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"A Garçonete Que Enfrentou Chefe da Máfia" Capítulo 6 — Alguém Dentro da Mansão

正文开头

A fotografia ficou sobre a mesa por quase um minuto.

Ninguém tocou nela.

Isabela continuava olhando para o próprio rosto impresso naquele papel.

A blusa azul.

A bolsa no ombro.

A calçada em frente à Cantina Bellavista.

Ela lembrava daquele dia.

Tinha saído mais cedo porque Rogério deixara dois garçons irem embora depois do almoço.

Mas havia algo errado.

Muito errado.

"Bruno."

Dante não tirava os olhos da foto.

"Sim."

"Fecha a casa."

Bruno entendeu imediatamente.

"Todos os acessos?"

"Todos."

Isabela olhou para Dante.

"Fechar como?"

"Portões bloqueados."

Ele pegou o celular.

"Ninguém entra."

A voz ficou ainda mais fria.

"Ninguém sai."

Bruno já estava caminhando para a porta.

Dante continuou:

"Quero a lista completa de quem trabalhou aqui nos últimos trinta dias."

"Funcionários fixos e terceirizados?"

"Todo mundo."

Bruno assentiu.

"Motoristas, jardineiros, manutenção, segurança, fornecedores."

Ele parou.

"Augusto também?"

Dante levantou os olhos.

"Eu disse todo mundo."

Bruno saiu.

Isabela sentiu um arrepio.

"Dante."

Ele pegou a fotografia.

Virou.

Observou novamente a frase escrita atrás.

"Agora sabemos onde atingir."

"Você acha que alguém daqui entregou isso?"

"Essa foto chegou até Santos."

"Mas foi tirada antes de eu vir para esta casa."

"Eu sei."

"Então não faz sentido."

Dante apertou o papel entre os dedos.

"Alguma coisa não está fechando."

Isabela se aproximou.

"Talvez Marcelo já me conhecesse."

Dante ficou imóvel.

"Não."

"Você não sabe."

"Eu mandei levantar tudo sobre você."

"Isso não significa que você encontrou tudo."

Ele olhou diretamente para ela.

A frase o atingiu.

Pela primeira vez, Dante pareceu considerar algo que até então não tinha permitido.

Talvez ela não tivesse se tornado alvo por causa dele.

Talvez já fosse alvo antes.

Na manhã seguinte, a mansão parecia um lugar diferente.

Dois seguranças permaneciam diante de cada entrada.

Funcionários eram chamados um por um para uma sala no térreo.

Telefones eram recolhidos.

Bolsas revistadas.

Câmeras analisadas.

Isabela caminhava pelos corredores sentindo que todos olhavam para ela.

Ou talvez fosse apenas paranoia.

Teresa passou por ela carregando uma prancheta.

Isabela a chamou.

"Teresa."

A governanta parou.

"O que foi?"

"Você sabia da investigação."

"Desde que Dante ordenou."

"Quem já foi interrogado?"

"Quase todos."

"E você?"

Teresa a encarou.

"Também."

"Por quem?"

"Bruno."

Isabela respirou.

"E o que ele perguntou?"

"Horários."

Teresa apertou a prancheta contra o peito.

"Quem entrou."

"Quem saiu."

"Se vi alguém em lugares onde não deveria estar."

Isabela assentiu lentamente.

"Você viu?"

Teresa ficou alguns segundos em silêncio.

"Vi muita gente nesta casa ao longo dos anos."

"Não foi isso que eu perguntei."

A governanta endureceu.

"Tenha cuidado."

"Com o quê?"

"Com a diferença entre querer respostas e desconfiar de todo mundo."

Isabela não desviou o olhar.

"Eu tenho uma foto minha sendo usada para ameaçar Dante."

"Eu sei."

"Então não me peça calma."

"Não estou pedindo calma."

Teresa se aproximou um pouco.

"Estou pedindo inteligência."

Isabela baixou a voz.

"Você conhece Marcelo Vasconcelos há quanto tempo?"

正文1

A reação foi pequena.

Mas existiu.

"Por que pergunta?"

"Porque você mudou quando viu o nome dele."

Teresa ficou séria.

"Todo mundo que conhece esse homem muda."

"Ele já esteve nesta casa?"

Teresa não respondeu.

Isabela sentiu o estômago apertar.

"Teresa."

A governanta respirou fundo.

"Não desde que Dante assumiu o controle do grupo."

"Antes disso?"

Outro silêncio.

"Antes disso, muita gente sentou à mesa dos Montenegro."

Teresa continuou andando.

Isabela ficou olhando.

A desconfiança crescia.

Minutos depois, encontrou Augusto na sala principal.

Ele falava ao telefone.

Ao vê-la, encerrou a ligação.

"Então agora sou prisioneiro."

Isabela cruzou os braços.

"Você pode reclamar com Dante."

"Já reclamei."

"E?"

Augusto sorriu sem humor.

"Ele não parece preocupado com minha opinião."

"Que tragédia."

Ele a observou.

"Você realmente acha que alguém daqui está atrás de você?"

"Eu não sei."

"Mas desconfia de todos."

Isabela não respondeu.

Augusto se aproximou.

"Até de mim?"

"Deveria?"

Ele soltou uma risada curta.

"Você aprende rápido."

"Isso não foi resposta."

"Nem toda pergunta merece uma."

A frase fez Isabela lembrar de Bruno.

De Teresa.

De Dante.

Todos falavam daquela forma.

Como se esconder metade da verdade fosse um idioma comum naquela casa.

Augusto passou por ela.

Antes de sair, parou.

"Quer um conselho?"

"Não."

"Mesmo assim."

Ele virou o rosto.

"Pare de perguntar por que Marcelo conhece você."

Isabela sentiu o corpo travar.

Augusto continuou:

"Pergunte quem queria que ele conhecesse."

Então foi embora.

Isabela ficou imóvel.

Aquela frase não a abandonou durante horas.

No começo da tarde, encontrou Bruno na sala de segurança.

Três telas mostravam diferentes áreas da casa.

Garagem.

Corredores.

Jardim.

Portões.

"Você está me seguindo?"

Bruno continuou olhando para as imagens.

"Hoje, sim."

"Honesto."

"Você prefere mentira?"

"Não."

Ela entrou.

"Posso perguntar uma coisa?"

"Vai perguntar mesmo que eu diga não."

"Provavelmente."

Bruno girou a cadeira.

"O que foi?"

"A foto."

"Qual delas?"

Isabela congelou.

"Como assim qual delas?"

Bruno percebeu o erro.

Tarde demais.

"Bruno."

Ele fechou os olhos por um instante.

"Tem outra."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Me mostra."

"Não."

"Agora."

"Isabela."

"Se é sobre mim, eu vou ver."

Bruno ficou alguns segundos parado.

Depois abriu uma gaveta.

Tirou um envelope.

Colocou sobre a mesa.

Isabela abriu.

Havia outra fotografia.

Desta vez ela não estava saindo da cantina.

Estava lá dentro.

Atrás do balcão.

Conversando com Camila.

Isabela levou a foto para mais perto do rosto.

"Quando foi isso?"

Bruno apontou para o canto inferior.

A data estava impressa.

Isabela leu.

Depois leu de novo.

"Não."

Bruno não disse nada.

"Isso foi..."

"Cinco dias antes."

Ela levantou o rosto.

"Antes de Dante entrar na Bellavista."

"Sim."

Isabela ficou sem ar.

"Então Marcelo já estava me observando."

"É o que parece."

"Por quê?"

"Não sabemos."

Ela colocou a foto na mesa.

"Você sabia disso desde ontem?"

"Sim."

"E escondeu."

"Dante pediu."

"Claro."

Isabela riu sem humor.

"Todo mundo aqui faz tudo porque Dante pede."

正文2

Bruno ficou sério.

"Não é tão simples."

"Para mim parece."

Ela apontou para a fotografia.

"Alguém estava me seguindo antes de eu conhecer Dante."

A voz começou a falhar.

"Minha mãe."

Bruno franziu a testa.

"O que tem ela?"

"O endereço no bilhete."

"Sim."

"Marcelo sabia."

Isabela sentiu o medo finalmente tomar forma.

"Talvez isso não tenha começado comigo."

Bruno observou.

"Você acha que tem relação com sua família?"

"Eu não sei."

Ela passou a mão pelo rosto.

"Mas preciso descobrir."

Dante apareceu na porta.

"Vai descobrir."

Isabela virou.

Ele entrou.

Parecia ter ouvido tudo.

"Você viu a segunda foto?"

"Agora."

Dante olhou para Bruno.

Bruno não demonstrou culpa.

"Ela insistiu."

"Fez certo."

Isabela ficou surpresa.

Dante se aproximou da mesa.

"Eu errei."

Ela quase não acreditou.

"Você admitindo isso?"

"Não se acostume."

Ele pegou a foto.

"Achei que Marcelo tivesse descoberto você depois de nós."

"Mas não."

"Não."

Dante a encarou.

"E isso muda tudo."

"Como?"

"Talvez eu não tenha colocado você em perigo."

Ele respirou.

"Talvez você já estivesse no meio disso antes de me conhecer."

Isabela sentiu um frio no estômago.

"Então fui eu que trouxe alguma coisa até você."

Dante não respondeu.

O silêncio bastou.

Naquela tarde, Isabela pediu para sair da mansão.

Dante negou.

Ela insistiu.

"Preciso ir ao apartamento da minha mãe."

"Não."

"Ela morreu há dois anos."

"Eu sei."

"Então sabe que as coisas dela ainda estão guardadas."

"Bruno pode buscar."

"Eu vou."

"Isabela."

"Dante."

Os dois se encararam.

"Se isso tem alguma coisa a ver com minha família, eu preciso estar lá."

Ele ficou em silêncio.

Depois apontou para Bruno.

"Você vai com ela."

Isabela não discutiu.

O apartamento ficava na Vila Mariana.

Pequeno.

Antigo.

Ainda com as mesmas cortinas que Laura Moretti tinha comprado anos antes.

Isabela entrou e parou na sala.

O cheiro tinha desaparecido.

Mas algumas coisas permaneciam iguais.

As fotografias.

A cristaleira.

Um vaso de cerâmica.

Bruno ficou perto da porta.

"Quer que eu espere lá fora?"

"Não."

Ela caminhou até o quarto.

Abriu caixas.

Pastas.

Documentos.

Contas antigas.

Receitas.

Cartões-postais.

Nada.

Depois encontrou uma mala pequena no alto do armário.

Era velha.

Marrom.

Tinha pertencido à mãe.

Isabela colocou sobre a cama.

A fechadura estava quebrada.

Dentro havia roupas antigas e fotografias de família.

Ela quase desistiu.

Então percebeu uma costura diferente no forro.

"Bruno."

Ele se aproximou.

"Isso está estranho."

Isabela puxou o tecido.

Havia um pequeno compartimento.

Dentro, um envelope amarelado.

E uma chave.

Bruno ficou sério.

"Banco."

Isabela pegou.

Era pequena.

Metálica.

Tinha um número gravado.

E, no verso, um nome.

Ela leu.

O mundo pareceu parar.

"Não pode ser."

Bruno se aproximou mais.

"O quê?"

Isabela mostrou.

Na chave estava gravado:

"Antônio Montenegro."

Bruno perdeu a cor.

Isabela olhou para ele.

"Quem é Antônio Montenegro?"

Bruno demorou alguns segundos para responder.

Quando finalmente falou, sua voz estava baixa.

"Era o pai de Dante."

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