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"A Garçonete Que Enfrentou Chefe da Máfia" Capítulo 5 — Agora Todos Sabem Quem Ela É

正文开头

Isabela ainda segurava o papel quando Teresa entrou no quarto.

A governanta olhou primeiro para a cama desfeita.

Depois para o espaço vazio ao lado.

Por fim, para o bilhete nas mãos de Isabela.

"Vista-se."

Isabela ergueu os olhos.

"Onde está Dante?"

"Em reunião."

"Quero falar com ele."

"Vai falar."

Teresa se aproximou e fechou a porta.

"Mas antes você precisa entender uma coisa."

Isabela sentiu o peito apertar.

"Que coisa?"

Teresa respirou devagar.

"Todo mundo sabe."

Isabela franziu a testa.

"Sabe o quê?"

"Que você passou a noite com ele."

O silêncio caiu pesado.

Isabela olhou para a porta.

"Como?"

"Essa é a pergunta certa."

"Eu não contei para ninguém."

"Eu sei."

"Dante contou?"

Teresa quase pareceu ofendida.

"Não."

"Então quem?"

"Alguém viu você entrando."

Isabela apertou o papel.

"Isso não deveria ser possível."

"Não deveria."

Teresa manteve os olhos nela.

"Mas em menos de três horas, Augusto Ferraz já sabia."

O estômago de Isabela revirou.

"E isso significa..."

"Que alguém dentro desta casa está observando cada movimento de vocês."

Isabela lembrou do bilhete.

Do endereço da antiga casa de sua mãe.

De Marcelo Vasconcelos.

"Teresa, você conhece esse nome?"

Ela mostrou o papel.

A reação veio rápida demais.

Teresa endureceu.

"Marcelo Vasconcelos."

"Quem é ele de verdade?"

"Um homem que Dante deveria ter eliminado anos atrás."

Isabela ficou imóvel.

"Isso não responde."

"É a única resposta que você vai receber agora."

Teresa apontou para o armário.

"Cinco minutos."

"Para quê?"

"A reunião começou."

"O que eu tenho a ver com isso?"

Teresa olhou para ela com uma seriedade que assustou.

"Depois de ontem, tudo."

Vinte minutos depois, Isabela desceu até um andar que nem sabia existir.

O elevador parou abaixo da garagem.

Bruno estava esperando.

Ele não sorria.

"Telefone."

Isabela entregou.

Bruno colocou o aparelho em uma caixa metálica.

"Não entra nada eletrônico."

"Que lugar é esse?"

"Um lugar onde ninguém escuta."

A porta à frente exigia digital.

Bruno abriu.

Isabela entrou.

A sala era fria.

Sem janelas.

Uma mesa longa de metal ocupava o centro.

Augusto Ferraz estava sentado à direita.

Mauro Teles e Renato Siqueira ocupavam outros lugares.

Dois homens que Isabela não conhecia completavam o grupo.

Dante estava na cabeceira.

Quando ela entrou, todos olharam.

Augusto foi o primeiro a falar.

"Isso é sério?"

Dante nem piscou.

"Senta, Isabela."

Havia uma cadeira vazia ao lado esquerdo dele.

Isabela caminhou até lá.

O olhar de Augusto acompanhou cada passo.

"Ela não deveria estar aqui."

Dante apoiou as mãos sobre a mesa.

"Ela está."

"Isso não é jantar."

"Eu sei onde estamos, Augusto."

"Então sabe que essa sala não é lugar para uma garçonete."

Isabela virou o rosto.

"Eu também sei falar."

Augusto soltou uma risada curta.

"Esse é exatamente o problema."

Dante olhou para ele.

"Chega."

A sala ficou quieta.

Dante então se levantou.

"Vou dizer uma vez."

Ninguém se mexeu.

"Isabela Moretti está sob minha proteção pessoal."

正文1

Augusto fechou os olhos por um instante.

Dante continuou:

"Quem tocar nela, ameaçar, seguir ou tentar usá-la contra mim vai responder diretamente a mim."

O silêncio ficou ainda mais pesado.

Isabela sentiu todos os olhos sobre ela.

Augusto apoiou os cotovelos na mesa.

"Você perdeu o juízo."

Dante não reagiu.

"Marcelo já sabe quem ela é."

Isabela sentiu o sangue gelar.

Dante virou para ele.

"Como sabe?"

Augusto riu sem humor.

"Porque ele fez questão de mandar recado."

"O quê?"

Augusto olhou para Isabela.

"Que finalmente encontrou a fraqueza de Dante Montenegro."

Dante ficou imóvel.

Bruno, atrás dele, endureceu.

Isabela não conseguiu evitar.

"Eu não sou fraqueza de ninguém."

Augusto respondeu:

"Não importa o que você acha."

Ela apertou os dedos.

"Importa para mim."

"Não nesse mundo."

Dante bateu a mão na mesa.

"Ela fica."

Augusto se levantou.

"É exatamente isso que ele quer."

"Marcelo não decide quem entra ou sai da minha vida."

"Mas está decidindo como você pensa."

Dante deu um passo.

"Escolha com cuidado."

Augusto não recuou.

"Você está disposto a colocar todo mundo em risco por uma mulher que conhece há poucos dias?"

Isabela sentiu a frase como um golpe.

Dante respondeu sem hesitar.

"Estou disposto a matar qualquer um que tente chegar até ela."

A sala inteira ficou em silêncio.

Isabela olhou para ele.

Não havia dúvida na voz.

Nem exagero.

Augusto balançou a cabeça.

"Então ele tinha razão."

"Sobre o quê?"

"Você finalmente tem alguma coisa a perder."

Antes que Dante respondesse, Bruno recebeu um papel de um dos homens na porta.

Leu.

O rosto mudou.

"Chefe."

Dante olhou.

"Fala."

"Outro ataque."

Augusto voltou a sentar.

"Onde?"

"Rota de Santos para Campinas."

Mauro xingou baixo.

Bruno continuou:

"Dois caminhões."

Dante perguntou:

"Carga?"

"Sumiu."

"Motoristas?"

"Vivos."

Isso pareceu surpreender todos.

Renato se inclinou.

"Como sabiam a rota?"

Bruno colocou o papel na mesa.

"A alteração foi feita hoje de madrugada."

Dante ficou frio.

"Só quatro pessoas sabiam."

Mauro olhou em volta.

Augusto também.

Isabela entendeu.

Não era mais suspeita.

Era certeza.

Alguém ali, ou muito perto dali, estava entregando informações.

Dante olhou para cada rosto.

"Até eu descobrir quem é, ninguém toma nenhuma decisão sem passar por Bruno."

Augusto riu.

"Vai prender todo mundo?"

"Se for necessário."

"Você está criando uma guerra dentro da própria casa."

Dante respondeu:

"Ela já começou."

A reunião terminou sem despedidas.

Isabela saiu com Bruno.

No corredor, ele apertou o botão do elevador.

"Vem comigo."

"Para onde?"

"Treinar."

Ela virou.

"Treinar o quê?"

Bruno olhou para ela.

"Como continuar viva."

Uma hora depois, Isabela estava em um espaço subterrâneo nos fundos da propriedade.

Havia alvos.

Equipamentos.

Coletes.

Uma bancada de metal.

Ela olhou para Bruno.

"Isso existe embaixo da mansão?"

"Você ainda não viu metade."

"Não sei se quero."

"Agora já não faz diferença."

Ele colocou um protetor auricular sobre a bancada.

"Vamos começar pelo básico."

"Eu nunca usei arma."

正文2

"Então aprende."

Isabela encarou a pistola.

"Não."

Bruno cruzou os braços.

"Não é pedido."

"Não trabalho para você."

"Ótimo."

Ele empurrou o equipamento para mais perto.

"Então pensa nisso como favor."

Isabela não tocou.

Bruno ficou sério.

"Marcelo sabe seu nome."

Ela respirou.

"Ele sabe onde sua mãe morou."

Isabela ergueu os olhos.

"Como você sabe?"

"Dante mandou verificar."

"Desde quando?"

Bruno hesitou.

"Desde a noite do restaurante."

Isabela sentiu raiva.

"Ele me investigou desde o começo?"

"Sim."

"Claro."

Ela soltou uma risada seca.

"Porque isso é totalmente normal."

"Normal não existe aqui."

Isabela pegou a arma.

Pesava mais do que imaginava.

Bruno corrigiu a posição dos dedos.

"Não coloca o dedo no gatilho até decidir atirar."

"Eu não vou atirar em ninguém."

"Espero que não."

Ele colocou o alvo na frente.

"Mas esperança não é treinamento."

O primeiro disparo saiu longe.

Isabela se assustou com o impacto.

O segundo atingiu a borda.

O terceiro chegou mais perto.

Depois de vinte minutos, os braços dela tremiam.

Bruno mandou parar.

Ela deixou a arma na bancada.

"Por que você está me ajudando?"

Bruno pegou uma garrafa de água.

"Porque Dante mandou."

"Essa é a resposta fácil."

Ele ficou em silêncio.

Isabela insistiu:

"Qual é a verdadeira?"

Bruno abriu a garrafa.

"Fazia anos que ele não olhava para ninguém como olha para você."

Isabela não respondeu.

Bruno continuou:

"Ele sempre foi eficiente."

Um gole.

"Frio."

Outro.

"Previsível."

"Isso é elogio?"

"Para alguém como ele, sim."

Bruno encostou na bancada.

"Depois que você apareceu, ele começou a ficar irritado sem motivo."

Isabela quase sorriu.

"Isso parece mais com ele."

"Também começou a voltar para casa."

Ela perdeu o sorriso.

"Como assim?"

"Antes, passava dias fora."

Bruno olhou para ela.

"Agora ele quer saber onde você está."

Isabela abaixou os olhos.

"Isso não parece saudável."

"Não é."

Bruno riu.

"Mas parece humano."

Ela ficou quieta.

"Você acha que eu faço bem para ele?"

"Não."

Isabela ergueu o rosto.

Bruno sorriu de lado.

"Acho que você faz ele sentir."

O treino terminou perto das dez.

Quando Isabela voltou ao quarto, encontrou Dante na varanda.

Ele estava de costas.

Sem paletó.

As mãos apoiadas no parapeito.

"Bruno disse que você acertou o alvo."

"Uma vez."

"Para primeiro dia, serve."

Isabela cruzou os braços.

"Você me investigou."

Dante não fingiu surpresa.

"Sim."

"Desde o restaurante."

"Sim."

"Minha mãe também?"

Dante virou.

"Tudo que estava disponível."

Ela levantou o papel que ainda guardava.

"E isso?"

O rosto dele mudou.

"Marcelo Vasconcelos e o endereço da casa dela."

"Por que você deixou isso para mim?"

"Porque queria que entendesse."

"Entendesse o quê?"

"Que ele já estava perto de você."

"Antes de eu conhecer você?"

Dante ficou em silêncio.

Aquilo assustou Isabela mais do que qualquer resposta.

"Você não sabe."

"Estou tentando descobrir."

Ela caminhou até ele.

"Então para de esconder coisas."

"Algumas coisas você não precisa carregar."

"Você decide tudo sozinho, não é?"

正文3

"Quando vidas dependem disso, sim."

"Minha vida depende."

Dante fechou os olhos.

"Exatamente."

Isabela ficou diante dele.

"Augusto disse que eu sou sua fraqueza."

"Augusto fala demais."

"Marcelo pensa igual."

Dante olhou para ela.

"E você?"

"Quero saber o que você pensa."

Ele virou para a cidade.

Por alguns segundos, apenas as luzes distantes preencheram o silêncio.

Então Dante falou:

"Eu tinha quinze anos quando meu pai morreu."

Isabela não interrompeu.

"Ele foi atacado na saída de um depósito na Mooca."

A voz permaneceu baixa.

"Eu estava no carro."

Ela sentiu o peito apertar.

"Você viu?"

"Vi tudo."

Dante respirou fundo.

"Eu vi meu pai cair."

Mais silêncio.

"Vi homens que tinham comido na nossa mesa deixarem ele morrer."

Isabela se aproximou.

"Foi por isso que você nunca confia."

"Foi quando eu aprendi."

"Aprendeu o quê?"

Ele finalmente a encarou.

"Que amar alguém é entregar uma arma ao inimigo."

Isabela sentiu os olhos arderem.

Dante continuou:

"Se você não ama, ninguém pode usar nada contra você."

"E funcionou?"

"Durante anos."

"Até agora."

Dante levantou a mão e tocou o rosto dela.

"Até você."

Isabela segurou o pulso dele.

"Eu não quero ser uma arma."

"Já é."

A honestidade doeu.

Ela se aproximou e encostou a testa no peito dele.

Dante hesitou.

Depois a abraçou.

Foi um gesto simples.

Silencioso.

Talvez por isso tenha parecido mais íntimo do que qualquer beijo.

Três batidas fortes interromperam o momento.

Dante soltou Isabela imediatamente.

"Entra."

Bruno abriu a porta.

O rosto dele dizia tudo.

"Santos."

Dante ficou tenso.

"O que aconteceu?"

"Entraram em outro depósito."

"Levaram o quê?"

Bruno balançou a cabeça.

"Nada."

Dante franziu a testa.

"Nada?"

"Nenhuma caixa."

"Nenhum veículo."

"Nada."

Bruno segurava um envelope transparente.

"Acharam isso em cima de um contêiner."

Dante pegou.

Isabela se aproximou.

Dentro havia uma fotografia.

Ela reconheceu primeiro a própria blusa.

Depois o cabelo.

Depois o lugar.

Era ela.

Saindo da Cantina Bellavista.

Sozinha.

Dante virou a foto.

No verso, havia uma única frase:

"Agora sabemos onde atingir."

Isabela sentiu o corpo gelar.

Bruno falou baixo:

"Tem mais uma coisa."

Dante ergueu os olhos.

"A foto foi tirada três dias antes de Isabela conhecer você."

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