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"Ele Me Traiu com Minha Melhor Amiga — Então Descobri os R$ 18 Milhões" Capítulo 1 — Eles Achavam Que Eu Ia Me Render

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Capítulo 1 — Eles Achavam Que Eu Ia Me Render

Meu marido levou a amante dele para a reunião do nosso divórcio.

A amante, por acaso, era a minha melhor amiga havia vinte anos.

Gustavo estava sentado diante de mim, no canto mais reservado de um café nos Jardins. Uma das mãos repousava sobre a mesa. A outra permanecia perto demais da mão de Aline.

Eles não chegavam a entrelaçar os dedos.

Isso teria sido óbvio demais.

Em vez disso, Aline tocava o braço dele a cada poucos segundos, como se precisasse me lembrar, sem dizer uma palavra, de que agora podia fazer aquilo na minha frente.

O perfume dela ocupava o espaço entre nós.

Eu conhecia aquele perfume. Tinha comprado o primeiro frasco para o aniversário de trinta e cinco anos de Aline.

Essa era a estranheza da traição. Nem sempre eram os grandes acontecimentos que causavam a dor mais funda. Não eram as mensagens escondidas, os recibos ou a primeira fotografia do meu marido beijando minha melhor amiga.

Às vezes, era algo ridículo.

Um perfume.

Um suéter que eu havia emprestado.

A pulseira de ouro no pulso dela, que eu mesma ajudara Gustavo a escolher quando ele disse que queria agradecer a Aline por tantos anos de amizade e apoiá-la depois de uma separação difícil.

Olhei para a pulseira e quase ri.

Eles tinham me incluído na compra da minha própria humilhação.

Minha advogada, Renata Azevedo, estava ao meu lado, com um bloco fechado diante dela. O advogado de Gustavo ocupava a cadeira oposta.

No centro da mesa estava o acordo que Gustavo acreditava que eu assinaria.

Ele empurrou o documento na minha direção.

“Pronto”, disse. “Você teve tempo suficiente para analisar.”

Não toquei nas folhas.

“Tive.”

Aline apertou de leve o braço dele.

Aquele movimento mínimo fez algo gelado se acomodar no meu peito.

Ela me olhou com uma doçura ensaiada.

“Cati, eu sei que tudo isso é muito difícil.”

Não respondi de imediato. Já tinha atravessado a dor, a raiva e o luto. O que me calava agora era a coragem dela.

Vinte anos de aniversários, funerais e telefonemas no meio da madrugada.

Vinte anos dizendo que éramos irmãs.

E, depois de tudo, ela ainda se julgava no direito de usar aquela voz comigo.

Recostei-me na cadeira.

“É?”

Ela piscou.

“É o quê?”

“Difícil.”

Gustavo soltou o ar com impaciência.

“Catarina.”

Olhei para ele.

Ele havia trocado de camisa desde aquela manhã. Eu sabia porque, durante catorze anos, tinha reparado em tudo.

Sabia que ele odiava colarinhos apertados. Que dobrava as mangas duas vezes, nunca três. Que esfregava o polegar direito no centro da palma esquerda quando mentia.

Ele fazia isso debaixo da mesa.

Uma vez.

Duas.

Três.

“Nós não viemos aqui para brigar”, disse ele.

“Não. Pelo visto, viemos para você trazer a mulher com quem me traiu e assistir enquanto eu abro mão dos meus direitos.”

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O sorriso de Aline desapareceu.

O advogado de Gustavo baixou os olhos. Renata permaneceu imóvel.

“Você disse que queria resolver tudo rápido”, Gustavo insistiu.

“E quero.”

“Então resolva.”

Finalmente, puxei o acordo para perto.

Gustavo relaxou.

Aline também.

Foi naquele instante que compreendi o que esperavam de mim. Talvez lágrimas, gritos ou uma cena no meio do café. Mas, por baixo de tudo, esperavam rendição.

Gustavo sempre confundira silêncio com fraqueza.

Aline sempre confundira gentileza com estupidez.

Como pedi o divórcio logo depois de confrontá-los, os dois concluíram que eu desejava escapar tanto daquela vergonha que aceitaria qualquer coisa.

Passei os olhos pela última página.

Então empurrei o documento de volta.

“Eu não vou assinar.”

A segurança sumiu do rosto de Gustavo de uma vez.

“O quê?”

“Não vou assinar.”

Aline inclinou a cabeça e recuperou a voz compassiva que usara quando minha mãe morreu, quando perdi meu primeiro grande cliente e quando apareceu chorando na porta da minha casa, três meses antes, com duas malas.

Naquela noite, eu lhe dei um quarto, uma chave e um lugar que ela chamou de seguro. Abasteci a geladeira com a água com gás de que gostava. Sentei-me com ela no chão da cozinha às duas da manhã enquanto chorava por ter descoberto que o homem em quem confiava mentia olhando em seus olhos.

Em algum momento entre aquelas conversas, ela começou a dormir com o meu marido.

Talvez tivesse começado antes.

“Cati”, ela sussurrou, “não torne isso mais difícil do que precisa ser.”

“Mais difícil para quem?”

Gustavo fechou a expressão.

“Se isso é uma tentativa de me punir...”

“Não é.”

“Então o que você quer?”

Observei o polegar dele voltar à palma da mão.

De repente, entendi algo que levara meses para aceitar.

Eles não eram inteligentes.

Eram previsíveis.

Só tinham se beneficiado do fato de eu confiar neles.

Havia uma diferença.

Três meses antes, eu descobrira o caso.

Dois meses antes, contratara um investigador.

Seis semanas antes, descobrira algo que nenhum dos dois sabia.

O adultério não era a maior traição.

O dinheiro era.

Peguei o celular.

Os olhos de Gustavo acompanharam o movimento.

“Para quem você está ligando?”

Não respondi. Toquei em um nome, e a chamada foi atendida no primeiro toque.

“Sou eu”, disse.

Mantive os olhos em Gustavo.

“Daniel, chegou a hora.”

Gustavo empalideceu.

Não pareceu irritado ou confuso.

Pareceu aterrorizado.

Aline também viu.

“Gustavo?”

Ele não olhou para ela.

“Quem é Daniel?”

Ninguém respondeu.

“Gustavo, quem é ele?”

Coloquei o telefone sobre a mesa.

“Não se preocupe, Aline. Ele não é meu namorado. Não é um amigo e certamente não é uma distração pós-separação.”

“Chega, Catarina”, Gustavo ordenou.

“Então quem é?”, Aline perguntou.

“Daniel Siqueira é perito contábil.”

O silêncio caiu sobre a mesa.

O advogado de Gustavo parou de fingir que lia. Renata cruzou as mãos sobre o bloco.

“Nas últimas seis semanas”, continuei, “ele rastreou dinheiro passando por empresas sem atividade real, contas ocultas e registros comerciais que não fecham.”

Gustavo se levantou.

“A reunião acabou.”

Renata falou pela primeira vez.

“Sente-se, Gustavo.”

Ela não elevou a voz. Não precisava.

O advogado dele tocou seu cotovelo.

“É melhor ouvir.”

Devagar, Gustavo tornou a se sentar.

A porta do café se abriu atrás de mim.

Não precisei me virar. Reconheci a chegada de Daniel na expressão do homem com quem eu tinha dividido catorze anos.

Daniel atravessou o salão com uma pasta preta. Vestia um terno cinza e carregava a tranquilidade de quem não precisava levantar a voz porque trouxera documentos.

Puxou a cadeira vazia ao meu lado, sentou-se e abriu a pasta.

Retirou três dossiês. Por último, colocou sobre a mesa a cópia da ordem que exigia a entrega de registros ligados à Atlas Logística Médica.

Gustavo ficou imóvel.

Daniel uniu as mãos.

“Antes que seu advogado recomende que o senhor não responda”, disse, “tenho uma pergunta.”

O maxilar de Gustavo se contraiu.

Daniel empurrou a primeira página na direção dele.

“O senhor prefere explicar agora para onde foram os R$ 18.043.772 ou esperar que as autoridades façam a mesma pergunta?”

Aline recuou na cadeira.

“Dezoito milhões?”

Ninguém olhou para ela.

Gustavo me encarou com ódio. Mas havia algo melhor escondido debaixo daquele ódio.

Medo.

O medo que ele esperava encontrar em mim.

Pela primeira vez desde que descobri meu marido na cama da minha melhor amiga, senti uma calma absoluta.

Durante três meses, Gustavo acreditara que a pior coisa que eu sabia era que ele tinha me traído.

Ele não fazia ideia de que eu descobrira o que começara muito antes de Aline entrar na nossa casa.

E não fazia a menor ideia de como eu havia chegado até ali.

 

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