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"Fingi Ser a Noiva do Chefe da Máfia" Capítulo 1 — Eu Sou a Noiva Dele

正文开头

Isabela Oliveira trabalhava na Mansão Montenegro havia apenas seis dias quando percebeu que naquela casa ninguém fazia perguntas sem pagar algum preço.

No Jardim Europa, em São Paulo, a mansão ocupava quase um quarteirão. Muros altos, câmeras em cada entrada, carros blindados na garagem e homens de terno que nunca pareciam realmente descansar.

Isabela tinha sido contratada para cuidar da ala principal. Arrumar quartos, servir refeições quando necessário e, principalmente, não se meter nos assuntos da família.

Teresa Montenegro deixara isso claro no primeiro dia.

"Faça seu trabalho, menina. E não tente entender tudo o que ouvir nesta casa."

Isabela obedecera.

Até aquela noite.

A família Montenegro se reuniria para um jantar privado. Desde o fim da tarde, funcionários atravessavam os corredores carregando bandejas, garrafas de vinho e arranjos de flores brancas.

Isabela estava terminando de organizar a sala de jantar quando ouviu um copo quebrar no andar de cima.

Depois, um grito.

"Dona Teresa!"

Isabela largou o pano sobre o aparador e correu.

Encontrou Teresa sentada na beirada da cama, uma das mãos apertando o peito. A outra tremia sobre o criado-mudo.

"Meu remédio."

Isabela pegou o pequeno frasco ao lado do abajur.

"Qual deles?"

"O branco. Duas gotas."

Ela abriu o frasco.

Parou.

Durante os últimos seis dias, Isabela levara água para Teresa todas as manhãs e já tinha visto aquele medicamento várias vezes. O líquido era transparente.

Aquele tinha uma tonalidade levemente amarelada.

"Isso sempre teve essa cor?"

Teresa ergueu os olhos.

"Não."

Isabela sentiu o estômago apertar.

Teresa tentou pegar o frasco.

"Me dê."

"Não."

A voz saiu mais firme do que Isabela pretendia.

Teresa franziu a testa.

"Você acabou de me dizer não?"

"Acabei."

Isabela colocou o frasco atrás do corpo.

"Até alguém confirmar o que tem aqui, a senhora não vai tomar nada."

Antes que Teresa pudesse responder, passos pesados ecoaram no corredor.

Bruno Almeida entrou primeiro. Atrás dele vinha Dante Montenegro.

Isabela já tinha visto Dante algumas vezes naquela semana, mas nunca tão perto.

Ele usava camisa preta com as mangas dobradas até os antebraços. O rosto permanecia frio, porém os olhos mudaram assim que viram a mãe.

"Mãe."

"Estou bem."

"Você quase caiu."

"Eu disse que estou bem."

Dante olhou para Isabela.

"O que aconteceu?"

Ela abriu a boca.

Não conseguiu responder.

O som de vários carros entrando pelo portão principal atravessou a janela.

Bruno tocou o ponto eletrônico no ouvido.

"Chegaram."

Dante olhou para o relógio.

"Eles estão adiantados."

Teresa soltou uma risada amarga.

"Ricardo nunca chega cedo sem querer alguma coisa."

Quinze minutos depois, Teresa insistiu em descer.

Dante tentou impedi-la, mas ela se recusou a receber a própria família deitada.

Quando entrou na sala, apoiada no braço do filho, todos já estavam esperando.

Ricardo Montenegro levantou-se imediatamente.

Aos quarenta e dois anos, ele tinha o mesmo sobrenome de Dante e uma aparência muito menos ameaçadora. Sorriso fácil, cabelo perfeitamente penteado, terno azul-marinho.

正文1

"Prima Teresa, soube que passou mal."

"Notícia corre rápido nesta família."

"Ficamos preocupados."

"Vocês nunca ficam preocupados. Ficam curiosos."

Alguns parentes desviaram o olhar.

Isabela permaneceu perto da porta com uma bandeja nas mãos. O frasco suspeito estava escondido no bolso do avental.

Ricardo sorriu como se não tivesse ouvido a provocação.

"Talvez seja melhor resolvermos logo o assunto."

Um homem ao lado dele abriu uma pasta.

Dante não se sentou.

"Que assunto?"

Ricardo tirou algumas folhas.

"Uma autorização temporária."

Teresa encarou o documento.

"Autorização para quê?"

"Para evitar que decisões importantes do Grupo Montenegro dependam exclusivamente da senhora enquanto sua saúde estiver instável."

O rosto de Dante endureceu.

"Minha mãe teve uma tontura."

"Não foi a primeira."

"Escolha melhor suas próximas palavras, Ricardo."

A sala ficou em silêncio.

Ricardo respirou fundo.

"É justamente esse o problema, Dante. Tudo nesta família virou uma ameaça."

Ele empurrou o documento na direção de Teresa.

"Basta uma assinatura. Até a senhora melhorar."

Teresa nem tocou na caneta.

"Não."

"Leia primeiro."

"Não."

Ricardo perdeu o sorriso por um segundo.

Dante percebeu.

"Você ouviu minha mãe."

Ricardo se virou para ele.

"Ouvi. Mas isso não muda o que todos aqui sabem."

Dante deu um passo à frente.

"Então diga."

Isabela viu Bruno se aproximar discretamente.

Ricardo abriu os braços.

"Você quer mesmo que eu diga?"

"Diga."

Ricardo olhou para todos antes de voltar os olhos para Dante.

"Você não tem uma família."

Teresa bateu a mão na mesa.

"Chega."

Mas Ricardo continuou.

"Não tem esposa. Não tem filhos. Não tem ninguém ao seu lado. E quer que todos nós aceitemos que o futuro dos Montenegro fique nas mãos de um homem que não consegue construir a própria casa?"

Dante não reagiu.

E aquele silêncio pareceu mais perigoso que um grito.

Ricardo se aproximou.

"Você administra empresas como se administra uma guerra. Afasta qualquer pessoa que chega perto. Não confia em ninguém."

"Terminou?"

"Ainda não."

Ricardo apontou para o documento.

"Quando Teresa não puder mais decidir, quem garante estabilidade para esta família? Você?"

Dante sustentou o olhar dele.

Ricardo sorriu.

"Um homem sozinho?"

Foi então que Teresa tentou se levantar.

A mão dela tremeu.

O copo caiu.

Isabela viu Teresa perder a cor novamente.

E viu Ricardo empurrar a caneta na direção dela.

"Assine, Teresa. É o melhor para todos."

Isabela não pensou.

Colocou a bandeja sobre o aparador.

Caminhou até a mesa.

"Ele não está sozinho."

Ninguém se mexeu.

Ricardo virou lentamente a cabeça.

Dante também.

Isabela sentiu dezenas de olhos sobre o uniforme cinza, o avental branco e os sapatos simples.

Ricardo riu.

"Desculpe?"

Isabela engoliu em seco.

Agora era tarde demais para voltar.

"Eu disse que ele não está sozinho."

Dante estreitou os olhos.

"Isabela."

Ela olhou diretamente para ele.

O coração batia tão forte que parecia tentar escapar do peito.

"Eu sou a noiva dele."

O silêncio foi absoluto.

Bruno tossiu.

Ou talvez tivesse escondido uma risada.

正文2

Teresa ficou imóvel.

Dante Montenegro, o homem que parecia nunca ser surpreendido por nada, simplesmente encarou Isabela.

Ricardo foi o primeiro a recuperar a voz.

"Você é o quê?"

"A noiva dele."

Desta vez, ela falou sem hesitar.

Ricardo começou a rir.

"Essa é boa."

Ninguém acompanhou.

Ele apontou para o uniforme de Isabela.

"Você sabe quem está dizendo que vai se casar com você, Dante?"

Dante continuou calado.

"A empregada."

Isabela enfiou a mão no bolso do avental.

"Já que o senhor gosta tanto de falar sobre estabilidade familiar, talvez devesse explicar isso primeiro."

Ela colocou o frasco sobre a mesa.

O sorriso de Ricardo desapareceu.

Dante olhou para o medicamento.

"O que é isso?"

"O remédio da sua mãe."

Isabela tirou outro frasco da bolsa de Teresa, aquele que ela encontrara no banheiro alguns minutos antes.

Colocou os dois lado a lado.

"Este é o que dona Teresa vinha tomando."

Apontou para o segundo.

"E este estava hoje no lugar dele."

Dante pegou os frascos.

A diferença de cor era pequena.

Mas visível.

"Quem mexeu nisso?"

Ninguém respondeu.

Ricardo tentou recuperar o controle.

"Isso não prova nada."

Isabela virou-se para ele.

"Eu não disse que provava."

"Então por que está fazendo esse teatro?"

"Porque a senhora Teresa quase tomou alguma coisa que não reconheceu. E cinco minutos depois o senhor chegou com documentos para ela assinar."

Ricardo ficou pálido.

"Está me acusando?"

"Também não disse isso."

Isabela cruzou os braços.

"Mas foi interessante ver que o senhor entendeu tão rápido."

Teresa quase sorriu.

Dante não.

Ele entregou os frascos a Bruno.

"Leve para análise."

Ricardo levantou-se.

"Você vai permitir que uma funcionária fale comigo desse jeito?"

Dante finalmente olhou para ele.

"Hoje você entrou na minha casa tentando fazer minha mãe assinar um documento depois de ela passar mal."

Ricardo fechou a pasta.

"Você vai se arrepender disso."

"Pode começar indo embora."

Um por um, os parentes se levantaram.

Ricardo parou diante de Isabela.

"Você não sabe onde se meteu."

Ela sustentou o olhar.

"Estou começando a perceber."

Ele saiu.

Somente depois que a porta se fechou Isabela percebeu o tamanho do desastre.

Virou-se.

Dante estava olhando para ela.

"Minha noiva?"

Isabela respirou fundo.

"Eu precisava dizer alguma coisa."

"Você podia ter dito qualquer coisa."

"Foi a primeira coisa que me veio à cabeça."

Teresa soltou uma gargalhada.

Dante olhou para a mãe.

"Não incentive."

"Eu gostei dela."

"Você quase passou mal de novo."

"Dessa vez foi de tanto segurar o riso."

Isabela tentou sorrir.

Dante não sorriu de volta.

"Meu escritório. Às onze."

O sorriso morreu.

Às onze em ponto, Isabela bateu na porta do escritório.

"Entre."

Ela entrou ainda usando o uniforme.

Dante estava atrás da enorme mesa de madeira escura.

"Feche a porta."

Isabela fechou.

"Se vai me mandar embora, pelo menos me deixe receber pelos seis dias."

Dante ergueu uma sobrancelha.

"Você sempre fala tanto quando está nervosa?"

正文3

"Não estou nervosa."

"Está apertando as mãos há trinta segundos."

Ela soltou as mãos imediatamente.

Dante abriu uma gaveta.

"Você mentiu para a minha família."

"Eu estava tentando salvar sua mãe."

"Chamando a si mesma de minha noiva?"

"Funcionou."

"Funcionou bem demais."

Dante colocou uma pequena caixa preta sobre a mesa.

Isabela olhou para ela.

"Isso é o quê?"

Ele abriu.

Dentro havia um anel de diamante.

Isabela parou de respirar por um instante.

"Dante..."

Ele tirou o anel da caixa e o colocou diante dela.

"Então continue mentindo."

Isabela levantou os olhos.

"Como é?"

"Ricardo tentou questionar minha posição diante da família. Amanhã vai usar o que você disse contra mim."

"Então diga que eu menti."

"Não."

"Por quê?"

Dante se levantou.

Contornou a mesa até parar diante dela.

"Porque pela primeira vez em meses Ricardo mostrou medo."

Isabela olhou para o anel.

Depois para ele.

"Você enlouqueceu."

"Provavelmente."

"Eu sou sua empregada."

"Até hoje."

Ela deu um passo para trás.

"Não."

Dante pegou o anel.

"Três meses."

"Três meses de quê?"

Ele segurou a mão dela.

Isabela tentou puxá-la, mas Dante não soltou.

"Durante três meses, diante da minha família, da imprensa e de qualquer pessoa que perguntar..."

Ele colocou o anel no dedo dela.

"...você será minha noiva."

Isabela ficou olhando para o diamante.

"Eu não aceitei."

Dante finalmente soltou sua mão.

"Eu sei."

"Então tire isso."

"Você pode tirar."

Isabela levou os dedos ao anel.

Dante voltou para trás da mesa.

"Mas antes de fazer isso, há uma coisa que você precisa saber."

Ela parou.

Dante abriu outra pasta.

Dentro havia uma fotografia.

Ele a virou na direção de Isabela.

O rosto dela perdeu a cor.

"Quem é essa mulher?"

Dante olhou para o anel no dedo de Isabela antes de responder.

"Alguém que usou esse mesmo anel antes de você."

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