"Minha Irmã Me Jogou na Piscina — e o Noivo Dela Cancelou a Lua de Mel" Capítulo 4
Os comentários aumentaram durante a madrugada.
Helena pediu que Elisa não lesse. Daniel também desligou as notificações e passou a responder apenas ao advogado que cancelava a cerimônia civil marcada para segunda-feira.
— A festa aconteceu — explicou ele a Elisa. — O registro civil, não. Íamos assinar no cartório depois da viagem.
— Vanessa vai dizer que você usou uma brecha.
— Ela pode dizer.
— Você está mesmo decidido?
Daniel olhou para a gravação pausada.
— O empurrão encerrou. Os problemas começaram muito antes.
Três semanas antes do casamento, Vanessa dera um tapa na mão de uma funcionária durante a vistoria do hotel. Disse que a mulher segurara seu pulso primeiro. Daniel pedira as imagens de segurança e descobrira que era mentira.
— Por que ficou? — Elisa perguntou.
— Ela chorou. Disse que o casamento estava transformando ela numa pessoa que não reconhecia.
— E você quis acreditar.
— Quis.
Na semana seguinte, Daniel encontrou mensagens de Vanessa para um primo dele. Ela chamava os pais do noivo de mesquinhos por recusarem mais vinte e cinco mil reais em fogos de artifício.
Quando confrontada, Vanessa exigiu que Daniel escolhesse entre a futura esposa e a família.
— Mesmo assim, você foi até o altar — Elisa disse.
Daniel encostou as costas na cadeira.
— Duzentas pessoas tinham comprado passagem.
Elisa soltou o ar pelo nariz. Conhecia decisões mantidas apenas porque muita gente já havia se acomodado ao erro.
— Achei que depois da festa tudo ficaria mais calmo — ele acrescentou.
Ricardo entrou com café e ouviu a última frase.
— Casamento não seda ninguém — disse.
Daniel pegou o copo.
— Você avisou.
— Avisei uma vez. Depois fiquei quieto para não perder meu filho.
A frase fez os dois homens olharem um para o outro. Ricardo deixou o café de Elisa na mesa e saiu.
Daniel esfregou a testa.
— Passei dois anos editando a realidade. Insulto virava confiança. Mentira virava estresse. Humilhação com você virava briga de irmãs.
— Meus pais fizeram o mesmo.
— Eu vi você desaparecer na água.
Elisa ergueu os olhos.
— Por quanto tempo ela ficou parada?
— Uns três segundos.
— Antes de pedir ajuda?
— Ela não pediu. Os convidados correram.
Daniel segurou o copo com as duas mãos.
— Eu percebi que, se assinasse o civil na segunda, tudo o que viesse depois também seria uma escolha minha.
Helena chegou com a resposta do hotel. A câmera fixa do terraço existia e os arquivos estavam preservados. A seguradora solicitara cópia por causa da nova lesão.
— Ainda não vimos — disse. — A administração fará a extração acompanhada amanhã.
Elisa apontou para o celular de Daniel.
— E isso aqui?
— Serve para mostrar parte do fato. A câmera do hotel pode mostrar o que aconteceu antes.
Elisa pediu privacidade. Não queria dar entrevista nem transformar Daniel em herói. Ele testemunhara e tomara uma decisão sobre a própria relação. A história continuava sendo sobre a mão dela, a conduta de Vanessa e uma família treinada para diminuir dano.
Na véspera da cirurgia, Elisa voltou para casa por algumas horas. Paulo, seu pai, estava na cozinha lavando uma xícara já limpa.
— Você está bem? — ela perguntou.
Ele fechou a torneira.
— Não.
— Eu também não.
Paulo tentou abraçá-la e parou ao lembrar do ombro. Beijou sua testa.
— Eu devia ter falado com sua irmã antes.
— Quando?
— Muitas vezes.
— Vai falar agora?
— Não sei como.
Elisa pegou a bolsa com a mão esquerda.
— Descobre.
Na manhã da segunda cirurgia, Lúcia e Paulo esperaram no corredor. Ricardo conversou com o cirurgião e não tentou usar o título de médico para interferir.
Uma enfermeira entrou empurrando um vaso de rosas brancas.
O cartão dizia:
Espero que você melhore. Sinto muito que tudo tenha saído do controle.
Elisa leu duas vezes e entregou as flores ao pai.
— Joga fora.
Paulo olhou para o vaso, depois para a porta da sala cirúrgica.
Desta vez, não defendeu Vanessa.
Durante a cirurgia, Lúcia andou do elevador à janela até Ricardo pedir que se sentasse. Paulo ficou com o vaso de rosas no estacionamento por alguns minutos antes de colocá-lo numa lixeira externa.
— Parece cruel — Lúcia disse quando ele voltou.
— A carta não pede desculpa.
— Ela não sabe como.
Paulo olhou para a porta fechada do centro cirúrgico.
— Elisa também não sabia operar um braço. Aprendeu porque precisou.
Daniel chegou perto do meio-dia. Trazia uma mochila com roupas de Elisa que buscara no hotel a pedido de Helena. Entregou a Paulo e se sentou distante de Lúcia.
— Vanessa perguntou por você? — Lúcia arriscou.
— Meu advogado está falando com ela.
— A cerimônia…
— Foi simbólica. O civil de segunda está cancelado.
Lúcia começou a dizer que decisões tomadas sob choque podiam ser revistas. Ricardo interrompeu:
— O filho é meu. Eu não pedi revisão.
O cirurgião apareceu depois das quatro. A fixação fora refeita, sem dano adicional durante o procedimento. Recuperação dependeria do tempo, da resposta nervosa e da fisioterapia.
Paulo ouviu até o fim e perguntou quando poderia ver a filha. Lúcia perguntou se Elisa acordaria naquela noite. Daniel não perguntou nada sobre Vanessa.
No quarto, Elisa abriu os olhos e encontrou o pai sentado perto da porta. A mãe esperava no corredor porque Helena registrara a preferência da paciente por visitas curtas.
— As flores? — Elisa perguntou.
— Foram embora.
— Obrigada.
Paulo puxou a cadeira, mas não procurou uma frase que absolvesse ninguém.
— Vou ficar aqui até você mandar sair.
Elisa fechou os olhos. O pai permaneceu.
Daniel apareceu no fim da visita e entregou a Paulo a confirmação do cancelamento nas Maldivas. A agência reteve uma multa, mas devolveria a maior parte em trinta dias.
— Não quero falar de dinheiro hoje — Elisa murmurou.
— Nem precisa — Daniel respondeu.
Ele deixou também o comprovante de cancelamento do cartório e uma cópia da mensagem enviada a Vanessa: a relação estava encerrada, qualquer assunto passaria pelos advogados, e ele não participaria de campanha pública contra ela.
— Ela vai tentar entrar — Paulo disse.
— Meu advogado avisou a portaria do prédio onde estou ficando.
Daniel colocou os papéis na mochila. Antes de sair, olhou a mão imobilizada de Elisa.
— Quando você tiver alta, me avisa só se quiser.
Ela assentiu. A porta fechou sem promessa de intimidade.
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