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"Ele Me Traiu com Minha Melhor Amiga — Então Descobri os R$ 18 Milhões" Capítulo 6 — Dezoito Milhões de Razões

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Capítulo 6 — Dezoito Milhões de Razões

Quando completamos seis semanas de investigação, Daniel pediu que eu fosse ao escritório de Renata antes das oito da manhã.

Renata já estava na sala.

Marcos também.

Não havia café sobre a mesa.

Foi assim que soube que tínhamos encontrado alguma coisa séria.

Daniel colocou um relatório diante de mim.

“Este é o total atual.”

Baixei os olhos.

R$ 18.043.772.

Por alguns segundos, o número não significou nada. Meu cérebro reconheceu os algarismos, mas se recusou a transformá-los em dinheiro real.

“Dezoito milhões?”

“Dezoito milhões, quarenta e três mil, setecentos e setenta e dois reais.”

“Desaparecidos?”

Daniel escolheu as palavras antes de responder.

“Movimentados por transações que exigem explicação. Pagamentos sem comprovação adequada, fornecedores com estrutura incompatível, serviços duplicados e transferências entre empresas relacionadas.”

“Você está dizendo que Gustavo roubou dezoito milhões da Atlas.”

“Estou dizendo que esse valor saiu da Atlas por operações que não parecem compatíveis com uma atividade empresarial legítima. Determinar se houve apropriação, fraude ou outro crime cabe às autoridades.”

Renata tocou o relatório.

“Mas é grave.”

“Muito.”

Abri a primeira seção.

Os nomes conhecidos estavam ali: Porto Azul, Serra Clara, Carvalho Sul e Prado Soluções. Havia ainda outras empresas menores, algumas usadas uma única vez.

Em seguida, encontrei o nome que importava.

Gustavo Ferraz.

Assinaturas.

Códigos de autorização.

Aprovações eletrônicas.

O nome dele reaparecia em página após página.

“Ele sabe que chegamos a esse valor?”

“Não”, Daniel respondeu.

“Aline sabe?”

“Nada indica que sim.”

Aline acreditava que tinha tirado de mim um empresário poderoso. Não imaginava que talvez tivesse escolhido um homem em pé sobre uma cratera financeira.

Virei outra página.

“É por isso que ele quer encerrar o divórcio.”

Renata assentiu.

“É a hipótese mais coerente.”

“Por que me incluir naquela cláusula se eu nunca tive participação na Atlas?”

“Porque, se surgirem perguntas depois, ele quer usar sua assinatura para afirmar que houve divulgação suficiente e que você renunciou a qualquer discussão ligada à empresa.”

Fechei o relatório.

Gustavo não estava sendo generoso porque sentia culpa. Não queria paz. Queria portas fechadas antes que alguém olhasse para dentro.

“O que fazemos agora?”

Daniel se recostou.

“Organizamos o que pode ser demonstrado e separamos claramente o que é fato, o que é indício e o que ainda precisa de confirmação.”

“E depois?”

Renata respondeu:

“Preservamos tudo e encaminhamos as informações pelos meios legais. Nós não decidimos se houve crime. Mas podemos colocar os registros diante de quem tem autoridade para investigar.”

“Façam isso.”

Daniel me observou.

“Depois que sair das nossas mãos, talvez você não controle mais o ritmo.”

“Eu não quero controlar a investigação. Quero impedir que ele enterre a verdade dentro do meu divórcio.”

Marcos, que permanecera quase todo o tempo em silêncio, apontou para a lista de despesas pessoais.

“Quando isso se tornar formal, Gustavo vai dizer que você está usando o caso para destruí-lo.”

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“Ele já diz isso sempre que faço uma pergunta.”

“Também pode culpar Aline, funcionários ou fornecedores e alegar que agiram sem autorização.”

Olhei novamente para as assinaturas e os códigos.

“Por isso cada documento precisa indicar de onde veio, quem o guardou e quando foi obtido.”

Daniel assentiu.

“Já estamos montando essa cadeia.”

“E a Atlas?” Perguntei. “Se tudo for entregue de uma vez, a empresa pode parar? Há funcionários que não têm nada a ver com isso.”

Renata fechou a pasta.

“Nossa obrigação não é proteger Gustavo das consequências. Mas podemos encaminhar os dados sem exposição pública e permitir que as autoridades e os órgãos de controle da empresa adotem as medidas adequadas.”

“Não quero nenhum vazamento para a imprensa.”

“Nem eu”, disse Daniel. “Um vazamento destruiria a credibilidade do trabalho e poderia dar a ele tempo para construir uma defesa em torno de informações incompletas.”

Tomei a decisão ali.

“Nada de ameaças. Nada de avisos. Nada de usar o relatório para negociar vantagem pessoal.”

Renata me encarou com atenção.

“Nem se ele melhorar a proposta de divórcio?”

“Principalmente nesse caso. Se o dinheiro não é dele, não é uma moeda que eu possa aceitar.”

Daniel virou o relatório para si e anotou a orientação na primeira página.

Naquele momento, parei de tratar a descoberta como uma arma de vingança.

Ela seria evidência.

Naquela manhã, autorizei cada medida necessária.

Os arquivos foram preservados em versões verificáveis. Renata cuidou das comunicações formais. Informações relevantes chegaram às pessoas certas sem ameaças, vazamentos ou mensagens impulsivas para Gustavo.

Primeiro vieram pedidos de esclarecimento.

Depois, solicitações de documentos.

Então o assunto deixou de ser apenas uma disputa entre marido e mulher.

Gustavo ainda não sabia até onde tínhamos chegado, mas começou a sentir a pressão.

As mensagens dele mudaram.

“Leve o tempo que precisar.”

Dias depois:

“Precisamos resolver isso como adultos.”

Depois:

“Meu advogado diz que você está atrasando tudo sem motivo.”

Por fim:

“Catarina, assine logo esse maldito acordo.”

Salvei cada mensagem.

Aline tentou outro caminho.

“Eu sei que você me odeia.”

Não respondi.

“O que aconteceu entre mim e Gustavo não foi planejado.”

Silêncio.

“Eu nunca quis machucar você.”

Fiquei olhando para aquela frase.

Então digitei:

“Mas machucou.”

Os três pontos apareceram e desapareceram várias vezes.

“Eu me apaixonei.”

Fechei os olhos. Quando tornei a abri-los, escrevi:

“Espero que ele tenha valido o preço.”

A resposta veio imediatamente.

“O que isso quer dizer?”

Não expliquei.

Ela descobriria em breve.

Dois dias depois, o advogado de Gustavo exigiu uma reunião presencial para concluir o acordo. Gustavo queria que Aline estivesse presente.

Renata me telefonou.

“Posso recusar a presença dela.”

Olhei para o relatório de Daniel sobre a minha mesa.

“Não recuse.”

“Você quer Aline lá?”

“Quero.”

“Por quê?”

“Porque Gustavo contou uma mentira diferente para cada uma de nós. Quero vê-lo decidir qual delas tentará defender quando estivermos na mesma mesa.”

Renata demorou a responder.

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“Então vamos estabelecer limites. Você não mostra documentos que Daniel não tenha liberado. Não acusa Gustavo de um crime. Se ele perder o controle, encerramos a reunião.”

“E o acordo?”

“Você não assina. Levarei uma contraproposta, mas só a colocarei sobre a mesa depois que entendermos a reação dele.”

“Aline precisa ouvir o nome das empresas.”

“Por quê?”

“Porque ela usa o apartamento. Se Gustavo deu alguma explicação sobre a Porto Azul, a reação dela pode confirmar qual história ele contou.”

Renata apoiou o telefone sobre a mesa.

“Não provoque uma resposta. Deixe que ela fale.”

“É exatamente o que pretendo fazer.”

Pela primeira vez, a presença de Aline não pareceu uma nova humilhação.

Pareceu o erro mais útil que Gustavo poderia cometer.

Naquela noite, Daniel ligou.

“O procedimento avançou. Foi emitida uma ordem formal para a entrega de registros ligados à Atlas e às empresas que identificamos.”

Sentei-me na beirada da cama.

“Você tem uma cópia?”

“Tenho.”

“Leve amanhã.”

Ele ficou em silêncio por um instante.

“Para a reunião do divórcio?”

“Sim.”

“Catarina, isso não pode virar teatro.”

“Eu sei. Mas foi Gustavo quem convidou a plateia.”

Daniel soltou o ar.

“Vou esperar seu sinal.”

Depois da ligação, abri uma folha em branco e escrevi três regras para o dia seguinte.

Não discutir o casamento.

Não preencher o silêncio de Gustavo.

Não revelar mais do que os documentos sustentavam.

Em seguida, coloquei o acordo dele na bolsa. Não para assinar, mas para devolver exatamente como recebera.

Na manhã seguinte, entrei no café dos Jardins acompanhada de Renata.

Gustavo já estava sentado diante do acordo. Aline ocupava a cadeira ao lado dele, usando meu perfume e a pulseira que eu ajudara a escolher.

Eles achavam que eu tinha ido me render.

Durante quase uma hora, deixei que repetissem a própria versão da história. Então Gustavo empurrou o documento na minha direção.

“Assine.”

Deslizei as folhas de volta.

“Não.”

Peguei o celular e toquei no nome de Daniel.

“Chegou a hora.”

Do outro lado do salão, a porta do café começou a se abrir.

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