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"Fingi Ser a Noiva do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — Meu Próprio Sangue

正文开头

Dante permaneceu olhando para a assinatura de Ricardo por tempo demais.

Isabela esperava uma explosão.

Ela não veio.

Ele simplesmente fechou a pasta.

"Acabou."

Isabela franziu a testa.

"O quê?"

"Essa investigação."

"Você acabou de descobrir que Ricardo validou uma prova que pode ter sido falsificada."

"Eu sei o que descobri."

"Não parece."

Dante levantou os olhos.

"Ricardo estava comigo quando meu pai morreu."

"Isso não significa que ele seja inocente."

"Também não significa que seja culpado."

Isabela respirou fundo.

"Você passou três anos acreditando que Camila era culpada por causa daqueles registros."

"Não só por causa deles."

"Mas eles foram importantes."

"Sim."

"E agora sabemos que podem ter sido manipulados."

Dante se levantou.

"Chega."

Isabela não recuou.

"Por que você consegue desconfiar de todo mundo menos dele?"

A pergunta acertou.

Ela percebeu imediatamente.

Dante caminhou até a janela.

"Porque quando Augusto morreu, metade da família tentou arrancar um pedaço do que ele deixou."

Isabela ficou em silêncio.

"Conselheiros desapareceram. Sócios mudaram de lado. Homens que jantavam nesta casa começaram a fazer acordos pelas minhas costas."

Ele olhou para ela.

"Ricardo ficou."

"Isso não prova nada."

"Ele colocou a própria vida em risco."

"Há quanto tempo vocês são próximos?"

"Desde crianças."

Dante deu um sorriso sem humor.

"Ele é meu primo no papel. Na prática, cresceu como meu irmão."

Isabela sentiu a resistência dele.

Não era lógica.

Era lealdade.

"Meu pai morreu numa quinta-feira. Na sexta, três pessoas tentaram tomar o controle do grupo."

Dante voltou à mesa.

"Ricardo passou aquela noite inteira comigo."

"Eu entendo."

"Não. Você não entende."

A voz dele ficou mais dura.

"Você chegou aqui há poucos dias e agora acha que pode desmontar vinte anos de história porque encontrou uma assinatura."

Isabela ficou ferida.

"Eu estou tentando descobrir a verdade."

"Eu não pedi."

"Talvez esse seja o problema."

Dante a encarou.

"Qual?"

"Você não quer a verdade se ela vier da pessoa errada."

Silêncio.

Ele apontou para a porta.

"Não continue."

"Está falando sério?"

"Completamente."

"Você quer que eu finja que não vi?"

"Quero que pare de investigar."

"Por quê?"

"Porque você não sabe com quem está mexendo."

"Nem você, aparentemente."

Dante bateu a mão na mesa.

"Isabela."

Ela se calou.

Pela primeira vez, a voz dele realmente a assustou.

Não pelo volume.

Pela raiva.

Dante respirou fundo e baixou o tom.

"Isso já custou uma pessoa."

Isabela entendeu.

Camila.

"Não vou deixar custar outra."

A raiva dela diminuiu.

Só um pouco.

"Você está tentando me proteger?"

"Estou tentando impedir que faça uma estupidez."

"É quase romântico quando você fala assim."

Dante não sorriu.

"Prometa."

"Prometer o quê?"

"Que não vai procurar Ricardo, não vai voltar ao hospital e não vai investigar mais nada sobre Camila."

Isabela hesitou.

Dante percebeu.

"Isabela."

"Está bem."

"Está bem o quê?"

Ela revirou os olhos.

"Eu prometo."

"Quero ouvir direito."

"Eu prometo que não vou continuar investigando."

Dante sustentou o olhar por alguns segundos.

正文1

Depois assentiu.

"Obrigada."

Ela virou para sair.

"Isabela."

Parou.

Dante segurava o anel.

Aquele que ela havia devolvido.

Ele o colocou sobre a mesa entre os dois.

"Vai precisar disso amanhã."

"Por quê?"

"Almoço com minha mãe."

Isabela olhou para a joia.

"Isso parece uma ameaça."

"Às vezes é."

Ela pegou o anel.

Mas não colocou.

No fim daquela tarde, Teresa encontrou Isabela na estufa da mansão.

Ela estava regando uma fileira de orquídeas, embora aquela tarefa não fosse mais responsabilidade dela.

"Você sente falta de trabalhar."

Isabela não se virou.

"Sinto falta de saber o que eu deveria fazer."

Teresa aproximou-se.

"Brigou com meu filho."

"Como sabe?"

"Ele saiu daqui com a cara que fazia aos quinze anos quando perdia uma discussão."

Isabela sorriu.

"Ele nunca admite que perdeu."

"Nisso não mudou nada."

Teresa sentou-se no banco de madeira.

"Foi por causa de Ricardo?"

Isabela parou.

"Como a senhora sabe?"

"Porque nesta casa quase todas as brigas importantes acabam sendo por causa de um Montenegro."

Isabela pousou o regador.

"Dante não quer que eu investigue."

"E você?"

"Prometi que não faria."

Teresa a observou.

"Entendo."

Havia alguma coisa estranha no tom.

A mulher abriu a bolsa.

Tirou uma pequena chave de metal.

Velha.

Escurecida pelo tempo.

Estendeu para Isabela.

Ela não pegou.

"O que é isso?"

"Uma chave."

"Essa parte eu percebi."

Teresa não sorriu.

"Era de Augusto."

Isabela ficou séria.

"Do seu marido?"

"Sim."

"Abre o quê?"

"Um galpão na Mooca."

Isabela recuou.

"Não."

Teresa ergueu uma sobrancelha.

"Não?"

"Eu acabei de prometer ao seu filho que não vou investigar."

"Então não investigue."

"Por que está me dando uma chave?"

"Porque eu sou uma senhora de sessenta e quatro anos. Posso dar presentes."

Isabela soltou uma risada incrédula.

"Isso não é um presente."

"Talvez seja."

Teresa colocou a chave sobre o banco.

"Augusto mantinha aquele lugar longe dos negócios oficiais."

"Por quê?"

"Nunca me contou."

"Então por que a senhora tem a chave?"

"Porque encontrei escondida depois que ele morreu."

Isabela olhou para o metal.

"Por que não entregou para Dante?"

Teresa demorou a responder.

"Porque naquela época eu não sabia em quem confiar."

"E agora sabe?"

Teresa olhou diretamente para ela.

"Estou tentando descobrir."

Isabela sentiu um arrepio.

"Se Dante souber..."

"Se meu filho descobrir que entreguei isso a você, ele nunca vai me perdoar."

"Isso não ajuda."

"Não era para ajudar."

Teresa levantou-se.

Deixou a chave no banco.

"Faça o que achar certo."

Naquela noite, Isabela tentou ignorá-la.

Às dez, ainda estava pensando na chave.

Às onze, ligou para Bruno.

Ele atendeu no segundo toque.

"Senhora Isabela."

"Não começa."

"Desculpe."

"Preciso de um favor."

"Se envolver esconder alguma coisa do Dante, a resposta é não."

Silêncio.

Bruno suspirou.

"Que horas?"

Quarenta minutos depois, um SUV preto saiu pelo portão lateral da mansão.

Bruno dirigia.

Isabela estava no banco do passageiro.

"Quero registrar que isso é uma péssima ideia."

正文2

"Registrado."

"Se ele descobrir, eu perco meu emprego."

"Eu também."

Bruno olhou para ela.

"Você é a noiva."

"Falsa."

"Meu desemprego será verdadeiro."

O galpão ficava numa rua antiga da Mooca, entre oficinas fechadas e prédios industriais.

Não havia placa.

A fechadura aceitou a chave.

Bruno entrou primeiro.

Ligou a lanterna.

"Fique atrás de mim."

"Eu consigo andar sozinha."

"Não é por educação."

O lugar cheirava a poeira e madeira velha.

Havia caixas, arquivos, móveis cobertos e equipamentos que não eram usados havia anos.

Isabela encontrou um escritório no fundo.

A porta estava destrancada.

Sobre a mesa, apenas um telefone antigo.

Bruno examinou as paredes.

"Alguma coisa está errada."

"O quê?"

"Está limpo demais."

Isabela passou os dedos por uma estante.

Uma das prateleiras tinha menos poeira.

Ela puxou.

Nada.

Tentou novamente.

Ouviu um clique.

Parte da estante se moveu.

Bruno aproximou-se imediatamente.

Atrás dela havia um pequeno cofre.

"Você sabia disso?"

"Claro que não."

A chave de Teresa tinha uma segunda ponta menor.

Isabela tentou.

Funcionou.

A porta do cofre abriu.

Não havia dinheiro.

Nem joias.

Havia um livro de capa preta e um envelope pardo.

Bruno pegou o livro.

"Números."

Isabela olhou.

Datas.

Valores.

Iniciais.

Transferências.

Algumas páginas tinham o nome de Marcelo Nogueira.

"Marcelo é o diretor financeiro."

Bruno assentiu.

"Trabalhava com Augusto."

Isabela abriu o envelope.

Encontrou uma fotografia.

Quatro pessoas estavam diante daquele mesmo galpão.

Augusto Montenegro.

Marcelo Nogueira.

Ricardo Montenegro.

E uma mulher.

Isabela sentiu o coração parar.

"Bruno."

Ele olhou.

O rosto dele mudou.

"Não pode ser."

Isabela aproximou a foto da luz.

Era Camila Azevedo.

Sem dúvida.

Cabelo preso.

Óculos escuros.

Viva.

Bruno virou a fotografia.

Havia uma data impressa no verso.

Ele ficou imóvel.

"Isso está errado."

Isabela olhou.

Levou alguns segundos para entender.

Augusto Montenegro já estava morto naquela data.

Segundo tudo que Dante havia contado, Camila também já tinha desaparecido.

Mas a fotografia mostrava os dois lados da história juntos.

Ricardo.

Marcelo.

Camila.

E Augusto.

Isabela sentiu a boca secar.

"Que dia Augusto morreu?"

Bruno respondeu quase num sussurro.

"Dia dezessete."

Ela olhou novamente para a fotografia.

A data era vinte.

Três dias depois.

Isabela levantou os olhos para Bruno.

"Se Augusto estava morto..."

Um ruído metálico ecoou do lado de fora.

Bruno apagou a lanterna.

Segurou o braço de Isabela.

"Não faça barulho."

Passos entraram no galpão.

Um homem falou no escuro.

"Eu sabia que alguém acabaria encontrando o cofre."

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