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"Ela Me Humilhou na Festa sem Saber Quem Controlava a Empresa do Marido" Capítulo 2

正文开头

Marcela colocou a pasta de couro sobre a mesa onde alguém havia derramado espumante. Antes de abri-la, puxou um guardanapo de linho e secou o tampo com dois movimentos, evitando que o líquido alcançasse os documentos.

O gesto pareceu irritar Lívia mais do que a chegada dos quatro.

— Quem deixou vocês subirem?

Helena passou por ela e foi direto até a filha. Abaixou-se diante dos cacos, afastou um fragmento com a ponta do sapato e examinou o tornozelo de Natália.

— Consegue apoiar?

— Consigo.

— E as costas?

— Bati na quina.

Helena viu as marcas no pulso. Levantou os olhos para Lívia, que cruzou os braços sobre o vestido de seda.

— Houve uma confusão — disse André. — A bebida, o excesso de gente... podemos conversar em outro momento.

Roberto permaneceu junto ao elevador. Sua presença bloqueava a única saída sem precisar de ameaça.

— Você estava perto da janela — falou Natália. — Viu quando ela me segurou.

André olhou para a esposa.

— Vi uma discussão.

— Tem câmera no hall — disse Clara. — E a Marina filmou.

Marina baixou o celular.

— Eu filmei a festa. Não sei se peguei essa parte.

— Pegou — respondeu Natália. — Você mudou o enquadramento quando os sapatos caíram.

Marcela alinhou a pasta à borda da mesa e abriu o fecho. Retirou um conjunto de folhas encadernadas, seguido por duas vias de um termo de conclusão.

— Às dezesseis horas e quarenta desta tarde, foi concluída a transferência do controle da Sistemas Médicos Montenegro para a Moreira Global — disse ela. — A operação passou pelas condições previstas no contrato e entrou em vigor com o registro dos atos societários.

Lívia encarou o marido.

— Você disse que assinariam amanhã.

André passou a mão pelo cabelo.

— O fechamento foi antecipado.

— E você não me contou?

— Eu estava trabalhando.

Uma das convidadas procurou a bolsa. Outra chamou o elevador pelo painel lateral e recebeu um olhar de Roberto que a fez recolher o dedo. Ele abriu espaço e indicou a porta.

— Quem quiser ir, pode ir.

Em menos de dois minutos, metade da sala se moveu. O quarteto guardou os arcos.

Garçons recolheram bandejas sem se aproximar do vidro quebrado. Marina ficou junto a Lívia; Clara permaneceu entre a irmã e Natália.

Marcela virou a página para a estrutura de votação da holding brasileira criada para a operação. Natália leu o próprio nome impresso em letras pequenas.

Natália Moreira Reis: trinta e um por cento.

Roberto Moreira: vinte e nove por cento.

Helena Moreira: vinte e sete por cento.

Fundo familiar administrado: treze por cento.

Ela conhecia os números da Moreira Global. Tinha recebido caixas de documentos quando completou trinta anos, assinara confirmações e deixara a leitura detalhada para uma semana que nunca chegara. A participação estava num bloco separado desde a reorganização feita pela avó Margarida.

正文1

Lívia aproximou o rosto da folha.

— Seu nome está aqui.

— Está.

— Você comprou a empresa do André?

— A aquisição levou nove meses.

— Por sua causa.

Roberto mexeu o maxilar. Natália ergueu uma mão antes que ele respondesse.

— Eu indiquei a empresa para análise três anos atrás. Nunca negociei o preço, nunca participei da auditoria e não sabia que o fechamento seria hoje.

— Que coincidência perfeita — disse Marina.

Marcela virou a cabeça.

— A senhora presta serviços de comunicação para a companhia?

Marina hesitou.

— Para o André.

— Então sabe que comentários sobre uma operação confidencial podem gerar consequências contratuais.

O celular desceu até a lateral do vestido prateado.

Lívia tocou a folha com a unha.

— Você é dona da empresa?

Natália fechou o documento e o trouxe para perto de si.

— Tenho votos suficientes para decidir quem continua na presidência.

André soltou o ar pelo nariz.

— Isso é uma ameaça?

— É uma resposta para a pergunta da sua esposa.

Lívia olhou ao redor. Restavam poucas pessoas, e nenhuma delas sorria.

— Ela me bateu — disse. — Todo mundo viu.

— Você a empurrou contra uma mesa — falou Clara.

— Ela estava vindo para cima de mim.

— Eu estava indo embora.

Helena tocou o braço da filha e esperou que Natália a encarasse.

— Depois você dá seu depoimento com calma. Agora precisa ser examinada.

Lívia riu.

— Vai chamar a polícia por causa de um empurrão?

— Quem falou em polícia? — perguntou Helena.

— Então por que trouxe advogados?

Marcela puxou uma segunda pasta da bolsa. O couro tinha uma etiqueta branca, sem título visível.

— Eles vieram conosco do fechamento — respondeu Helena. — Os problemas profissionais do seu marido existiam antes de a senhora tocar na minha filha.

— A compra e isso aqui não têm relação.

— Exatamente.

Helena deu um passo na direção dela. Falou baixo o suficiente para obrigar Lívia a calar a sala.

— A senhora não é importante a ponto de criar nove meses de auditoria, contratos, aprovações e dinheiro transferido. Hoje, escolheu agredir uma acionista controladora da empresa do seu marido. Essa parte foi escolha sua.

André foi até o bar e encheu um copo com água. A garrafa tocou no vidro quatro vezes porque sua mão tremia.

Marcela abriu a segunda pasta.

Na primeira folha, havia uma relação de pagamentos a duas consultorias. Na seguinte, códigos de exceção de qualidade. Depois, uma cópia de e-mail com tarjas sobre nomes de funcionários.

Natália se aproximou.

— O que é isso?

— Uma denúncia recebida há três semanas — disse Marcela. — Pagamentos sem contrato suficiente, supressão de alertas de qualidade e retaliação contra equipe técnica.

André pousou o copo. Parte da água escorreu por seus dedos.

— Uma acusação anônima, fora de contexto.

— Os anexos não são anônimos — respondeu Marcela. — São registros da sua empresa.

Roberto folheou as cópias em pé. Parou numa página marcada com fita amarela.

— C-47.

Natália estendeu a mão. Conhecia aquele código de uma compra hospitalar realizada dois anos antes. As placas integravam estações de monitoramento instaladas em unidades de internação e recuperação pós-operatória.

— Qual foi a falha?

André segurou o guardanapo usado e começou a dobrá-lo.

— É um assunto técnico.

— Eu trabalhei com compras hospitalares.

— Sei do seu currículo.

— Então me dá o número.

Ele olhou para Roberto. O pai de Natália continuou lendo, sem oferecer saída.

— O índice ficou acima do esperado.

— Quanto?

— Natália, você acabou de sofrer uma queda. Vamos tratar disso amanhã.

Ela puxou a página da mão do pai e encontrou uma linha destacada.

Dois vírgula oito pontos percentuais acima da projeção.

— Os hospitais receberam aviso?

— O assunto estava em revisão.

Marcela retirou uma carta da pasta e conferiu o nome no alto. Estendeu-a a André.

— Esta é uma notificação de preservação integral de dados. Nenhum documento, mensagem, aparelho corporativo ou arquivo relacionado aos fornecedores e ao C-47 pode ser alterado, apagado ou retirado.

André pegou o papel pela ponta.

— Vocês acham que eu escondi alguma coisa.

— Achamos que alguém pode tentar esconder — disse Marcela.

Ela soltou a folha. André precisou agarrá-la com a outra mão para impedir que caísse.

— Amanhã o conselho decide se o senhor ainda entra naquela sala como presidente.

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