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"Sete Dias Antes do Altar, Ele Escolheu Outra" Parte 1 — Sete Dias

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Parte 1 — Sete Dias

Faltavam sete dias para o casamento quando Helena Duarte descobriu que o noivo tinha vergonha dela.

Ela estava no ateliê do apartamento, escolhendo entre duas versões do convite digital, quando uma publicação anônima apareceu na tela do celular.

“Vou me casar com uma mulher nove anos mais velha. Ela me ajudou durante sete anos, mas hoje sinto mais gratidão do que amor.”

Helena parou de respirar.

O autor usava a fotografia de um edifício recortado contra o pôr do sol. A mesma imagem que Caio mantinha como papel de parede no tablet da empresa.

Ela abriu a publicação.

“Quando nos conhecemos, eu não tinha nada. Ela vendeu parte do estúdio para investir no meu projeto. Agora sou CEO, frequento eventos com gente importante, e todos acham que ela é minha irmã mais velha.”

O coração de Helena bateu com força, mas seus dedos permaneceram imóveis sobre a tela.

Não podia ser coincidência.

Sete anos antes, aos trinta e um, ela conhecera Caio em uma incubadora de negócios da Universidade de São Paulo. Ele tinha vinte e dois, uma apresentação desastrosa e uma ideia promissora para reduzir o custo de moradias populares.

Helena já pesquisava o assunto havia anos. Foi ela quem transformou os desenhos confusos dele em uma proposta possível. Foi ela quem vendeu sua participação em um pequeno escritório e colocou quatrocentos e oitenta mil reais na empresa que viria a se tornar a Vértice Urbana.

Caio jurava que nunca esqueceria.

No início, chamava Helena de mentora. Depois, passou a esperá-la na saída do trabalho com café e flores. Quando se declarou, insistiu que não confundia admiração com amor.

“Eu não quero ser salvo por você”, dissera. “Quero crescer até poder caminhar ao seu lado.”

Helena acreditou.

Agora, leu a frase seguinte.

“Minha diretora de marca tem vinte e cinco anos. Com ela, eu me sinto jovem. Com minha noiva, sinto que já entrei na velhice antes dos trinta.”

O celular tocou.

Era Rafael, assistente de operações da Vértice.

“Helena, aconteceu uma confusão no escritório. O Caio se machucou discutindo com um fornecedor. Você pode vir?”

Ela se levantou tão rápido que derrubou a caixa com as amostras dos convites.

Durante todo o trajeto até a Vila Olímpia, tentou encontrar uma explicação que não a destruísse.

Talvez alguém tivesse copiado a história deles. Talvez a fotografia fosse comum. Talvez Caio estivesse realmente ferido e ela fosse uma péssima pessoa por pensar primeiro em traição.

A porta da sala dele estava entreaberta.

Helena levantou a mão para bater, mas ouviu a voz de Júlia Sampaio.

“Você não devia ter discutido com Mauro por minha causa.”

Pela fresta, Helena viu Júlia pressionar uma gaze contra o corte na sobrancelha de Caio. A jovem usava um vestido creme justo e estava tão perto dele que os joelhos dos dois se tocavam.

“Gouveia não tinha o direito de falar com você daquele jeito”, Caio respondeu.

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“E Helena? Se souber que você enfrentou o maior investidor da empresa por mim, ela vai ficar com ciúme.”

Caio segurou o pulso de Júlia antes que ela afastasse a gaze.

“Helena nunca precisa de ninguém. Você precisa.”

Júlia abaixou os olhos, escondendo um sorriso.

“Daqui a uma semana você vai ser um homem casado.”

O silêncio durou dois segundos.

“Se eu tivesse conhecido você antes”, Caio murmurou, “talvez não tivesse escolhido Helena.”

Júlia se inclinou e o beijou.

Caio não recuou.

Passou a mão pela cintura dela e a trouxe para mais perto.

Helena sentiu uma dor funda, como se alguma coisa tivesse se partido dentro do peito sem fazer barulho.

Não entrou. Não gritou. Não ofereceu aos dois o alívio de transformá-la em uma mulher descontrolada.

Abriu a câmera, fotografou a porta, o relógio do corredor e a placa com o número da sala. Depois ativou a gravação por alguns segundos, o suficiente para registrar as vozes.

Enquanto voltava para o elevador, salvou a publicação anônima e criou duas cópias em pastas diferentes.

Caio ligou antes que ela chegasse à garagem.

“O Rafael disse que chamou você. Não precisa vir. Foi só um corte.”

“Entendi.”

“Tenho uma reunião com o Mauro hoje à noite. Vou chegar tarde.”

Helena olhou para o próprio reflexo na porta metálica do elevador. Aos trinta e oito, ela tinha os cabelos castanhos presos em um coque baixo, o rosto quase sem maquiagem e olheiras que não estavam ali no começo daqueles sete anos.

“Boa reunião”, disse.

Caio pareceu estranhar a calma.

“Está tudo bem?”

“Estou resolvendo algumas coisas do casamento.”

Não era mentira.

Helena desligou e, pela primeira vez, não tentou adivinhar o que precisava fazer para que ele voltasse a amá-la.

Precisava descobrir quanto da vida dela Caio pretendia levar quando o casamento acabasse.

Às dez da noite, Júlia publicou uma imagem temporária. Duas taças diante das luzes de São Paulo. No canto da fotografia, a mão de Caio repousava sobre a dela, com o relógio que Helena lhe dera no primeiro contrato da Vértice.

A localização marcava o terraço do Hotel Mirante.

Um minuto depois, chegou uma mensagem de Caio.

“A reunião vai demorar. Não me espere acordada.”

Helena tirou uma captura de tela.

Em seguida, abriu um contato que não procurava havia quase dois anos.

André Bastos atendeu no terceiro toque.

“Duarte? Se você está ligando para dizer que finalmente aceitou minha proposta, vou registrar este momento.”

A voz brincalhona do antigo rival quase desfez o controle dela.

Helena respirou fundo.

“A vaga de diretora de projeto em Florianópolis ainda é minha?”

Do outro lado, André ficou sério.

“Sempre foi.”

“Então prepare o contrato. Chego em oito dias.”

“E o casamento?”

Helena olhou para o vestido branco pendurado diante da janela.

“Não haverá casamento.”

Na manhã seguinte, um mensageiro entregou uma pasta da Vértice. Caio havia marcado com adesivos os lugares onde ela deveria assinar antes da cerimônia.

Havia o contrato do buffet, a autorização para uso de imagem no lançamento do Projeto Horizonte e os documentos do acordo pré-nupcial.

Helena leu cada página.

No meio delas, encontrou um título que fez o sangue gelar em suas mãos.

CESSÃO DEFINITIVA E IRREVOGÁVEL DE DIREITOS — SISTEMA CASA VIVA.

No último campo, abaixo do nome dela, já havia uma assinatura.

Só que Helena nunca a tinha feito.

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