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"Ele Me Traiu com Minha Melhor Amiga — Então Descobri os R$ 18 Milhões" Capítulo 3 — A Cláusula Que Ele Queria Esconder

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Capítulo 3 — A Cláusula Que Ele Queria Esconder

Uma semana depois de eu pedir o divórcio, Gustavo se tornou estranhamente cooperativo.

Cooperativo demais.

Disse que queria preservar nossa dignidade. Concordou que deveríamos resolver tudo “como adultos”. Pediu confidencialidade e mandou uma proposta com rapidez suficiente para parecer eficiência.

Renata não se impressionou.

Eu estava sentada diante dela quando abriu o documento pela segunda vez e marcou um parágrafo em amarelo.

“Ele está fechando portas.”

“Eu também quero terminar logo.”

“Vocês estão com pressa por motivos diferentes.”

Ela girou o notebook na minha direção.

O texto exigia que eu reconhecesse não ter interesse, conhecimento ou pretensão futura sobre passivos, obrigações e responsabilidades relacionados à Atlas, além de conceder quitação ampla sobre informações financeiras ainda não apresentadas.

“Isso é normal?”, perguntei.

“Alguma proteção é comum. Esta amplitude, não.”

“O que ele ganha se eu assinar?”

“A possibilidade de dizer, mais tarde, que você sabia o suficiente para abrir mão de qualquer questionamento.”

Reli o parágrafo.

“Mas eu não sei de nada.”

“Exatamente.”

A palavra ficou entre nós.

Peguei o celular e abri a conversa com Gustavo.

Naquela manhã, ele escrevera que a proposta era “mais generosa do que eu poderia esperar” e que prolongar o divórcio só aumentaria os honorários de todos.

Mostrei a mensagem a Renata.

“Quero fazer uma pergunta antes de recusarmos.”

Ela entendeu imediatamente.

Escrevi para ele diante dela:

“Antes de assinar, preciso das informações sobre as obrigações da Atlas mencionadas na cláusula de quitação.”

A resposta chegou em menos de um minuto.

“Você nunca teve participação na Atlas. Isso não diz respeito a você.”

Digitei outra mensagem.

“Se não diz respeito a mim, por que preciso renunciar a qualquer direito relacionado a isso?”

Os três pontos surgiram na tela. Desapareceram. Voltaram.

Gustavo não respondeu à pergunta.

Em vez disso, ligou.

Deixei o telefone tocar até parar.

Logo depois, recebi uma nova mensagem:

“Pare de criar problemas onde não existem e assine.”

Renata leu por cima do meu ombro.

“Agora sabemos que a cláusula não entrou ali por acaso.”

Salvei a conversa e encaminhei uma cópia para ela.

“E ele acaba de me dar um motivo para não assinar.”

Eu tinha passado uma semana dormindo pouco, trabalhando demais e evitando qualquer lugar onde pudesse encontrar uma lembrança de Aline. Ainda assim, a cláusula despertou algo que a dor tinha abafado.

Minha atenção.

“Por que ele precisa disso agora?”

“Pode ser excesso de cautela do advogado.”

Renata fechou a tampa da caneta.

“Ou pode haver alguma coisa do outro lado dessa porta.”

Naquela noite, li a proposta mais uma vez no apartamento que alugara em Moema.

Então me lembrei do escritório de Gustavo em casa.

Nos últimos seis meses, ele havia mudado a senha do notebook. Parara de deixar papéis sobre a mesa. Começara a atender certas ligações no jardim ou dentro do carro.

Quando eu entrava no cômodo sem avisar, ele minimizava a tela.

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Eu atribuía tudo à pressão na Atlas.

Um mês antes de descobrir o caso, vi Aline sair daquele escritório com um envelope pardo nas mãos.

Ela sorriu ao me encontrar no corredor.

“Gustavo está me ajudando com umas coisas do apartamento.”

Eu não perguntei que coisas.

Por que perguntaria?

Ela era minha melhor amiga. Ele era meu marido.

A confiança transforma sinais terríveis em gestos inofensivos.

Liguei para Renata.

“Quero saber o que estou prestes a renunciar.”

Houve uma pausa.

“Então precisamos de informações.”

“Sobre o caso?”

“Também.”

“Eu já sei que aconteceu.”

“Saber não é o mesmo que documentar. E a parte financeira exige ainda mais cuidado.”

Foi assim que conheci Marcos Nogueira.

Ele tinha trabalhado com investigação de fraudes em seguros antes de abrir o próprio escritório. Não usava sobretudo, não prometia milagres e não tinha câmeras escondidas em canetas.

Parecia um homem comum, com olhos pacientes e uma preocupação quase irritante com limites legais.

Gostei disso.

Sentamo-nos na sala de reuniões de Renata.

“Quero que documente o relacionamento”, eu disse. “E quero saber se Gustavo usou algum patrimônio nosso ou recurso ligado à empresa para sustentar Aline.”

Marcos apoiou um gravador desligado sobre a mesa, apenas para que todos víssemos que não estava registrando nada sem autorização.

“Não vou invadir telefone, conta, computador ou imóvel”, explicou. “Posso acompanhar movimentações em locais públicos, verificar registros disponíveis e organizar informações que sua advogada tenha direito de obter.”

“É o suficiente?”

“Se houver um padrão, normalmente o padrão deixa rastros.”

“Então encontre os rastros.”

Nas duas primeiras semanas, ele confirmou o que eu já sabia.

Gustavo e Aline jantavam juntos. Entravam e saíam do mesmo prédio. Passavam noites num condomínio de luxo no Itaim Bibi. Gustavo ainda aparecia na nossa casa, mas o apartamento se tornara o lugar onde vivia a versão da vida que havia prometido a ela.

As fotografias não me chocaram.

O que me perturbou foi a naturalidade.

Aline usando uma chave. Gustavo carregando compras. Os dois discutindo com o manobrista como qualquer casal cansado depois de um dia longo.

Enquanto eu passava noites tentando compreender quando minha vida se tornara mentira, eles já haviam construído uma rotina dentro dela.

Marcos me ligou numa quinta-feira.

“Encontrei uma coisa.”

“Outro hotel?”

“Não.”

“Um segundo apartamento?”

“Mais ou menos.”

Fechei a porta do meu escritório.

“O que isso significa?”

“O apartamento do Itaim. Eles usam o imóvel com frequência, mas o contrato não está no nome de Gustavo nem no de Aline.”

“No nome de quem está?”

“De uma empresa.”

“Qual?”

Ouvi papéis sendo movidos do outro lado da linha.

“Porto Azul Suprimentos Ltda.”

O nome não significava nada para mim.

“É dele?”

“Não aparece diretamente como sócio. A empresa foi aberta havia pouco tempo, usa um serviço de endereço comercial e não apresenta um histórico operacional claro.”

“Talvez seja um investimento.”

“Talvez.”

A pausa seguinte foi curta, mas suficiente para apertar meu estômago.

“O problema é outro, Catarina.”

“Qual?”

“Os pagamentos ligados ao apartamento parecem voltar para a Atlas Logística Médica.”

Levantei-me devagar.

“Como?”

“É aí que meu trabalho termina. Eu consigo mostrar o imóvel, o contrato e as conexões públicas. Não consigo reconstruir uma contabilidade empresarial inteira.”

“Quem consegue?”

“Conheço alguém.”

Olhei para o acordo de divórcio aberto sobre minha mesa. Para a cláusula que Gustavo queria que eu assinasse sem fazer perguntas.

Uma semana antes, eu acreditava que ele só queria esconder uma amante.

Agora, uma empresa sem rosto pagava pelo apartamento onde os dois se encontravam, e o dinheiro parecia sair da Atlas.

“Marcos”, eu disse, “marque a reunião.”

“Tem certeza?”

“Tenho.”

Passei o dedo pela linha amarela no documento.

Gustavo queria que eu abrisse mão de tudo o que ainda não sabia.

Eu havia decidido descobrir exatamente o que era.

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