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"A Garçonete Que Enfrentou Chefe da Máfia" Capítulo 3 — Esta Noite, Você É Minha

正文开头

Isabela acordou antes das sete, apesar de quase não ter dormido.

O quarto em que passara a noite parecia maior do que o apartamento inteiro onde morava.

Cama ampla.

Cortinas pesadas.

Banheiro de mármore.

Uma janela enorme com vista para o jardim perfeitamente aparado da mansão Montenegro.

Nada ali parecia pertencer a ela.

Nem mesmo a mala pequena que Teresa mandara buscar em sua casa na noite anterior.

Isabela ainda estava sentada na cama quando ouviu duas batidas na porta.

"Entre."

Teresa apareceu já vestida para o trabalho.

"Bom dia."

"Bom dia."

Teresa colocou uma pasta fina sobre a cômoda.

Isabela olhou para ela.

"O que é isso?"

"Sua nova rotina."

"Eu tenho uma rotina agora?"

"Tem."

Isabela abriu a pasta.

Horários.

Reuniões.

Jantares.

Eventos.

Nomes que ela nunca tinha ouvido.

"Isso aqui parece agenda de executivo."

"Você não vai mais servir apenas em restaurante."

Isabela ergueu os olhos.

Teresa continuou:

"A partir de hoje, vai acompanhar alguns jantares particulares, reuniões comerciais e eventos do senhor Montenegro."

"Eu não sou secretária."

"Também não."

"Então o que eu sou?"

Teresa demorou um segundo para responder.

"Alguém que ele decidiu manter por perto."

Isabela fechou a pasta.

"Isso não é profissão."

"Na casa Montenegro, proximidade costuma valer mais do que cargo."

A resposta não tranquilizou.

"Eu vou morar aqui?"

"Durante a semana."

Isabela levantou-se imediatamente.

"Isso não estava no contrato."

"Está na cláusula de disponibilidade."

"Disponibilidade não significa morar na casa do patrão."

Teresa manteve a calma.

"Se quiser discutir, discuta com ele."

"Vou discutir."

"Depois do jantar."

Isabela parou.

"Que jantar?"

Teresa respirou fundo.

"Hoje à noite vêm pessoas importantes."

"Importantes para o grupo?"

"Importantes para Dante."

A forma como ela disse o nome dele mudou o peso da frase.

"Quem?"

"Augusto Ferraz e a esposa, Helena. Caio Ferraz. Renato Siqueira. Mauro Teles."

Isabela não conhecia nenhum.

"Empresários?"

Teresa encarou-a.

"Oficialmente."

Isabela entendeu o aviso.

"Por que eu tenho que estar lá?"

"Porque Dante quer."

"Essa resposta está começando a me irritar."

"Acostume-se a ficar irritada."

Teresa caminhou até a porta.

Antes de sair, parou.

"Mais uma coisa."

"Qual?"

"Não conte nada sobre sua vida."

Isabela franziu a testa.

"Por quê?"

"Porque eles vão perguntar."

"Então eu respondo."

"Não."

Teresa virou o rosto.

"Eles não fazem perguntas porque estão interessados em você."

A voz dela ficou mais baixa.

"Eles fazem perguntas para descobrir onde machucar."

Às sete e cinquenta da noite, Isabela desceu a escada principal.

Usava um vestido preto simples, abaixo dos joelhos, escolhido entre as roupas que Teresa deixara em seu quarto.

Ela recusara os brincos de diamante.

Recusara também o salto exagerado.

Queria se sentir minimamente como ela mesma.

Dante estava sozinho perto da janela da sala de jantar.

Terno preto.

Camisa branca.

Nenhuma gravata.

Quando ouviu os passos, virou.

O olhar dele percorreu Isabela sem pressa.

Ela sentiu imediatamente.

"Não olha assim."

"Assim como?"

"Como se estivesse avaliando uma mercadoria."

正文1

Dante se aproximou.

"Eu estava avaliando se você vai convencer."

"Convencer quem?"

"Todos."

Ele parou diante dela.

"Hoje não basta parecer funcionária."

Isabela cruzou os braços.

"Então o que eu tenho que parecer?"

Dante a observou por alguns segundos.

"Minha."

Ela descruzou os braços.

"Eu não sou sua."

"Eu sei."

"Então não diga isso."

"Esta noite, diga menos."

Isabela quase riu.

"Você está pedindo isso para a pessoa errada."

"Exatamente por isso estou avisando."

Dante caminhou até a mesa.

Cinco lugares, além dos dois deles.

"Essas pessoas vão observar cada gesto seu."

"Por quê?"

"Porque eu trouxe você para perto."

"Isso é motivo suficiente?"

"Para eles, é."

Isabela sentiu um desconforto subir pelo peito.

"O que eles querem descobrir?"

"Se você é passageira."

Dante ajeitou uma taça.

"Se é distração."

Outra.

"Se sabe demais."

Ele ergueu os olhos.

"Ou se é uma fraqueza."

Isabela ficou séria.

"E eu sou?"

Dante não respondeu.

O silêncio foi resposta suficiente.

A campainha soou.

Poucos minutos depois, Augusto Ferraz entrou na sala.

Tinha pouco mais de cinquenta anos, cabelo grisalho e uma postura que parecia treinada para ocupar espaços.

Helena veio ao lado.

Elegante, discreta, olhos atentos.

Caio entrou logo atrás.

Mais jovem.

Sorriso fácil demais.

Olhar insistente demais.

Renato Siqueira e Mauro Teles chegaram em seguida.

A atmosfera mudou no mesmo instante.

Augusto foi o primeiro a olhar para Isabela.

"Então essa é a novidade."

Dante não gostou do tom.

"Essa é Isabela Moretti."

Helena sorriu.

"Prazer."

"Prazer."

Caio estendeu a mão.

"Ouvi falar de você."

Isabela não segurou.

"Espero que coisas boas."

Caio riu.

"Depende do ponto de vista."

Dante observou em silêncio.

Todos se sentaram.

Isabela percebeu rapidamente que aquela não seria uma refeição comum.

Teresa coordenava o serviço.

Outros funcionários entravam e saíam.

Mas Isabela permanecia na sala.

Não atrás de Dante.

Ao lado.

Aquilo era intencional.

Augusto também percebeu.

"Você está mudando hábitos."

Dante cortou o primeiro pedaço da carne.

"Hábitos mudam."

"Nem todos deveriam."

Dante nem levantou os olhos.

"Fale claramente."

Augusto bebeu vinho.

"Não gosto de pessoas novas em conversas antigas."

Isabela entendeu.

Ele estava falando dela.

Dante colocou os talheres no prato.

"Então aprenda a gostar."

Helena tocou de leve no braço do marido.

"Augusto."

Ele recuou.

Por alguns minutos, conversaram sobre empresas.

Contratos.

Centros de distribuição.

Aquisição de terrenos.

Tudo parecia normal.

Até Mauro dizer:

"A operação em Santos atrasou outra vez."

Dante ficou imóvel.

Isabela percebeu.

Renato abaixou a voz.

"Dois contêineres ficaram retidos."

"Por fiscalização?" Augusto perguntou.

"Não."

Mauro olhou para Dante.

"Alguém sabia exatamente onde mexer."

O silêncio caiu.

Dante limpou a boca.

"Quanto?"

"Um milhão e oitocentos mil."

Isabela prendeu a respiração.

Caio girou a taça.

"Está acontecendo com frequência demais."

"Escolha melhor as palavras." Dante falou baixo.

Caio sorriu.

"Estou dizendo o que todo mundo está pensando."

Augusto entrou na conversa.

"Alguém está passando informação."

Dante olhou para ele.

"Eu sei."

正文2

"De dentro."

"Eu sei."

Helena percebeu Isabela ouvindo.

Os olhos das duas se encontraram.

Helena sorriu de leve.

"Deve ser muita informação para quem trabalhava em restaurante até alguns dias atrás."

Isabela entendeu a provocação.

"Eu escuto muita coisa."

"Isso pode ser perigoso."

"Depende do que eu faço com o que escuto."

Helena pareceu gostar da resposta.

Augusto, não.

Caio soltou uma risada.

"Ela é rápida."

Dante bebeu vinho.

"Foi por isso que ficou."

Isabela olhou para ele.

Ficou?

Ela não lembrava de ter aceitado nada.

A conversa avançou.

Rotas.

Depósitos.

Motoristas substituídos.

Cargas perdidas.

Funcionários investigados.

Quanto mais ouvia, mais Isabela percebia que aquilo não era simples administração empresarial.

Nenhum deles dizia diretamente.

Mas havia medo escondido em todas as frases.

"E o homem da Mooca?" Mauro perguntou.

"Resolvido." Dante respondeu.

"Definitivamente?"

Dante levantou os olhos.

"Você quer detalhes?"

Mauro ficou quieto.

Isabela sentiu frio.

Ela finalmente compreendeu.

Dante não era apenas um empresário cercado de boatos.

Os boatos eram a parte limpa.

O jantar continuou.

Quando Teresa trouxe a sobremesa, Isabela se levantou para ajudar.

Era mais confortável fazer alguma coisa do que continuar ouvindo.

Ela colocou uma pequena travessa perto de Caio.

Ele segurou o pulso dela.

Isabela congelou.

"Você sempre é tão séria?"

"Solta."

Caio sorriu.

"Estou só conversando."

"Você conversa usando a boca."

Ele apertou os dedos um pouco mais.

"Seu sotaque é bonito."

Isabela puxou o braço.

Caio não soltou.

"Eu disse para soltar."

A cadeira de Dante raspou no chão.

O som cortou a sala.

Todo mundo ficou imóvel.

Dante se levantou.

"Tire a mão dela."

Caio olhou para ele.

"Calma."

Dante deu um passo.

Caio ainda segurava Isabela.

"Ou eu tiro para você."

Não houve grito.

A ameaça veio baixa.

E foi justamente por isso que pareceu pior.

Caio soltou imediatamente.

Isabela afastou o braço.

A marca dos dedos começava a aparecer na pele.

Caio ergueu as mãos.

"Foi brincadeira."

Dante chegou perto.

"Não encoste nela de novo."

Augusto levantou a voz.

"Ele já soltou."

Dante olhou para ele.

"Seu sobrinho precisa aprender limites."

Caio perdeu o sorriso.

"Você está exagerando por causa de uma funcionária."

O rosto de Dante mudou.

"Repete."

Helena segurou o braço de Caio antes que ele cometesse outro erro.

"Chega."

A sala permaneceu tensa.

Dante voltou ao lugar.

Mas ninguém retomou o assunto anterior.

O jantar terminou vinte minutos depois.

Os convidados foram embora um por um.

Augusto saiu sem se despedir de Isabela.

Helena parou diante dela.

"Tenha cuidado."

Isabela não soube se era conselho ou ameaça.

Caio não olhou para trás.

Quando a porta finalmente fechou, Isabela soltou o ar.

Teresa começou a recolher as taças.

"Senhorita Moretti."

Isabela virou.

"Dante está esperando no escritório."

Ela sentiu vontade de recusar.

Mesmo assim, foi.

O escritório ficava no fim de um corredor silencioso.

Madeira escura.

Livros.

Uma janela enorme voltada para o jardim.

Dante estava em pé perto da mesa.

正文3

Sem paletó.

A camisa dobrada até os antebraços.

Ele olhou primeiro para o rosto dela.

Depois para o pulso.

"Deixa eu ver."

"Não precisa."

"Isabela."

Ela mostrou.

A pele estava vermelha.

Dante segurou o braço dela com cuidado.

Muito diferente de Caio.

"Ele te machucou?"

"Não."

"Tem certeza?"

"Tenho."

Dante passou o polegar perto da marca.

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Você ficou realmente preocupado?"

Ele ergueu os olhos.

"Por que eu não ficaria?"

"Porque há algumas horas eu era só alguém que você tirou de um restaurante."

O maxilar dele endureceu.

"Não fale assim."

"É verdade."

"Você acha que eu teria levantado daquela mesa por qualquer funcionária?"

Isabela puxou o braço.

"Esse é justamente o problema."

Dante franziu a testa.

"Qual?"

"Você fala como se proteger alguém significasse possuir."

Ele se aproximou.

"Naquele ambiente, às vezes significa."

"Eu não quero viver assim."

"Então não deveria ter entrado."

Isabela riu sem humor.

"Você me trouxe."

Dante ficou em silêncio.

Ela continuou:

"Hoje eu descobri que homens sentados na sua mesa falam de milhões perdidos como quem fala do clima."

Mais um passo.

"E descobri que ninguém pergunta o que aconteceu com certas pessoas porque tem medo da resposta."

Dante não negou.

"Você queria saber quem eu era."

"Eu ainda quero."

"Talvez não goste."

"Talvez eu já não goste."

Ele ficou perto demais.

Isabela sentiu o perfume dele.

A respiração.

O calor.

"Então por que ainda está aqui?"

Ela não respondeu.

Dante levantou a mão.

Por um instante, Isabela pensou que ele tocaria seu rosto.

Mas ele parou antes.

"Você deveria ser apenas uma funcionária."

A voz estava mais baixa.

Quase cansada.

Isabela ficou imóvel.

Dante passou a mão pelos próprios cabelos, frustrado.

"Era simples."

"Simples para quem?"

"Para mim."

Ele riu sem humor.

"Você trabalharia. Eu esqueceria aquela noite no restaurante. E tudo continuaria exatamente como sempre foi."

Isabela olhou para ele.

"Mas?"

Dante finalmente encarou seus olhos.

"Mas eu não consigo parar de pensar em você."

O coração dela bateu mais forte.

Dante continuou:

"Na sua voz."

Ele se aproximou.

"Na forma como me enfrenta."

Outro passo.

"Naquela maldita maneira de olhar para mim sem pedir nada."

Isabela deveria ter recuado.

Não recuou.

Dante percebeu.

"Isso é uma péssima ideia."

"Provavelmente."

"Você não sabe onde está se metendo."

"Talvez."

Ele ficou a poucos centímetros dela.

"Se eu ultrapassar essa linha, você pode se arrepender."

Isabela sentiu a respiração dele tocar seu rosto.

Então levantou o queixo.

"E se eu não me arrepender?"

Dante congelou.

Toda a segurança que ele demonstrara durante o jantar desapareceu por um segundo.

Os olhos escureceram.

A mandíbula ficou tensa.

Ele levou a mão até o rosto dela.

Mas, antes que seus dedos tocassem sua pele, o celular sobre a mesa começou a vibrar.

Dante não desviou os olhos.

O aparelho vibrou de novo.

E de novo.

Finalmente, ele se afastou e pegou o telefone.

A expressão dele mudou no mesmo instante.

"Quando?"

Isabela observou.

Dante ficou completamente imóvel.

"Quantos?"

Silêncio.

Então ele fechou os olhos por um segundo.

Quando abriu, aquele homem que quase a tinha tocado não estava mais ali.

"Não mexam em nada."

Ele desligou.

Isabela sentiu o estômago apertar.

"O que aconteceu?"

Dante pegou o paletó.

"Três homens meus morreram."

Ela perdeu a cor.

"Como?"

Ele caminhou até a porta.

Parou.

Olhou para ela.

"Alguém sabia exatamente onde eles estariam."

Isabela entendeu antes que ele terminasse.

Dante falou com a voz fria.

"Temos um traidor dentro da minha casa."

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