"Minha Irmã Me Jogou na Piscina — e o Noivo Dela Cancelou a Lua de Mel" Capítulo 2
A voz da atendente continuou no telefone enquanto Daniel atravessava o saguão.
Atrás dele, Vanessa repetia seu nome. Elisa seguiu apoiada em Ricardo, com os pés descalços deixando marcas de água no mármore.
— Confirme por e-mail — Daniel disse. — Hoje.
Ele encerrou a ligação e guardou o aparelho.
— Você destruiu tudo! — Vanessa gritou da porta do terraço.
Daniel não virou.
Na ambulância, Ricardo explicou ao paramédico a reconstrução nervosa, a queda e a perda súbita de movimento. Elisa permaneceu deitada, o braço preso numa tipoia improvisada. A ponta do vestido pingava sobre o piso de borracha.
— Posso perder o enxerto? — ela perguntou.
Ricardo apertou a barra lateral da maca.
— A ressonância vai mostrar.
— Isso é um sim.
— É uma possibilidade.
Daniel seguiu no carro do pai. Quando chegou à clínica, a camisa estava manchada de água nos punhos. Sentou-se na sala de espera e não atendeu às setenta e três mensagens que Vanessa enviou naquela noite.
A ressonância terminou perto da meia-noite. O cirurgião de plantão colocou as imagens na tela e apontou uma área irregular no trajeto reparado.
— O enxerto sofreu uma ruptura parcial.
Elisa olhou para o teto.
— Quanto perdi?
— Ainda é cedo para medir. A condução nervosa caiu. Pode ser necessário operar de novo.
— Eu tinha voltado a mexer os dedos.
— Sei. Vamos controlar o edema e repetir os testes amanhã.
Três meses de exercícios cabiam agora numa mão que não fechava. Elisa lembrava do primeiro copo levantado, do primeiro botão preso sem ajuda e da manhã em que conseguiu lavar o próprio cabelo.
Daniel permaneceu do lado de fora até o médico sair. Ricardo sentou ao lado dele.
— A cerimônia civil era segunda-feira — o pai disse.
— Não vai acontecer.
— Tem certeza?
Daniel mostrou a tela do telefone. A foto de perfil de Vanessa ainda era uma imagem dos dois sorrindo sob o arco de flores.
— Eu devia ter tido antes.
À uma e sete da manhã, Lúcia entrou no quarto de Elisa. A maquiagem escorrera, e ela segurava a bolsa contra o peito.
— Você precisa conversar com Daniel.
Elisa virou o rosto.
— Mãe.
— Vanessa se trancou no banheiro do hotel. Ele mandou retirar as coisas da suíte e cancelou o casamento civil.
— Meu enxerto rasgou.
— Eu sei, querida. Sinto muito, só que…
— Só que ela está chorando mais alto.
Lúcia se aproximou da cama.
— Sua irmã estava bebendo. Foram dezoito meses de pressão.
— Ela sabia que eu não podia nadar.
— Ela não entendeu que seria tão sério.
— Entendeu, sim.
Daniel estava na porta, segurando dois copos de água. Colocou um sobre a mesa e permaneceu no corredor.
Lúcia se virou.
— Daniel, por favor. Vanessa ama você.
— Eu ouvi a conversa antes de ela seguir Elisa.
Elisa ergueu a cabeça.
— Que conversa?
— Vanessa reclamou que todos perguntavam da sua recuperação. Depois disse: "Talvez eu dê a ela um motivo de verdade pra chorar."
Lúcia perdeu a cor.
— Isso pode ter sido uma frase solta.
— Para de fazer isso — Daniel respondeu.
A voz dele saiu baixa. Ricardo apareceu alguns passos atrás, mas não entrou.
— Fazer o quê?
— Trocar o nome das coisas. Quando Vanessa humilha alguém, é personalidade forte. Quando grita, está pressionada. Quando bate numa funcionária, teve uma crise. Quando joga a irmã numa piscina, bebeu demais.
Lúcia apertou a alça da bolsa.
— Você não conhece minhas filhas como eu.
— Eu conheço o que vi hoje.
Elisa fechou os olhos. Desde criança, a sequência era a mesma: Vanessa explodia, Lúcia explicava, Paulo saía do cômodo e Elisa consertava.
Daniel abriu a porta do quarto.
— Elisa precisa descansar.
Lúcia olhou para a filha, esperando que ela interviesse.
Elisa puxou o lençol com a mão esquerda.
— Eu não vou consertar o casamento dela.
A mãe saiu sem responder.
Três minutos depois, o celular de Daniel vibrou. Um padrinho enviara um vídeo gravado no terraço.
— É a piscina? — Elisa perguntou.
Ele aproximou a cadeira e apertou play.
A gravação durava quarenta e sete segundos. Vanessa seguia Elisa. Olhava para os lados. Dizia a frase sobre água fria e empurrava com as duas mãos.
O aparelho baixava no instante da queda. Quando voltava a filmar, dois homens já corriam. Vanessa permanecia na borda, rindo.
Carla entrava no quadro.
— Você fez mesmo?
Vanessa sorria para ela.
— Eu disse que faria.
Daniel pausou o vídeo. Seu polegar ficou suspenso sobre a tela.
— O que foi? — Elisa perguntou.
Ele ampliou o rosto de Carla.
— Tem mais coisa aqui.
Ricardo fechou a porta do quarto e pediu que Daniel não ligasse para a madrinha no meio da madrugada. Primeiro precisavam preservar o arquivo exatamente como chegara.
Daniel encaminhou o vídeo ao advogado, mantendo a mensagem original do padrinho. Também anotou o horário, o aparelho de origem e quem estava presente quando abriu.
— Parece exagero — disse Elisa.
— Amanhã sua irmã pode dizer que editaram.
— Ela vai dizer.
Daniel colocou o telefone sobre a mesa, fora do alcance de qualquer copo. Elisa observou o quadro congelado: Vanessa junto à piscina, Carla à esquerda e um convidado já se inclinando para correr.
— Você conhecia esse lado dela? — perguntou.
— Conhecia pedaços e dava nomes melhores.
Ele contou sobre garçons que Vanessa fizera chorar, presentes devolvidos porque não pareciam caros e uma discussão no aniversário de Ricardo que terminou com uma taça quebrada. Em cada episódio, Daniel aceitara a explicação seguinte.
— Hoje acabou a legenda bonita — disse.
Uma enfermeira entrou para conferir o braço. O edema aumentara, e Elisa não identificou o toque no dedo mínimo. A profissional marcou a perda de sensibilidade e elevou o suporte da mão.
— O cirurgião passa às sete.
Quando ficaram sozinhos, Elisa pediu que Daniel fosse embora e dormisse.
— Vou esperar meu pai.
— Você não me deve vigília.
— Eu estava lá. Vou dar meu depoimento e cuidar da parte que é minha.
Ele levou o segundo copo de água até o criado-mudo e saiu para a sala de espera. Não tocou nela nem tentou ocupar o lugar de uma pessoa íntima.
Elisa ficou olhando para a própria mão até amanhecer. Cada tentativa de movimento terminava no mesmo dedo imóvel. Quando o medo apertava, ela voltava ao vídeo e à frase que Daniel ouvira antes da queda.
Vanessa não tropeçara numa ideia. Caminhara atrás dela com a ideia pronta.
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