauro Gouveia queria conhecer oficialmente a noiva de Caio antes de confirmar o investimento no Projeto Horizonte.

O encontro seria em um clube de golfe nos arredores de São Paulo.

Quando Helena chegou, Caio franziu a testa.

“O que você está fazendo aqui?”

Júlia apareceu ao lado dele com uma saia branca curta e óculos escuros.

“Eu convidei. O senhor Gouveia perguntou pela sua noiva.”

Mauro se aproximou alguns minutos depois. Tinha cabelos grisalhos, bronzeado artificial e o hábito de avaliar as pessoas como imóveis à venda.

Seus olhos passaram por Helena e pararam em Júlia.

“Finalmente conheço a futura senhora Menezes. Vocês formam um belo casal.”

Júlia riu, fingindo constrangimento.

Caio demorou antes de corrigir.

“Minha noiva é Helena.”

Mauro ergueu as sobrancelhas.

“Perdão. Pensei que fosse sua irmã. Júlia tem tanta intimidade com você que a conclusão parecia óbvia.”

Helena sentiu os olhares dos executivos ao redor, mas sorriu.

“Conclusões apressadas costumam custar caro, senhor Gouveia.”

Mauro soltou uma gargalhada.

Caio segurou Helena pelo cotovelo e a afastou alguns passos.

“Você precisava responder assim?”

“Ele me insultou.”

“É o homem que pode colocar sessenta milhões no nosso projeto.”

“Nosso?”

Caio soltou o braço dela.

“Não comece.”

Pouco depois, Júlia pediu que ele a ensinasse a jogar. Caio ficou atrás dela, ajustou seus braços e pousou as mãos em sua cintura diante de todos.

Helena retirou o celular da bolsa como se conferisse mensagens. Ativou a gravação.

Júlia esperou Caio se afastar para buscar bebidas e se aproximou.

“É difícil competir com vinte e cinco anos, não é?”

“Não estou competindo.”

“Deveria. Caio quer filhos. Uma família jovem. Uma mulher que acompanhe o ritmo dele.”

“E você acredita que será essa mulher?”

Júlia passou a mão pelo ventre ainda plano.

“Algumas coisas não dependem de acreditar.”

Helena não desviou o olhar.

“Cuidado, Júlia. Mentiras grandes demais costumam esmagar quem está embaixo.”

O sorriso da jovem vacilou.

“Você sempre fala como se fosse dona de tudo.”

“Não. Só sei reconhecer o que é meu.”

Júlia se inclinou, baixando a voz.

“Depois do casamento, o Casa Viva vai pertencer a Caio. Você vai ficar em casa, assinar o que ele mandar e agradecer por um homem mais jovem ainda querer você.”

Helena encerrou a gravação somente quando ouviu os passos de Caio retornando.

Durante o almoço, fingiu interesse nos arranjos do casamento. Concordou em rever os documentos naquela noite e perguntou, casualmente, quando Mauro apresentaria o contrato ao comitê de investimento.

“Já apresentamos tudo”, Júlia respondeu, antes que Caio pudesse impedi-la.

O silêncio à mesa foi curto, mas revelador.

“Tudo?”, Helena perguntou.

Caio pegou a taça de água.

“Ela quer dizer a proposta geral.”

Helena sorriu e mudou de assunto.

No banheiro do clube, enviou a gravação a Camila.

A resposta chegou quando ela retornava ao campo.

“Consegui acesso à relação de anexos entregues ao comitê. Há três dias, a Vértice protocolou uma cessão definitiva do Casa Viva assinada por você.”

Helena releu a mensagem.

O documento encontrado em casa não era apenas uma tentativa.

Alguém já estava usando sua assinatura falsa para vender uma empresa que nunca possuíra o que dizia possuir.

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